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Para a execução do GF na proposição desta tese organizamos três documentos distintos intitulados: (1) Planejamento da aplicação da técnica GF de coleta de dados com os professores tutores IFAL/UFAL; (2) roteiro de debate para a sessão oral dos GF IFAL/UFAL; e (3) Termo de consentimento, disponível no apêndice desta tese, que esclarecem toda a condução prevista à aplicação da coleta de dados.

Paralelamente, esclarecemos ao leitor dois itens da pesquisa: a) a composição da equipe de pesquisadores, que distante das orientações dos autores para a qual estabelece um participante para cada função, foi composta de três sujeitos e a b) concepção do Roteiro de Debate aplicado nas sessões orais. Elegemos tratar desse documento especificamente por entender que ele traz consigo os índices da pesquisa que precisam de constatação junto ao grupo pesquisado e, portanto, faz-se mister também esclarecer seu processo de criação justificando a intencionalidade das perguntas e diretivas.

(a) A composição da equipe de trabalho. Os grupos, no caso do GF, são coordenados por uma equipe de pesquisadores que assumem as funções de mediador, observador, relator e operador de equipamentos durante a sessão grupal e, posteriormente, reconfiguram-se nas funções de transcritor, digitador e relator, esse

último responsável em dar o tratamento devido ao material coletado a fim de produzir análises e leituras críticas referentes aos extratos coletados nas sessões grupais.

A função do mediador nessas perspectivas não se resume à impressão de um juízo de valor acerca do que os participantes enunciam, tampouco se restringe a categorizar os posicionamentos do grupo em “certo” ou “errado”. Do contrário, ele se ocupará em estimular e conduzir criticamente a inferência dos membros do grupo a fim de que se apropriem e aproximem daquilo que está sendo tratado, como destaca Cruz Neto et al. (2002, p. 16):

O Mediador deverá ter em mente que a qualidade dos dados dependerá em grande parte da sua atuação. Para isso deverá estar disposto a lançar mão de inúmeros artifícios a fim de extrair a maior quantidade possível de informações dos participantes. Perguntas como “qual”, “o que?”, “como?”, “onde?”, “por quê”, inseridas no decorrer das discussões, servem não somente para estimular a fala como também para incentivar a participação de outras pessoas.

Para os fins dessa pesquisa, a equipe de trabalho se constitui de dois pesquisadores e um auxiliar para a distribuição das funções necessárias à execução do GF, e distante da situação ideal indicada de ter um agente exclusivo para cada função, deparamo-nos com o acúmulo de atividades divididas entre os participantes. Todavia, ressaltamos que, mesmo nessas condições, não houve o comprometimento em nenhuma das etapas do GF, sua concepção e planejamento, sessão oral e transcrição do material gravado, tampouco do tratamento dado aos resultados obtidos na coleta.

Desse modo, as funções necessárias à sessão oral, primeira parte do GF foram divididas da seguinte maneira: a de mediador foi exercida exclusivamente pela autoria desta tese devido ao conhecimento dos temas abordados no Roteiro de Debate e ao caráter mesmo de autoria individual próprio do nível de doutoramento;

observador/relator, cumulativamente, exercidas por uma pesquisadora voluntária

convidada, com formação Graduada em Pedagogia, Mestrado em Educação pelo PPGE/UFAL e que acumula experiência enquanto professora-tutora a distância do curso de pedagogia/UFAL e Coordenadora do Curso de Aperfeiçoamento Docente

em EAD para o Exercício da Tutoria, da mesma Instituição. Já a função de operador de gravação, pelas especificidades técnicas que envolvem o manuseio do

equipamento, foi terceirizada. Assim, contamos com um técnico contratado e responsável pela qualidade e uso do equipamento nos momentos de gravação e produção da mídia analisada.

Para o segundo momento, devido às particularidades dessa pesquisa, as funções de transcritor e digitador foram ambas exercidas também pelo pesquisador responsável pela tese com o auxílio do software ELAN, para o condicionamento dos resultados da sessão oral para análises posteriores.

