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Sémantique des définitions de type

PRESENTATION DU SYSTEME DE TYPES REALISE

2.3 Sémantique des définitions de type

Quanto à escritura martiniana, para o desenvolvimento desta leitura, é necessária à discussão do conceito ou da concepção tão complexa de patria na obra de um pensador entregue às contradições de seu tempo, a defesa de sua pátria e ao projeto de construção de unidade da América Hispânica, como foi José Martí.

Descrever a concepção que Martí perseguiu e que o perseguiu é como contar uma saga histórica em que o herói morre para salvar “su madre”260. Ao afirmar que “Si me

preguntan cuál es la palabra más bella, diré que es “patria”: - y si me preguntan por otra, casi tan bella como “patria”, diré -“amistad””261, Martí explicita seu envolvimento emocional com a defesa de sua pátria. E este era tão intenso que sua morte ocorreu no campo de batalha em 19 de maio de 1895, durante a Guerra pela Independência de Cuba.262

Cabe ainda apontar que desde suas primeiras reflexões, expressas em textos escritos em sua juventude, há a preferência pelo termo pátria, conforme evidenciam as recorrentes referências a este termo ao longo de sua obra, se comparado ao uso da expressão nação ao longo de sua obra. Conforme observa Roberto Fernández Retamar (2006),

(...) Martí en vez de la palabra “nación” he preferido la palabra “patria”, la cual, como dice Romero, “es más emocional”. “Nación” es más conceptual. Martí sería muy fiel a la palabra “patria” (...). El primer periódico fundado por El se llamó La Patria Libre; y el último, Patria. Ninguno se llamó La Nación (...).263

260 Como em “Abdala”, peça teatral de 1969. O jovem herói, Abdala, trava uma batalha heróica, disposto a morrer pela mãe-pátria Núbia, para defendê-la das mãos do tirano que ameaçava sua liberdade. “Abdala”. OC, v. XVIII, p. 18-24. A reiterada insistência, ao longo de sua obra, em termos como “Madre América” e “Madre patria”, ou seja, o uso recorrente da metáfora mãe e filho, para se referir à pátria e seus cidadãos, ilustra a relação afetiva e emocional do autor.

261 Dedicatória a sua amiga Lorraine S. Brunet. In: Dedicatorias. OC, v. XX, p. 510.

262 Um fenômeno ainda não tratado pelos teóricos do nacionalismo, isto é, o envolvimento emocional do indivíduo que morre por sua pátria.

Ao fazer um levantamento prévio da temática em sua obra, é notório que esta se constitui na questão recorrente, seja como tema central de suas reflexões ou como pano de fundo de suas discussões. Pátria encontra-se presente em suas interpretações e reflexões, independente da temática tratada, seja política, educação, literatura, ciências, povos autóctones, entre outros. Como as questões relacionadas à nação ocupam lugar de destaque em seu conteúdo narrativo, é possível afirmar que, desde os escritos de sua juventude até suas últimas crônicas, cartas, ensaios, artigos, entre outros trabalhos, a concepção martiniana de pátria transita por diferentes etapas.

Ao longo de sua obra, inseridas histórica e socialmente, as discussões e interpretações sobre pátria permitem uma definição da perspectiva – no sentido de representação no plano dos objetos que se almeja apreender. Contudo, é importante explicitar que a reflexão a respeito das relações entre nação, raça e as questões indígenas no discurso martiniano, aqui será feita, principalmente a partir dos escritos da segunda metade da década de 70 e dos anos 80 do século XIX. Este corte temporal e discursivo de sua produção se deve ao fato de suas reflexões de juventude tematizarem, principalmente, a luta pela independência de seu país, sob a colonização espanhola.

Quanto aos trabalhos de Martí a partir de 1875, é porque foi neste período que o autor teve maior contato com as condições de existência das populações indígenas e com as produções indigenistas no México. Estudiosos de sua produção discursiva, entre outros, Pedro Pablo Rodrigues (2006)264 e Roberto Fernández Retamar (1989)265, apontam que a situação do indígena, a industrialização, as revoltas populares e os acontecimentos políticos daquele país marcaram profundamente o pensamento de José Martí.

