Esta terceira dimensão se volta ao olhar que a Academia empresta às práticas comunicacionais por meio da pesquisa, por isso, algumas discussões se fazem necessárias. Entre elas, a conformação institucional da Área e certas particularidades que passam pela grande incógnita da real natureza da Comunicação, no âmbito acadêmico, em função de suas atribuições que se dividem entre campo, ciência e relações interdisciplinares, capazes de sustentar acalorados debates. A assertiva mais factual é de que a Comunicação se enquadra na Grande Área das Ciências Sociais Aplicadas. Mas antes de discutir o emaranhado de sua natureza para a consolidação de pesquisa, é necessário um resgate institucional sobre o qual se materializou o conhecimento em Comunicação.
A Comunicação tem origens na Antiguidade, segundo apontamento feito pela reconstrução histórica do professor José Marques de Melo (2008), que apresenta um itinerário partindo da Atenas, do século IV a.C., quando Aristóteles fundou a Escola de Eloquência por meio do ensaio denominado Arte Retórica no qual expõe os princípios estético-dialéticos da arte da oratória. Já para o século primeiro d.C., a oratória ganha nova perspectiva quando Quintiliano funda a Cátedra de Retórica do Império Romano a partir de seu tratado “Sobre a formação do orador”, organizado em quatro tomos.
O tempo dá um salto e a História Moderna se registra por meio do poeta John Milton, em 1644, com a publicação, na capital da Inglaterra, de “Aeropagítica”, um elogio público à liberdade de imprensa que tinha como destinatário o Parlamento Inglês. A publicação refletia a Comunicação Pública da época. Quase meio século depois, em Leipzig, se tem a notícia de Tobias Peucer defendendo a tese de doutorado “Os relatos noticiosos” em que analisou o processo de produção retórica do primeiro jornal diário europeu. Esse foi o pontapé inicial para a criação de um instituto que daria continuidade aos estudos 34 anos depois. Nota-se que
reflexões em forma de pesquisa já aconteciam, mas, o aprendizado não se dava de outra forma senão por meio dessas experiências.
Foi com Breslau, na Polônia, em 1806, que surgiu a noção de curso ao ser criada a primeira forma de ensino sobre Teoria do Jornalismo, intitulada Ciência da Imprensa. Do paradigmático Estados Unidos, surgem as primeiras contribuições, em 1869, vindas do estado da Virgínia com a fundação do Washington College, que ofereceu o primeiro curso sobre a prática do jornalista a fim de aperfeiçoar a formação de tipógrafos que também publicavam jornais. E da capital francesa, Paris, 1899, veio a École Superieure de Journalisme, destinada a formar profissionais para empresas do ramo. Sua criação nasceu da exigência do congresso europeu de jornalistas, realizado em Portugal.
O Jornalismo dá sua contribuição para o início das reflexões no âmbito da pesquisa. Isso se confirma na História Contemporânea, mais precisamente, em 1907, quando foi defendida a primeira tese de doutorado sobre Jornalismo na Universidade de Munster, na Alemanha. E a prática jornalística renderia mais. Em Missouri, EUA, 1908, Walter Williams fundou a primeira Escola de Jornalismo com cursos de bacharelado, além de um jornal diário pelo qual se realizava na prática, a formação de futuros profissionais da imprensa local e regional. Em Nova York, Joseph Pulitzer patrocinou, em 1912, a fundação da primeira Graduate School of Journalism, na Universidade de Columbia, com cursos de mestrado voltados à formação de editores e repórteres especializados. Também nos EUA, foram fundadas entre 1912 e 1914, as primeiras associações acadêmicas do campo. A Association for Education in Journalism and Mass Communication e a National Communication Association publicaram as primeiras revistas científicas do campo. Em Iowa, George Gallup defendia sua tese de doutorado criando um novo método para mensuração da opinião pública aplicado inicialmente nas faculdades de Jornalismo onde lecionava. Depois disso, o Instituto Gallup se tornou a organização privada pioneira na realização de pesquisas midiáticas para empresas do ramo. A década de 1920 marcou também a fundação do Conselho de Pesquisa em Ciências Sociais (SSRC), por professores de Chicago e Columbia, inovadoras nos currículos e na formação de doutores. Foi lá, segundo recupera texto de Craig Calhoun (2012), que se deu importância à reflexão interdisciplinar. Com isso, melhoraram-se qualitativamente a pesquisa empírica e as metodologias. Melhorias como pesquisa de levantamento, o uso de computadores e os modelos matemáticos beneficiaram muitos campos científicos.
