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Sélection d’une base de bassins versants pour la modélisation pluie-débit

CONCEVOIR ET ÉVALUER UN MODÈLE PLUIE-DÉBIT

3 Présentation de la base de données des bassins versants

3.2 Sélection d’une base de bassins versants pour la modélisation pluie-débit

experiência. Em suma, o cientista encontra algo que não estava em suas previsões e, assim, descobre coisa nova. O processo é essencialmente exterior ao pesquisador.

Zanetic (1989) explicita a visão de Rui Barbosa sobre ciência. Este, afirma que ciência é toda a observação, exatidão ou verificação experimental; é discernir relações, comparar analogias e diferenças. Menciona que os métodos e programas educativos ao invés de enfocar tais aspectos enfatizam o contrário.

“Em vez de educar no estudante os sentidos, de incentivá-lo a pensar, a

escola e o liceu entre nós ocupam-se exclusivamente em criar e desenvolver nele os hábitos mecânicos de decorar e repetir. A ciência e o sopro científico não passam por nós” (Rui Barbosa citado em Zanetic,

1989, p. 181).

Popper (1982) defende que as teorias científicas são invenções, construções humanas que “podem ser vistas como livres criações da nossa mente, o resultado de

uma criação quase poética, da tentativa de compreender intuitivamente as leis da natureza” (p.218). Considera ainda que não existem ‘fontes últimas’ do conhecimento

e que todas as fontes devem estar abertas a sugestões e a exame crítico, “exceto no

campo da história, examinamos ordinariamente os próprios fatos em vez de examinar as fontes da nossa informação” (p.55).

Quando Popper discute a questão de como distinguir as teorias científicas das especulações pseudocientíficas ou metacientíficas, denota que a solução geralmente aceita está relacionada com o método, pois a ciência se caracteriza por sua base na observação e pelo método indutivo, enquanto que a pseudociência e a metafísica se distinguem pelo método especulativo.

Ao se referir ao problema da demarcação5, assinala que o critério da refutabilidade6 é a solução para este problema. Justifica que para que as ‘assertativas’ sejam classificadas como científicas elas devem ser capazes de entrar em conflito com as observações. Assevera que “o método da ciência é a crítica, isto é, as tentativas de

refutação” (Popper, 1982, p.82).

Com relação às fontes de conhecimento, Popper admite que a experimentação pode contribuir para a aquisição de conhecimento, no entanto, ressalta que ela não se constitui na fonte última. Destaca ainda, que um erro fundamental da teoria filosófica está na não distinção da origem da validade do conhecimento. Assevera que

“não testamos a validade de uma assertativa ou de uma informação procurando identificar sua fonte ou sua origem e sim, de forma muito mais direta, examinando criticamente o que foi afirmado – o conteúdo da própria assertativa... fontes ideais não existem – da mesma forma como não existem governantes ideais -, todas as nossas fontes podem, em certas ocasiões, induzir-nos em erro.” (Popper, 1982, p.53)

Ao abordar a questão da origem das fontes do nosso conhecimento, Popper esclarece que não existem fontes puras e nem absolutamente seguras. Todas as fontes estão sujeitas a questionamentos e a modificações. Chama a atenção para o fato de que não é adequado confundir a origem e pureza do conhecimento com sua validade ou veracidade. Menciona Xenófanes que sabia que “o conhecimento não passa de opinião,

ou conjectura, doxa e não episteme”. Afirma que esse aspecto de Xenófanes pode ser

observado em seus versos:

“Os deuses não nos revelam desde o princípio

Todas as coisas; mas, com o tempo,

Se buscarmos poderemos aprender, conhecê-las melhor. A verdade certa, contudo, ninguém jamais a conheceu Nem a conhecerá: a dos deuses

Ou a de todas as outras coisas.

Mesmo se por acaso alguém pronunciasse o nome Da verdade última, não poderia reconhecê-la

Nessa rede tecida de opiniões”. (Xenófanes, citado em Popper, 1982,

p.54)

5 O critério da demarcação de Popper é composto pela testabilidade, refutabilidade e falsificabilidade das teorias científicas.

Popper expõe que ao ser questionado sobre quais fontes de conhecimento utiliza em uma certa afirmativa científica responderá: “não sei, minha afirmativa é

simplesmente uma opinião” (p.55), esclarece que a fonte não importa em virtude de

serem muitas e, algumas, até desconhecidas.

