11 Caractéristiques techniques
11.7 Schéma de connexion
11.7.3 Schéma de connexion CS7000iAW AWMB 1 N~ et
A estruturação do complexo industrial é produto de fatores históricos, econômicos e sócio-políticos e, mesmo numa economia de livre empresa, por mais liberalizada que se encontre, envolve-se a competência do poder público estatal. Apesar do grau de liberalismo visto, em tempos de economia fechada, de enfoque nacionalista (pré-1990), numa época em que o setor privado não reunia condições suficientes para bancar o próprio progresso, era sensível a presença estatal na tarefa de atrair investimentos, fornecendo cobiçáveis condições infra-estruturais para implante de distritos industriais. Basta por exemplo, em destaque, a política do Ciclo Militar (1964-85) de capitaneamento de mega-obras no campo energético, rodo-ferroviário e de remissão das desigualdades regionais, que em muito contribuíram para a criação de centros industriais e para o desenvolvimento, em contrapartida, de centros consumidores.
Na cauda desse modelo, tem-se por ilustração as vultosas linhas de crédito industrial a juros subsidiados patrocinados pelas três esferas do executivo brasileiro quando visavam propulsionar locus de desenvolvimento, sobretudo nas décadas áureas do capitalismo brasileiro de 1950-70.
A abertura da economia, ainda que tímida, sob o governo de Juscelino Kubistchek (1955-60) veio a calhar com a oferta internacional de capitais para investimento infra-estrutural (meio de comunicação) e, durante toda a década de 1970, sob o ciclo militar, houve significativa captação de recursos externos para inversão na matriz energética nacional, sendo o desenvolvimento levado ao interior e acelerado nas regiões metropolitanas.
Foram as regiões industriais os destinos da monta dos capitais, os quais facilitados por módicas taxas internacionais de juros e por prolongadas prestações, permitindo ao governo da época um melhor equacionamento do nível econômico (o que produzir) do conhecido dilema triádico, melhor equilibrando o conflito entre os destinatários natos dos recursos, se a bens de
capital ou a bens de consumo.
O complexo têxtil de Blumenau, nesse ínterim, teve obsequiosa atenção por parte dos governos municipais e estaduais, principalmente a título de longos períodos de isenção de impostos, taxas e juros, capacitando esse parque localizado a tornar-se atividade superior a muitas modalidades agrárias que dominavam o cenário municipal nos anos de 1950, imprimindo, desde então, a marca de "cidade dos tecidos".
Foi contributiva a existência de partidos políticos dominantes situados à direita empresarial dentre os quais o PSD, UDN e PTB, mais tarde a ARENA (e mesmo a AIB/PRP), ocuparam o executivo municipal até 1970, quando o quadro político reverteu à oposição consentida abrigada no então MDB. Não obstante, a guinada à oposição significou a continuidade da hegemonia empresarial na política local como Carlos Curt Zadrozny, (grupo Artex), Curt e Ingo Hering (Cia. Hering) e Wolfgang Werner (Altona), entre outros do séquito industrial. Mesmo da parte da oposição cristalizada no MDB, o modelo implantado foi de continuidade e, em não raras vezes, até mais conservador.
De outro lado, a forte tradição conservadora cuidou pela inexistência de focos agressivos, vinculados a parcelas exaltadas da população (extremados à esquerda), o que garantia a existência de um operariado cordato e intimo colaborador e de um patronato assistencialista.
O maior revés e constrangimento sofrido pelo complexo têxtil data de 1989, quando eclodiu grande greve que paralisou a ampla maioria dos trabalhadores , motivada esta pela alta defasagem salarial perante os altos índices inflacionários praticados pelo governo de José Sarney. Infelizmente, devido à insuflação das massas grevistas por agitadores profissionais vinculados a partidos esquerdistas e outras forças rebeldes, e concitada a desordem, o movimento descambou do caráter reivindicatório para o político-partidário, mesclado com rompantes de revanchismos classistas.
Tanto a memória empresarial como laborai, majoritariamente, lêem o movimento daquele ano como pernicioso para as duas classes. Em resumo, o saldo negativo para os trabalhadores consistiu em “ganho” de apenas 33% contra os 40% inicialmente oferecidos pelo patronato, demissões de agitadores e perda de estabilidade temporária. Para o empresariado, as
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perdas derivaram diretamente da paralisação da produção, debaldes atracagens portuárias de navios durante a paralisação de 1989, rescisões de contratos de compra, etc. Porém, para a ala empresarial, os males foram amainados graças aos seguros contra perdas, quedas de produção e lucros cessantes.