Na Califórnia, em Palo Alto15, o ano de 1955 registrou a criação do primeiro doutorado em Comunicação por parte de Wilbur Schramm. Com uma equipe de jovens doutores, o grupo passaria a ter papel de liderança acadêmica com funções estratégicas junto à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que desempenhou um papel significativo na sistematização da Comunicação em Área porque foi ela que fomentou a criação da International Association For Media and Communication (IAMCR). Isso começou, em 1946, quando as narrativas das Ciências Sociais e Humanas apresentavam crescimento em função da Comunicação de Massa e seus fenômenos. Nesse início, a UNESCO propôs formar um instituto internacional de imprensa e informação com o objetivo de promover treinamentos para jornalistas, além de discutir os problemas da imprensa pelo mundo. Era um tempo em que a mídia de massa estava majoritariamente vinculada à imprensa, ao rádio e ao cinema porque a televisão ainda se encontrava em estágio experimental.
Os meios de comunicação de massa tinham um reconhecimento importante em algumas áreas incluindo as relações internacionais. Uma das primeiras conferências organizadas pela ONU, em abril de 1948, foi direcionada à liberdade de informação. O tema, aliás, integrou o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos16. Esse artigo foi desenvolvido com a colaboração de dois fundadores da IAMCR: Fernand Terrou e Jacques Bourquin. A IAMCR foi efetivamente colocada em atividade uma década depois disso, durante uma conferência promovida pela UNESCO, em Paris, em 1957. A demora se justificou pelo lento progresso das relações entre Leste e Oeste e também pelo início da Guerra Fria. Por conta de acontecimentos históricos como esse, os temas opinião pública, meios de comunicação e relações internacionais foram tratados internamente em detrimento das ideologias de liberdade.
A criação de uma associação de pesquisa não se deu antes porque, em 1951, o Instituto Internacional de Imprensa (IPI) se formou como uma associação de editores e donos de jornais, no Mundo Ocidental, representando um espaço livre em relação ao comunismo. Isso fez a UNESCO entender que o IPI estaria se propondo a realizar uma análise de conteúdo do fluxo
15 Seu autor central foi o antropólogo Gregory Bateson. Marcado profundamente pelas teorias emergentes no
contexto americano depois da Segunda Guerra Mundial, pensou os paradoxos da abstração na comunicação. Seus estudos interagiram diferentes tradições como cibernética, teoria dos sistemas, pesquisas sobre a nova comunicação e teorias da aprendizagem. Os pensadores de Palo Alto compreendiam a comunicação como processo de interação cujos significados são produzidos e compartilhados pelos interlocutores em determinado contexto. Ver mais em CITELLI, Adilson... [et al.]. Dicionário de comunicação: escolas, teorias e autores. São Paulo: Contexto, 2014.
16 Artigo XIX: “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de,
sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. Ver em http://www.dudh.org.br/declaracao/
internacional de notícias. Todavia, os olhares da UNESCO foram além porque se percebeu que a liberdade de imprensa não era o único tema em meio ao crescente campo da Comunicação de Massa que contava com contribuições a partir do ensino do Jornalismo. Essa percepção fez com que, em 1952, a entidade se voltasse a essa questão estabelecendo centros de treinamento para jornalistas a partir de uma organização internacional voltada à pesquisa científica em Comunicação de Massa. No ano seguinte, houve um encontro de profissionais de Jornalismo da Europa Ocidental e dos Estados Unidos.
