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The search for regions of the genome that confer

Dans le document World Cancer Report (Page 156-159)

O objetivo desta segunda pergunta da entrevista semiestruturada é buscar as manifestações dos pais e responsáveis sobre os meninos de rua.

Questão central da segunda pergunta são as respostas manifestadas pelos pais e responsáveis sobre a importância de resgatar estes meninos de rua, buscar construir as mediações, o que são e como vivem. Os sujeitos pesquisados apresentam as suas respostas.

A maioria dos entrevistados expõe um sentimento de piedade ao comentarem a importância de resgatar os meninos de rua, visto que estes sofrem agressões não só dos bandidos, como da própria sociedade, conforme observado na opinião dos participantes das entrevistas. “Eles sofrem. Uma vez um passou na porta todo ensanguentado, disse que foi ferido por um dos seus colegas. Não parou com tanta ira que se encontrava e eu não tive coragem de colocar remédio em seu ferimento porque podia ser agressivo e me atacar. Tenho vontade de ajudar, porém são muito agressivos, só a maneira como olham impõe medo” (M).

Podemos ver o quanto é difícil estes meninos retornarem aos seus lares, pois se acostumaram com a violência da rua, apanham, roubam, correm com medo dos companheiros, mesmo assim, a rua acaba por ser um lugar adequado para sua estadia, mesmo andando de um lugar para outro, como refere Craidy:

Como os nômades, vivem da coleta; dos restos e sobras da população citada distancia dos que os cercam por todos os lados. Não sendo vistos como produtos, são desprezados pela sociedade capitalista, que os considera “excedentes”, ou seja, desnecessário e incômodo (1998, p.27).

Podemos dizer, então, que a autora afirma o quanto é difícil estar em contato com estes meninos, que não permanecem em um lugar fixo (são nômades), coletam sobras desprezadas pela sociedade e vivem incomodando a todos.

62 Neste ínterim, podemos considerar as manifestações dos pais ao relatarem o quanto é difícil tirar estes meninos de rua, pois estão adaptados ou arraigados à mediocridade de rua a rua. “Sendo assim, sua circulação não pode ser considerada como normal”, mesmo que se apresente como uma forma de apresentação com muitos aspectos positivos são considerados autônomos. O livro PAICA-RUA relata:

Há diferentes fatores que constituem ou não esta autonomia: gênero, idade, tempo de vivência na rua, esperteza... Estas crianças e adolescentes em geral, já sobrevivem, porém vivem “bancados” por adultos ou por outros adolescentes que lhes exigem trocar de favores (sexuais, de tráfico, furtos e outros), mas nenhum deles aceita de forma consciente, ser mandado (2002, p.32).

Quando uma pessoa se aproxima para falar com uma dessas crianças, tentando conseguir um vínculo, há por parte deles uma rejeição. No primeiro momento, vem a desconfiança, pois já vive saturado do perigo como a polícia, o medo da própria turma de convivência. Querem logo saber o motivo da nossa aproximação, observam até que ponto vai a nossa paciência com eles e por isso passam um bom tempo calado, só encarando e testando.

Vimos, pela pergunta anterior, que os pais se manifestaram de forma até mesmo rude devido à situação em questão. “Eu não posso ajudar um menor que na hora que viro as costas vai roubar ou me fazer algum mal”. Os que moram na rua perdem a possibilidade de serem vistos como cidadãos, são sujeitos sem direito e passam à condição de marginais, objetos de pena, de assistência e\ou de repressão.

A formalidade e descompromisso levam a uma estrutura própria do espaço e do tempo, ficando claro para todos que regatar estas crianças é difícil, pois a suspensão de laços e a distância das instituições e da família as ao distanciamento brutal de uma infância normal.

A infância esta sendo transformada em sucata, de vários modos. Multidões de imaturos estão tendo sua idade adulta convocada antecipadamente, de modo que o tempo de ser criança está sendo ocupado amplamente pelo tempo de adulto, do trabalho, da violência. Esse fato põe a sociedade inteira em perigo, porque lança gerações inteira prematuramente, num modo de vida adulto. Com isso, a sociedade perde o controle sobre a formação das novas gerações, não tem condições de viabilizar um projeto social que, através da socialização dos imaturos, assegure às gerações do futuro as melhores conquistas sociais, morais, políticas das gerações passadas (CRAIDY,

63 Vimos, então, que essa integração da criança na rua é mais rápida do que a integração dos adultos, o que está acontecendo em uma idade cada vez mais precoce e num processo cada vez mais acelerado. Então, deixar essas crianças soltas sem o elo familiar faz com que elas tenham um crescimento precoce errôneo, o que vai privá-las de uma infância sadia. “Estes meninos não deixam ninguém chegar perto deles. Como é possível tirá-los da rua?” (M5).

Observamos, com as pessoas entrevistadas, que a busca dos meninos de rua é difícil, pois já perderam sua autoestima. Podemos ver que por terem passado por programas e promessas não cumpridas estão incrédulos e não veem solução. O descrédito político e institucional já levou muitos às ruas, deixando-os com esta característica de descrentes. Os que fingem acreditar nas promessas tentam fingir para si mesmos, mas como não está arraigada essa verdade, abandonam rápido e voltam ao seu mundo de fantasia hostil, falso, que é a rua.

