• Aucun résultat trouvé

2.4 Tests utilisateurs

2.4.2 Second test utilisateurs

Lélia Ibiapino Moura1, Luciana Dias Bezerra2, Rafaella Cristhine Pordeus Luna1, Iana Bantim Felício Calou1

1

Universidade Federal do Piauí, Rua Cícero Duarte nº 905, Bairro Junco, Picos, Piauí, Brasil, CEP 64600-000, e-mail: [email protected]

2

Faculdade Maurício de Nassau, Campina Grande, PB

A Hipertensão Arterial apresenta maior prevalência entre idosos e seu tratamento farmacológico geralmente caracterizado pela polifarmácia, pode, potencialmente, apresentar uma série de interações, inclusive com a alimentação do paciente. O objetivo deste trabalho foi identificar interações droga-nutriente no consumo alimentar de idosos hipertensos. Analisou-se o consumo habitual dos idosos através do Recordatório de 24 horas em três dias não consecutivos, aferiu-se a pressão arterial e aplicou-se um questionário para investigação do uso de medicamentos anti-hipertensivos. A amostra foi composta por 49 indivíduos hipertensos, dos quais 77,6% apresentavam pressão arterial não controlada. A polifarmácia foi observada em 55,09% dos pacientes e a Hidroclorotiazida foi o medicamento mais freqüente da terapêutica entre os participantes do estudo (33,75%). Quanto às interações com nutrientes, o Captopril apresentou 50% de interações com alimentos em geral, 22,73% com o cálcio e 27,7% com o magnésio; o Atenolol apresentou 50% com os alimentos em geral, 25% com a Niacina e 25% com a Proteína; com a Losartana, 100% estão ocorrendo pela ingestão juntamente com alimentos; o Propranolol apresentou todas as interações com alimentos em geral; o Enalapril apresentou 57,14% com alimentos em geral e 14,28% com cada um dos nutrientes: Cálcio, Proteína e Magnésio; com a Hidroclorotiazida, 100% estão ocorrendo pela a ingestão concomitante com os alimentos. Essas interações podem ser o motivo pelo qual os indivíduos, mesmo ingerindo estes medicamentos, permaneçam com a pressão arterial alta. Palavras - chave: interação droga-nutriente; anti-hipertensivos; idosos; pressão arterial INTRODUÇÃO

A Hipertensão Arterial (HA) é a Doença Crônica Não Transmissível que apresenta maior prevalência entre os idosos, sendo uma entidade multigênica de etiologia múltipla e fisiopatologia multifatorial que causa lesões nos chamados órgãos-alvo (coração, vasos, rins, cérebro e retina)¹. Considera-se hipertenso o indivíduo que apresentar pressão arterial sistólica acima de 140mm Hg e pressão arterial diastólica acima de 90mm Hg. O tratamento da HA envolve dois tipos de abordagem o farmacológico e o tratamento não- farmacológico que abrange mudanças no estilo de vida, redução do peso, abandono do tabagismo e do consumo de álcool além de mudanças na alimentação.

Há eficácia comprovada dos hábitos saudáveis na queda de valores pressóricos, na diminuição do risco para eventos cardiovasculares e para a síndrome metabólica². Para o tratamento farmacológico da Hipertensão Arterial, o Sistema Único de Saúde (SUS), através do Programa Farmácia Popular, distribui gratuitamente medicamentos anti- hipertensivos, que, de acordo com o mecanismo de ação, são divididos em: Betabloqueadores; Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina; Diurético Tiazídico; Bloqueadores dos Receptores AT1 da Angiotensina II. No idoso, o risco do uso contínuo

de medicamentos é aumentado devido às desordens nutricionais e metabólicas além da possibilidade de interações entre fármacos e nutrientes, ambos utilizando a via oral. É no trato gastrintestinal que ocorre a maioria das interações, onde a absorção de nutrientes e fármacos ocorre por mecanismos semelhantes e até de modo competitivo³.