Tais iniciativas iam configurando a Área. Assim a UNESCO deu mais uma importante contribuição ao desenvolver um Departamento de Comunicação de Massa com o objetivo de recolher, analisar e divulgar informações sobre imprensa, cinema, rádio e televisão, sempre no contexto de seus usos para fins educativos, culturais e científicos. O resultado disso começara a ser visto nas publicações em série, relatórios e artigos sobre o tema. Em “No 21: Current Mass Communication Research”, estavam reunidos projetos de pesquisa em andamento a um referencial bibliográfico de livros e artigos publicados desde 1955. Eram oito temas tratados a partir da Comunicação de Massa e suas relações históricas, econômicas, jurídicas, serviços de informação e propaganda do governo, publicidade e relações públicas, estudos psicológicos e sociológicos, opinião pública e sua perspectiva pedagógica/cultural. Toda essa frente somava aproximadamente 400 projetos de 14 países. Em relação à bibliografia, chegaram a ser listadas 800 publicações em 25 países. O mesmo sistema se estendeu à França, ao Japão e aos EUA. Também houve adesão da Alemanha Ocidental e da Itália.
Em 1956, ano decisivo para a UNESCO entrar nessa jogada de conjectura da Área, um encontro em Paris confirmou que havia uma dinâmica área de pesquisa e treinamento nos EUA e outras partes do mundo. Nesse ano, na Conferência Global da UNESCO, em New Delhi, na Índia, decidiu-se promover atividades coordenadas em institutos nacionais de pesquisa na área da Comunicação de Massa como forma de incentivar a concretização de uma associação internacional que congregasse tais institutos. Para a execução dessa missão, foi estabelecido um Comitê Provisório integrado por Fernand Terrou (diretor do Instituto de Imprensa da França e Presidente da Associação para Estudos de Comunicação da França); Mieczyslav Kafel (diretor do Instituto de Jornalismo da Universidade de Varsóvia); Marcel Stijns (editor-chefe do jornal belga Het Laatste Niews e vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas) e David Manning White (professor de Jornalismo da Universidade de Boston e presidente do Conselho de Pesquisa da Associação para Educação em Jornalismo).
Fernand Terrou presidiu o comitê e convidou Jacques Kayser, diretor de pesquisa do Instituto Francês de Imprensa, para ser o secretário executivo. A não nomeação de Jacques Bourquin, que nem membro do comitê era, gerou um impasse. Insatisfeito, Bourquin fez pressão junto à Federação Internacional de Jornais para que o ajudasse a integrar esse comitê, porém, mesmo lançando mão de artimanhas, a UNESCO não o incluiu. É que havia uma briga política de Bourquin com o então diretor do Departamento de Comunicação de Massa da IAMCR, que reconhece em seu site, essa diferença como um exemplo de fatores subjetivos que podem intervir numa história institucional. Esse Comitê Provisório foi reconhecido pela UNESCO e seus integrantes prepararam os estatutos com o propósito de estabelecer, entre as missões, os contatos internacionais, a viabilização de produções bibliográficas e instituições que poderiam fazer parte do inventário da UNESCO. Além da formação institucional, a configuração em torno dos interesses de estudo ia se projetando. Num encontro, em Estrasburgo, leste da França, a Comunicação de Massa foi considerada, assim como outros campos de atividade socioeconômica, com certo nível de importância e especialização na sociedade, o que levou à institucionalização do campo nacional e internacionalmente.
Assim a IAMCR cresceu com uma mídia em desenvolvimento tendo no Jornalismo um ramo de atividade que exigia educação profissional e pesquisa científica. Isto fez com que a entidade se concentrasse, então, nas problemáticas que envolvessem Jornalismo e Comunicação de Massa. A IAMCR andou com o apoio de acadêmicos, jornalistas e profissionais da mídia, inclusive, donos de jornais. Fernand Terrou, o primeiro presidente, se dedicou a ensinar e promover a pesquisa em Informação e Mídia. Ao ocupar esse cargo, valorizou as atividades de pesquisa e deu apoio à criação de centros de pesquisa e documentação até em países em desenvolvimento.
Tratativas feitas, providências tomadas, chegava a hora da IAMCR sair do papel. A conferência que a instituiu aconteceu em dezembro de 1957, em Paris, como já colocado neste capítulo. Como os encontros eram bienais, foi em 1959, que se deu a primeira assembleia geral, em Milão, na Itália. O processo de fundação ainda se estendeu até o ano de 1961 na Conferência de Viena. Mas retomando a primeira assembleia, foi nela que o professor de Jornalismo da Universidade de Minnisota, nos EUA, Raymond B. Nixon, foi eleito presidente. O brasileiro Danton Jobim fez parte do Comitê Executivo. A maioria dos integrantes eram jornalistas profissionais e profissionais de Jornalismo voltados à mídia impressa. Mas a UNESCO queria incorporar outras mídias.