No conjunto de temas e preocupações, as questões indígenas se tornaram uma temática recorrente em diferentes trabalhos de Martí, desde suas primeiras crônicas na imprensa mexicana e de New York, e em trabalhos posteriores, como na Revista La edad

de oro (1889) e “Nuestra América” (1891). Neste sentido, a leitura de sua produção do período de exílio no México nos auxilia na apreensão das interpretações, reflexões e debates da “questão indígena” e de suas representações em seu conteúdo narrativo.

Segundo Pedro Pablo Rodríguez (2006), o pensamento de Martí deve ser compreendido como uma construção processual, relacionada aos diferentes períodos correspondentes às suas experiências de exílio no México, Guatemala, Venezuela e, por

264 RODRÍGUEZ, Pedro Pablo. Martí e as duas Américas, 2006, p. 49.

265 RETAMAR, Roberto Fernández. Algunos usos de civilización y barbárie, Revista Mexicana de Sociologia, n. 03, 1989, p. 291-325.

último, nos Estados Unidos. Para o autor, foi neste país que Martí adquiriu o “verdadeiro conhecimento da problemática continental”266, a consciência da necessidade de busca de soluções para os problemas e as mudanças que deveriam ocorrer em Nuestra América.

Conforme já assinalado em sua produção, inicialmente marcadas pela luta contra o colonialismo espanhol, a partir da segunda metade dos anos 70, há uma ampliação da noção de pátria e alguns conceitos se entrelaçam com a idéia de unidade, esta é estendida a toda a América Hispânica. E, a partir de 1881, período em que viveu nos Estados Unidos, mais precisamente em New York, por quase quinze anos, sua concepção de pátria abarca também a denúncia da política expansionista e imperialista norte-americana no continente, assim como a proposta de unidade do subcontinente como meio de enfrentamento das políticas econômicas do país vizinho.

Nesta perspectiva, o discurso identitário Martiniano de “Nuestra América” retoma a concepção continental de unidade postulada pelos “emancipadores” da América Hispânica. Em sua produção discursiva, conforme ressalta Júlio Ramos (2008), é notório o terror a fragmentação, remetendo-o “ao desejo de ordem que, desde Bolívar, definia o discurso iluminista, modernizador (...) do projeto de formação dos sujeitos nacionais”.267

Roberto Fernández Retamar (2006)268, ao discutir o processo de construção da nação como categoria constitutiva do pensamento social “latino-americano” de fins do século XVIII e início do século XIX, aponta duas grandes vertentes ideológicas de pensamento na constituição das nações: o pensamento emancipador e o dos criollos. A perspectiva continental dos emancipadores como Bolívar, San Martín, Sucre269, em que pátria era concebida como a América espanhola em seu conjunto. A segunda vertente de pensamento surge no período pós-independência dos países do continente. No processo de construção da “patria del criollo”, estes abandonaram o projeto continental dos emancipadores e adotaram como modelo de nação os países da Europa Ocidental.

José Martí, contrário à perspectiva dos criollos, resgata o ideário dos emancipadores e, entre “os heróis das Américas”, confere destaque ao projeto de Símon Bolívar, defensor da idéia adotada pelo cubano de que para “nosotros la patria es la

América”. Ao longo de sua obra as referências martinianas a Bolívar são significativas no que diz respeito ao propósito de unidade da região: “hombre solar” e “padre de América”,

266 RODRÍGUEZ, Pedro Pablo, op. cit., 2006, p. 49.

267 RAMOS, Júlio. Desencontros da modernidade na América Latina, 2008, p. 266. 268 RETAMAR, Roberto Fernández, op. cit., 2006, p. 31.

269 Estes autores são considerados por Retamar escritores extraordinários, pais fundadores do pensamento social nas Américas, além de grandes estadistas, pensadores e militares. RETAMAR, op. cit., 2006, p. 29.

ou ainda, “La América, al estremecerse al principio de siglo desde las entrañas hasta las

cumbres, se hizo hombre, y fue Bolívar”270. No discurso martiniano, o projeto de Bolívar, assume a fórmula arquetípica dos ideais da América livre e o “lo que Bolívar no hizo en

América, por fazer está todavia”.

