De acordo com Costa (1999), durante o período imperial no Brasil o cenário político foi dominado por dois partidos: o liberal e o conservador, que teoricamente defendiam propostas políticas diferentes. Em um primeiro momento, logo no período regencial, ambos os partidos se posicionaram de formas distintas em diversas questões, os Liberais defendiam a autonomia local, a liberdade econômica, a liberdade de expressão e de culto, o fim do poder moderador e do cargo vitalício de senador. Em contrapartida, os conservadores eram a favor da centralização do poder, do poder moderador, da vitaliciedade do cargo de senador e do catolicismo como religião oficial do estado.
Como destaca Carvalho (2008) um aspecto singular da política imperial no Brasil, foi a manutenção da supremacia de um poder civil, desde 1831 até o surgimento das questões
militares no início dos anos 80, a influência do exército foi reduzida nas decisões políticas do império, tanto que os ministérios militares eram frequentemente ocupados por políticos civis. A percepção dos políticos a respeito da legitimidade do governo civil era tão forte, que obstruiu a percepção sobre a ameaça da oposição militar no final do Império.
Conforme destaca Costa (1999), as diferenças entre liberais e conservadores se encontravam mais na teoria do que na prática. Ambos compartilhavam de muitos pontos em comum, entre eles, estava o temor dos radicais, medo esse que acabou por gerar uma aliança entre esses dois partidos, tornando suas diferenças cada vez menos evidentes.
Segundo Costa (1999), quando conseguiram enfim suprimir os movimentos revolucionários, liberais e conservadores já atuavam em conjunto na administração do governo imperial. Essa cooperação ficou conhecida como a Conciliação e durou cerca de dez anos tendo início em 1852, nesse tempo, os termos liberal e conservador perderam o sentido na política brasileira, não sendo possível encontrar a diferença entre a atuação de um político liberal e um político conservador.
Nesse sentido, Malerba (1999) destaca que desde a independência brasileira têm se lançado mão do termo Liberalismo no Brasil, nesse primeiro momento ele serviu para fundamentar a reação contra o sistema colonial. Porém, isso não significava que havia realmente um movimento liberal brasileiro, o sentido do conceito era utilizado de forma bem restrita e com uma compreensão diferente do que se encontrava na Europa.
Conforme Malerba (1999) ressalta, o termo liberal foi utilizado em vários outros momentos, por grupos diferentes, às vezes até antagônicos, como foi o caso do Partido Liberal e do Partido Conservador, ambos buscavam argumentos nas doutrinas do liberalismo. Contudo, para o autor, não era possível aplicar plenamente as doutrinas liberais em um país escravista, diferente da Europa, não havia aqui um grupo social que pudesse dar sustentação a um “liberalismo genuíno”, o que dava ao liberalismo brasileiro esse caráter mais restrito.
De acordo com Paim (1998), não havia diferenças doutrinárias expressivas entre o partido Liberal e o Partido Conservador, apenas muito tempo após a formação dos dois partidos que se tornaria evidente a distinção entre as duas propostas políticas. Segundo o autor, eram agremiações partidárias formadas com base nas existentes em outros países, porém, no Brasil os elementos moderados foram predominantes em ambos os partidos. Nesse período, o liberalismo radical, ou seja, que lutava pela democracia, era um grupo minoritário.
Quanto à diferença entre os partidos, Fausto (2006) ressalta a importância de não considerar a política desse período ou de outros como estritamente ideológica, não se buscava o poder com o único propósito de cumprir uma agenda conservadora ou liberal. Chegar ao
poder significava obter benefícios e privilégios, para isso ambos os partidos se utilizavam de métodos semelhantes, com o uso de favores e violência, não havia uma expectativa de que o candidato fosse totalmente fiel à bandeira do seu partido. Para o autor, a divisão entre os partidos estava relacionada mais com a disputa de grupos de eleitores diferentes do que com a defesa de ideais políticos.
Fausto (2006), também destaca alguns temas que evidenciava uma diferenciação maior entre os dois partidos, como por exemplo, a descentralização do poder e a liberdade de representação política que antagonizaram liberais e conservadores mais frequentemente. Outros temas, porém, como a escravidão, não geraram grandes conflitos entre os dois grupos. O autor chama atenção para outro elemento de nítida distinção entre os partidos, as bases regionais, os conservadores tinham seu poder político concentrado na Bahia e Pernambuco, já os liberais eram mais fortes em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Segundo Fausto (2006), as propostas liberais também sofreram transformações dependendo da época e da região. A ideia de descentralização do poder foi defendida primeiramente pelos políticos de São Paulo e Rio Grande do Sul, já a ideia de ampliação da representação política estava relacionada aos profissionais liberais urbanos e só surgiu a partir de 1860 com o desenvolvimento das grandes cidades. De acordo com o autor, a partir de 1870 aparece o movimento republicano, que está relacionado com a descrença tanto na descentralização como na ampliação da representação política dentro de um regime monárquico.
O apoio às igrejas protestantes veio principalmente dos liberais e posteriormente do movimento republicano. Como já foi abordado, esse apoio consistia mais em uma forma de atacar as bases do Império do que necessariamente algum interesse pela fé protestante, porém, as missões protestantes norte-americanas, inclusive a presbitereiana, souberam utilizar essa conjuntura política ao seu favor.