4.2.1 CLIMA
A área de estudo encontra-se dentro da faixa de clima do tipo As’, pela classificação de W. Köppen, caracterizado como clima tropical chuvoso, com verão seco e estação chuvosa, que se adianta para o outono, antes do inverno.
Segundo CORRÊA (2004), a localização latitudinal da Região Metropolitana do Recife, a aproximadamente 8° de latitude sul na capital, confere-lhe temperaturas estáveis ao longo do ano, com amplitude térmica anual de no máximo 5° C. Tal condição térmica deve-se a sua localização na Zona Intertropical, ou seja, na faixa de maior incidência solar do planeta, onde praticamente são constantes as temperaturas entre os meses de verão e inverno, sendo de 25 minutos a diferença entre o dia com mais horas de sol, no verão, para o com menos horas de sol, no inverno.
A Figura IV.2 apresenta uma série histórica das precipitações médias registradas da Cidade do Recife, no período de 1910 à 1985, considerada como referência para toda a Região Metropolitana. Observa-se que entre os meses de março à agosto, há um período chuvoso concentrado, com médias mensais maiores que 150 mm. Este período é considerado de alerta para as defesas civis da Região Metropolitana do Recife. As precipitações máximas mensais são registradas nos meses de maio, junho e julho, com médias mensais maiores que 300 mm de chuva. O período que vai de setembro a fevereiro apresenta em média baixa precipitação pluviométrica mensal. Especificamente no município do Recife, o total médio anual de precipitação é de 2.243 mm (SUDENE, 1990, a partir de GIRÃO, 2007).
0 50 100 150 200 250 300 350 400
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Mês P reci p it ação M é d ia ( m m )
Figura IV.2: Pluviometrias Médias Mensais no Recife (1910-1985). Fonte: SUDENE (1990), a partir de GIRÃO (2007)
Segundo JATOBÁ e APOLÔNIO, (1991), os meses de junho e julho constituem-se nos meses de maior precipitação na faixa oriental de Pernambuco, tendo como causas as eventuais invasões da FPA e, principalmente, instabilidades provocadas por cavados barométricos gerados sobre o Atlântico e avançam rumo a oeste, fenômeno conhecido como Sistemas Ondulatórios de Leste ou Ondas de Leste, que implica no desaparecimento da superfície de inversão térmica que separa a camada inferior, fresca e úmida, da camada superior, quente e seca, que forma a estrutura vertical dos ventos alísios austrais (a partir de GIRÃO, 2007).
Através desta pesquisa verificaram-se os dados históricos dos índices de chuva registrados nos pluviômetros próximos às áreas de risco de cada município envolvido na área de estudo. Para o município do Recife, apresentam-se os dados históricos registrados no Posto do Alto da Brasileira, Zona Norte do Recife, visto ser o pluviômetro mais próximo das áreas de risco alto e muito alto da cidade. Os dados registrados neste pluviômetro são desde 1997.
Considerando o histórico de índices de chuvas registrados no Alto da Brasileira (de 1998 a 2009, exceto o ano de 2000), observa-se que as precipitações médias e máximas mensais deste posto indicam um período chuvoso concentrado nos meses de março a agosto, com médias mensais maiores que 170 mm (Figura IV.3). O período que vai de setembro à fevereiro pode ser considerado de baixa precipitação pluviométrica. As máximas precipitações mensais registradas ocorreram nos meses de maio e junho/2005 (513,3 mm e 681,3 mm respectivamente) e julho/2004 (447,8 mm).
0 100 200 300 400 500 600 700 800
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Mês P rec ip it aç ão (m m ) Máximas Médias Mínimas
Figura IV.3: Máximas, Médias e Mínimas Mensais no Recife (Posto do Alto da Brasileira - de 1998 a 2009, exceto o ano de 2000)
Em Camaragibe, os dados históricos de índices pluviométricos são registrados desde 1997, quando foi instalado o pluviômetro na Sede da Prefeitura; época em que também foi criada a COMDEC no município. As precipitações médias e máximas mensais no município indicam um período chuvoso concentrado nos meses de março a agosto, com médias mensais maiores que 180 mm (Figura IV.4). O período que vai de setembro a fevereiro pode ser considerado, em média, de baixa precipitação pluviométrica mensal (<110 mm). As precipitações máximas mensais registradas no município ocorreram nos meses de junho de 2005 (728,8 mm); julho de 2000 (487,0 mm) e agosto de 2000 (530,2 mm).