Após um qüinqüênio de acomodação de classes, pelas vias institucionais, oposicionistas em ampla coligação fechada à esquerda foram sufragados para a chefia do executivo municipal para os anos 1997-2000 (e reeleitos), o que, na visão do grande empresariado, vem estrangulando os canais de integração da cidade com outros centros, com altos custos ao setor, uma vez que a ênfase governamental repousa ora no social e não mais na questão infra-estrutural.
A influência do empresariado na política institucional, como visto, é decisiva para o aproveitamento de potencialidades públicas que podem ser voltadas para o fortalecimento de toda cidade, ou até região metropolitana, em função do crescimento do distrito industrial. A presença nesses meios também exige seu contributo, pois o elemento governo há que ser visto como aliado estratégico para a promoção do agrupamento.
Conforme se pode vislumbrar, as PMEs são o sustentáculo da aglomeração e, no mesmo sentido, ainda que com críticas, é comum os tempos de abertura ora vividos a prioridade governamental às mesmas. E vistoso que os governos estaduais têm apoiado essa iniciativa, na maioria dos casos através de políticas fiscais que têm por instrumento a renegociação de dívidas previdenciárias e a isenção de impostos até certas faixas de faturamento, bem como os incentivos à formação de serviços de assessoramento (SEBRAEs estaduais).
A manutenção de um centro gerador de políticas setoriais e de difusão tecnológica permitiria maior alcance a outros mercados ainda não perscrutados pelo segmento tradicional, ao que caberia a parceria com entes da administração pública e até mesmo com corporações produtivas e serviçais dos Governos. O potencial produtivo estatal, longe da fobia liberal, é atrativo para selamento de contratos de mútua cooperação, em destaque aqueles serviços e produtos de que o complexo industrial têxtil é costumeiro demandante e que, ora e ainda, encontra-se sob a potestade pública.
mecanismos de auto-ajuda (self-help), que teria como função social a prestação de serviços de difícil acesso pelas PMEs e, no campo político pragmático da alçada governamental, a implantação de medidas de proteção ao setor nacional. Essa iniciativa muito tem de cooperativismo, pois os modelos em prática avançados, como os Impannatori (Itália) e os Kozerne (Alemanha), têm mantido unidades estratégicas de fornecimento de matéria-prima e outros fatores a preços privilegiados para as empresas integradas, porém, o principal contributo é o serviço de assessoria e informação permanente, com destaque ao aprimoramento coletivo pela qualidade. O estabelecimento desses entes prestadores de serviços configura-se como meio de promoção política da indústria dominante e como mantenedor de ativos intangíveis.
As instituições acessórias competiria a provisão de uma rede de informações pertinentes à tecnologia, vendas, finanças industriais, entre outras, com trato flexível e sensível às tendências mercantis e produtivas, o que mereceria amplo apoio da vertente pública além dos mecanismo fiscais que já pratica; o crescimento da iniciativa culminaria com a autonomia administrativa e financeira desse órgão, tomando a corporificação de empresa coletiva (mas privada) de membros, desvinculando-se paulatinamente da ingerência pública.
Importante observar que a atividade do ente assessor limita-se à coleta e veiculação sistematizada de informações setoriais, a busca de nichos, principalmente, sem jamais interferir nas decisões intestinas das unidades associadas.
Como macrocondicionante da competitividade e do fomento da aglomeração regionalizada, a iniciativa estatal, em estreitos laços com as indústrias agrupadas, poderia desenvolver o papel do financiamento do capital às PMEs e da alta tecnologia às GEs hegemônicas. Uma das formas encontradas pelo executivo nacional para suprir a carência de capital de giro foi a criação de bancos regionais de fomento empresarial a juros subvencionados, evitando práticas espoliativas de bancos desconexos da realidade monetária local, engendrando, último estádio, uma prática financeira caudatária do agrupamento.
A presença da política pública no locus industrial é também imperiosa para a qualificação centralizada da mão-de-obra. Centraliza-se tal porque ainda prevalece a quase absoluta presença do Governo nas instituições de ensino básicas ou profissionais, posto que o processo fragmentado/descentralizado de treinamento de trabalhadores torna-se oneroso e
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desintegrado do plano político central do distrito. Iniciativas do gênero já observam até em certas universidades que aos poucos vão adaptando sua grade curricular aos interesses empresariais
locais, bem como passam a depender destes.