As interações entre fármacos e alimentos, merecem uma atenta reflexão na avaliação da eficácia da terapêutica medicamentosa, bem como na avaliação do estado nutricional do doente³. Com base nisto, este trabalho pretende chamar a atenção para as interações droga-nutriente em idosos hipertensos fazendo uso de anti-hipertensivos distribuídos pelo SUS, a relação com a prática da polifarmácia e com o adequado controle da doença.

METODOLOGIA

Os resultados foram obtidos por meio de um estudo do tipo exploratório descritivo com abordagem quantitativa e emprego da técnica de observação direta por meio da análise do consumo habitual dos idosos hipertensos. A pesquisa foi realizada em um Programa Assistencial denominado Clube da Melhor Idade localizado no município de Oeiras-PI. Os idosos participantes foram selecionados aleatoriamente. A amostra foi constituída de 49 idosos. Foi estabelecido um intervalo de confiança de 95%, sendo de 1,96 o nível de significância expresso em desvio padrão (a), erro máximo permitido (e) de 0,05 e uma prevalência (p) de 50%. Após a obtenção do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, foi aplicado um questionário sobre uso de medicamentos anti-hipertensivos além do preenchimento de um Recordatório de 24 horas para investigar o consumo alimentar habitual, com três repetições em dias diferentes. Posteriormente foi realizada a aferição da pressão arterial. A análise do consumo habitual foi feita através do software de Nutrição NutWin 1.6, 0.7, através da determinação das quantidades de macronutrientes (carboidratos, lipídios e proteínas), de energia (Kcal) da dieta ingerida e dos micronutrientes: Cálcio, Niacina, Potássio e Magnésio. Esta pesquisa foi apreciada e aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Piauí (CAAE: 0266.0.045.000- 11).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise das possíveis interações entre os nutrientes e fármacos foi embasada na literatura já existente. O estudo mostrou que 55,09% dos idosos usam mais de um medicamento, dos quais a Hidroclorotiazida é o mais consumido (33,75%), seguido do Captopril (29%), Losartana (15%), Enalapril (9%), Atenolol (7%) e Propranolol (6%) (Figura 1).

Neste estudo pôde ser percebido que, apesar do uso contínuo e prolongado de medicamentos anti-hipertensivos, a maioria dos indivíduos apresentava-se com a pressão arterial (PA) elevada (77,6%) (Figura 2). Isso pode estar ocorrendo devido às interações droga-nutriente, também observadas. Resultados semelhantes são encontrados na literatura, mostrando que o controle adequado da patologia não é tão fácil de ser atingido4, 5.

Quanto às interações droga-nutriente, o Captopril apresentou 50% de interações com alimentos em geral, 22,73% com o cálcio e 27,7% com o magnésio. O Captopril tem sua absorção reduzida se administrado juntamente com as refeições6, perdendo portanto, parte do seu potencial terapêutico 7. Essas interações podem estar ocorrendo com freqüência nos idosos deste estudo, já que todos eles relataram ingerir o Captopril imediatamente antes ou após as refeições. Pode, ainda, estar ocorrendo a perda de proteínas plasmáticas, pois a ingestão deste medicamento com os alimentos pode gerar esse tipo de

interação¹. O Cálcio e o Magnésio estão presentes na dieta dos indivíduos estudados, por isso, a biodisponibilidade e a absorção do Captopril devem estar afetadas¹.

Das interações com o Propranolol, 100% ocorreram com alimentos em geral. As concentrações deste medicamento podem aumentar se administrado juntamente com alimentos, ocorre, ainda, um aumento na biodisponibilidade devido ao aumento na velocidade da passagem deste fármaco pelos pontos de biotransformação7. Essas interações podem ser consideradas benéficas ao tratamento. Dentre as interações ocorridas com o Atenolol, 50% foram com os alimentos em geral, 25% com a Niacina e 25% com a Proteína da dieta. As concentrações plasmáticas deste fármaco podem ser diminuídas na presença de alimentos8. Assim como todos os betabloqueadores, a ingestão concomitante com niacina pode aumentar o efeito hipotensor levando o paciente à perda de consciência9.

