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Science, technology and innovation

No que concerne à massificação da estrutura, a análise exposta demonstra o que consideramos como sendo uma espécie de padronização estrutural que não é proveniente, em sua totalidade, do que as cinco competências sugerem, visto que as competências não direcionam o candidato para que escolham as mesmas formas de dizer ou que utilizem as mesmas estratégias argumentativas, mas para que o texto tenha limiares referenciais para as correções. Embora compreendamos que, ao longo dos anos, o direcionamento desses limiares tenha se transformado em caminhos que deveriam ser aprendidos e replicados na hora da escritura dos textos.

Todas as redações que compõem o corpus estão organizadas estruturalmente com as mesmas sequências de ideias, seguindo, sempre, o que corresponde a sequência Tese > Argumentos > Proposta. No levantamento das escolhas estruturais, destacamos que, nos manuais e nos textos norteadores, há a exemplificação dessa sequência, mas não há obrigatoriedade em replicar, de igual modo, como está posta no manual. Ainda assim, essa escolha reitera nossa hipótese de massificação. Alguns outros exemplos, desenvolvidos nas análises, como a repetição do mesmo número de parágrafos e a utilização da estratégia de vozes

alheias por meio do discurso direto, discurso indireto e modalização em discurso segundo endossam esse resultado que confere uma massificação de escolhas estruturais.

Também não creditamos todas as cristalizações aos Manuais do Candidato uma vez que as sugestões lá postas não engessam as possibilidades por meio de obrigatoriedades. O caso que citamos, da utilização da mesma sequência de ideias, que ocorre em todas as redações analisadas, é compreendido por nós como uma sugestão posta nos manuais. O que é determinante como critério de obrigatoriedade é a presença dos elementos, mas não na sequência em que é apresentada, mostrando que as escolhas coletivas também vão formando essa cristalização ao longo dos anos.

Podemos compreender, olhando para os quadros e interpretando as análises feitas, que nos dois primeiros anos analisados havia uma padronização, mas esta abria espaço para outras possibilidades que foram observadas em algumas redações analisadas. Vamos tomar como exemplo a inserção da voz alheia nas redações de 2014 e 2015, resumidas no Quadro 17.

Quadro 17 – Marcas estruturais das redações nota mil de 2014 e 2015: inserção da voz alheia Valores obtidos de 8 (oito)

redações de 2014 e 8 (oito) redações de 2015 Ocorrência de DD, DI ou MDS Nenhuma ocorrência de DD, DI ou MDS 2014 5 3 2015 4 4

Fonte: Autoria própria.

Por outro lado, as redações dos dois últimos anos analisados se tornaram cada vez mais engessadas no que diz respeito a todos os aspectos estruturais que concerne às escolhas dos candidatos, principalmente no que diz respeito à inserção da voz alheia. Vejamos no Quadro 18.

Quadro 18 – Marcas estruturais das redações nota mil de 2016 e 2017: inserção da voz alheia Valores obtidos de 8 (oito)

redações de 2016 e 8 (oito) redações de 2017 Ocorrência de DD, DI ou MDS Nenhuma ocorrência de DD, DI ou MDS 2016 8 0 2017 8 0

Fonte: Autoria própria.

Os quadros nos mostram que as escolhas referentes à forma de inserção da voz alheia feitas pelos candidatos se massificam ao longo do tempo. Acreditamos que isso corrobora a hipótese de que a divulgação das redações nota mil, anualmente, é importante para fazer a

manutenção das escolhas citadas. Nessa explanação, em 2014 e 2015, a estratégia analisada não foi unânime entre os candidatos, diferente dos anos 2016 e 2017, nos quais todos optaram por sua utilização.

Com um olhar um pouco mais refinado sobre nossa discussão teórica, baseada em Adorno e Horkheimer (1985), essa massificação estrutural se correlaciona de forma direta com o que refletimos sobre as necessidades que surgem ao longo do tempo como parte importante do ciclo da Indústria Cultural. Reiterando a relação que estabelecemos, a Indústria Cultural, nessa perspectiva, é a que reflete um sujeito consumidor dentro de um ciclo em que esse sujeito passa a consumir e, em determinado momento, passa a sentir necessidade de que esse ciclo se repita. No entanto, quanto mais ocorre a repetição desse ciclo, menos influenciador dele o sujeito será, possuindo cada vez menos controle sobre ele e sendo fadado ao confinamento dos padrões estabelecidos.