Cabe apontar que Martí, ainda que reconheça a importância dos “emancipadores” como Bolívar, Hidalgo, Morazán e San Martín271, ao retomar o projeto de unidade hispano- americana, o faz a partir de uma análise que leva em consideração os “acertos e erros” destes. Neste sentido, apresenta as ambigüidades de Bolívar e dos outros “heróis” que, ao não perceberem que os elementos heterogêneos que formaram a América Hispânica eram “hostis entre si”, tentaram unir pela força, de forma autoritária e militar, as repúblicas da América Central. E, conforme defendia Martí, “as idéias não se impõem pelas armas, mas pela consciência dos homens (...)”.272

A ideia de unidade hispano-americana e a de pátria se constituem no cerne de sua interpretação de Nuestra América. Contudo, tais noções transitam por diferentes etapas em seu discurso. Conforme sugere Pedro Pablo Rodríguez (2006), uma melhor apreensão das interpretações martinianas se dá por meio da leitura de suas reflexões em diferentes momentos e contextos. Assim, na busca pela apreensão de sua acepção de pátria e das etapas de sua noção de unidade, considera-se elucidativas as citações que se seguem. Embora poderiam ser várias outras de conteúdo semelhante, dispersas por toda sua produção.

É importante enfatizar que no período em que José Martí viveu (1853- 1895), foi o momento de fusão na teoria política e na organização das instituições das noções de Estado e nação. Quando, então, tais categorias passaram a identificar unidade política - Estado -, com unidade cultural – nação.273

270 OC, v. VIII, p. 251. Entre os vários trabalhos de Martí dedicados a Bolívar destaca-se: “La Estatua De Bolívar e El Centenário de Bolívar”, artigos de 1883 para o Jornal La América. “Discurso pronunciado en la velada de la Sociedad Literaria Hispanoamericana en honor de Simon Bolívar” e “La fiesta de Bolívar en la sociedad literaria hispanoamericana”, ambos publicados em 1893 no Jornal Patria, foram reunidos no 8º volume de suas Obras completas.

271 Martí ao destacar, por exemplo, a “glória” de San Martín, enfatizava que este via no continente uma só nação e que jamais pensou na desunião dos povos da América. Em sua interpetração, a concepção de Martín era “salvadora” para a América, na medida em que proporcionaria à unificação possível de suas nações “(...) hermanas en espíritu, ocultó a sus ojos las diferencias, útiles a la libertad, de los países americanos, que hacen imposible su unidad de formas”. “San Martín”, publicado em 1891 no Álbum do períodico El Porvenir. OC, v. VIII, p. 228.

272 Idem, p. 225-226.

273 Para uma leitura da relação e o processo de formação entre state-formation e nation-building, dentre tantos outros: ELIAS, Nobert. Processes of state-formation and nation-building, 1972.

Exilado na Espanha em 1873, contexto da vitória do movimento republicano na Espanha, Martí, em “La República Española ante la Revolución Cubana”, publicado em formato de folhetim, exigia que o novo governo demonstrasse respeito a Cuba outorgando Independência a Ilha. Postula a liberdade de seu povo, combatendo a defesa de integridade territorial advogada pela metrópole que, segundo o autor, era uma justificativa para a manutenção de seu domínio sobre Cuba. Principalmente, porque a integridade territorial defendida pelos espanhóis excluía e discriminava os cubanos.

Martí reinterpretou a noção de integridade territorial, ampliando-a a partir da concepção de patria, em contraposição ao mero domínio político sobre um território. Neste sentido, a definição martiniana de nação se contrapõe ao ideário que reduzia pátria à unidade territorial.