No município de Jaboatão dos Guararapes, os dados históricos de precipitação pluviométrica são desde 2001, quando foi implantada a sua COMDEC. As precipitações médias mensais no município indicam um período chuvoso concentrado nos meses de março à agosto, com médias mensais maiores que 150 mm (Figura IV.5). As máximas precipitações mensais registradas no município ocorreram nos meses de março de 2008 (445,8mm); maio de 2006 (430,6 mm) e junho de 2005 (609,9 mm).
0 100 200 300 400 500 600 700 800
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Mês P re c ip it aç ão ( m m ) Máximas Médias Mínimas
Figura IV.4: Máximas, Médias e Mínimas Mensais em Camaragibe (1997 a 2009)
0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Mês P rec ip it açã o ( m m ) MÁXIMA Média MÍNIMA
Figura IV.5: Máximas, Médias e Mínimas Mensais em Jaboatão (2001 a 2009)
Fazendo uma análise dos três municípios em conjunto observa-se que, em geral, as precipitações médias mensais indicam um período chuvoso concentrado nos meses de março à agosto, com médias mensais maiores que 150 mm, sendo o período considerado de alerta para as defesas civis da área de estudo. No mês de junho são registradas médias superiores a 350 mm. O período que vai de setembro a fevereiro pode ser considerado, em média, de baixa precipitação pluviométrica. As máximas precipitações mensais registradas nos municípios ocorreram no mês de junho de 2005 (681,3mm no Recife, 728,8 mm em Camaragibe e 609,9 mm em Jaboatão dos Guararapes).
O clima da região tem forte relação com a formação dos solos. As altas taxas de umidade e a elevada temperatura da RM-Recife favorecem os processos de intemperismo químico nos solos, decompondo os minerais mais frágeis, como os feldspatos e as micas, que são bastante comuns nas rochas graníticas do embasamento cristalino e nas coberturas de solos sedimentares (ALHEIROS et al., 2003). A ação do intemperismo, por sua vez, tem forte implicação nos processos dos movimentos de massa, visto que os grãos de feldspatos, no tamanho areia, dos sedimentos da Formação Barreiras (principal material presentes nas áreas de morros da RM-Recife) contribuem para o aumento do conteúdo de argila, favorecendo a ocorrência dos movimentos de massa (a partir de BANDEIRA, 2003).
4.2.2 VEGETAÇÃO
A vegetação dominante da área de estudo é formada por Mata Atlântica, ocorrendo na área de estudo em pequenos perímetros isolados estando circundadas por edificações urbanas e protegida por leis de preservação ambiental. Dentre estas, destacam-se: a Mata de Dois Irmãos, com 389 ha em Recife, a Mata Privê Vermont, com 170 ha em Camaragibe, a Mata do Gurjaú e outras (Mata do Engenho Salgadinho, Manassu, Mussaíba, etc), com uma total superior a 1.000 ha em Jaboatão dos Guararapes. Nos tabuleiros localizados a oeste podem ser observadas vegetações semelhantes à de Cerrado, como gramíneas e arbustos, e algumas culturas de subsistência. A Figura IV.6 apresenta a área de estudo com sua mancha urbana e as principais unidades vegetais.
Figura IV.6: Mapa de Mancha Urbana e Principais Unidades Vegetais da Área de Estudo
4.2.3) RELEVO
O relevo da área de estudo é caracterizado por uma quebra pronunciada entre a planície e os morros. Nas áreas de morros é possível encontrar altitudes de até: 100 metros para Recife; 150 metros para Camaragibe; e 200 metros para Jaboatão dos Guararapes, todas em relação ao nível do mar (Figura IV.7). Na planície não são raras as regiões em que os terrenos estão cotados abaixo do nível do mar. Geomorfologicamente, a área está representada por pelo menos três componentes bem definidos: Planície, Tabuleiros, e Morros, que mostram uma planície flúvio-marinha circundada por morros cristalinos e tabuleiros de rocha sedimentares (Figura IV.8).