Com base na recorrência das escolhas até aqui apontadas, compreendemos que a recorrência dessas escolhas se desenvolve à medida que vai “dando certo”. Ou seja, essa estrutura de texto que é estabelecida como modelo vem se erguendo e ganhando um espaço crucial porque, ao longo do tempo, vem se tornando necessidade para a obtenção da nota máxima e a cada ano o ciclo que solicita a escrita desses textos modelos vem se firmando.

A massificação para que apontamos, em suma, nos mostra uma cíclica necessidade que é reforçada anualmente com a nota máxima das redações modelos que têm, em seu conteúdo e sua estrutura, os aspectos que são previamente esperados. Em outras palavras, a busca por esse padrão vem ganhando força a partir dos exemplos de textos modelos que não se tornam apenas um construto de possibilidades, mas um caminho, o que sugerimos quando chamamos as redações que constam em nosso corpus de muito semelhantes.

No que diz respeito à massificação do conteúdo, vimos que isso versa sobre a recorrência de utilização de vozes, argumentos, lógica argumentativa e propostas de intervenção muito semelhantes ou, em alguns casos, paráfrases uma da outra. Algumas propostas de intervenção, por exemplo, podem ser facilmente trocadas entre as redações com apenas pequenos ajustes e, ainda assim, os textos continuam fazendo sentido.

Ao nos depararmos com a estratégia de inserção das vozes, que é uma questão importante em nossas análises, encontrada como sugestão na cartilha do participante, percebemos o quanto ela é acatada (como mostrado nas análises) e o quanto contribui com nossa hipótese da massificação. No Quadro 19, as vozes estão distribuídas por entre os temas das redações que analisamos e nessa divisão, podemos perceber o quanto algumas vozes se repetem por entre os anos, além de reiterar o que pontuamos nas análises sobre a ausência de

vozes especialistas nos temas explicitados. As vozes, portanto, na maioria das vezes, são genéricas e não ligadas diretamente aos temas.

Quadro 19 – Vozes encontradas nas redações nota mil do ENEM 2014, 2015, 2016 e 2017

TEMAS DAS REDAÇÕES VOZES EXPLÍCITAS NAS REDAÇÕES

Publicidade infantil em questão no Brasil

Gilberto Freyre; Gandhi; Platão; OMS; Sérgio Buarque de Hollanda; Karl Marx; Michel Foucault; Pierre Bourdieu

A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira

Mapa da Violência de 2012; Simone de Beauvoir; Émile Durkheim; Oscar Wilde; Sérgio Buarque de Hollanda; Pierre Bordieu; Mapa da Violência

Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Machado de Assis; Albert Camus; Albert Einstein; Karl Marx; Paulo Freire; Gilberto Freyre; Zygmunt Bauman; Zweig; Immanuel Kant; Adorno

Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Aristóteles; Machado de Assis; Schopenhauer; Johm Locke; Talcott Parsons; Constituição Cidadã de 1988; ONU; São Tomás de Aquino; Norberto Bobbio; Claude Lévi-Strauss; Zygmunt Bauman; Helen Keller.

Fonte: Autoria própria.

Consideramos as vozes como universais pois elas se comportam de forma genérica nos textos, não sendo desenvolvidas pelos autores das redações ou ligadas diretamente ao tema, o que sugere que as citações ou pensamentos inseridos podem atender a qualquer tema em qualquer uma das redações. Exemplificamos isso com a presença dos mesmos pensadores em redações com temáticas diferentes.

Em outros contextos, mais precisamente nos ambientes em que os candidatos são preparados para o exame, alguns outros materiais circulam e provavelmente essas vozes estão expostas nesses materiais. Para completarmos o raciocínio a respeito da inserção das vozes, buscamos, em um material de preparação recente, a forma como essa questão é abordada.

