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Para se poder compreender todo o processo evolutivo das características das organizações, da qual também fazem parte as organizações escolares, é necessário tomar conhecimento da teoria das configurações estruturais/ estruturalismo.

Segundo Mintzberg (1990), as organizações assumem determinadas estruturas cujas características levam a organização num determinado sentido: modelo mecânico (está

tudo planeado e é tudo previsível) ou orgânico (a organização é mais flexível, diferenciado, aberto) conforme os seus mecanismos de coordenação.

Para o mesmo autor, toda a actividade humana organizada dá origem a duas necessidades fundamentais e contraditórias: dividir o trabalho em tarefas distintas para depois se assegurar a coordenação necessária entre elas. Para satisfazer estas necessidades fundamentais, as organizações possuem cinco elementos básicos: Vértice estratégico; Tecnoestrutura; Equipa de apoio; Nível intermédio; Centro operacional.

A combinação destes cinco elementos básicos condiciona o aparecimento de uma determinada configuração estrutural de acordo com a força exercida por cada um deles: a) estrutura simples em que a força é exercida pelo vértice estratégico, no sentido da centralização;

b) burocracia mecanicista, onde a força é exercida pela tecnoestrutura, fazendo pressão para a estandardização;

c) burocracia profissionalizada, sendo a força exercida pelo centro operacional, fazendo pressão para a profissionalização;

d) estrutura divisionada, em que a força é exercida pelo nível intermédio fazendo pressão para a “balcanização”;

e) adhocracia, onde a força é exercida pela equipa de apoio e centro operacional, num processo de ajustamento mútuo para a tomada de decisão.

Apesar de vivermos numa sociedade com milhares de organizações podemos, teoricamente, identificar estes modelos-tipo que descrevem de forma fundamental as estruturas e a situação que lhes corresponde. Como refere Mintzeberg (1990) é necessário insistir sobre o facto de que cada configuração (...) é uma configuração ideal – uma simplificação, uma verdadeira caricatura da realidade. Não existe uma só organização que seja exactamente semelhante a um destes tipos perfeitos.

Esta abordagem constitui, tal como outras, um instrumento heurístico que ajuda a compreender a realidade das organizações e a sua utilidade é, perante situações concretas, podermos analisar para agir, no sentido de introduzir mudanças na

organização. Ao analisarmos a escola enquanto organização, à luz desta perspectiva estruturalista, encontraremos nela muitas das características das organizações burocráticas:

1. Divisão do trabalho baseada na especialização funcional 2. Hierarquia de autoridade bem definida

3. Sistema claro de regras e regulamentos.

4. Sistema de procedimentos e rotinas para todas as situações possíveis; 5. As relações interpessoais são impessoais;

6. Promoção e selecção pela competência técnica.

A escola teve esta imagem porque se baseou em valores comuns, impostos e simbolizados através de sistemas de sanções punitivas com funções previamente definidos. Estava preocupada com as relações entre objectivos, estrutura e eficiência. A burocracia funciona também de acordo com uma visão mecanicista do ser humano, isto é obedece-se porque está no regulamento, de facto do ponto de vista da análise das organizações funciona quando o elemento humano é obediente e se comporta exactamente como se pretendia. Se tal não acontece, surgem disfuncionalidades.

As escolas portuguesas enquadram-se na burocracia profissionalizante (modelo organizacional), pois tem elementos de uma estrutura burocrática. No entanto, podem diferir uma das outras, pois as escolas são todas diferentes, mas todas tenderão a evoluir num sentido de mudança porque existem forças sociais que a pressionam.

Segundo Nóvoa (1990) a escola portuguesa tem uma dimensão burocrática muito forte, devido à abundante produção legislativa e às normas de funcionamento a que estão sujeitas e ao contrário a outras organizações “as escolas dedicam pouca atenção ao trabalho de pensar o trabalho, isto é tarefas de concepção, análise, inovação, controlo e adaptação” (p.24). Segundo este autor isto explica-se pela assumpção de uma lógica burocrática da escola pública.

A legislação que tem sido produzida nos últimos anos no sentido da autonomia das escolas e da descentralização tem permitido uma grande evolução. Se por um lado caminhamos para um modelo profissional, onde os saberes profissionais são

valorizados, por outro temos um modelo burocrático a desburocratizar. Toda a regulamentação caminha nesse sentido.

Pode-se concluir que a evolução das teorias da organização aplicadas à educação valorizaram o modelo da burocracia enquanto modelo organizativo das escolas. Uma das imagens na organização pedagógica da escola é o sistema mecânico que surge ligado ao processo da divisão do trabalho e ao ensino simultâneo. O desenvolvimento da educação e a evolução de ideias fizeram surgir novas imagens da escola como organização: Racional/Burocrática; Profissionalizada/Colegial. Estas imagens integram- se pondo em evidência o carácter multifacetado da organização escolar, daí que não existe uma escola burocrática (quer individualmente quer globalmente considerada, existem então na sua organização escolas burocráticas e não burocráticas que variam de escola para escola e que configuram diversos modelos).

Embora quase todos os conceitos de organização se possam aplicar às escolas, estas são organizações complexas, com algumas características que as distinguem das outras. No entanto, o estudo da escola como organização é recente. As primeiras abordagens importaram para o estudo das escolas as teorias clássicas das outras organizações as quais viam a organização como uma máquina e os actores como peças dessa máquina. Quem detinha o poder é que ditava as regras e tomava as decisões. Portanto, a decisão estava separada da execução do trabalho e havia tarefas muito bem definidas para cada um, segundo uma linha hierárquica.

As teorias modernas já vêem a escola como lugares onde o papel dos diferentes actores, influencia o funcionamento da organização: conflitos, interesses diversos e manifestações de poder.

Alguns autores identificam dois tipos de organização: o mecânico e o orgânico. No primeiro, a organização funciona como uma máquina e no segundo como um ser vivo. Na perspectiva de Mintzberg (1990), as organizações assumem determinadas estruturas, cujas características levam a organização num determinado sentido: modelo orgânico ou mecânico conforme os seus mecanismos de coordenação.

Tanto as teorias clássicas como as modernas nos permitem compreender melhor as organizações, incluindo a escola, sendo úteis instrumentos de análise organizacional.

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