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Sélection du débit observé selon la gamme de débit classé (sélection redondante (SR)) 134

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Chapitre 6. Stratégie de récolte de jaugeages ponctuels sur des bassins versants non-jaugés : au

6.3. Sélection du débit observé selon la gamme de débit classé (sélection redondante (SR)) 134

A Semana Cultural Indígena é conhecida como a grande festa da comunidade em comemoração ao Dia do Índio. Mas, a festa, promovida pela comunidade com grande participação da escola, é mais do que uma festa, é mais do que uma celebração, é fundamentalmente a preservação do índio. Na festa são evidenciados os costumes dos antigos, as danças, os rituais, as pinturas corporais, as competições tradicionais, as reverências ao pajé, o respeito ao cacique, a gratidão aos mais velhos,

22 Maracá, conhecido ainda como bapo, maracaxá ou xuatê, é um idiofone de agitamento, constituído

por uma bola, que pode ser de cartão, plástico ou cabaça, contendo sementes secas, grãos, arroz ou areia grossa.

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o exemplo aos mais novos, enfim, a Semana Cultural é a principal festa da comunidade indígena e reúne toda a comunidade em celebração à vida.

É neste evento que a comunidade recebe visitantes, escolas, universidades; pessoas que visitam a comunidade por curiosidade, para saber como vivem, como se alimentam, para conhecer o modo de vida do índio, suas relações com a comunidade e com as pessoas que se aproximam para conhecê-los. O que podemos perceber, em relação à recepção de pessoas de fora na comunidade, é que os indígenas possuem orgulho de suas tradições, exibem com satisfação suas práticas e costumes, em especial, sua sabedoria ancestral. Demonstram simpatia, são extremamente educados e gostam de receber visitantes. Fica evidente a satisfação e o orgulho em mostrar o índio sendo preservado, o seu modo de vida sendo apresentado ao não- índio, seus costumes, suas práticas, sua cultura, demonstram um sentimento de pertencimento a esse grupo. Talvez o maior encontro da semana cultural, talvez, não seja do índio com a comunidade externa, mas, do índio com sua cultura e tradição.

No dia 04 de abril de 2018, quarta-feira, uma bonita manhã de outono, ao chegar para mais um dia de observações na comunidade, os alunos estavam todos fora da sala de aula, alguns ensaiavam uma dança na quadra de esportes, outros preparavam as tintas para as pinturas corporais. O terceiro ano (formandos do ensino médio) estava decorando a escola com frases escritas em Kaingang e sua tradução logo abaixo, para identificação dos visitantes. Alguns pais de alunos preparavam, do lado de cima da escola (fora do pátio), algumas barraquinhas feitas de bambus e cobertas por folhagens, que serviriam para a exposição de miçangas, colares, cestos e balaios que estavam sendo confeccionados especialmente para a venda aos visitantes. Ao lado das barraquinhas estava sendo preparado, por outro grupo, um espaço para as apresentações das danças e rituais indígenas que seriam apresentados na festa.

Posteriormente, descobri que os adultos saíam à caça de animais para servir aos visitantes durante a semana cultural. Animais como tatus, pacas, cotias e porco do mato fariam parte do cardápio na Semana Cultural. As mulheres da comunidade preparavam a paçoca, feita de amendoim e milho, socadas no pilão, também para oferecer aos visitantes. Os mais velhos separavam as ervas medicinais, os chás e remédios encontrados na mata, extraídos da natureza, catalogados com nome, princípio ativo e sua função quanto ao tratamento, ressaltando os saberes tradicionais indígenas.

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A Semana Cultural Indígena é o grande momento da vida comunitária, a festa é preparada e organizada por todos. A escola organiza as ações e traça os objetivos da festa, que tem sempre o princípio de fortalecimento da cultura, dos costumes e da tradição indígena, desenvolvimento das atividades internas, integração e socialização entre os indígenas e não indígenas, comercialização dos produtos, demonstração das danças, da cultura e culinária indígena.

O cardápio da festa é feito com as comidas típicas, como abóbora, mandioca, paçoca e as carnes; cada dia um tipo de carne, a maioria assado em fogo de chão: paca, tatu, porco do mato (cateto), cotia, ensopado de saracura, entre outras iguarias da culinária indígena.

Conforme se pode observar na Fotografia 7, o modo de preparo da carne é bem tradicional, assado em fogo de chão, temperado apenas com sal, em espetos de pau e servido aos visitantes na Semana Cultural da Comunidade Indígena de Mangueirinha.

Fotografia 7 – Carne de tatu assada na brasa em espeto de pau, servida aos convidados da Semana Cultural Indígena

Fonte: Acervo do pesquisador (2019)

A festa é para a comunidade indígena; celebra o encontro com as famílias, mas é aberta ao público; os índios sentem orgulho em mostrar seus costumes e tradição. Para participar da festividade não é necessário ingresso, não se paga pela entrada,

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todos são convidados e bem-vindos. O objetivo da festa é mostrar a cultura indígena, a cultura viva, o Bem Viver indígena, suas tradições, seu modo de vida, sua comunidade e a harmonia que desfrutam seus moradores.

Traremos, apenas para ilustrar, o convite da Semana Cultural Kaingang 2019 (Figura 7); as edições anteriores da festa não faziam convites, esta prática iniciou no ano de 2019, para fortalecer e divulgar a comemoração alusiva ao Dia do Índio. O convite, em formato de pinhão, simboliza a abundância do fruto na região, lembra que ali é preservada a maior mata de araucárias do mundo, e o pinhão é muito utilizado nas receitas da culinária indígena.

Fonte: Colégio Estadual Indígena Kokoi Ty Han Jã (Kaingang Jykre si ven)

No convite, são apresentadas as atrações da festa, como: danças, comidas típicas, ervas medicinais da floresta, jogos, pinturas, marcas, lendas, armadilhas, centro de memórias, ambiente temático, trilhas ecológicas, histórias contadas, teatro e muita cultura indígena.

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