Notamos que o assunto é tido como de extrema importância, além de conter algumas sugestões para que o candidato opte pela melhor forma de inserção dessas citações. É interessante destacar que o que chamamos de “melhor forma de inserção” está atrelado ao que é considerado como rendimento exitoso. Como referência disso, temos o próprio corpus de nossa pesquisa.

Assim, vimos que

Citações são inserções de texto. Simples assim. Trechos de frases ou frases inteiras de figuras de referência reconhecidas, que trazem ao texto validação. E, como no caso das referências internas/ilustrações, as

citações devem ser pertinentes ao assunto tratado. (CARNEIRO, 2019, p. 133).

A utilização da palavra “validação” reitera o que apontamos em alguns momentos de nossas análises no que diz respeito ao aumento do uso dessa estratégia argumentativa, bem como pela forma como essas inserções se dão, muitas vezes sem desenvolvimento do raciocínio. As citações parecem validar os argumentos, as construções, a estrutura, o próprio texto. É como se, visivelmente, elas já fizessem uma grande diferença nas redações e fossem responsáveis, na grande maioria das vezes, pela construção de um texto superior. Essa questão é contrastada com o argumento de autoridade, sugerido nos manuais e nas diretrizes de textos argumentativos, que indicam que esse argumento deva ser utilizado considerando um autor da área ou, ainda, que a citação seja relacionada ao que está sendo defendido.

Também notamos uma preocupação em garantir que a grafia do nome do autor da citação seja um critério de atenção. No material que consultamos, essa questão pareceu mais importante do que a própria reflexão ou conexão com o tema, como podemos observar no trecho a seguir:

Não é preciso nem recomendável uma explicação longa sobre a identidade, até porque isso ocasionaria desperdício de espaço. A citação não é o tema da redação, por isso não é recomendável gastar um parágrafo inteiro com ela. Mas é vital dizer, ao menos sucintamente, quem é a pessoa citada, mesmo que ela seja mundialmente conhecida, como Barack Obama. O leitor universal não conhece ninguém.

Isso pode parecer um mero detalhe, mas não é. Uma grafia incorreta como “Barrak Obama” ou uma citação do filósofo alemão “Notche” não serão bem vistas, bem como a menção a “Schopenrauer” (CARNEIRO, 2019, p. 133).

Essas afirmações nos colocam em meio a reflexões que versam sobre a formação dos candidatos ou sobre a facilidade de compor textos tão semelhantes. Isso porque as redações que compõem nosso corpus são de diversos lugares do país, feitas por candidatos que não necessariamente estão na mesma faixa etária, nível escolar, condições contextuais semelhantes, mas que possuem singulares pontos de partida e, provavelmente, têm acesso aos textos modelos, aos manuais de redação e a outros materiais referentes às redações nota mil, por exemplo.

Essas questões que identificam as regiões em que os candidatos moram ou características mais pessoais de escrita parecem não surgir nos textos analisados, muito pelo contrário, em muitos casos, as redações são tão semelhantes que parecem ter sido escritas pelo mesmo sujeito. Essa percepção é justificada a partir do que tratamos aqui como massificação e de como os textos são semelhantes não só nas questões estruturais, mas também nas questões de conteúdo.

Sobre as propostas de intervenção, trouxemos um quadro que resume as análises a respeito, ainda, da massificação do conteúdo. Essas análises contribuem com nossa hipótese de que há uma massificação tanto no que corresponde às escolhas estruturais como nas escolhas de conteúdo, pois as propostas de intervenção, embora de redações com temáticas diferentes e escritas por autores de diversas partes do país, e outras incongruências contextuais, partem de resoluções bem semelhantes. Vejamos o Quadro 20.

Quadro 20 – Trechos das propostas de intervenção de redações nota mil dos anos 2014, 2015, 2016 e 2017

TRECHOS DE PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO ANO

R1

Por fim, o Estado deve regular os conteúdos veiculados nas campanhas publicitárias, para que essas não tentem convencer pessoas que ainda não têm o senso crítico desenvolvido.

2014

R6

Desse modo, o Estado deve, mediante a ampliação da atuação dos órgãos competentes, assegurar o atendimento adequado às vítimas e a punição correta aos agressores.

