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Secteur r´esidentiel

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2.4 D´esagr´egation de la demande ´electrique

2.4.1 Secteur r´esidentiel

A compreensão de identidade é proveniente da ideia de que o homem é um ser histórico e social e, por conseguinte, seus modos de ser ocorrem nas relações estabelecidas ao longo de sua vida, nos contextos por onde transcorre. Ao nascer o sujeito já faz parte de um grupo, o primeiro a que pertence em sua vida: a família. Lá, assume identidades a partir das posições em que é situado, seja enquanto filho, irmão, neto e, gradativamente vai alcançando outros espaços, os quais vão lhe concedendo outras identidades. Assim, “...não é possível dissociar o estudo da identidade do indivíduo da sociedade. As possibilidades de diferentes configurações de identidade estão relacionadas com as diferentes configurações da ordem social” (CIAMPA, 2011, p.72). Sendo, então, a construção identitária feita a partir das posições assumidas pelo sujeito nas relações sociais, não se pode tratar identidade pessoal e identidade social como sendo diferentes, visto que o homem é ao mesmo tempo autor e personagem da história por ele feita e por ele vivida.

Ao falar em identidade, convém pensar tal conceito dentro de um momento de mudanças estruturais, as quais têm transformado as sociedades e os sujeitos nela contidos. Hall (2001) compreende o sujeito contemporâneo como sendo fragmentado e assumindo diversas e até contraditórias identidades, caracterizando um perfil muito diferente do que antes se reconhecia, onde este sujeito era estável e possuidor de uma identidade unificada. O autor menciona o fato de que o sujeito é permeado pelos sistemas culturais aos quais pertence, fazendo com que este assuma identidades diferentes, distanciando-se de um “eu” coerente. Corroborando com esta ideia que se opõe à unicidade identitária, Ciampa (1987) entende identidade como metamorfose, um processo em constante formação e transformação, sempre ocorrendo em determinadas condições sociais e históricas.

O homem não nasce pronto, nem fica pronto em certo momento de sua vida, mas permanece se construindo, se refazendo, em um eterno vir-a-ser. A ideia de vir-a-ser, aproxima-se da compreensão de Hall, citado por Woodward (2004), acerca de uma das concepções de identidade cultural, sendo compreendida como “tanto de „tornar-se‟,

quanto de „ser‟”. Considerando identidade nesse sentido, esta assume um caráter fluído, distante de uma rigidez ou fixação, denotando sua construção de forma processual e não linear.

Ainda mencionando Hall, Woodward (2004) ao conceber a forma instável e móvel da identidade, compreende-a como constituída a partir dos diferentes posicionamentos e papéis assumidos pelas pessoas. A autora explicita que “as posições que assumimos e com as quais nos identificamos constituem nossas identidades” (p.55), permitindo pensar os caminhos percorridos pelo sujeito e os pontos em que se localiza ao longo de seu percurso, como constituintes e influentes em sua construção identitária. Seguindo a mesma ideia de identidades enquanto posicionamentos dos sujeitos, Bernardes e Hoenisch (2003) acrescentam a compreensão destas enquanto posição em uma rede discursiva, em uma estrutura social e cultural que nunca está acabada, estando sempre por se fazer.

Nenhuma identidade se mantém idêntica, mesmo que o sujeito esteja sempre no mesmo país, estado, cidade, bairro ou rua, tendo em vista que não está imune às contingências ao seu redor. Mudanças econômicas, culturais, nas relações familiares ou, até, questões de ordem psicológica podem ocorrer, atravessando a vida do sujeito e, inevitavelmente, sua identidade. Esta sucessão de acontecimentos sempre articulam subjetividade e objetividade, construindo o sujeito e posicionando-o no mundo, no histórico e no social.

Em cada novo espaço onde é situado, o sujeito reconhece tudo e todos os que o circundam, construindo-se por meio das identificações estabelecidas. Esta visão sobre identidade é trazida por Santos (1996, p.135), o qual defende que “identidades são, pois, identificações em curso” e, dessa forma, são resultados efêmeros, passageiros. Ao entrar em contato com alguém recém-conhecido que lhe causou admiração, por exemplo, uma criança tende a identificar-se com esta pessoa, querendo, então, ser como ela. Sendo o sujeito relacional, é inevitável acontecerem novas identificações a partir dos contatos estabelecidos, reforçando a noção de identidade como algo nunca estanque, sendo sempre resultado de novas identificações. Assim, identidade considerada como produto de identificações, pode ser compreendida por ser uma unidade múltipla, com vários “eus”, diferentes, contraditórios, porém, constituindo uma singularidade.

Na perspectiva dos Estudos Culturais, a identidade se dá a partir da diferença, do fato de o sujeito constituir-se através do outro que é

diferente dele, concepção explicitada por Woodward (2004, p. 39): “a identidade, pois, não é o oposto da diferença: a identidade depende da diferença”. Partindo da importância da cultura na formação identitária, a autora entende que tudo o que é existe e se relativiza a partir do que não é, principalmente seguindo a lógica de oposições binárias estruturadas a partir de divisões ou classificações. A cultura delimita sistemas classificatórios, os quais visam organizar e dar sentidos ao contexto social para, então, demarcar o que é igual (que pode ser categorizado no mesmo grupo) e o que é diferente (o que não se assemelha). Logo, identidade e diferença são efeitos da cultura e, igualando-se e diferenciando-se, o sujeito vai se construindo, dando novas formas à sua identidade, sempre múltipla e transitória.

A explanação teórica acima buscou trazer as principais noções sobre a psicossociologia, escolha, projeto e identidade, concedendo sustentação a esta pesquisa, a qual é norteada pelo entendimento de que o sujeito é psíquico e social, produto e produtor de seu meio, escolhe, renuncia, elabora projetos e se reconstrói constantemente em diferentes identidades, nas continuidades e rupturas de sua vida. Após conhecer esses aportes, torna-se pertinente a aproximação do contexto a que pertencem os sujeitos que foram pesquisados. Para tanto, o capítulo seguinte trará um breve panorama da Ordem Franciscana, a qual se constitui como o contexto do processo de escolha dos jovens em questão.

4 A VIDA RELIGIOSA NA ORDEM DOS FRADES MENORES

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