No Recife, as áreas de tabuleiros estão presentes na porção noroeste e sudoeste da cidade, apresentando freqüentemente superfícies relativamente planas no topo, enquanto “seus rebordos apresentam-se dissecados por uma importante rede de ravinas e por pequenos vales muito encaixados, o que lhes dá um aspecto festonado” (MELO, 1990, a partir de GIRÃO, 2007).
4.2.4 SOLO
Através do Mapa de Solos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) da área de estudo, verifica-se que há uma predominância de Argissolos e Latossolos. Também se encontram, em menor proporção, os Espodossolos e os Gleissolos Háplicos (Figura IV.9).
Os Argissolos são compostos por solos minerais não hidromórficos e constituídos por argilas de baixa atividade. Em geral são profundos, bem drenados e com seqüência de horizontes A, Bt, C ou, A, E, Bt e C. Na área de estudo os Argissolos abrangem principalmente as áreas mais elevadas a norte e a sudoeste, recobrindo as unidades geológicas cristalinas; e o terço médio dos sedimentos da Formação Barreiras.
Os Latossolos compõem solos minerais, não hidromórficos, com horizonte B latossólico, em elevado estágio de intemperização. São bastante evoluídos e profundos, com espessura maior que 2,0 metros, com permeabilidade elevada, variando de bem a acentuadamente drenados. Possuem seqüência de horizontes do tipo A, Bw, C, distribuindo-se sobre as unidades cristalinas e sobre o topo dos tabuleiros da Formação Barreiras em áreas vizinhas aos Latossolos, no norte e sudoeste da área de estudo.
Os Espodossolos e os Gleissolos Háplicos estão localizados a oeste e sudoeste da área de estudo. São compostos por solos minerais, originado dos sedimentos arenosos, em geral são hidromórficos, comuns nas várzeas dos rios.
Figura IV.8: Mapa Morfoestrutural da Área de Estudo: Municípios do Recife, Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes.
270000 270000 279000 279000 288000 288000 90 900 00 9 0 9 000 0 909 90 00 909 90 00 91 08 0 0 0 910 80 00 9 117 0 0 0 91 1 7 000
Jaboatão dos Guararapes
Camaragibe Recife Fonte: Shinzato in CPRM (2003) Classe de solos Áreas Urbanas Argissolos Espodossolos Gleissolos Háplicos Latossolos Neossolos Solos de Mangue 2000 0 2000 4000 Meters N
Figura IV.9: Mapa de Solos do SiBCS da Área de Estudo: Municípios do Recife, Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes.
4.2.5. HIDROGRAFIA
A hidrografia da área de estudo é caracterizada pelas Bacias Capibaribe, Beberibe, Tejipió e Jaboatão, constituindo os principais eixos de drenagem, além dos rios Jiquiá e Jordão, que formam um estuário comum e deságuam no Oceano Atlântico. Na área também há presença de lagos e lagoas, tais como a Lagoa do Araçá, no Recife e a Lagoa Olho D'Água, em Jaboatão dos Guararapes; e também alguns açudes, tais como: o da Prata, em Dois Irmãos, e o de Apipucos, ambos no Recife (Figura IV.10). Em Jaboatão dos Guararapes encontra-se a Barragem Duas Unas, localizada na região norte do município. O volume acumulado de água na barragem contribui para a elevação do lençol freático, o que pode colaborar com a ocorrência dos processos de instabilidade de encostas na sua área de influência. A urbanização das cidades, nas áreas das bacias hidrográficas causa uma redução na capacidade de infiltração do solo. A redução na capacidade de infiltração, por sua vez, somado ao assoreamento dos canais e córregos, que muitas vezes é causado pelo material oriundo das erosões das encostas, contribui com o aumento das enchentes e inundações nas áreas de planície. Este fato é comum na área de estudo desta pesquisa.
272000 272000 280000 280000 288000 288000 296000 296000 90 88 0 0 0 908 8 0 0 0 90 96 0 0 0 909 6 0 0 0 91 04 0 0 0 910 4 0 0 0 9 112 000 9112 000 9 120 000 9120 000 N Rede de Drenagem Oceano Limite de Bacias LEGENDA 2000 0 2000 4000 6000 Meters Bacia de Jaboatão
Bacia do Tejipió
Bacia do CapibaribeBacia do Beberibe
Figura IV.10: Mapa de Drenagens da Área de Estudo: Municípios de Recife, Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes.