Para entendermos como vem se desenvolvendo as TICs nas instituições escolares, tornou-se preciso retratar a presença dos recursos digitais nos domicílios do país, nos hábitos já desenvolvidos pelos brasileiros, nos dados sobre acesso à internet e posse de diferentes aparelhos conectados a rede mundial de computadores. Os dados do PNAD de 2011 demonstra o crescimento do acesso à internet dos brasileiros, bem como do aumento da utilização dos celulares. No ano de 2005, 22,3 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade (14,6% dos domicílios) tinham acesso à internet, em 2011, o total de domicílios passou para 65,7 milhões (39,4% do total).
Em relação a posse do telefone móvel celular o estudo demonstrou que o contingente de pessoas de 10 anos ou mais de idade que o tinham para uso pessoal
foi estimado em 115,4 milhões, o que correspondia a 69,1% da população. Frente a 2005, houve um o crescimento de 107,2%.
Frente ao acesso à internet, a pesquisa da CETIC (2016) indica que 89% dos usuários de internet acessam a rede pelo telefone celular, bem como 82% dos pesquisados declaram acessar a internet todos os dias. O estudo ressalta também a tendência de uso do celular durante o deslocamento diário - na rua, no ônibus, metrô ou carro, passou de 13%, em 2013, para 43%, em 2015 – o que demonstra uma mudança nos hábitos e comportamentos dos brasileiros em relação as TICs.
Assim, essa investigação aponta que o celular já é o principal equipamento que os brasileiros utilizam para acessar a Internet, esse dispositivo ainda é colocado como o único a ser utilizado por grande parte dos indivíduos de classes sociais mais baixas, menos escolarizados e habitantes de áreas rurais. Ou seja, o acesso à internet (facilitado pelo compartilhamento Wi-Fi) é expandido a partir dos celulares (aparelhos mais acessíveis que computadores), mesmo que permaneçam desigualdades sociais e regionais em relação a apropriação desses recursos (detalhados na investigação do CETIC).
Podemos comparar a posse da população entre computadores e celulares, bem como onde está o acesso à internet, para destacarmos a importância dos dispositivos móveis para uma maior relação dos indivíduos com as TICs. Enquanto a proporção de domicílios com acesso ao computador é de 50% e a de domicílios com acesso à Internet é de 51%, os dados disponibilizados pelo CETIC (2016) colocam a presença de ao menos um telefone celular nas residências brasileiras com 93% e o acesso à internet por essa ferramenta em 89%, sendo canal exclusivo de conexão com a rede de 35% dos brasileiros. A pesquisa destaca que apenas o aparelho de televisão se faz mais presente nos domicílios do país que o celular, em uma taxa de 97%.
O compartilhamento de internet por redes Wi-Fi também tem sido recurso importante para aumentar o acesso da população a rede, inclusive pela disponibilidade de conexão pelos dispositivos móveis. A investigação de TIC nos Domicílios (CETIC, 2016) constata que 56% dos usuários utilizam a Internet na casa de outra pessoa (amigo, vizinho ou familiar). O estudo retrata o custo da conexão à Internet como um dos fatores que restringem o acesso no domicílio, incentivando o compartilhamento de Wi-Fi.
Outro elemento relevante para aprofundar o entendimento relativo as práticas digitais dos indivíduos são as atividades que realizam on-line. Novamente, os dados da CETIC contribuem para essa compreensão a qual aponta para as atividades de comunicação as mais relevantes entre os usuários, tais como o envio de mensagens instantâneas e uso de redes sociais: 85% declaram acessar ferramentas como WhatsApp, Skype ou chat do Facebook e 77% as plataformas Facebook, Instagram ou Snapchat (77%). Essas preferências possuem suas diferenças entre grupos etários, sobre as mensagens instantâneas 92% daqueles pertencentes as faixas de 16 a 24 anos bem como 25 a 34 utilizam esse recurso frente a 72% entre aqueles pertencentes ao grupo de 60 anos ou mais. Para as redes sociais, o resultado é semelhante, 88% dos usuários dois primeiros grupos utilizam essas ferramentas frente a 56% do último grupo.