(b) Planejamento da atividade. A concepção da atividade, seja ela uma sessão grupal ou fórum de discussão/perguntas-respostas, prescinde que esses agentes planejem com brevidade a atividade proposta, elaborando um plano ou roteiro de debate, documento que norteia a ação da equipe e que deve ser seguido, contendo perguntas e diretivas relacionadas à temática que promovam a possibilidade de discussão entre os participantes do grupo. Essas diretivas se constituem como índices que compõem e se relacionam com as perguntas-chave e que devem ser contemplados durante o debate.

4.5 A concepção do Roteiro de Debates: as pretensões das questões- problema e suas diretivas

Usamos da expressão de Bardin (1979), a hesitante alquimia, quando a autora trata da AC para desvelar o trajeto de elaboração do roteiro de debate, documento norteador da condução das sessões de GF (apêndice B) como uma prática de meta-pesquisa quando evidenciamos quais concepções e intenções autorais entram em jogo na concepção de um instrumento investigativo, contrária à aversão mencionada pela mesma autora.

[...] porque cada investigador tem repugnância em descrever a sua hesitante alquimia, contentando-se com a exposição rigorosa dos resultados finais, evitando assim explicar as hesitações dos cozinhados que os procederam, com grande prejuízo para os principiantes que não encontram modelos, receitas acabadas, logo que se dedicam a análises que, pelo seu material ou pelo seu objetivo, se afastam por pouco que seja, das vias tradicionais (BARDIN, 1979, p. 32).

Na situação de aplicação do GF com o grupo de professores tutores IFAL/UFAL, elaboramos o roteiro de debate composto de um conjunto de três perguntas-chave e dezenove diretivas que investigam quais são os descritores de profissionalidade docente, identificados a partir do cotidiano tutoral, representado nos depoimentos, relatos, discussões e debates manifestos e registrados na sessão oral.

Durante o trabalho de redação das questões e diretivas constatamos e previmos que um mesmo enunciado pode gerar material necessário à verificação de mais de um descritor. Essa característica na redação do roteiro corrobora a assertiva de que é possível articular e mobilizar, concomitante e paralelamente, de maneira intencional ou irrefletida, o conjunto de descritores assumidos nesta tese como pressupostos definidores da profissionalidade do professor tutor.

Nessa proposição, a primeira pergunta inicia-se com uma provocação representada na afirmativa oral e informal regularmente difundida nos encontros de Coordenadores UAB e, paralelamente reforçada no Formulário de Cadastramento de Bolsistas da UAB, quando determina que o tutor presencial deve apoiar

operacionalmente a coordenação do curso nas atividades presenciais nos [polos], em especial na aplicação de avaliações. Em sua redação enunciamos:

1. Em um dos encontros de coordenadores UAB houve a seguinte explanação: O tutor presencial é o braço operacional da Instituição no polo [...]. Como você se sente em relação a essa afirmativa?

Percebe-se como um representante da instituição no polo?

Tem a autonomia de tomar decisões, no âmbito do curso ao qual está vinculado, em nome da Instituição?

Operacionaliza o funcionamento das aulas presenciais no polo detendo-se em providenciar o adequado funcionamento de equipamentos, reserva de recursos e salas específicas e materiais disponíveis no polo para a consecução das aulas?

Elabora instrumentos regulares de acompanhamento dos alunos no polo no que diz respeito à aprovação/reprovação, trancamento, evasão e desistências?

A segunda pergunta parte do questionamento inicial que impulsiona esta tese que oscila em atribuir um estatuto de professor ao professor tutor. Essa variação encontra respaldo nos documentos normativos específicos já descritos e é igualmente verificável nas práticas administrativas e pedagógicas desses sujeitos, endossadas pelas Instituições e presentes nos relatos orais dos professores tutores com os quais estabelecemos contato informal anteriormente. Verifiquemos a pergunta e a sequência de diretivas utilizadas:

2. Você se sente professor atuando no cotidiano de sua tutoria? (Verificar como o professor tutor utiliza o saber específico de sua área de formação e os saberes pedagógicos para exercer a tutoria e como se constroem as especificidades de atuação)

Tem oportunidades de mobilizar junto aos alunos os saberes conteudinais e educacionais de sua formação?

Acompanha o aluno no acesso ao Ambiente Virtual de Ensino Aprendizagem no intuito de dirimir eventuais dificuldades quanto ao entendimento de suas ferramentas?