2015

R8

Então, o governo federal deve deixar obrigatória para todos os colégios (públicos e privados) a disciplina Ensino Religioso durante o Ensino Fundamental

2016

R8

Para que isso ocorra, o Ministério da Educação e Cultura deve realizar a inserção de deficientes auditivos nas escolas, por meio da contratação de intérpretes e disponibilização de vagas em instituições inclusivas, com o objetivo de efetivar a inclusão social dos indivíduos surdos, haja vista que a escola é a máquina socializadora do Estado

2017

Fonte: Autoria própria.

No exemplo, destacamos o que afirmamos anteriormente sobre as soluções que os candidatos apresentam para os temas e o quanto elas possuem diretrizes bem semelhantes. Em todos os exemplos, por exemplo, observamos, linguisticamente, a presença do verbo modalizador DEVER, assim como da atribuição das responsabilidades a serem tomadas ao poder público.

Ainda nessa problematização, pontuamos a forma de unir, relacionar e complementar os conteúdos a partir de mecanismos linguísticos que, ao longo das análises, percebemos seguirem um caminho bem parecido. Essas informações, esses direcionamentos e esses mecanismos não são indicados nos manuais de redação ou nas cinco competências que norteiam os textos, o que nos leva a entender que as redações, sejam em seus formatos estruturais, sejam nos seus conteúdos, são cristalizadas ao ponto de serem divulgadas e difundidas para os anos seguintes. Dessa forma, explicamos a reprodução a partir das reflexões da Indústria Cultural uma vez que o status de nota mil já é suficiente para que essas redações sejam enaltecidas,

repassadas e configuradas como exemplo e caminho. Não se pode, nesse contexto, atribuir responsabilidades aos candidatos, mas, talvez, gerar reflexões sobre os critérios que envolvem o contexto de produção.

Essas características foram levantadas e resgatadas das análises anteriores e, aqui, de forma mais profunda, relacionadas ao objetivo de mostrar em quais aspectos as escolhas estruturais, conteudísticas e a inserção da voz alheia constituem o que consideramos como massificação. Essa relação configura os reflexos que podemos notar da massificação dos textos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Reiterando as palavras que iniciam este trabalho, acreditamos que o conhecimento só pode se enraizar e dar frutos quando semeado e cuidado. Essa afirmação é basilar tanto para a ancoragem deste trabalho como para o próprio ato de pesquisar. É necessário que o cuidado e a ética sejam presentes e sejam constantes nas relações acadêmicas. É, portanto, isso que esperamos com esta dissertação, de modo que os resultados por ela obtidos sejam, também, norte para trabalhos futuros.

Retomando nossa questão de pesquisa, a qual pergunta de que forma as escolhas estruturais e conteudísticas dos candidatos, bem como a utilização da voz do outro, influenciam nas estratégias argumentativas para o êxito das redações nota mil do ENEM 2014, 2015, 2016 e 2017, chegamos a algumas conclusões que a respondem. Para tanto, descreveremos as respostas em dois momentos. No primeiro momento, traremos nossos resultados em torno das questões de estrutura das redações e, posteriormente, das questões de conteúdo.

A análise do corpus nos mostrou que há uma espécie de padronização de estrutura que não é proveniente, unicamente, do que é ditado ou sugerido pelas cinco competências que embasam a produção textual do Exame. Essas competências criam uma espécie de caminho que pode ser seguido, geram um direcionamento para a elaboração da prova e referências para a correção, mas não direcionam os candidatos a utilizarem as mesmas estratégias argumentativas e as mesmas formas de dizer. Paralelo a isso, compreendemos, também, que esses limiares, ao longo dos anos, se cristalizamm e seguem como caminhos reiterados e replicados na hora da escrita dos textos.