(...) Y no constituye la tierra eso que llaman integridad de la patria. Patria es

algo más que opresión, algo más que pedazos de terreno sin libertad y sin vida, algo más que derecho de posesión a la fuerza. Patria es comunidad de intereses, unidad de tradiciones, unidad de fines, fusión dulcísima y consoladora de amores y esperanzas (...).274

Pátria, ao ser idealizada como expressão de “comum unidade” de tradições, costumes, expectativas, projetos e esperanças, é integradora e não desagregadora ou excludente. Em um momento posterior, uma década depois, residindo nos Estados Unidos, ao escrever para o periódico argentino La Nación, define nação como comunhão de “espíritos”, “raízes”, “dores comuns” de um povo. O que para Martí caracterizavam os países de Nuestra América.

¿Pues nación es el conjunto de hombres febriles e indiferentes en una tierra en que han nacido de ocasión, o viven de poco ha, sin más intento que el de acaparar presto la mayor suma de fortuna, o es aquella apretadísima comunión de los espíritus, por largas raíces, por el enlace de las gentes, por el óleo penetrante de los dolores comunes, por el gustosísimo vino de las glorias patrias, por aquella alma nacional que se cierne en el aire, y con él se respira, y se va aposentando en las entrañas, por todos los sutiles y formidables hilos de la historia atados, como la epidermis a la carne? De eso, las cohortes que vencen; las literaturas que perpetúan; las nacionalidades que perduran y resplandecen (...).275

274 De 15 de fevereiro de 1873. OC, v. I, p. 93. Grifo meu.

275 “Crímenes y problemas”, carta escrita em 09 de fevereiro de 1885, para o jornal argentino La Nación. In: Escenas norteamericanas. OC, v. X, p. 157.

Já na segunda metade da década de 90 do século XIX, de sua escritura emerge uma perspectiva de pátria que transcende as fronteiras nacionais dos países e continentes. Sua concepção de nação passa a abranger toda a humanidade.

(...) patria es humanidad, es aquella porción de la humanidad que vemos más de cerca, y que nos toco nacer; - y ni se ha de permitir que con el engaño del santo nombre se defienda a monarquías inútiles, religiones ventrudas o políticas descaradas y hambronas, ni porque a estos pecados se dé a menudo el nombre de patria, ha de negarse el hombre a cumplir su deber de humanidad, en la porción de ella que tiene más cerca. Esto es luz, y del sol no se sale. Patria es eso. - Quien lo olvida, vive flojo, y muere mal, sin apoyo ni estima de sí, y sin que los demás lo estimen: quien cumple, goza, y en sus años viejos siente y trasmite la fuerza de la juventud: no hay más viejos que los egoistas: el egoista es dañino, enfermizo, envidioso, desdichado y cobarde.276

A ideia de unidade é indissociável de sua concepção de pátria, que em um primeiro momento de sua produção narrativa, diz respeito a tradições comuns para além da ideia de integridade territorial. Em um momento posterior, a unidade da América Hispânica, denominada neste período em sua escritura de Nuestra América ou Madre América, é postulada em função das origens e problemas comuns. E, por último, a unidade alcança dimensão universal, ao postular que “pátria é humanidade”.

Os termos pátria e nação277 assumem diferentes denotações de acordo com os

processos históricos e, no contexto de produção discursiva de Martí, estavam sujeitos a diferentes interpretações e usos. Em seu conteúdo narrativo, pátria, nação e república assumem o mesmo significado. Pátria não é desassociada de valores morais, compreendidos como “amalgáma” entre a nação e “sus hijos” ou entre a república e seus cidadãos.

Para Martí, a construção da nação livre dependeria dos interesses dos indivíduos, do ajuste de suas necessidades à pátria, do respeito entre todos e do anseio de construção da república livre. A consolidação da república exigia a participação e o empenho dos indivíduos:

(...) la libertad de la patria no está en el nombre de libertad, sino en el trato afectuoso y el ajuste de intereses de todos sus hijos. Que no tenemos que heredar, acá en la América libre, los odios ni los términos de las monarquías europeas, sino conquistar, con el derecho del mérito igual, la igualdad apetecible entre los hombres (...).278

276 Artigo publicado no Jornal Patria em 25 de janeiro de 1895. OC, v. V, p. 468.

277 Para uma leitura acerca dos usos e vicissitudes históricas dos termos pátria e nação, ver, entre outros: GIL, Antonio Carlos Amador. Tecendo os fios da Nação: soberania e identidade nacional no processo de construção do Estado, 2001.

