Dado o desconhecimento da existência de um questionário validado especificamente para o estudo do objeto de investigação deste trabalho, foram consultados instrumentos elaborados para medir o capital social em contextos diversos, tal como aqui já foi referido.
De entre as opções disponíveis, quer para a construção das perguntas, quer para a tipologia possível de respostas, escolheu-se elaborar perguntas fechadas com a Escala de resposta de Likert e duas perguntas de resposta aberta, para auscultar os inquiridos sobre os eventuais benefícios e prejuízos desta reforma.
Foi privilegiado o formato de resposta de escolha múltipla, com recurso a escalas de intervalo (como é o caso da questão relativa ao tempo de serviço dos respondentes, por exemplo) e à escala ordinal de Likert. Ciente da contenda sobre o número par ou ímpar de respostas, com as vantagens e desvantagens habitualmente apontadas a uma e a outra opção (Hill & Hill, 2009), foram escolhidas cinco possibilidades de resposta às afirmações produzidas na segunda parte do questionário: “discordo totalmente”, “discordo”, “nem concordo nem discordo”, “concordo”, “concordo totalmente”.
São conhecidas as objeções que levam os investigadores a escolher o número par por oposição ao número ímpar de respostas, sendo a principal o facto de o número ímpar permitir um tipo de resposta “conservadora”, isto é, no meio da escala (Hill & Hill, 2009): “(…) um número de respostas alternativas ímpar pode levar à obtenção de respostas “erradas”. As respostas são “erradas” porque não são muito “representativas” das verdadeiras opiniões (ou atitudes ou satisfações) de uma grande parte dos inquiridos” (p.125). Não obstante, e por ter igualmente a noção que um número par de respostas “(…) obriga todos os inquiridos a dar uma opinião (ou atitude) definitivamente positiva ou negativa” (p.125), considerou-se que a melhor possibilidade seria a de incluir um número ímpar de respostas, porque admite a opinião neutra expressa na opção “não concordo nem discordo” e, como tal, não impõe respostas inequívocas contrárias à vontade do respondente.
Em sintonia com este raciocínio, Cohen, Manion & Morrison (2011) alertam para o perigo de se cair na presunção de que o respondente tem toda a informação necessária à produção de uma resposta, ou mesmo uma opinião formada sobre todas as questões que lhe são colocadas: “This means that the opportunity should be provided for respondents to indicate that they have no opinion, or that they don’t know the answer to a particular question, or to state that the question does not apply to them” (p.383).
Ainda no respeitante à decisão sobre o número de alternativas de resposta, foi considerada a experiência dos respondentes ao questionário na fase de pré-teste, que manifestaram a ideia de que era fundamental a inclusão de uma possibilidade que permitisse que o respondente não fosse obrigado a assinalar o seu grau de concordância acerca de afirmações sobre as quais não tinha opinião, ou não tinha conhecimento suficiente para responder, uma situação aliás verificada com essas mesmas pessoas.
É identicamente primordial esclarecer que se procurou averiguar a opinião dos professores relativamente à agregação do Agrupamento onde exercem funções. Nessa premissa, foram elaborados conjuntos de itens que se agregam em torno de: a) “visão do processo de agregação de escolas”; b) “efeitos da agregação de agrupamentos de escolas na relação entre o diretor e o corpo docente”; c) “efeitos da agregação de agrupamentos de escolas nas relações docentes interpares” e d) “efeitos da agregação de agrupamentos de escolas no grau de participação e envolvimento dos docentes na vida da escola”.
O questionário foi submetido para validação a dois especialistas, a Professora Doutora Susana Henriques, da Universidade Aberta, e o Professor Doutor Luís Tinoca, da Universidade de Lisboa. Em resultado da sua análise a este instrumento de investigação, procedeu-se a algumas alterações às questões inicialmente construídas. Foram efetuadas mudanças de redação e de opção de resposta, assim como nas indicações de resposta a algumas perguntas para um maior equilíbrio entre os itens de teor negativo e positivo em algumas questões.
