• Aucun résultat trouvé

SDLe Loop Mode

Dans le document USER's see (Page 108-112)

Frame Status FIFO Circuitry

4.4.4 SDLe Loop Mode

Tratar a ação social a partir da práxis transformadora é dar à Ação Social mais fomento para suas atividades transformadoras de indivíduos e de realidades. Há no ser humano uma capacidade de transformar realidades, de criar ambientes, de gerar possibilidades em todas as áreas da existência. Neste princípio é preciso fazer com que estas características do ser humano, tenham condições de expandir e ganhar materialidade em suas ações. A ação social a partir da práxis transformadora visa estes objetivos.

A princípio é preciso fazer a distinção entre teoria e prática. A partir da construção de Arendt (2010), a ideia da teoria inicia-se com as construções filosóficas platônicas que contemplavam a vida contemplativa como o único modo de vida realmente livre. Neste estado, o ser humano com engajamentos políticos e fortes ligações com a vida terrena e as questões da polis grega começou a ser (re)significada para a vida contemplativa com o ideal na contemplação, ou seja, na teoria.

[...] o primado da contemplação sobre a atividade baseia-se na convicção de que nenhum trabalho de mãos humanas pode igualar em beleza e verdade o cosmos físico, que revolve em torno de si mesmo, em imutável eternidade, sem qualquer interferência ou assistência externa, seja humana ou divina. Esta eternidade só se revela a olhos mortais quando todos os movimentos e atividades humanas estão em completo repouso. Comparadas a este aspecto da quietude, todas as diferenças e manifestações no âmbito da vida activa desaparecem (ARENDT, 2010, p.24).

Este discurso filosófico da contemplação e sua superioridade à vida ativa encontrou um grande berço no cristianismo que se inicia. Com suas afirmações da primazia do outro mundo, com as alegrias plenas e suas infinitas „bênçãos‟, legitimou o discurso filosófico dando agora legitimidade religiosa à primazia da contemplação sobre a atividade e ação. Segundo Arendt (2010) a descoberta da contemplação (teoria) como faculdade humana coincidiu com as determinações hierárquicas do cristianismo entre a contemplação (teoria) e a vida activa (ação).

Como afirma Vázquez (1968) “o ser humano, na antiguidade, se faz a si mesmo se isentando de toda atividade prática material, separando a teoria, a contemplação, da prática” (VÁZQUEZ, 1968, p.17).

É importante deixar claro que não há uma negativação da teoria, ela é importante, e tem seu lugar fundamental como será tratado logo adiante. Porém, da maneira como foi implementada no modo de vida dos indivíduos ela tem primazia e, às vezes, somente a teoria é contemplada.

Neste sentido Vázquez (1968, p. 17) ainda afirma que “com platão a vida teórica, como contemplação das essências, isto é, a vida contemplativa (bios

theoretikós) adquire uma primazia e um estatuto metafísico que até então não tivera.

Viver, propriamente é contemplar.”

Este embate histórico, como já foi afirmado, foi legitimado pelo discurso cristão e seu ideário teológico. Ainda hoje, esta ideologia continua permeando os ambientes religiosos cristãos, dando grande ênfase e notoriedade espiritual à contemplação, em detrimento da prática.

Sobre a prática é importante fazer as devidas explanações. A prática enquanto ação transformadora vem do termo grego: praxis. Diferentemente da linguagem em português que traduz tudo enquanto prática, a práxis, se difere por não ser uma mera repetição, uma ação imitadora ou repetidora sem reflexão. Pela práxis, é possível a construção de realidades, ou a transformação de realidades. A práxis aponta novos caminhos, faz leituras hermenêuticas da realidade, apontando saídas e novas perspectivas. Neste sentido nem toda atividade é práxis (FLORISTÁN, 2002).

A partir de Casiano Floristán, e seu texto Teología Práctica, é possível formular, com categorias teológicas, as afirmações filosóficas feitas até o momento. Para determinação de uma atividade da práxis, Floristán (2002, p. 180) organizou traços característicos da mesma:

a. Ação criadora – a práxis criadora é inovadora frente às novas realidades, sendo necessário um grau de consciência crítica15.