(...) el carácter entero de cada uno de sus hijos, el hábito de trabajar con sus manos y pensar por sí propio, el ejercicio integro de si y el respeto, como de honor de familia, al ejercicio integro de los demás; la pasión, en fin, por el decoro del hombre,− o la república no vale una lágrima de nuestras mujeres ni una sola gota de sangre de nuestros bravos.279

Cabe indicar que o conceito martiniano de pátria é fundamentado na defesa da liberdade. No contexto de luta pela independência de seu país e depois do que denominou de “segunda independência de Nuestra América”, contra o imperialismo norte-americano, Martí conferiu ênfase às ideias de liberdade, respeito entre as diferentes repúblicas e autonomia das nações.

Suas reflexões refletem os embates do independentismo das últimas décadas do século XIX, nos processos de construção das nacionalidades. O surgimento de discursos independentistas e autonomistas em vários países do subcontinente deve-se à iminência do expansionismo norte-americano, bem como, por Cuba e Porto Rico ainda permanecerem na situação de colônias espanholas.

Por meio da imprensa, Martí, assim como outros intelectuais, veiculavam ideias, interpretações e representações que buscavam conformar o sentimento de nacionalidade, de pertencimento e de identidade nacional. Neste sentido, a intelectualidade, neste período, defendia mudanças sociais e, principalmente, a formação de uma comunidade política nacional livre, independente e autônoma.

O conjunto de ideias a propósito da consolidação das repúblicas da América Hispânica, do respeito entre as diferentes repúblicas, do dever de cada república em preservar a liberdade das demais e a lutar contra qualquer forma de domínio de uma república sobre a outra, são constitutivos de sua concepção de nação.

Saludo a la republica que triunfa, la saludo hoy como la maldeciré mañana cuando una República ahogue a otra República, cuando un pueblo libre al fin comprima las libertades de otro pueblo, cuando una nación que se explica que lo es, subyugue y someta a otra nación que le ha de probar que quiere serlo. Si la libertad de la tiranía es tremenda, la tiranía de la libertad repugna, estremece, espanta (...).280

A perspectiva independentista do autor, presente em toda sua produção discursiva, é o fio condutor que permite a apreensão de seu pensamento e ideário a respeito da

279 “Discurso en el Liceo cubano, Tampa” de 26 de novembro de 1891. “Discursos revolucionários”. OC, v. IV, p. 270.

construção da nação. As premissas fundamentais de seu pensamento político, quanto aos processos de consolidação de pátrias livres ou de nações ou da república, são a identidade nacional e a autonomia. Ao imaginar a nação, processo que passa por diferentes fases em seu conteúdo narrativo, conforme explicitado, Martí a concebe como todo o subcontinente hispano-americano unido e livre.

A unidade da região postulada pelo autor, por causa das origens e problemas comuns que afetavam os países, foi concebida como instrumento para assegurar a liberdade e a autonomia de cada república. E seria também o meio para romper com a exploração, a miséria, a violência e os problemas de toda ordem devido à colonização e o imperialismo dos países do norte, mas, principalmente devido ao expansionismo norte- americano no final do século XIX.

José Martí, residindo desde o início dos anos de 1880 nos Estados Unidos, acompanhou o processo de produção ideológica, discursiva e das políticas anexionistas e imperialistas daquele país. Sua interpretação daquela sociedade passou por mudanças, processo este que pode ser apreendido na leitura de suas Escenas norteamericanas, crônicas escritas durante o período que residiu naquele país. Além de conformar uma análise dos diversos problemas daquela sociedade, tais crônicas evidenciam a concepção martiniana a respeito do vizinho do norte.

Sua perspectiva a respeito daquele país é marcada por descontinuidades temporais e delineada de acordo com os acontecimentos que envolviam a América Hispânica no

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