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Sample selection

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 135-139)

3. METHODOLOGY

3.3. D ATA COLLECTION

3.3.1. Sample selection

Apodanthera congestiflora pertence à família Cucurbitaceae, que apresenta cerca

de 118 gêneros, 900 espécies e está amplamente distribuída nas regiões tropicais e subtropicais (SIMPSON, 2010). No Brasil são encontrados cerca de 30 gêneros, com 148 espécies (KLEIN; LIMA, 2011). A família Cucurbitaceae engloba plantas trepadeiras ou ervas prostradas com ou sem gavinhas. As folhas são alternas, simples ou lobadas e as plantas desta família podem ser monóicas, dióicas ou ainda andromonóicas, com flores geralmente pentâmeras (BARROSO, 1978; KLEIN; SANTANA, 2009).

A elevada importância econômica desta família é decorrente do emprego de alguns gêneros na produção de alimentos, como a melancia (gênero Citrullus) e a abóbora (gênero Cucurbita) (BALDIN et al., 2002; DI STASI et al., 2002). Entre as propriedades biológicas descritas para plantas da família Cucurbitaceae estão as atividades hipoglicemiante e hipotensora, anticâncer, antimicrobiana, anti-inflamatória, hepatoprotetora, analgésica e antioxidante (GONZALEZ; DI STASI, 2002; OJEWOLE; ADEWOLE; OLAYIWOLA, 2006; ESEYIN; SATTAR; RATHORE, 2014; TALUKDAR; HOSSAIN, 2014).

As sementes de espécies do gênero Curcubita são ricas em γ-tocoferol, β- sitosterol e os ácidos esteárico, linoleico, oleico e palmítico enquanto foi reportado que o extrato salino das sementes de Momordica charantia, Cucumis sativa, Praecitrullus

fistulosus, Cucurbita pepo e Lagenaria siceraria contem fitosterois, glicosídeos

cardíacos, saponinas e terpenos (KIM et al., 2012; SOOD et al., 2012). Foram também identificados ceramidas, esteroides e triterpenos na casca dos frutos de Luffa

operculata; alcaloides, saponinas, taninos, terpenos e triterpenos nas folhas das

cucurbitáceas Lagenaria vulgaris, Luffa acutangula e Momordica subangulata e alcaloides, antraquinonas, taninos, esteroides, flavonoides e saponinas nas partes aéreas de Telfairia occidentali (FEITOSA et al., 2011; TUPE et al., 2013; ESEYIN; SATTAR; RATHORE, 2014).

As raízes tuberosas de Momordica tuberosa contem esteróis, triterpenos, saponinas e glicosídeos cardíacos, além de carboidratos (KUMAR et al., 2010). Entre os constituintes químicos das raízes de Momordica dioica estão alcaloides, esteroides, triterpenos e ácido esteárico. Ainda, as raízes de Telfairia Occidentali apresentam taninos, saponinas, triterpenos e esteróis (TALUKDAR; HOSSAIN, 2014).

A família Cucurbitaceae apresenta uma rica constituição química e entre os compostos encontrados, merecem destaque os triterpenos tetracíclicos altamente oxigenados e derivados de um esqueleto cucurbitano, conhecidos como cucurbitacinas (Figura 11). De acordo com as modificações estruturais em torno do esqueleto, é possível identificar mais de 20 tipos de cucurbitacinas distintos (CHEN et al., 2004). Estas moléculas podem ser encontradas em diversas partes da planta, contudo predominam nas raízes e nos frutos (METCALF; METCALF, 1982). Tem sido

reportado que as cucurbitacinas apresentam atividade citotóxica, anti-inflamatória, antitumoral, hepatoprotetora e purgativa (MIRÓ, 1995; HE et al., 2013).

Figura 11. Estrutura geral das cucurbitacinas. Esqueleto cucurbitano: (19-(10→9β)- abeo-10α-lanost-5-ene).

Fonte: Chen et al. (2004).

A atividade anticâncer tem sido amplamente relatada para a cucurbitacina B. Gao et al. (2014) indicaram que esta molécula inibe o crescimento de células de câncer de próstata (PC-3), promovendo apoptose e acúmulo de células na fase G0/G1 do ciclo celular, sem afetar as células epiteliais prostáticas normais. No entanto, outros estudos indicam cucurbitacinas promovendo a saída do ciclo celular na fase G2/M (TANNIN- SPITZ et al., 2007; THOENNISSEN et al., 2009).

A cucurbitcina E também é bastante estudada e trabalhos têm demonstrado a atividade citotóxica seletiva desta molécula, pois inibe o crescimento de células de leucemia promielocítica (HL-60) sem promover a morte de linfócitos (MILITÃO et al., 2012). Adicionalmente, Nakashima et al. (2010) demonstraram atividade antiproliferativa da cucurbitacina E sobre a linhagem U397 (leucemia monocítica humana). Os estudos promissores com esta molécula estimularam a incorporação da cucurbitacina E em lipossomos, passo fundamental para a realização de estudos posteriores visando aumentar a eficácia da ação desta cucurbitacina (HABIB et

al., 2013).

Vale destacar ainda o estudo realizado por Sadzuka; Fujiki; Itai (2012), que demonstrou que a associação da cucurbitacina I com o fármaco doxorrubicina

promoveu aumento da citotoxidade sobre células cancerígenas e redução da cardiotoxicidade deste fármaco. Chen et al. (2014) isolaram do rizoma de Hemsleya

amabilis a cucurbitacina IIa, que demonstrou potente atividade citotóxica sobre células

HeLa. A diversidade deste grupo de triterpenos é fator crucial para contínua realização de pesquisas.

O gênero Apodanthera possui 40 espécies distribuídas na América tropical e subtropical (POZNER, 1998). O Brasil conta com onze espécies, das quais apenas uma não é endêmica (LIMA, 2010). As espécies deste gênero podem apresentar valor nutricional, como Apodanthera biflora, cuja raiz apresenta teores de proteínas, carboidratos, fósforo e cálcio equivalentes ou superiores ao de culturas empregadas na alimentação (CLARK et al., 2012).

Propriedades farmacológicas são também descritas para espécies do gênero

Apodanthera. Vilar; Carvalho; Furtado (2007) indicaram que o extrato aquoso de A. villosa (batata-de-teiu), mas não o de A. glaziovii (cabeça-de-negro), foi capaz de

retardar a mortalidade de camundongos que receberam veneno de Bothrops jararaca. Tal atividade foi atribuída à presença do composto pterocarpano - (-) edunol, um tipo de isoflavonoide. Vale ressaltar ainda o uso para tratamento de câncer, pela população, de

A. smilacifolia, que é também inclusa na lista da Agência Nacional de Vigilância

Sanitária (ANVISA) de fitoterápicos usados em associação no Brasil (CARVALHO et al., 2008; OLIVEIRA; MACHADO; RODRIGUES, 2014).

Apodanthera congestiflora (Figura 12) tem como sinônimo Melothria congestiflora e é uma trepadeira endêmica do Brasil, amplamente distribuída na região

nordeste, sendo encontrada na Caatinga nos estados da Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, bem como no estado de Minas Gerais (LIMA, 2010). As folhas desta planta podem ser simples ou compostas, trilobadas, com margens sinuosas ou denteadas e faces adaxial e abaxias pubescentes. Há a presença de gavinhas e trata-se de uma espécie dioica. Os frutos (Figura 12 b) apresentam coloração alaranjada a castanha, com estrias brancas longitudinais. As sementes de A.

Figura 12. Apodanthera congestiflora. (a) planta inteira, (b) frutos, (c) raiz (d) exsicata.

Fonte: O autor

Roque; Rocha; Loiola (2010) demonstraram o uso da raiz de A. congestiflora como depurativo do sangue, para tratar manchas de pele e para coceira, enquanto Silva et al. (2015) relataram o uso no combate a dores de coluna, por diferentes populações no nordeste do Brasil.

O imenso potencial da família Cucurbitaceae, bem como a ausência de estudos sobre as propriedades biológicas de A. congestiflora evidenciam a necessidade de realização de pesquisas visando à caracterização química da espécie e a descoberta das propriedades biológicas desta planta.

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