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Oliveira e Antunes (2013) dão pistas de como pode ser realizada a mediação leitora quando sugerem que, de início, é necessário se ter consciência de que esse é um trabalho processual e que precisa ser muito bem planejado. Ele começa antes mesmo de o professor entrar na sala de aula, por exemplo, com a escolha dos livros (textos) que serão apresentados aos alunos. Tal seleção não pode ser feita sem critérios nem planejamento, além do bom- senso do professor, a qualidade gráfica, as ilustrações e a temática devem ser relevantes. Também é de fundamental importância avaliar se as obras são adequadas ou possuem qualidade suficiente para a função designada de alfabetizar, letrar e estimular a formação de leitores competente e autônomos (leitores iniciantes merecem atenção nesse sentido) “e, de modo especial, o professor deve fazer tudo isso considerando as particularidades de cada sala de aula e de cada estudante” (OLIVEIRA; ANTUNES, 2013, p. 75).

Conhecer bem as obras que serão trabalhadas em sala de aula através de uma leitura previa e atenta por parte do professor, certamente, trará muitos benefícios para os leitores, principalmente para aqueles iniciantes que precisam de incentivo maior para tomarem gosta pela leitura, como exemplificam Oliveira e Antunes (2013, p. 76).

Daí a grande necessidade de o professor ler anteriormente as obras que serão degustadas por seus alunos. Essa postura do professor pode trazer consequências muito positivas no processo de formação de leitores competentes, afinal, se a relação do professor com o texto não é significativa, se ele não interage bem com as obras as quais se depara, sua atuação como mediador de leitura fica comprometida.

Como podemos observar, essa etapa é de fundamental importância para o desenvolvimento da competência leitora dos alunos porque proporciona ao professor mediador a possibilidade de, antes da atividade propriamente dita, avaliar o grau de dificuldade que cada obra tem, bem como refletir sobre a capacidade dos alunos de superarem essa dificuldade e sobre quais serão suas estratégias para auxiliá-los nessa tarefa.

Com base nos estudos de Oliveira e Antunes (2013, p. 76), a relação do professor com os livros também é fundamentalmente importante na formação de bons leitores: “A experiência leitora do professor reflete-se diretamente no desenvolvimento de seu trabalho em

sala de aula, considerando que ele tenha como finalidade a formação de novos leitores.” Sem exigências, mas lançando mão de outras estratégias, como partilhar com felicidade suas próprias leituras, o professor tem maiores chances de despertar no seu aluno o interesse pela leitura.

Outro ponto importante que parte do professor é a motivação da leitura. Para despertar o interesse pelo ato de ler é necessário que se encontre sentido nele e esse encontro pode ocorrer através da partilha feita pelo professor, em sala de aula, de suas leituras pessoais. Tal motivação pode acontecer em rodas de conversa informal nas quais todos, professores e estudantes, tenham a oportunidade de contar livremente o que leram de maneira a incentivarem uns aos outros, como sugerem Oliveira e Antunes (2013, p. 78):

O professor que atua como agente de leitura deve dar espaços para as interferências e dúvidas dos alunos, ainda que venham a interromper a leitura, permitindo, assim, o debate entre os alunos e as especulações sobre o que pode vir a acontecer. O professor instiga a reflexão dos alunos e levanta questões a serem refletidas.

Sobre a motivação da leitura, Magalhães e Machado (2012, p. 50), que a denominam de contextualização, acrescentam que: “A preparação prévia para a leitura de qualquer texto em sala de aula é essencial. A essa preparação, chamamos de contextualização. Na contextualização, o professor pode instigar o aluno a falar sobre o tema a ser lido e verificar o que ele sabe sobre o tema”. Como podemos observar, a leitura não tem inicio apenas no momento em que o aluno começa a ler o texto, mas ela abrange todo o processo realizado antes mesmo do ato da leitura.

Textos desconhecidos, mas com temáticas familiares podem tornar a leitura desafiadora. O professor precisa traçar objetivos claros e passar para os alunos onde se quer e se pode chegar com a atividade leitora, além disso, valorizar os conhecimentos prévios destes com a finalidade de ampliá-los, em outras palavras, precisa assumir o seu papel de mediador no contexto de interação da sala de aula “colaborando com os seus interlocutores na construção de sujeitos: questionando, sugerindo, provocando reações, exigindo explicações sobre as informações ausentes do texto, refutando, polemizando, concordando e negociando sentidos mediante as pistas deixadas no texto” (MOURA; MARTINS, 2012, p. 90).

Dessa forma, a formulação de hipóteses e as tentativas de antecipação da leitura a partir do título e ilustrações podem ser consideradas boas estratégias quando se pretende prender a atenção dos leitores no texto. Além disso, permitir que esclareçam dúvidas, que façam inferências e que debatam; instigar a reflexão e comentários nas leituras coletivas, mesmo que essas ações interrompam a atividade, são bons exemplos de mediação leitora.

Porém o processo da leitura só estará completo se o leitor conseguir, sozinho ou por intermédio do professor mediador, atribuir sentidos ao texto, ou seja, quando houver compreensão leitora. Mas o auxílio do professor não pode ultrapassar os limites da mediação, ou seja, por melhores que sejam as intenções do professor mediador, este não pode fornecer ao leitor mais que subsídios para que o processo de leitura seja completado, conforme ilustram Oliveira e Antunes (2012, p. 78):

O processo de leitura é completado quando se alcança a compreensão, no entanto não é suficiente que essa compreensão seja “entregue” pelo educador mediador. Não basta que os alunos assistam à construção do conhecimento feita pelo professor. Os educandos devem participar ativamente da elaboração de previsões do texto, de estratégias para confirmá-las ou refutá- las, da construção de interpretações e, assim, terão sido atores da compreensão leitora, que é uma habilidade de um leitor competente.

Como podemos observar, os estudantes precisam ser protagonistas do processo de leitura a fim de que possam alcançar a compreensão e se tornarem leitores proficientes. Cabe ao professor mediador auxiliá-los nesse processo e não realizar a atividades por eles.

Às etapas de preparação da leitura e motivação, deve ser acrescentado o momento pós- leitura como parte do processo de busca, além da participação ativa dos leitores no processo de leitura e atribuição de sentidos.

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