Atendendo às advertências de Hill & Hill (2008) e de Cohen, Manion & Morrison (2011) no que concerne a pertinência das questões colocadas, o questionário inicia-se com uma secção destinada à solicitação de dados imprescindíveis à caracterização profissional dos sujeitos participantes. Assim, tendo em conta que estes últimos são o total dos docentes dos Agrupamentos de escolas em estudo, não constituindo em si um universo homogéneo, elaborou-se um grupo de seis itens, que visam saber o nível de ensino lecionado pelo respondente (Pré-escolar, 1º Ciclo, 2º Ciclo, 3º Ciclo e/ou Secundário), a sua categoria profissional (professor contratado,
Quadro de Agrupamento, ou Quadro de Zona Pedagógica), o seu tempo de serviço, o número de anos em exercício de funções no Agrupamento em estudo, o estabelecimento de ensino em que lecionava antes da agregação.
Antecipou-se a probabilidade de obtenção de respostas diferentes nas secções 6, 7 e 8 do questionário, em função de a possibilidade de a perspetiva de um docente que lecione apenas numa escola/unidade de gestão ser diferente da que tem um docente que trabalhe em duas ou mais escolas. Em conformidade com esta expetativa, foi pedido aos professores que indicassem a unidade de gestão em que exercem funções em 2012/13: apenas na Escola Sede do Agrupamento, apenas numa das escolas que foi agregada à escola sede, na escola sede e numa outra unidade de gestão, ou em mais do que duas unidades de gestão.
O questionário está organizado em duas partes que, por sua vez, apresentam secções distintas. A primeira parte é constituída pelas questões um, dois três, quatro e cinco. As duas primeiras reportam-se, como já foi referido, à caraterização profissional dos inquiridos. A terceira refere-se à visão que os docentes têm do processo de agregação. É feita uma ressalva aos professores que não estavam no Agrupamento em estudo em 2009/2010, para que avancem para a segunda parte.
A questão quatro apela à memória cognitiva e afetiva dos respondentes, no sentido em que solicita que estes assinalem o seu grau de concordância (1- discordo totalmente, 2- discordo, 3- não concordo nem discordo, 4- concordo, e 5 – concordo totalmente), com doze itens que procuram enumerar o que os docentes sentiram quando receberam a notícia de que o seu Agrupamento de Escolas iria ser agregado a outro (s) estabelecimento (s) de ensino.
A questão cinco, que contém exatamente os mesmos itens da questão anterior, foi formulada de modo a que os inquiridos façam uma análise retrospetiva e comparem o que sentiram e temeram no passado, com o que efetivamente se concretizou no presente: “em retrospetiva, que expetativas ou receios se confirmaram?”
A segunda parte do questionário diz respeito às variáveis enunciadas acima e que estão fundeadas nas questões de investigação. Constituída pelos blocos seis, sete, oito, nove e dez, esta secção foi elaborada com o objetivo de se recolher dados atinentes ao ponto de vista dos professores sobre os efeitos desta reforma administrativa e pedagógica na qualidade das suas relações quer com o Diretor, quer com os seus pares.
A questão seis, referente aos “efeitos da agregação de agrupamento na relação entre o diretor e o corpo docente”, é constituída por doze itens que têm por referência as
noções de confiança, reciprocidade e de comunicação entre estes membros da comunidade escolar. Procurou-se um equilíbrio entre as afirmações positivas e as afirmações negativas de forma a verificar a consistência e a coerência das respostas assinaladas, por um lado, mas também para não haver uma tendência (mais negativa ou mais positiva) que pudesse eventualmente influenciar os respondentes nas suas escolhas.
A questão sete agrega doze itens que visam analisar a variável “efeitos da agregação de agrupamentos de escolas nas relações docentes interpares”. Procurou-se construir afirmações que representem situações e factos que permitam analisar se o relacionamento pessoal e profissional dos professores entre si sofreu alterações por força da reforma da agregação de agrupamentos de escolas. Deste modo, foram formuladas afirmações relacionadas com a partilha de preocupações, de materiais pedagógicos, com a ajuda mútua na resolução de problemas, com as formas de comunicação utilizadas, com a realização das reuniões de Departamento.
