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sendo o eixo estruturante de toda a Igreja.

3.2.1 Hipóteses para uma história da teologia na América Latina e no

Caribe.

Enrique Dussel191 apresenta hipóteses para uma história da teologia latino-americana e

caribenha que apresentaremos brevemente: 1. O primeiro período – a teologia profética diante

190 CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - CNBB. Mensagem ao Povo de Deus sobre as

da conquista e da evangelização: a conquista da América em 1492, não é somente um feito individual, mas também histórico-político. O papa Alexandre VI expediu a bula Intercoetera (1493), em favor dos reis católicos da Espanha, através da qual lhes era permitido evangelizar essas terras e sujeita-las ao seu domínio. Encobria o sentido real da práxis conquistadora. Os europeus dominaram os indígenas e os reduziram a mais horrível escravidão. A morte, o roubo, a tortura eram encobertos pela interpretação falsa e ideológica: a evangelização. As bulas pontifícias, desde 1493, davam uma justificativa sagrada à conquista da América, o que não influencia em nada no andamento do Concílio de Trento, por exemplo. Em contrapartida, profeticamente, foi Antonio de Montesinos OP (+ 1545) quem lançou em 1511 o primeiro grito-profético na América. Depois dele vieram Bartolomeu de las Casas (1474-1566), Josué de Acosta SJ (1539-1600) e Bernardino de Sahagún OFM (+ 1590) entre outros, que são os teólogos da primeira geração ou, pelo menos, são aqueles que enfrentaram a realidade de seu tempo com uma visão menos ideológica que seus companheiros de conquista ou evangelização. Para estes “teólogos da libertação” o pecado sócio-político era a conquista. 2. O segundo período – a teologia da cristandade colonial (1553 – 1808): é o período da segunda escolástica, cuja época se situa em torno do Concílio de Trento (1545-1563). Trento somente se preocupa com problemas germânicos e por nada se dá conta da enorme abertura que a aparição da África, da Ásia e da América produziu na Europa. A cristandade moderna, o cristianismo católico, se fecham sobre a Europa e começam a ficar cegos para outras culturas e povos. 3. O terceiro período – a teologia prático-política diante da emancipação neocolonial das oligarquias crioulas (a partir de 1808): desde 1760, começou na América espanhola um processo de formação e estudo das novas interpretações da teologia tradicional e das influências crescentes do Iluminismo, principalmente o francês. Se a teologia da cristandade foi imitativa, a desta época recupera, sem dúvida, algo da criatividade inicial da teologia na América. Trata-se de um novo momento não acadêmico, prático e político de reflexão, a partir de uma fé comprometida num processo de libertação e por isso não ideológico. 4. O quarto período – a teologia neocolonial na defensiva (até 1930): período da passagem de um pensamento conservador para outro liberal, e mesmo popular. Neste período, a teologia passa de mera recordação da teologia da cristandade colonial e da euforia dos decênios posteriores ao de 1809, a fechar-se numa posição tradicional conservadora, provinciana, sempre atrasada em relação aos acontecimentos (pelo menos até meados do século XIX). Os teólogos do Concílio Vaticano I tem influência direta sobre os numerosos estudantes de teologia que

191DUSSEL, Enrique. Hipóteses para uma história da teologia na América Latina (1492-1980). In: VV.AA.

viajavam para Roma. 5. O quinto período – a teologia da “nova cristandade” (a partir de 1930): se dá a passagem da teologia tradicional, reflexo das classes possuidoras dos campos, dos latifúndios e integristas para a teologia desenvolvimentista, reformista. É o período da crise de 1929. Nasce a terceira escolástica – a necessidade de estudos a partir de Tomás de Aquino. É uma teologia não acadêmica mas militante, no entanto não é diretamente política mas dualista. Em 1955 se dá o passo em direção à teologia desenvolvimentista assumindo o projeto burguês. Surge a Ação Católica. Fundação das faculdades católicas de São Paulo e do Rio de Janeiro (1947). É fundado o Conselho Episcopal Latino-Americano, no Rio de Janeiro (1955). Começa a mobilização latino-americana de todo tipo de movimentos, faculdades de teologia, seminários teológicos, movimentos de ação católica, sindicatos, etc. Lançam-se as bases do movimento bíblico onde aparecem novas edições da Bíblia. Porém, mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, a produção teológica é imitação e aplicação da teologia europeia, sem algum conhecimento histórico e real da América Latina. 6. O sexto período – a Teologia da Libertação latino-americana (a partir de 1959): Este período tem quatro momentos discerníveis. Primeiro momento: de 1959 a 1968 – do anúncio do Vaticano II até Medellín, é o tempo de preparação e posição ainda bem desenvolvimentista. Segundo momento: de 1968 a 1972 – é o tempo da formulação da Teologia da Libertação e da atitude criativa diante de certas conjunturas que apontavam um caminho, embora dificilmente praticável em curto prazo. Terceiro momento: 1972 – reestruturação do CELAM; é o tempo de amadurecimento, de busca de tomada de consciência acerca de um profundo processo de libertação. Quarto momento: o anúncio da III Conferência do Episcopado latino-americano de Puebla, no México, em 1979.

A partir de Puebla indo até Aparecida, como já foi mencionado anteriormente, o cenário da Igreja latino-americana e caribenha começou a mudar radicalmente: há um retorno à Igreja Instituição com forte acento carismático; a escolha dos bispos obedecerá a critérios de fidelidade, obediência visível à Instituição, o tipo profético cederá lugar ao sacerdotal; diminuição das Comunidades Eclesiais de Base, aumento dos movimentos eclesiais; o uso da Bíblia mais como um oráculo do que aprofundamento da Palavra de Deus; a teologia será mais ignorada e indesejada do que controlada; exagero das vivências emocionais; uma espiritualidade não comprometida tornar-se-á o setor pastoral mais trabalhado; crescente fanatismo e fundamentalismo religioso.

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