Os meninos escolhem as ruas como um lugar de proteção e se juntam com outros meninos de rua (mais velhos), que determinam seus passos, em que as interdições são radicais, sem história, vivem numa eterna luta para sobreviver. Esta sobrevivência implica em um prazer fundamental à sua vida. Craidy afirma: “O amanhã não existe, a não ser quando chegar à forma de hoje e trouxer suas exigências. O passado é melhor omitir; é duro e perigoso demais para ser lembrado” (1998, p. 27). É difícil para os pais verem seus filhos crescerem, colocam-nos na escola e de lá eles se desintegram do colégio. “Eu tenho um filho que fica o dia na rua e não sei o que fazer, já bati, aconselhei, mas continua a querer viver só na rua (M6).

Os pais esperam que a escola seja a alternativa para salvar estas crianças através da educação, do conhecimento, ou que pelo menos amenize a situação, pois os pais têm confiança que é lá o refúgio dos problemas ocasionados no lar. “Eu mando meu filho para a escola, pois é melhor do que ficar na rua e em casa ele não obedece ninguém.”

Todos os entrevistados disseram que os meninos de rua são agressivos, devido ao meio em que vivem, porque a própria rua os transforma, já que é onde se juntam com a “turma da pesada” (termo usado por eles). “Eles são brutos porque se misturam com pessoas ruins” (M2).

Sendo assim, fica claro então que os meninos de rua, segundo os pais entrevistados, se tornam mais violentos na rua quando estão com más companhias e se

64 julgam heróis. O fato é que ao se aproximar desses meninos, o perigo está na frente, pois se sentem recuados e não querem ser inferiores a ninguém, tampouco aos colegas, porque no meio deles todos são autoritários.

“Entre todas as formas de violência que os rodeiam e os amedrontam está a policia, desde a detenção arbitrária sem nenhum flagrante que possa justificar, até o espancamento e tortura. Eu vi a polícia espancando um menor, saiu sangue até pelo nariz, foi horrível.” (M5). Neste sentido, Craidy relata: “É difícil encontrar um menino em convivência de rua que não tenha experiência de arbitrariedades policiais e, para eles, não há nada mais intolerável do que o despotismo” (1998, p. 59). A autora relata ainda que as brigas dos meninos de rua, tão propaladas, têm como umas das principais razões o desprezo, pela forma como são tratados ou pelo fato de serem chamados de maloqueiros, sujos e meninos de rua.

Portanto, a justificação com arbitrariedade é fator de desesperança, desestímulo em relação à alternativa para resgatar os meninos de rua, como relata Lima, apud Rosemberg: “O espaço principal ou secundário do cotidiano na garantia da subsistência e a do lazer ou de ambos simultaneamente” (1994, p. 34). Assim sendo, a noção de rua, neste contexto, adquire uma conotação social e cultural, pois passa a ser o lugar de representação de crianças que a viram como um lugar de refúgio.

Outra situação ou razão que impede o regresso dos meninos de rua aos seus lares são os fatores socioeconômicos identificados pelos pais na entrevista semiestruturada, que no dizer de Craidy: “Os pais dos meninos de rua não fazem projetos de escolarização para os filhos e quando fazem não os priorizam. As famílias não querem que estudem porque trazem menos dinheiro para casa” (1998, p. 27). Isso prova o desrespeito com os direitos e com a cidadania das crianças, pois a sociedade constrói uma política socioeconômica, sendo o pivô a criança, porém fica só no papel, pois elas continuam à mercê das ruas.

Como já dissemos no início, o mundo globalizado trouxe vantagens, desenvolvimento econômico, porém nem todos são beneficiados com essas mudanças, acarretando assim em uma série de problemas, como mostra Crista Costa (2005), problemas tais como aumento da pobreza, miséria, exclusão social e muitos que continuam desempregados. “Tem criança que vai a escola triste, viu a mãe brigar com o pai porque não tinha nada para dar o filho antes de ir à escola” (M5).

65 Muitos desempregados em Bom Jesus levam uma vida difícil, muitos malefícios são causados à vida das pessoas e de muitos na sociedade. Além dos problemas mencionados acima, acarretam em muitos outros: desestrutura familiar, brigas com colegas por alimento. A fome e a miséria estão em um dos graus maiores para o caminho das ruas. “Uma vizinha manda o filho pedir esmola na rua para beber bebida alcoólica” (M4). Esse desatino é o que mais transforma a criança, como diz Craidy:

A bebida e a droga apareceram como a causa mais frequente da exploração dos filhos pelos pais e da criação de obstáculos para a frequência na escola. Essas atitudes dos pais criam empecilhos objetivos à frequência à escola, mas criam, sobretudo, obstáculos psicológicos (1998, p. 70).

Então, podemos ver que os problemas sócio econômicos manifestados pelos pais na entrevista contribuem para os meninos de rua permanecerem lá sem muita perspectiva de retorno.