15

Floristán faz análise dos termos consciência crítica e consciência comum, separando-os e conceituando-os. Para ele, a consciência comum é a consciência do senso comum, do grupo, da tradição, é a consciência que vem dos costumes pelos quais uma atividade sempre foi realidade. Em

b. Ação reflexiva – a superação da espontaneidade exige um alto grau de reflexão. Toda ação exige a reflexão permanente e crítica para traçar objetivos claros.

c. Ação libertadora – a transformação das estruturas sociais é o fim de toda práxis, bem como a ação para promover a liberdade humana. d. Ação radical e não reformista – a práxis tem como objetivo transformar

a organização em direção à sociedade, mudando as relações econômicas, políticas e sociais.

Em Floristán, a práxis neste sentido é uma atividade que: cria, reflete, liberta e transforma realidades. Sua atividade não é imitativa ou mera repetidora da cultura, da tradição ou de costumes, mas com sua relação com a teoria, elaborando sempre uma consciência crítica, é capaz de transformar e libertar. Ainda assim, o autor afirma que “nem todas as práxis são legítimas” (FLORISTÁN, 2002, p. 182) no sentido que é necessário avaliar e criticá-las a partir de perspectivas diferentes como política, ideológica, religiosa e econômica.

Logo, a teoria não é descartada. A teoria tem sua função e razão de ser, como afirma Floristán, ao pontuar que a tensão teoria/prática se estabelece mediante a reflexão e a ação. Entre a teoria e a prática existe uma tensão que ao trabalho de sustentação deve chegar a uma confluência, a uma síntese que sustente tanto a teoria quanto a prática. Silva (2009, p.61) afirma que “a práxis é, sim, uma ação transformadora [...] trata-se de uma ação objetiva que supera a crítica social teórica, apontando caminhos na história da humanidade para as questões da sociedade”. Sendo assim:

[...] a práxis é, na verdade, atividade teórico-prática; isto é, tem um lado ideal, teórico, e um lado material, propriamente prático, com a particularidade de que só artificialmente, por um processo de abstração, podemos separar, isolar um do outro. Daí ser tão unilateral reduzir a práxis ao elemento teórico, e falar inclusive de uma práxis teórica, como reduzi-la a seu lado material, vendo nela uma atividade exclusivamente material. Por conseguinte, da mesma maneira que a atividade teórica, subjetiva, por si contrapartida a consciência crítica vem do estudo crítico, teórico, filosófico e científico buscando novos conhecimentos e entendimentos das realidades culturais, locais etc. para melhor atuação, e possibilidade de transformação de realidades (FLORISTÁN, 2002).

só, não é práxis, também o é uma atividade material do indivíduo, ainda que possa desembocar na produção de um objeto – como é o caso do ninho construído pelo pássaro – quando falta nela o movimento subjetivo, teórico, representado pelo consciente dessa atividade (VÁZQUEZ, 2007, p. 262).

A partir destas colocações conceituais sobre a práxis, é possível ao horizonte ver o que seria uma Ação Social transformadora. Ela teria estes caracteres de relação teórico/prática, de reflexão das realidades envolvidas, dos instrumentos e ferramentas utilizadas na ação e os resultados previstos por meio dela. Também faria revisões e avaliações em suas próprias atividades para poder perceber sua defasagem, e por onde pode caminhar para fazer os devidos ajustes para alcançar a libertação e a transformação das realidades de seu sujeito.

Para tudo isso é necessário repensar a ação da igreja na cidade, e particularmente a ação social da igreja na cidade, sua prática social nas comunidades onde está inserida e seus resultados. Neste sentido, é preciso redescobrir a missão da igreja e como colocá-la em prática por meio de uma pastoral que realmente faça diferença, impactando os locais onde ela estiver inserida.

Dans le document USER's see (Page 108-112)