Boa parte dos pesquisadores era europeia e os aspectos sociais, psicológicos, tecnológicos e de marketing estavam representados na pesquisa. O cinema e a televisão não tiveram tanto espaço, embora o presidente Nixon tenha feito esforços para mudar isso. Nos anos 1960, ele fez contatos com pesquisadores de outras disciplinas para receber apoio. Destaca-se como um colaborador efetivo, Paul Lazarsfeld, considerado o pai da pesquisa em Comunicação. A Assembleia de Viena marcou a maior representação de áreas de pesquisa. Em 19 anos, a IAMCR passou de 30 países e 100 membros para 60 países e 1.000 membros. Um período que representou mudanças alcançadas pela pesquisa.
Desde seu surgimento, o período de consolidação, datado entre 1964 e 1972, ocorre inicialmente com a mudança da sede que deixou Amsterdã, na Holanda, para a Suíça. Essa mudança foi na gestão do presidente Bourquin, aquele que queria ter feito parte do Comitê Provisório até a instituição da IAMCR. Foi no tempo dele que boletins com notícias da entidade começaram a ser reproduzidos. Além de notícias, alguns estudos temáticos, como o da comparação de estatutos das empresas de rádio e TV, receberam apoio da UNESCO para publicação.
Todos os ideais faziam mais sentido quando os pesquisadores se encontravam para o intercâmbio acadêmico. Foi então nesse período de consolidação que a IAMCR concentrou suas atividades na conferência bienal e nos simpósios. Além dos temas de pesquisa, ações políticas também surgiam desses momentos. Nessa toada, o ano de 1966 abrigou uma conferência importante que contou com representantes da Europa, Ásia e EUA. Eles discutiram os meios de comunicação para o desenvolvimento nacional e dessa intenção surgiu a ideia de fundir a IAMCR com a WAPOR, World Association for Public Opinion Research.
O amadurecimento da entidade se construía ao longo do tempo e deu sinais importantes como, por exemplo, a participação feminina. Em 1968, Irena Telepowska, da Polônia, se tornou a primeira mulher a ocupar uma posição de liderança na IAMCR ao se tornar chefe da seção de bibliografia. Mas, um ano depois de chegar a esse cargo, ela morreu em um acidente de avião a caminho de uma reunião do Comitê Executivo.
Os encontros tinham uma grande importância para a consolidação da entidade. A Assembleia Geral de 1970, em Constance, na Alemanha Ocidental, foi importante para os historiadores já que foram aprovados e recomendados à ONU (Organização das Nações Unidas) aspectos da Comunicação de Massa considerados a partir da liberdade de informação, da integridade cultural das nações e do uso de satélites. Tratava-se de uma importância tão grande
que já se projetavam fenômenos a ponto de haver o interesse em dar legitimação e reconhecimento à “Ciência da Comunicação de Massa”. Esse momento deriva da passagem dos anos 1960 para os anos 1970, quando se denota uma evolução significativa à IAMCR. A pesquisa de Comunicação de Massa cresceu em todos os lugares, especialmente, a partir da expansão da televisão. Novos programas universitários se estabeleceram e comitês nacionais foram criados para destacar o campo. Também foi um período marcado pelo ingresso de pesquisadores anti-positivistas no campo, casos de Robin Cheesman, Nicholas Garnham e Armand Mattelart. Além das questões intramuros, a UNESCO, concomitantemente, priorizou em sua agenda a pesquisa em Comunicação de Massa.
É que, em 1968, houve autorização para que a UNESCO, em cooperação com organizações nacionais e internacionais, governamentais e não-governamentais realizasse pesquisas sobre o progresso tecnológico nos meios de comunicação para promover o estudo sobre o papel e os efeitos deles na sociedade moderna. Essa possibilidade fez com que uma das primeiras atividades do diretor do Departamento de Comunicação de Massa, Pierre Navaux, fosse definir a comissão de Halloran, um documento que tratava sobre meios de comunicação e sociedade. O resultado disso foi apresentado numa reunião em Montreal, no Canadá, e apontou para a necessidade da pesquisa com a divulgação de relatórios e documentos sobre Comunicação de Massa. Foi tão importante esse evento para a história da pesquisa de Comunicação de Massa que um painel foi realizado, em 1971, com vistas à preparação de propostas para um Programa Internacional de Pesquisa em Comunicação.