A questão oito, construída em torno dos “efeitos da agregação de agrupamentos de escolas no grau de participação e envolvimento dos docentes na vida da escola”, apresenta dez itens que representam situações e factos referentes a esta dimensão do desempenho profissional docente.
As questões nove e dez são abertas, e procuram abrir espaço de recolha da opinião do respondente acerca dos possíveis benefícios e prejuízos da agregação de agrupamentos de escolas de Escola. É concedida a possibilidade ao inquirido de apresentar três benefícios e três prejuízos/desvantagens, com base na sua perspetiva e experiência em Escolas que já funcionam desde 2010 sob este modelo de gestão e administração.
Trata-se, pois, de um questionário de tipologia mista, isto é, com questões fechadas e questões abertas, de modo a que seja possível recolher dados passíveis de serem objeto de tratamento estatístico e de dados que serão alvo de tratamento de análise qualitativa.
Na elaboração deste instrumento de pesquisa estiveram presentes os critérios que contribuem para a validade de um qualquer questionário: a clareza dos seus propósitos, a clareza dos itens a serem incluídos de forma a recolher exatamente os dados pretendidos, a exaustividade nas alternativas de respostas fornecidas, a adequação das questões colocadas em relação ao objeto de investigação e a recolha de dados empíricos (Cohen, Manion & Morrison, 2011).
Em síntese, o questionário construído para a presente investigação teve por referência quer informações obtidas através das entrevistas exploratórias, através da formulação de variáveis decorrentes das questões de investigação, de indicadores passíveis de fornecerem dados necessários às conclusões e resultados, e do próprio quadro referencial teórico de capital social, no qual Putnam, também autor de uma investigação sobre este conceito, é um dos estudiosos mais citados.
5.7.2. Entrevista
A opção pela entrevista como instrumento a utilizar na recolha empírica de dados enquadra-se no paradigma em que esta se situa, e com o método escolhido para a investigação, uma vez que, como sublinha Yin (2009), uma das fontes de informação mais importantes para o estudo de caso é precisamente a entrevista.
Esta preferência também teve em consideração a perspetiva (já anteriormente explicitada) de que, na investigação qualitativa interpretativa, os sujeitos participantes são parte integrante da própria investigação. Estes têm a oportunidade de atribuir significado às suas experiências, num processo que pode ser encarado como uma oportunidade de exprimirem a sua opinião livremente, e de serem ouvidos, o que pode não ocorrer facilmente de outra forma com alguém que esteja fora do sistema educativo, como sublinham Cohen, Manion & Morrison (2011).
A entrevista semiestruturada torna possível a recolha de dados que se pode comparar com outros resultados, através de uma análise de conteúdo (Bogdan & Biklen, 1994). Admite uma melhor perceção de diferenças individuais, uma flexibilidade na gestão de tempo, uma diversificação na abordagem dos tópicos e uma comunicação direta e pessoal.
Por outro lado, é importante reconhecer algumas desvantagens na sua utilização: a necessidade de o número de sujeitos participantes ser limitado, a exigência de disponibilidade de tempo (quer na preparação quer na transcrição da entrevista, da codificação, e do tratamento de dados, através da análise de conteúdo), e o facto de a fiabilidade poder ser posta em causa, pela atitude do entrevistador, ou mesmo por uma interpretação errónea dos dados recolhidos.
No que concerne à tipologia de entrevista a realizar, tal como foi já referido, a escolha recaiu sobre a entrevista semiestruturada, não só pelos dados que se pretendia obter, mas também considerando os sujeitos a entrevistar, isto é, os diretores dos
agrupamentos de escolas e a possibilidade de terem tido experiências e opiniões distintas no que diz respeito ao processo de agregação.
A entrevista teve como objetivo reunir dados detalhados acerca da forma como o processo de constituição de “mega-agrupamentos de escolas” foi desencadeado e concretizado, na voz dos protagonistas ou pessoas indiretamente envolvidas, mas também obter a sua perspetiva sobre o estado atual do agrupamento que dirigem.
