Está situado no bairro Jaburuna. Foi implantado em 2003, articulado à rede de atenção psicossocial, a partir da proposta do Programa de Atenção Comunitária Integrada a Usuários de Álcool e Outras Drogas, instituído pelo MS, pela Portaria GM nº 816, de 30 de abril de 2002. Realiza atendimento psicossocial aos pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas e seus familiares no município de Vila Velha, oferecendo serviço ambulatorial de atenção diária, ações de prevenção, tratamento e reinserção dos indivíduos com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas, além de promover a implantação da rede de atenção ao uso de drogas, garantindo o atendimento à demanda oriunda da rede básica de saúde mental, à demanda espontânea, bem como àquela encaminhada por outros serviços. A assistência é feita tanto do âmbito individual como no grupal, além de oferecer oficinas terapêuticas, atendimento familiar e atividades comunitárias. Possui uma equipe formada por profissionais de nível superior e médio conforme as exigências da política nacional de atenção ao usuário de álcool e outras drogas (VILA VELHA, 2001; ESPÍRITO SANTO, 2007).
5.2.3 CAPSad de Serra
Implantado em 2006, situado no bairro Laranjeiras, é o mais recente serviço de atendimento na modalidade CAPSad do Estado, que compõe a rede de assistência em saúde mental. Em conformidade com as exigências da política nacional de integração ao usuário de álcool e de outras drogas, atende às regulamentações quanto à estruturação da equipe e das atividades. Realiza atendimento psicossocial aos usuários de drogas, às famílias, incluindo ações comunitárias e de inclusão social à rede de atenção básica local. A assistência inclui os atendimentos individuais, grupais, familiares, visitas domiciliares e visitas externas (ESPÍRITO SANTO, 2003; ROSSONI, 2006; ESPÍRITO SANTO, 2007; SERRA, 2009).
5.3 PARTICIPANTES DO ESTUDO
As pessoas que prestaram as informações necessárias à composição deste estudo foram os profissionais de nível superior que atuavam ou coordenavam as atividades grupais dos CAPSads do Espírito Santo e que concordaram em participar do estudo. No total, foram entrevistados 17 profissionais de diversas categorias profissionais, dentre eles, psicólogo, enfermeiro, assistente social, musicoterapeuta, artista plástico, terapeuta ocupacional e farmacêutico. Foram selecionados apenas os profissionais de nível superior, porque são aqueles que estão mais envolvidos nas atividades grupais.
Nos serviços, não foram encontrados profissionais de nível médio coordenando atividades grupais. A Portaria nº 224/92 aponta que os profissionais de nível médio poderão executar atividades grupais apenas no âmbito de orientação e sala de espera. As atividades de cunho terapêutico, incluindo os grupos terapêuticos e as oficinas, são desenvolvidas principalmente por profissionais de nível superior que fazem parte da equipe técnica. Em relação às oficinas, a Portaria nº 728/2002 do MS (BRASIL, 2002a) estabelece as modalidades que podem ser executadas tanto por profissionais de nível superior como por profissionais de nível médio, como oficineiros, auxiliares ou técnicos de Enfermagem. Neste estudo, esses profissionais não estavam envolvidos com essas atividades.
5.4 PROCEDIMENTOS
5.4.1 Análise Documental
Inicialmente, foi feita uma pesquisa documental para colher dados, registros históricos dos cenários estudados. Alguns documentos estavam disponíveis on-line, outros constavam no acervo das Prefeituras municipais e outros foram encontrados no acervo local do serviço. A pesquisa documental é elaborada a partir de materiais que ainda não receberam tratamento analítico. Segundo Tobar e Yalour (2001, p. 72), a pesquisa documental pode ser realizada “[...] com base em documentos guardados em órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: registros, atas, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos [...]”.
5.4.2 Coleta do Material
A coleta do material foi realizada nos meses de junho a agosto de 2009. A técnica de investigação escolhida para a coleta do material foi a entrevista semiestruturada, que permite obter informações contidas na fala dos atores por meio de fatos relatados, conforme a realidade vivenciada. A entrevista é uma técnica que fornece “[...] dados para o desenvolvimento e compreensão das relações entre os atores sociais e seu contexto de vida [e permite uma] [...] compreensão detalhada das crenças, atitudes, valores e motivações, em relação aos comportamentos das pessoas em contextos sociais específicos” (GASKELL, 2002, p. 65). Na entrevista, permite-se que o entrevistado exponha suas concepções e crenças a respeito do problema de pesquisa. O pesquisador descobre “[...] o que é significativo na vida dos entrevistados, suas percepções e interpretações, suas óticas e cosmovisões, ou seja, sua maneira de interpretar o mundo” (TOBAR; YALOUR, 2001, p. 96).
Para a construção dos dados, foi utilizado um roteiro-guia de entrevista com questões abertas e fechadas (APÊNDICE A) que contemplou as informações necessárias para a exploração do objeto de pesquisa. Segundo Minayo (2007, p. 261), a entrevista semiestruturada “[...] combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema sem se prender à indagação formulada” e ela deve seguir um roteiro apropriado. O roteiro para a entrevista semiestruturada permite desdobrar os indicadores necessários na obtenção das informações esperadas. Por “[...] roteiro se entende uma lista de temas que desdobram os indicadores qualitativos de uma investigação” (MINAYO, 2007, p. 189).
As entrevistas foram agendadas mediante disponibilidades dos sujeitos e da pesquisadora, Foram gravadas por meio magnético e digital e transcritas para permitir a análise dos dados. Foi garantida a confidencialidade e sigilo sobre o nome de cada entrevistado, mediante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE B), respeitando-se os preceitos éticos.
5.4.3 Estudo Piloto
Antes da realização das entrevistas propriamente ditas, foi realizado um estudo piloto com quatro sujeitos de um serviço que reproduz as mesmas características do cenário deste estudo – o CAPS I do município de Anchieta. Nesse estudo preliminar, o entrevistador pôde perceber as dificuldades na aplicação do roteiro-guia e a falta de clareza em algumas questões-chave, que foram reformuladas.