Estabelece a ligação entre o saber-aluno, aluno-professor conteudista e aluno- instituição?

Debate com os alunos a respeito de dúvidas ou questionamentos relativos às atividades das unidades curriculares em curso, acompanhando sua elaboração?

Orienta e participa ativamente de visitas técnicas, aulas de campo ou aulas de laboratório?

Coordena/aplica e corrige atividades avaliativas? Planeja os momentos de aula?

Elabora, seleciona e define os conteúdos e atividades que formarão a oferta da disciplina?

Assume a regência das aulas?

Trabalha como investigador na proposição de construção de conhecimento?

Ao utilizar o verbo sentir reconhecemos a possibilidade de o vocábulo induzir respostas de ordem sensorial que podem distanciar-se dos objetivos do GF, todavia, a aplicação desse verbo não é danosa à pesquisa, pois o objetivo dessa coleta de dados é imprimir nessa pergunta os elementos que constituem a ação pedagógica desse professor com base na construção conceitual que ele faz de si mesmo na relação com seu espaço de atuação, entidades e demais autores que transitam nesse mesmo ambiente.

Ainda assim, se a utilização desse verbo representa um risco da sessão oral por não contemplar os objetivos dos pesquisadores, essa possibilidade é ainda significativamente reduzida quando, na mediação especializada, conhecedora dos expedientes abordados no Roteiro, o mediador fizer uso das dez diretivas como recurso para nortear as falas ou retomá-las, caso se desviem dos objetivos definidos para o uso do GF.

A observância dos elementos que constituem a ação pedagógica do professor tutor se dá na proposição de desvelar as especificidades de sua função, sem, no entanto, desconsiderar tampouco anular a percepção individual dos sujeitos da pesquisa. Uma vez que a técnica em questão requer a participação de cada sujeito e de todos os sujeitos envolvidos, sua correta aplicação oportuniza as falas individuais,

característica que faz com que haja limitação no número de participantes por sessão oral condicionada também ao tempo de execução e a quantidade de perguntas. Virgínio e Nóbrega (2012) ao tratar da técnica de GF consideram que:

Os grupos focais investem na interação grupal para obter dados significativos e insights que não poderiam ser obtidos através de entrevistas individuais. Tais dados, então, são obtidos a partir das vivências do grupo, resultando em mais [de] uma mera soma de opiniões, mas a expressão dos sentimentos e pontos de vista em jogo (VIRGÍNIO; NÓBREGA, 2012, p. 76).

Mesmo que utilizemos no roteiro de debate do GF uma estrutura textual semelhante ao gênero entrevista com perguntas e respostas, não se trata de uma técnica que reproduz uma entrevista grupal. A diferença reside que na entrevista, seja ela aberta, estruturada ou semiestruturada, o entrevistado ocupa-se em exclusivamente responder solitariamente às questões que lhe são propostas. Para a técnica que discutimos neste ponto da pesquisa os participantes debatem sobre o tema central podendo ressignificar, reformular, ampliar, afirmar ou negar os conceitos referentes ao tema mantendo uma relação dialética com seus pares. Enquanto o resultado da entrevista é uma resposta individual, no GF o resultado é o conjunto de todos os enunciados provocados pelas questões-chave.

A última pergunta do roteiro averigua as manifestações do sentimento de pertença ao corpo docente da Instituição à qual o professor tutor está vinculado, bem como ao corpo docente também do lugar específico da sua atuação, seja ele o polo de apoio ao ensino ou o AVA. Verificando em que medida as relações são estabelecidas nesses ambientes, a pergunta inquere sobre sua rotina quotidiana de obrigações e atividades e a possibilidade de contribuir para o reconhecimento do profissional em seu campo de atuação.

Para isso, introduzimos sua redação trazendo a definição da CAPES para polo de apoio presencial, como mote para provocar a percepção do professor tutor do seu ambiente de trabalho e do próprio trabalho, como transcrevemos no excerto que segue.

3. Segundo definição da CAPES, disponível em: <www.uab.capes.gov.br>.Acesso em: 17 jul. 2013, “o polo de apoio presencial também pode ser entendido como ‘local de encontro’ onde acontecem os momentos presenciais, o acompanhamento e a orientação para os estudos, as práticas laboratoriais e as avaliações presenciais”. Como base nessa afirmativa e em suas experiências, como você percebe sua atuação no polo ou no AVA? (Verificar o sentimento de pertença a um corpo coletivo).