Família, outra causa manifestada pelos pais como sendo o fator primordial para o resgate dos meninos de rua. “Os pais são os únicos responsáveis por seu filho estar na rua” (M3). “Estão sempre ausentes quando os filhos pedem “socorro” (M5)”.

Visto que a agressividade dos meninos de rua tem a ver com a convivência com a família, como foi constatado pelos pais por unanimidade, nota-se o quanto o descaso familiar está contribuindo para que os meninos de rua tenham motivos para não regressar aos seus lares. Motivos estes como desestruturação familiar, prostituição de menores dentro de casa e outros.

A família deveria ser inserida primeira nas intervenções psicossociais, pois ela é para a criança o centro emocional e matriz da identidade. Para Lima:

Em verdade, as condições de vida das crianças revelam uma realidade destruidora de direitos sociais e violadora de princípios básicos fundadores da lei de proteção à criança, o ECA, a qual remete uma reflexão mais profunda sobre a questão social, uma realidade que também se exprime no surgimento de novos modelos familiares, que rompem com a hegemonia do padrão tradicional (2004, p.46).

Corroborar as interações familiares é fundamental no desenvolvimento individual e familiar. Tendo em vista que o atendimento ao indivíduo de forma isolada em muitas oportunidades torna-se limitado, assim como episódio de perturbações ficam mais compreensivos quando analisado em conexão com aspecto é mais amplo. Sendo

66 assim, a família como um sistema é parte integrante e detém um fator primordial dentro desse processo.

Os meninos que vivem nas ruas, mesmo que por pouco tempo, estão em situação de risco pessoal, consequentemente, em um processo de exclusão. Isso devido ao mundo em que está inserido: a rua, o que implica muitas vezes instabilidade e fragilidade nas relações afetivas básicas; estão expostos a todo tipo de violência excluída da escola, isso sem mencionara dignidade e a cidadania.

Portanto, fica claro, segundo as respostas dos pais, que os responsáveis em resgatar os meninos de rua são a própria família. Outra manifestação exposta pelos pais foi que a escola é também responsável em buscar os meninos de rua para inseri-los na sociedade.

Veremos outra questão apontada pelos pais que indicam a escola e seus representantes como probabilidade para resgatar os meninos de rua. “A escola é o lugar certo para buscar esses meninos. É onde podemos confiar para deixar nossos filhos”. (M6). Acreditam também que, com a ajuda dos professores e dos alunos da sala de aula, possam minimizar o rancor desses meninos. “Se o professor for mais paciente com eles, podem permanecer mais na sala” (M4).

Neste sentido, é observado pelos pais que tanto professor como aluno na sala de aula, tendo um jeito especial (humano), sem bullying por parte das outras crianças, esses meninos têm a possibilidade de retornar. Craidy relata:

Mostra que as experiências demonstram que, para os meninos com vivência de rua conseguirem fixar-se numa residência e junto ao um adulto que o assuma faz-se necessário todo um trabalho pedagógico de preparação e de acompanhamento, e, mesmo nos casos que isso se dá a permanência dos meninos nesta situação se mostra difícil (1998, p.38).

A autora relata ainda que é preciso tentar mostrar uma nova ideia de ambiente familiar e educacional para os meninos de rua, mostrando a importância de ter um lar e, ao mesmo tempo, a necessidade de se estabilizarem na escola, onde será preparado para aprender sobre o que a sociedade espera deles. Ainda, de acordo com a autora, o acompanhamento na escola seria de fundamental importância para que os alunos se sentissem bem e não quisessem sair dela.

As principais causas de evasão eram brigas provocadas por rivalidades e ciúmes por pequenos fatos que lhes davam a impressão de serem desvalorizados na escola ou

67 fora dela, por situações exteriores à escola como doenças, prisões, mudança de residência, necessidade de trabalhar e ajudar os pais, além de pequenas questões de ordem prática, falta de merenda, roupas adequadas para eles irem à escola.

As causas apresentadas para justificarem a evasão e as faltas demonstram que a escola sozinha tem pouca possibilidade de segurar o aluno. Só a junção de um trabalho integrado que enfrente ao mesmo tempo a questão de sobrevivência e a necessidade de laços permanentes com adultos, como seus familiares, podem livrá-los de uma maior responsabilidade.

Uma professora relata que, de 40 alunos matriculados no início do ano, apenas permanecem até o final menos da metade. Isso devido à questão de moradia, pois uns vivem na casa de parentes ou amigos, outros em instituições assistenciais, principalmente os albergues, e nas ruas, em recantos situados sob viadutos, pontes ou becos diversos.

Para essas crianças retornarem de sua vida de rua e se afastarem de influências externas que causam o mal, voltar a uma realidade a escola é um dos fatores primordiais para isso acontecer, como mostra PAICA-RUA (Org.): “Somente uma escola que assumisse o compromisso de trabalhar em rede, acolhendo interdisciplinarmente o sujeito, estaria realmente incidindo sobre essa realidade” (2002, p.48).

Pergunta 3: O que as instituições podem ou devem fazer para tirar os meninos de

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