Os anos de 1972 a 1988 representaram o crescimento da IAMCR. Suas atividades saíram do circuito europeu e chegaram pela primeira vez à América Latina. Esse intercâmbio numa área do mundo sempre em desenvolvimento, mas muito pouco desenvolvida, demandou um novo início de cooperação com a UNESCO. Foi considerado um período de virada social porque o jovem campo da Comunicação passara a ter consciência de seu envolvimento na política social. Tal conferência teve como tema “Comunicação e Desenvolvimento”. Contou com cerca de 50 membros da IAMCR, sendo notável a grande participação de argentinos e demais sul-americanos. Por aqui, pensaram em uma nova divisão de pesquisa sobre mídia e países em desenvolvimento. Alfred Opubor, da Nigéria, foi eleito chefe da seção e o francês Annette Suffert foi nomeado para dirigir a seção de estudos sobre televisão. Em 1973, passou- se à discussão do presente, passado e futuro da IAMCR com a prioridade de que a entidade mantivesse um jornal e estabelecesse cooperações com revistas novas ou existentes.
A América Latina saiu de cena e a IAMCR voltou a fazer uma conferência na Europa. Em 1974, Leipzig, na Alemanha, abrigou “Comunicação de Massa e convivência social num mundo em mudança”. A partir de uma conjuntura geral, atenção a quatro subtemas: economia, participação, socialização e desenvolvimento de nações. Mais de 60 trabalhos foram apresentados e depois editados em dois volumes multilíngues. O presidente Halloran destacou a necessidade da IAMCR em atrair e manter o interesse de novos e jovens pesquisadores em meio a essa conferência que propiciou debates sobre políticas de pesquisa, objetivos, teorias, métodos e resultados. Aquela ideia do jornal para divulgar ações da entidade foi descartada porque algumas revistas se propuseram a divulgar informações sobre a IAMCR. A UNESCO patrocinou uma publicação de 130 páginas, às vésperas da conferência de 1976, tratando de meios de Comunicação e socialização a partir de bibliografia internacional e diferentes perspectivas.
Chegamos a 1976, quando Leicester, na Inglaterra, recebeu a conferência com mais de 300 participantes. Foram quatro os temas tratados: o estado da arte da pesquisa em Comunicação, sob coordenação de Lothar Basky, George Gerbner e Peter Golding; Estruturas e Contextos de produção de mídia, sob responsabilidade de Stuart Hall, Michael Tracey e John Pollock; Influência da mídia, com Neville Jayanceria, N. Mansurov e Elisabeth Noelle- Neumann; Mídia e Compreensão Internacional, com colaborações de Luís Beltrán, Phil Harris, Al Hester e Frank Ugboajch. Entre os debatedores, estavam Jay Blumler, Thedore Glasser, Jan Ekecrantz, Cees Hamelink, Elihu Katz, Ramona Rush e Percy Tannenbaum. Essa conferência foi considerada oportuna para trocas intelectuais, além de se tornar notável para adotar resoluções sobre a necessidade de políticas de Comunicação internacionais a serviço do desenvolvimento democrático e o apoio ao direito universal de se comunicar, premissas constantes do ponto de partida para tudo isso e que, inclusive, constam da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Nesse encontro, o relatório da Comissão MacBride17 foi examinado e passou a ser uma preocupação da UNESCO, que deixou de apoiar as publicações temáticas. Mesmo cortando por um lado, a UNESCO incentivou por outro, depois que firmou contrato com a IAMCR para um estudo sobre notícias estrangeiras. Além disso, a seção de Educação Profissional desenvolveu um projeto para a promoção de livros didáticos no ensino de Jornalismo no mundo em desenvolvimento.
17 Foi o primeiro documento oficial de um organismo multilateral que reconheceu grande desequilíbrio no fluxo
mundial de informação. Incentivou conferências regionais sobre políticas culturais e nacionais de comunicação. Ver detalhes em CITELLI, Adilson [et al]. Dicionário de Comunicação: escolas, teorias e autores. São Paulo,