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SECOND LEVEL SYSTEM GENERATION

TYPE X.PIM TYPE XXX

3. SECOND LEVEL SYSTEM GENERATION

A nossa família é como uma raiz, e é com ela que crescemos, aprendemos e nos fortificamos [...] não há família certa ou errada, cada um tem um tipo de família. Alguns vivem com os pais, os avós, os tios... (O, maio de 2018)

Durante a apresentação para o Dia das mães, à qual a diretora da Escola A se referiu como um “Dia para família,” ela demonstrou sua concepção de família ao agradecer a presença de todos e comparar a família a uma raiz, a raiz de uma árvore que dá frutos, que passa por momentos difíceis e alegres e precisa ser cuidada para não se acabar. Existem diversas variedades de árvores, existem diversas variedades de famílias.

Neste sentido, observa-se que a escola tem buscado superar os preconceitos decorrentes da defesa de uma família tradicional27 e acompanhar os movimentos

ocorridos na sociedade, pois cada criança pertence a uma forma de organização familiar e datas como Dias das Mães, Dia dos Pais podem se tornar dolorosas e confusas para algumas crianças.

Abbagnano (2007, p.497, grifos nossos) traz o conceito de família da seguinte maneira:

Aqui só nos interessa registrar o uso lógico e metodológico deste conceito que é recentíssimo. Uma “F. de conceitos” é um conjunto de conceitos entre os quais se estabelecem relações diversas que não sejam redutíveis a um só conceito ou princípio. É precisamente o que o ocorre entre os membros de uma F. humana, os quais nem sempre têm uma única propriedade comum, e, mesmo quando têm, ela não resume nem esgota toda a semelhança familiar.

Neste sentido, o conceito de família é compreendido a partir de suas diversidades, não havendo um modelo a ser seguido. Portanto, é reconhecida a partir dos laços afetivos que são estabelecidos em determinados grupos humanos.

Sobre a importância da participação da família na vida escolar dos alunos, para sua aprendizagem, Polonia e Dessen (2005, p.304) entendem que a família é como “impulsionadora da produtividade escolar e do aproveitamento acadêmico e o distanciamento da família, podendo provocar o desinteresse escolar e a desvalorização da educação, especialmente nas classes menos favorecidas.”

27 Termo usado para definir uma família composta por pai (geralmente responsável pelo sustento da

Neste sentido, a discussão sobre as relações entre escola e família são indispensáveis para a análise do objeto de estudo desta pesquisa, pois entender como estas relações afetam a aprendizagem leva a perceber como as professoras expressam suas compreensões sobre o ensino em sua prática pedagógica.

Oliveira (2009) aponta que a função da escola sempre foi alvo de disputa entre as classes dominantes e as classes dominadas, e, enquanto algumas famílias pertencentes a classes dominantes entendem que o papel da escola é contribuir para perpetuação das relações de poder decorrentes do modo de produção capitalista, as famílias pertencentes as classes dominadas – e as quais se reconhecem como classe dominada −, visualizam na escola um espaço de emancipação política e humana.

No que diz respeito à relação entre escola e família, a Professora 1 comentou que:

Os encontros com a família eram em reuniões, quando havia uma necessidade, era chamado a mãe ou um responsável para conversar. Sempre as mães iam, quando eram chamadas elas iam. Só que assim, a participação, até mesmo quando a gente manda um bilhete, coisas que poderiam ser resolvidas ali, mandando um bilhete, ou só uma conversa com os pais em casa, a gente percebe que não acontece. A família deixa a desejar nesta questão de estar mais presente com o aluno, às vezes até em uma atividade, um trabalhinho, uma tarefa de casa, isso eu acho que a família deixava a escola em segundo plano, ah, eu não fiz a tal tarefa porque minha mãe falou que nós íamos passear e a tarefa não era importante, podia fazer no outro dia, ou a professora ia entender, alguma coisa assim, sempre tinham essas desculpas. Parecia que a família não valorizava, achava que era perca de tempo. Pesquisadora: E quando acontecia essas coisas assim, como que você agia? Ou alguma forma de repente de não acontecer mais? Era sempre chamado os pais para conversar lá na escola, aí algumas mães iam, mas realmente defendiam o lado delas, porque elas diziam que estavam cansadas, que não podiam ajudar o aluno, ou que não sabiam a atividade, mas no caso, era mesmo para cobrar que o aluno fizesse, que as tarefas de casa, a gente manda o que eles fazem em sala, a gente não vai mandar uma coisa diferente, difícil [...]. (EP1, maio de 2019)