A opção pela entrevista semiestruturada surge das caraterísticas atribuídas a esta técnica de pesquisa: apresenta um equilíbrio entre perguntas abertas e perguntas fechadas, possibilitando ao entrevistador “uma amplitude de temas considerável” (Bogdan & Biklen, 1994, p.135), e permitindo que o entrevistado exprima as suas ideias e opiniões sem que, no entanto, os temas em torno dos quais a entrevista foi preparada fiquem por abordar. É particularmente indicada como técnica de recolha de dados em investigação qualitativa, especialmente quando o objetivo da investigação é obter resposta a questão (ões) que exige (m) a descrição e compreensão de uma determinada realidade ou problema. É um método de recolha de informação valioso por se radicar em “processos fundamentais de comunicação e interacção humana” (Quivvy e & Campenhoudt, 2008, p.191).
Permite reunir dados em profundidade, e de uma forma direta e observável, não só através das respostas do entrevistado, como também pelas suas atitudes, linguagem e comportamentos. Segundo Aires (2011), “(…) é uma das técnicas mais comuns e importantes no estudo e compreensão do ser humano” (p.27). Pressupõe um diálogo, um contacto direto e presencial entre o entrevistador e o entrevistado. Este último pode exprimir a sua opinião, perspetiva ou experiências sobre determinado (s) assunto (s) que lhe é (são) familiar (es), na sequência de um trabalho prévio do investigador, a quem cabe a responsabilidade de planear e elaborar um guião, optando pela tipologia que melhor se adequa aos objetivos da entrevista.
À aplicação deste instrumento de investigação está subjacente uma reciprocidade, uma vez que entrevistador e entrevistado se podem influenciar mutuamente, como sublinha a mesma investigadora:
Por isso, longe de constituir um intercâmbio social espontâneo, compreende um processo um tanto artificial e artificioso, através do qual o investigador cria uma situação concreta (a entrevista). A entrevista compreende, assim, o desenvolvimento de uma interacção
criadora e captadora de significados em que as características pessoais do entrevistador e do entrevistado influenciam decisivamente o curso da mesma (p. 29).
Na utilização da entrevista há que ter em conta alguns aspetos de natureza prática, que ocorrem em três momentos distintos (Carmo & Ferreira, 2008) antes, durante e depois da entrevista. Antes, o investigador deverá definir o (s) objetivo (s), construir o guião, escolher o (s) entrevistado (s) e fazer a calendarização. Obtida a concordância do entrevistado, e verbalmente formalizado um contrato, aquele é novamente contactado para a realização da entrevista, que geralmente decorre sob as seguintes condições:
a) Garantia de anonimato da fonte de informação. b) Gravação da entrevista.
c) Transcrição da entrevista para suporte informático e devolução do texto ao entrevistado, para verificação da veracidade e da não deturpação do que foi dito, com possibilidade de reformulação posterior.
Durante a entrevista é importante conquistar a confiança do entrevistado, escutá-lo atentamente, manter o controlo com diplomacia, enquadrar as perguntas melindrosas e evitar induzir respostas a questões colocadas. No final, se considerado pertinente e de contributo para uma melhor análise do conteúdo, podem ser registadas observações sobre aspetos que relevem do comportamento e/ou atitude do entrevistado, e sobre o ambiente em que decorreu a entrevista.
No que concerne a presente investigação é indispensável mencionar que este protocolo foi cumprido na íntegra. Num contacto inicial, foi explicado aos diretores dos agrupamentos o teor e propósito da investigação, e solicitada a sua colaboração. Foram apresentadas as razões que conduziram à escolha destes agrupamentos de escolas em particular, sendo de salientar que era nenhum dos Diretores era conhecido pela investigadora até ao momento em que foram contactados no âmbito deste estudo.
A construção do guião final da entrevista foi precedida da composição de um outro menos estruturado, utilizado nas duas entrevistas a dois docentes com experiência anterior do processo de agregação. Nesta fase preliminar da investigação, seguindo as recomendações de Quivvy e Campenhoudt (2008), procedeu-se à realização de entrevistas exploratórias de modo a obter uma recolha de informações que pusessem em evidência as linhas cruciais a seguir na investigação, e os assuntos sobre os quais seria fundamental questionar os Diretores selecionados para este estudo.