Por último, analisaremos a tabela “Proporção de usuários de telefone celular, por atividades realizadas no celular nos últimos três meses” retiradas da pesquisa para detalhar as atividades acessadas e o que indicam sobre as práticas digitais dos brasileiros.
É interessante perceber que apenas a 5º opção dessa relação exige a conexão com a internet, o que reforça as informações anteriores sobre esse acesso, que o acesso existe e pode ser diário, porém, mas não necessariamente é constante, podendo variar conforme as condições de pagar planos de internet ou acesso à Wi- Fi. Logo o celular também sendo utilizando offline com os recursos da rede, uma vez que músicas e vídeos podem ser baixados para posterior visualização.
Tabela 1 “Proporção de usuários de telefone celular, por atividades realizadas no celular nos últimos três meses”
Fonte: CETIC. Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos domicílios brasileiros - TIC Domicílios. Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, 2016, p.150. Por fim, essas atividades na internet estão geralmente ligadas ao compartilhamento de informação (textos, imagens ou vídeos) para 66% dos usuários de Internet no Brasil, um número menor – 38% - indica utilizar para postar textos, imagens ou vídeos e um percentual ainda mais reduzido evidencia o uso dos espaços virtuais também para produção de informação - apenas 16% criam ou atualizam blogs, páginas ou websites.
É possível analisar alguns indicadores que relacionam o cenário social descrito com os contextos escolares das instituições públicas brasileiras. Os dados oferecidos pelo Censo escolar de 2016 do INEP destaca apenas três aspectos: a existência de Laboratório de Informática, o acesso à internet e a presença de computadores tanto para a administração escolar quanto para os estudantes.
Em relação a estrutura das escolas sobre a existência de Laboratório de Informática, acesso à internet e disponibilidade dos recursos aos estudantes, o Censo Escolar de 2016 (INEP, 2017) trás dados que caracterizam as escolas dos brasileiros,
ressaltando que quase 80% da Educação Básica é pública – garantida por Municípios, Estados e União.
As escolas de Ensino Fundamental de Anos Inicial (1º a 5º ano) tem Laboratório de Informática presente em 44,7% dessas instituições; o uso administrativo do computador (64,5%) supera o percentual daquelas que dispõem deste recurso para uso dos alunos (54,4%). Em relação às escolas de Ensino Fundamental de Anos Finais (6º a 9º ano) o Laboratório de Informática é um recurso disponível em 67,8%
dessas instituições com 81,0% desses com acesso à internet; a existência de computador para uso administrativo (85,1%) supera o percentual de escolas que dispõe deste recurso para uso dos alunos (75,6%). Por fim, as Escolas de Ensino Médio possuem Laboratório de informática em 82,7% das escolas de suas instituições, desses com 94,5% das escolas dispõem de acesso à internet, o computador para uso administrativo (94,8%) supera em percentual disponibilidade deste recurso para uso dos alunos (88,8%) .
Percebemos que ao longo da trajetória escolar do estudante aumentam as possibilidades de acessar o Laboratório de Informática e à internet, sendo as escolas de Ensino Médio aquelas que mais se aproximam de uma universalização do acesso. Também vale destacar que a gestão escolar passa por uma maior informatização, uma vez que o uso administrativo dos computadores na Educação Básica chega ser maior que a dos estudantes.
O acesso a espaços informatizados e com conexão à internet são fundamentais para a garantia de inclusão digital. Entretanto, para além dessa oferta é essencial a manutenção desses espaços e condições para usufruto das instituições em relação às potencialidades oferecidas pelas ferramentais digitais. Isso implica em assistência técnica, equipamentos funcionando e velocidade de internet compatível ao número de estudantes atendidos pelos Laboratórios de Informática.