Todos os pacientes que faziam uso da losartana, o faziam durante a alimentação, diminuindo, desta forma, a absorção e biodisponibilidade do medicamento6. Das interações ocorridas com o Enalapril, 57,14% ocorreram com alimentos em geral e 14,28% com cada um dos nutrientes: Cálcio, Proteína e Magnésio. Em geral os mecanismos e os efeitos das interações do Enalapril com os nutrientes/alimentos são semelhantes aos do Captopril, pois pertencem à mesma classe farmacológica. Dentre as interações com a Hidroclorotiazida, 100% ocorreram pela ingestão concomitante com os alimentos.aumentando assim sua absorção devido ao caráter lipossolúvel do fármaco10.

Os riscos de interações alimento/nutrientes e fármacos são maiores durante os tratamentos crônicos, como o da Hipertensão, podendo ser facilitadas pela ingestão de doses elevadas de fármacos e pela polifarmácia, ocorrendo frequentemente em idosos que se enquadram neste quadro de suscetibilidade. As interações entre os fármacos e nutrientes podem modificar a biodisponibilidade, a atuação ou até mesmo a toxicidade de ambos, e ainda quando se trata de doenças crônicas, o uso prolongado da medicação pode acarretar na perda de nutrientes, assim a suplementação, através de intervenção dietoterápica se faz necessária para restabelecer níveis normais do paciente10.

CONCLUSÃO

Conclui-se que a ingestão de alimentos juntamente com anti-hipertensivos, provoca interações e que essas interações, facilitadas pela polifarmácia, podem ser o motivo pelo qual os indivíduos, mesmo com perfeita adesão à terapia, não conseguem controle adequado da patologia. A adequação do uso de anti-hipertensivos a pessoas idosas deve ser considerada uma prioridade imposta aos serviços de saúde, haja vista o crescente aumento dessa população e a relevância do uso adequado destes medicamentos. Apesar de ser de suma importância, as interações entre drogas e nutrientes são pouco estudadas. O aumento da freqüência desses estudos poderá levar a uma maior conscientização por parte dos profissionais de saúde e da população, chamando a atenção dos governantes para o desenvolvimento de políticas de saúde que previnam tais interações e promovam assim, a harmonia entre a alimentação e o uso de medicamentos.

Figura 1- Uso de medicamentos entre os idosos hipertensos participantes de um programa assistencial de Oeiras- PI.

Figura 2- Níveis de pressão arterial de idosos participantes de um programa assistencial, Oeiras-PI, 2011.

REFERÊNCIAS

1. Cuppari L. Guia de nutrição: nutrição clínica no adulto. 2. ed. Barueri: Manole, 2005. 2. Piovesana PM, Colombo RCR, Gallani MCBJ. Pacientes hipertensos e fatores de risco relacionados ao exercício físico e nutrição. Rev Gaúcha Enferm. 2006; 27(4): 557-563. 3. Rodrigues AES. Importância do conhecimento da interacções fármacos-nutrientes. Porto.Dissertação [Mestrado em Farmacologia]-UFP; 2009.

4. Converso MER, Leocadio PLLF. Prevalência da hipertensão arterial e análises de risco nos núcleos de terceira idade de Presidente Prudente. Rev. Ciênc. Ext. 2005; 1(2).

5. Bueno MJ, Martino HSD, Fernandes MFS, Costa LS, Silva RR. Avaliação nutricional e prevalência de doenças crônicas não transmissíveis em idosos pertencentes a um programa assistencial.Ciênc saúde coletiva 2008; 13(4): 1323-1246.

6. Santiago SM. Interacções Alimentos-Medicamentos. Porto. Dissertação [Mestrado em Farmacologia]-UFP; 2006.

7. Formighieri RV. Interações relatadas para medicamentos que compõem a lista da Farmácia Popular do Brasil. Porto Alegre. Dissertação [Mestrado em Farmácia]-UFRS, 2008.

8. Reis NT. Nutrição clínica: interações. Rio de Janeiro (RJ): Rubio, 2009. 9. Ramos FJ. Manual de interacções alimentos-medicamentos. AJE 2007.

10. Moura MRL, Reyes FGR. Interacção alimento-medicamento. Rev. Nutrição 2002; 15(2): 223-238.

DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE GLICÊMICO DA FARINHA DE