A seleção destes sujeitos baseou-se no facto de poderem ser enquadrados numa das categorias de pessoas que estes autores consideram “interlocutores válidos”. Os entrevistados reuniam as características comuns de serem “testemunhas privilegiadas” daquela que foi a primeira fase de agregações de escolas em Portugal. Não obstante o risco para que advertem Quivvy & Campenhoudt (2008), diretamente ligado à subjetividade e à parcialidade dos depoimentos, considerou-se que a distância temporal já poderia conceder aos entrevistados algum distanciamento em relação à experiência de transição para um agrupamento de escolas de grandes dimensões, sobretudo entre 2010 e 2011.
Na primeira fase foi entrevistada uma professora que à data exercia funções numa Escola Secundária da região centro, e que viveu toda a fase de transição da gestão por uma Comissão Provisória Administrativa, até à eleição do Diretor, e posterior adaptação à nova realidade. A docente lecionou nessa Escola entre 2009/2010 e 2011/2012, o que lhe permitiu adquirir uma visão abrangente (e crítica) dos efeitos desta reforma de caráter administrativo nas relações dos docentes com o diretor, e nas relações docentes interpares. O guião inicialmente construído não foi seguido ipsis
verbis. Por um lado, algumas questões que tinham sido previstas foram antecipadas pela
pessoa entrevistada, no decorrer natural da conversa. Por outro, sendo uma entrevista exploratória, foi concedida "liberdade" à docente para relatar os aspetos mais marcantes da sua experiência pessoal, independentemente de serem ou não objeto de investigação.
Foram vários os motivos de interesse identificados no seu testemunho: desde a imagem do impacto da primeira reunião geral de professores no início do ano letivo seguinte à agregação, que foi conduzida no pavilhão gimnodesportivo da sede do concelho, pela inexistência de infraestruturas na Escola que pudessem acolher cerca de trezentos docentes; à dificuldade em desenvolver um trabalho articulado com outros docentes pelo facto de trabalharem em mais do que uma escola; o sentimento de intrusão que assolava cada professor que tinha de se deslocar da sua escola habitual a uma outra que passou a pertencer ao agrupamento por força da agregação; a dificuldade em organizar atividades extracurriculares por incompatibilidade de horários entre os docentes; o sentimento de desorientação e de frustração no exercício da docência, causado pelos prejuízos decorrentes deste processo.
Com o objetivo de obter uma visão de um ângulo diferente – mas em alguns aspetos complementar - foi também entrevistado um ex-diretor de agrupamento de
escolas, da região centro, mas de um outro concelho e distrito, que exercia funções de direção em 2009/2010, e cujo agrupamento foi sujeito a este processo.
Considerou-se útil entrevistar também um diretor de escola, por três motivos: para obter uma visão global do problema da investigação (ouvindo as duas partes envolvidas e que são sujeitos participantes da investigação - professores e diretores); para ajudar à construção do questionário a aplicar aos docentes (poderia haver alguma questão que tivesse sido ignorada, mesmo vindo de um ponto de vista diferente), e por fim para proceder à elaboração de um esboço do guião da entrevista aos diretores dos agrupamentos de escolas selecionados para o estudo.
Das informações obtidas junto deste ex-diretor, destacam-se os problemas de ordem administrativa, que se sentiram no período imediatamente após a oficialização da agregação, isto é, entre julho e agosto de 2010, já que foi imposta de um dia para o outro; uma centralização dos serviços administrativos, e a coordenação de formas distintas de trabalhar, e até de programas informáticos diferenciados, por serem adotados em escolas diferentes. A distribuição de serviço também não se afigurou tarefa fácil, naquele que foi um dos efeitos colaterais de um processo de agregação pouco pensado.
O prejuízo das relações pessoais e profissionais foi outra das questões referidas. A título de exemplo, o facto de as reuniões de departamento curricular passarem a ser espaços de transmissão de informações, impossibilitando qualquer tipo de trabalho a nível pedagógico, e levando à constituição de grupos mais pequenos chamados de “grupos disciplinares”. Um aspeto considerado positivo pelo entrevistado, foi a valorização do ensino Pré-Escolar e do 1º Ciclo, muito embora esse processo tivesse