Mantém contato regular e frequente com a coordenação de polo, de tutoria e coordenação de curso?

Está constantemente atuando no polo e/ou AVA? Procura tomar decisões em conjunto?

Participa ou promove reuniões com demais tutores e professores? Troca experiências com seus pares?

Sabe da rotina de funcionamento do polo e/ou do AVA?

Com esse roteiro investigamos na sessão oral como os professores tutores representam em suas falas os indícios de pertença às instituições nas quais desenvolvem suas atividades de tutoria; do saberes específicos indispensáveis ao exercício tutorial presencial e a distância, mobilizados nas situações de interação e mediação praticadas respectivamente nos polos de apoio ao ensino e no AVA, bem como indícios de seu poder de decisão e controle das ações desenvolvidas nesses ambientes, enquanto representações do exercício autônomo da tutoria.

Foram realizadas duas sessões orais de GF, Sessão 1 (S1) composta por professores tutores do IFAL e Sessão 2 (S2), compostas por professores tutores da UFAL, ambas no dia 29/08/2013 na sala de reuniões da Reitoria do IFAL/AL, convidando a tomarem parte do GF apenas os professores que, no período assinalado, estavam em pleno exercício de atividades de tutoria nos cursos de licenciatura ofertados pelas IFES.

No turno Matutino, iniciamos com S1 no horário de 9h às 12h; já no Vespertino, com S2 retomamos as atividades às 14h, finalizando Às 17h. Optamos por executar as duas sessões no mesmo dia por conta das dificuldades encontradas em sincronizar a agenda dos demais participantes do GF e dos professores tutores convidados, além disso, otimizamos o uso dos equipamentos reservados para registro, uma vez que fizemos reserva por uma diária apenas.

As filmagens das sessões orais foram transcritas com o apoio do software ELAN que permite a sincronização entre a imagem captada e o áudio registrado. Esse programa oferece ferramentas para uma obtenção fidedigna da sessão oral,

conseguindo capturar a fala de cada um dos participantes, podendo registar também seus gestos e expressões faciais.

As transcrições são realizadas pelo pesquisador/transcritor, pois o programa não efetua a transcrição automática. Inicialmente, adicionamos o vídeo no software que passa a exibir o vídeo na parte superior esquerda da tela, a dimensão da apresentação do vídeo oscila a depender das informações que o pesquisador/anotador deseja dar ênfase.

Após a inserção do vídeo temos a possibilidade de visualizar simultaneamente as imagens e as anotações que foram efetivadas. À medida que os fatos ocorrem, o pesquisador/anotador cria trilhas, espaços de intervenção, para inserir as anotações relacionadas ao que se passa enquanto os professores tutores posicionam-se no GF. A palavra trilhas que nos remete a caminhos, percursos e rotas alternativas para alcançar um determinado ponto, no ELAN é um recurso para que o transcritor possa escrever tudo o que se passa na filmagem. Dessa maneira, caso ocorra alguma deficiência durante as sessões orais do GF por parte do relator ou observador esses eventos podem ser dirimidos com a utilização desse recurso no momento de transcrição.

Para as transcrições dessa pesquisa, escolhemos criar três trilhas correspondentes às questões motivadoras do Roteiro de Debate concentrando os momentos de fala específicos às temáticas suscitadas em cada pergunta e suas diretivas.

Além dessa condução criamos também a trilha “Gestos e expressões” acrescentando à transcrição as reações que não podem ser apreendidas exclusivamente na fala. Ela descreve os movimentos de cada participante – um olhar, um gesto. Essa trilha é escrita toda em letra maiúscula, diferenciando-se assim das demais.

Com o suporte desse software tivemos a possibilidade de armazenamento e acesso ordenado ao material gerado na sessão oral do GF, na perspectiva de formatá- lo para apreciação e análise dos conteúdos expressos e implícitos no enunciado dos professores-tutores no momento exato de sua fala.

Na próxima seção essas transcrições serão analisadas e apresentamos quais os sentidos propostos à concepção de mediação pedagógica e profissionalidade docente do professor tutor.

5 ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS: OS VÉRTICES