Outro ponto fundamental que envolve as questões sobre os aspectos estruturais percorre o Manual do Candidato que, meses antes do Exame, é divulgado com algumas diretrizes, mas, assim como as competências, traz sugestões ,também expostas em nossas análises, que não são responsáveis pelo engessamento das possibilidades da escrita dos textos. Nas redações, encontramos a mesma sequência de ideias. Essa questão é apresentada nos Manuais de forma que a obrigatoriedade se firma na presença dos elementos e não na ordem em que devem aparecer. O que nos intriga, ao longo das análises, é que independentemente da região e/ou do contexto, as escolhas coletivas vão formando uma espécie de caminho cristalizado.

Vimos, a partir das análises e da formação dos quadros apresentados na dissertação, que há, nas redações dos dois primeiros anos, uma padronização maior em determinadas questões e que as novas possibilidades de escritas que surgiam eram elaboradas nos anos seguintes e também passavam a se cristalizar. Ainda que nosso corpus não tenha um distanciamento anual

suficiente para que afirmemos a existência de um engessamento maior ao longo dos anos de forma generalista, notamos, no intervalo de tempo em que nos debruçamos, que isso acontece. Notamos, ainda, o exposto no que diz respeito à forma de introduzir a voz alheia, visto que as inserções nos dois primeiros anos analisados são muito semelhantes entre eles, assim como nos dois últimos também são.

No que concerne ao nosso segundo momento de análise, vimos que a massificação sugerida é reafirmada pela recorrência da utilização de vozes, argumentos, lógica argumentativa e composição da proposta de intervenção. No caso das propostas de intervenção, por exemplo, em todas as redações analisadas notamos a atribuição de responsabilidade ao Estado, além de outras ocorrências que muito se assemelham ao ponto de que possamos facilmente trocar as propostas com algumas alterações e garantir que as redações continuem fazendo sentido.

A recorrência da utilização da voz alheia é ponto fundamental para corroborar a hipótese de massificação uma vez que, na composição das redações, essa estratégia aparece em demasia, principalmente nas redações dos dois últimos anos que compõem nossas análises, nas quais há a utilização do recurso em todos os textos. A forma de inserir essas vozes, sempre ancorando ou fechando um pensamento, também é recorrente e, na maioria das ocorrências, não há uma explanação, discussão ou explicação do pensamento.

Esse bloco de análise nos permitiu pontuar que as formas de unir, relacionar e complementar os conteúdos a partir de mecanismos linguísticos seguem um caminho bem semelhante. Mecanismos que achamos na forma de inserção das vozes, em alguns recursos utilizados nas propostas de intervenção, além de outras ocorrências ao longo das composições textuais.

Como consequência dos resultados das análises, concluímos que, a partir de um refinamento na busca pelas pistas e nos caminhos em que a pesquisa nos levou, observamos que a massificação da estrutura e do conteúdo que apontamos nos textos se relacionam diretamente com os estudos de Adorno e Horkheimer (1985), com base no ciclo da Indústria Cultural. Isso reitera que o ciclo proveniente da Indústria Cultural estabelece uma espécie de manipulação do indivíduo consumidor uma vez que esse indivíduo já se mantém naquele determinado ambiente de consumo, consome e, ao longo do tempo, passa a necessitar daquele tipo de consumo, alimentando e renovando o ciclo. O fato é que a manutenção desse ciclo, embora pareça, não é controlada pelo sujeito, mas pelos padrões que vão se estabelecendo.

Essas estruturas textuais e, portanto, a forma de inserir e relacionar os conteúdos que são referenciadas como modelos ao longo dos anos se erguem e ganham um crucial espaço exatamente pelo fato de que essas construções vêm ganhando um status de necessidade do

coletivo já que consideramos o êxito nessas redações como ponto fundamental para grande parte da população. O que podemos suscitar como determinante de maiores reflexões não é necessariamente a cristalização que vem tomando forma e se replicando ano após ano, mas a forma como o produto desse contexto vem ganhando relevância, vem se fortificando e se tornando cada vez mais um modelo e de que forma essas considerações serão postas em sala de aula, que intuitos seguirão e como serão gerenciadas ao longo dos anos.

Outras questões foram levantadas a partir do processo de produção do projeto de pesquisa, no decorrer das análises e, inquietantemente, na finalização da dissertação. Questões como i) de que forma essa massificação e essa decisão pelas mesmas formas de dizer estão

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