A Professora 2 afirmou que a comunicação com os pais se dá pela agenda. Ela questionou o fato de os pais cobrarem muito da escola e não fazerem a sua parte. Disse que gostaria que eles participassem mais, e que eles têm todo o direito de reivindicar uma boa educação para seus filhos, mas também têm o dever de acompanhá-los nos estudos e reuniões.

A pesquisadora verificou as agendas dos alunos e constatou que a comunicação com os pais se dá geralmente através de bilhetes registrados na agenda. Há uma comunicação frequente entre professoras e família, para informar

sobre o controle de medicamentos como Ritalina – que são ingeridos na escola para ajudar na concentração e comportamento dos alunos, segundo comentários das professoras observadas.

Leonardo e Suzuki (2016) comentam que a medicalização no ensino é decorrente das relações produtivas que se articulam na escola, a profissão docente cada vez mais precária, o processo de ensino cada vez mais defasado, gerando um fracasso escolar e apontando a falsa necessidade de, cada vez mais, especialistas da educação reafirmarem que o problema do fracasso escolar está no aluno, haja vista que o aluno que não se concentra, não se comporta. Assim, tornando-se rentável para indústria farmacêutica fabricar remédios que prometem solucionar o problema de modo muito mais eficaz, ao invés de se refletirem e discutirem soluções reais para o problema.

A Professora 3 também explicou que se comunica com os pais pela agenda e nas reuniões, e que quando há necessidade, ela os chama para conversar de modo individual. Em sua prática, há um diferencial, notado quando ela revela relações colaborativas entre escola e família, veja-se:

[...] nas minhas turmas eu acho que sempre tive, breve pausa – não sei se é o jeito de chamar, de conversar, de trabalhar em sala de aula, eu sempre tive turmas participativas. No dia da reunião, faltam poucos pais para assinar o boletim, só que eu às vezes costumo sempre fazer com eles alguma apresentaçãozinha no dia reunião, daí eu já faço isso sabe?! Talvez isso cative eles e chamem mais. Mas sempre tive boa participação, não posso me queixar – risos. (EP3, maio de 2019)

Notou-se que a Professora 3 elabora estratégias para estabelecer relações colaborativas com a família. Durante as observações, houve a oportunidade de acompanhar uma das apresentações que citou na entrevista. A professora, inclusive, apresentou três vezes a mesma música em sala, pois alguns pais se atrasaram porque estavam trabalhando.

A Professora 4 percebeu um grande avanço na participação dos pais na vida escolar dos alunos. Como está aposentada, disse que, no início de sua carreira, recordava-se de ter tido alguns confrontos com pais e que recentemente ficou muito satisfeita com a participação dos familiares, ressaltando, ainda, que há muito para melhorar.

À vista disso, as relações entre escola e família mostram que há momentos em que as organizações familiar e escolar são compreendidas a partir de seus limites e

possibilidades, buscando a aproximação entre ambas. Por outro lado, também há momentos de disputa e discordância entre família e escola, as quais nem sempre parecem estar caminhando para o mesmo objetivo.

As discussões levam a compreender que é necessário alinhar a função da escola e da família em relação ao processo ensino e aprendizagem. E quando ambas estão trabalhando juntas, as chances de se alcançar uma educação de qualidade são maiores.

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