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Collecte des données et Protocole

4.3. Sélection des participants

O número de éguas que são cobertas/inseminadas por determinados garanhões tem aumentado nos últimos anos. Com o desenvolvimento do mercado internacional do sémen congelado e com a diminuição da disponibilidade de doses inseminantes dos garanhões de

elite, cada vez mais se procuram métodos para reduzir as doses inseminantes individuais. Teoricamente, o desenvolvimento de técnicas para a inseminação com baixas doses permite que se aumente o número de éguas a inseminar, se utilizem garanhões com sémen de fraca qualidade, se dissemine o uso do sémen congelado, se use sémen sexado e também se reduza a incidência de endometrite pós-inseminação (Daels, 2003). Um elevado número de espermatozóides por inseminação limita a capacidade de explorar técnicas como a sexagem do sémen onde apenas ficam disponíveis 20 milhões ou menos de espermatozóides por inseminação (Aurich, 2006).

Para a inseminação artificial convencional uma dose inseminante contém entre 300-500 milhões de espermatozóides com mobilidade progressiva para sémen fresco e o dobro para sémen que vai ser transportado (Samper, 2005). Embora não haja uma dose padrão para o sémen congelado a fertilidade diminui quando o número total de espermatozóides com mobilidade progressiva após a descongelação é inferior a 250 x 106/dose. (Samper, 1999). Outros estudos mostraram que quando se deposita uma dose inseminante na ponta do corno uterino ipsilateral à ovulação 80% dos espermatozóides permanece nesse oviducto comparado com 50% quando se deposita o sémen no corpo uterino (Rigby et al., 2000). Quando se deposita o sémen na papila do oviducto através do uso do endoscópio conseguem-se obter gestações com doses tão baixas como 1 x 106 /dose (Morris, Tiplady & Allen, 2003 e Morris, Hunter & Allen, 2000).

Em vários estudos experimentais inseminaram-se éguas profundamente, tanto no corno uterino como na papila tubária (Morris et al., 2000, Lindsey, Schenk, Graham, Bruemmer & Squires, 2002 e Nie, Johnson & Wenzel, 2003). Enquanto que na primeira técnica se usam pipetas flexíveis que são avançadas sob controlo rectal manual ou ecográfico até à ponta do corno uterino, a inseminação na papila tubária necessita de controlo visual através de um endoscópio flexível (inseminação histeroscópica). Obtiveram-se taxas de gestação de 50% ou mais com doses de sémen entre 1-5 milhões de espermatozóides usando a inseminação histeroscópica. A inseminação na ponta do corno uterino com uma pipeta flexível requer 5- 10 milhões de espermatozóides (Morris et al., 2000, Lindsey et al., 2002, Brinsko et al., 2003, Nie et al., 2003). A inseminação guiada transrectalmente até à ponta do corno uterino é um procedimento bastante mais rápido e menos dispendioso e pode ser considerado como uma alternativa prática à inseminação histeroscópica (Aurich, 2006). Correntemente existe uma controvérsia sobre a vertente prática e os resultados da inseminação histeroscópica quando comparada com a inseminação guiada por via transrectal (Samper, 2005).

A redução da dose de inseminação ou a deposição do sémen na ponta do corno uterino pode permitir que se diminua o número de espermatozóides usados para inseminar as éguas com sémen congelado (Squires et al., 2003). A inseminação uterina profunda no corno uterino guiada rectalmente com 200 x 106 espermatozóides não aumentou, neste

estudo (Squires et al., 2003), as taxas de gestação quando comparada com a inseminação no corpo uterino, com o mesmo número de espermatozóides. Esta dose inseminante foi escolhida para permitir a inseminação de uma só palhinha e para determinar se a inseminação com um pequeno número de espermatozóides congelados na ponta do corno uterino poderia aumentar as taxas de gestação quando comparado com a inseminação no corpo uterino. A taxa de recuperação de embriões foi menor para as éguas inseminadas no corno uterino ipsilateral do que para as inseminadas no corpo uterino (4 em 20, 20% versus 10 em 20, 50% respectivamente).

Uma vez que o sémen é depositado no corpo do útero os espermatozóides movem-se rapidamente para a junção uterotubárica ou istmo distal do oviducto (Rigby, 2000). Dos milhões de espermatozóides colocados no útero, apenas alguns milhares de espermatozóides se encontram no oviducto. Existem vários estudos que demonstram que se podem obter gestações com um número baixo de espermatozóides se estes forem colocados na junção uterotubárica (Lindsey et al., 2002; Morris et al., 2000 e Rigby, Lindsey & Brinsko, 2001). Lindsey et al (2002) reportou uma maior taxa de gestação com a inseminação com videoendoscópio de 5 x 106 espermatozóides quando comparado com a inseminação do mesmo número de espermatozóides usando a inseminação uterina profunda. Rigby et al. (2001) reportou taxas de gestação semelhantes para inseminação videoendoscópica versus inseminação uterina profunda guiada por via transrectal.

Contudo, recentemente foi reportada uma taxa de gestação mais baixa com éguas problema inseminadas na junção uterotubárica quando comparada com as que foram inseminadas no corpo uterino (Squires, 2003).

A inseminação com doses baixas de sémen fresco está associada a taxas de gestação mais baixas do que a inseminação convencional (com doses normais) (Aurich, 2006). Embora também possam ser obtidas taxas de gestação aceitáveis com sémen refrigerado (Brinsko

et al., 2003) e com sémen congelado (Morris 2004), a fertilidade é reduzida quando

comparada com a inseminação com dose baixa de sémen fresco. A taxa de gestação de garanhões subférteis ou de garanhões com sémen de baixa qualidade após congelação e descongelação não é aumentada pela inseminação intrauterina. Aumentando simplesmente o número de espermatozóides na junção uterotubárica pela colocação da dose inseminante perto da papila do oviducto, não melhorando a qualidade do sémen, não aumenta as taxas de gestação. A inseminação com doses baixas com sémen de garanhões extremamente férteis pode ser muito útil em programas de reprodução permitindo inseminar mais éguas de um só garanhão. Contudo, a inseminação de doses baixas na papila tubária não é um tratamento veterinário para resolver problemas de fertilidade dos garanhões (Aurich, 2006).