A minha TR foi uma turma do décimo ano, inserida no curso Científico- Humanístico de Ciências e Tecnologias. Quando me foi enviado, via e-mail, a constituição da turma, verifiquei que nela constavam trinta alunos. Contudo, dois alunos não fariam parte da mesma (um porque tinha ido viver com os pais para a Suíça, e outro porque tinha mudado de escola), pelo que nas minhas aulas apenas teria vinte e oito alunos. Pouco tempo após o início do ano letivo, a minha TR recebeu mais uma aluna que veio de outra turma do décimo ano, assim, durante todo o meu EP, lecionaria as minhas aulas a vinte e nove alunos. Deste grupo de vinte e nove jovens, dez eram do sexo masculino e dezanove do sexo feminino.
Para nos prepararmos para a nossa primeira aula, a nossa PC forneceu- nos um documento que nos permitiria realizar a caraterização de todos os alunos da turma, para que ficássemos a conhecer os alunos com quem iríamos trabalhar (a nível desportivo e académico). Assim, a primeira aula destinou-se sobretudo à apresentação (de cada elemento da turma, à minha apresentação
e dos constituintes do meu NE na ESP), segundo os pontos que se encontravam no documento para a caraterização da turma. Referi ainda, as regras presentes no regulamento da disciplina de EF, quais seriam os espaços onde se iriam realizar as aulas, e por fim, realizámos a medição e pesagem dos alunos, que ocupou o restante tempo da aula. Todo este processo foi muito importante, pois serviria como “base”, para me permitir ir de encontro às necessidades de cada aluno da turma.
Em relação a aspetos ligados ao desporto, treze alunos praticavam uma modalidade a nível federado (dois eram do andebol, dois da patinagem, um do karaté, um do taekwondo, um da dança, um do futebol, um do futsal, dois da natação, um do voleibol e um do basquetebol), os restantes dezasseis alunos não praticavam nenhuma modalidade desportiva federada (destes dezasseis, três alunos praticavam a modalidade de natação a nível não federado). Quanto à idade dos alunos, esta situava-se entre os catorze e os quinze anos (todos os alunos nasceram em dois mil e dois, exceto um, que nasceu em dois mil e um). Algo que me deixou relativamente satisfeito, foi o facto de nenhum dos alunos ter tido uma avaliação negativa à disciplina no ano anterior (dezanove obtiveram o nível cinco, oito o nível quatro, e dois o nível três). Em termos de meio de transporte para a escola, a maioria deslocava-se de autocarro (vinte e cinco alunos), enquanto os restantes se deslocavam de carro (quatro alunos). Por último, e um dos pontos mais importantes, os problemas de saúde. Dos vinte e nove alunos com quem trabalhei, seis apresentavam problemas ligados à saúde (dois tinham asma, um tinha escoliose, dois tinham alergias, e um sofria da doença de Parkinson).
Com o passar do tempo, fui construindo uma relação com os alunos, o que me permitiu conhecê-los um pouco enquanto pessoas. Defino-os como pessoas muito bem-educadas, simpáticos, carinhosos, divertidos, mas um pouco faladores e distraídos (nada que uma pequena chamada de atenção não resolvesse). Neste aspeto, tive muita sorte com a minha turma. Uma das dificuldades que encontrei, diz respeito aos baixos níveis de coordenação motora de alguns alunos, e à fraca preparação que muitos tiveram nos anos anteriores, pois muitos não tinham “cultura desportiva”, o que se evidenciava no seu “não conhecimento” das regras das modalidades, e dificuldades na
assimilação, e prática das mesmas. Uma das estratégias que cheguei a utilizar, foi a realização de apresentações no formato powerpoint, com as regras essenciais da modalidade que iria lecionar, no início da primeira aula da mesma, e antes da ativação geral (sendo posteriormente o documento enviado para o e-mail da turma). Fiquei muito animado por ver que este método teve bons resultados, e que grande parte dos alunos apresentou uma boa evolução a todas as modalidades.
Um dos aspetos de que me posso enaltecer, da minha TR, é o facto de, apesar de todas as dificuldades demonstradas, todos conseguiram obter bons resultados à disciplina. O que só foi possível graças ao seu empenho, motivação demonstrada, respeito e cumprimento das tarefas solicitadas. Aqui, o papel do EE, da PC e dos colegas estagiários foi muito importante. Pois foi através do encorajamento da parte de todos, a procura das melhores estratégias de ensino e, sobretudo, nunca termos desistido de nenhum dos alunos, em algum momento, que permitiu que “todos” alcançássemos o sucesso desejado.
“Nesta aula foi possível realizar todos os exercícios propostos e ficou evidente que alguns alunos já começam a demonstrar melhorias significativas na abordagem técnica e de conhecimento de situações de jogo, o que é bastante satisfatório”.
Diário de Bordo número trinta e três – vinte e três de maio
Um dos maiores desafios deste ano, foi o aluno número catorze. Sem dúvida, o melhor em termos motores, e a nível de desempenho desportivo em todas as modalidades (tanto a nível tático como técnico). Para além de ser um aluno muito empenhado nas atividades propostas. O que me entristecia em relação a este aluno era, que poderia ter tido melhores resultados ao longo do ano, se tivesse mantido níveis de concentração elevados durante as aulas, e se cumprisse as regras da disciplina. Mesmo assim, nunca desisti. Procurei sempre manter conversas com ele no final das aulas, e dar-lhe os melhores conselhos. Com o passar do tempo, a sua atitude foi melhorando e os seus
resultados também, pois conseguimos “moldá-lo” de maneira a que conseguisse usar todo o seu potencial. Deu-me muitas “dores de cabeça”, mas nunca lhe cheguei a dizer que o que me mantinha tão ligado a ele era o facto de ele me fazer lembrar um “eu mais jovem”. E, por esta razão, olho para ele com muita esperança e otimismo, e agradeço o facto de me ter ajudado a “crescer” neste ano de aprendizagem.
“No final da aula um grupo de alunos pediu se podiam exercitar uma coreografia com o resto da turma, e após conversa com a PC, a mesma realizou-se. Para minha surpresa com muito boa disposição e sorrisos. Outras turmas iam juntando-se pelas bancadas e ao lado do nosso espaço para ver os alunos da nossa turma”.
Diário de Bordo número vinte e oito – treze de abril