Um outro aspecto salientado por Popper é com relação à verdade. Neste sentido, afirma que não existem critérios de verdade a nossa disposição, mas ressalta que com um pouco de sorte é possível reconhecer o erro e a falsidade:

“A clareza e a distinção não constituem critérios de verdade, mas a obscuridade e a confusão podem indicar o erro. Da mesma forma, a coerência não pode por si mesma estabelecer a verdade, mas a incoerência e a inconsistência revelam a falsidade”.(Popper, 1982, p.56)

As idéias de Popper sobre a verdade das teorias, as fontes de conhecimento e a construção do conhecimento podem ser aplicadas à discussão sobre o método científico, pois apresentam argumentos firmes e esclarecedores. Além disso, seu critério implica uma provisoriedade de todo o conhecimento científico e possibilidade de mudança contínua.

Zanetic (1989) resume a proposta de desenvolvimento científico de Popper da seguinte forma:

1. Existência de um problema a ser resolvido;

2. Procura de soluções para o problema; elaboração de várias teorias tentativas e escolha de uma delas seguindo a maior probabilidade de refutação;

3. Dedução de conseqüências dessa teoria;

4. Teste da teoria, isto é, tentativa de refutá-la através do uso de contra- exemplos significativos. Se houver refutação, têm-se um novo problema, ou seja, propor teorias tentativas;

5. Escolha entre teorias rivais 6. Nova teoria

Para completar este quadro, Zanetic menciona que Popper condiciona que se deve preservar ao máximo o conjunto de dados observacionais acumulados ao longo das investigações científicas.

Feyerabend (1977) afirma que a idéia de conduzir a ciência com o auxílio de um método com características bem definidas como, princípios firmes, imutáveis e incondicionalmente obrigatórios passa por dificuldades quando posta em confronto com os resultados da pesquisa histórica. Assim, verifica-se que “não há uma só regra,

embora plausível e bem fundada na epistemologia, que deixe de ser violada em algum momento” (p.29). O autor esclarece que alguns acontecimentos, como a teoria

copernicana, o surgimento do moderno atomismo e o aparecimento gradual da teoria ondulatória só ocorreram porque alguns pensadores não se deixaram guiar por, ou violaram, regras metodológicas. Salienta ainda que “dada uma regra qualquer, por

‘fundamental’ e ‘necessária’ que se afigure para a ciência, sempre haverá circunstâncias em que se torna conveniente não apenas ignorá-la como adotar a regra oposta” (Feyerabend, 1977, p.30).

Conclui, afirmando que a idéia de um método estático faz parte de uma concepção ingênua do homem e de sua circunstância social.

“A idéia de que a ciência pode e deve ser elaborada com obediência a regras fixas e universais é, a um tempo, quimérica e perniciosa. É quimérica pois implica visão demasiado simplista das capacidades do homem e das circunstâncias que lhe estimulam ou provocam o desenvolvimento. E é perniciosa porque a tentativa de emprestar vigência às regras conduz a acentuar nossas qualificações profissionais em detrimento de nossa humanidade”. (Feyerabend,1977, p. 449)

Peduzzi (2000) exemplifica a presença do método com a explanação da abordagem dada por um livro de Ciências Biológicas. O livro enfatiza que o pesquisador trabalha com uma série de procedimentos de forma hierárquica e seqüencial, através do uso do método científico, que direciona e ordena o seu trabalho,

“o método científico cumpre o seguinte roteiro:

Observação do fato: Um fato é qualquer acontecimento ou fenômeno observável ou ocorrido. A análise deste fato provoca algumas perguntas: como e por que ocorre? Quais suas causas e conseqüências?

Tais aspectos constituem o problema.

Levantamento de hipóteses: o cientista começa a levantar idéias que talvez possam explicar os fatos. As hipóteses têm também a função de prever possíveis resultados para o mesmo problema sob outras condições ainda não observadas.

Experimentação: é o meio pelo qual o cientista testa suas hipóteses... Análise dos resultados e conclusões: os resultados deverão ser analisados para a confirmação ou não da hipótese. Em caso de não confirmação, a hipótese deverá ser reformulada ou até mesmo rejeitada.

Não havendo argumentos que contradigam a hipótese, ela passará a ser considerada uma teoria. Caso os princípios estabelecidos por esta teoria venham a ser observados com uniformidade, sem variações em condições idênticas, tal formulação será reconhecida como uma lei”.

(Marczwski e Vélez, 1999 citado em Peduzzi, 2000, p.3)

Moreira e Ostermann (1993), em um trabalho sobre o ensino do método científico, analisaram livros didáticos que veiculam uma visão bastante rígida sobre este método. Apresentam características atribuídas, ao método cientifico, por dois livros de Ciências do Ensino Fundamental e, por três livros de Física do Ensino Médio. Como exemplo, relativo ao nível médio, citam a obra “Os alicerces da Física” (Kazuito, Fuke e Shigekiyo, 1989), que no capítulo 1 faz o seguinte esclarecimento:

“os cientistas, cada qual com os métodos de pesquisa da época e do lugar, observam sistematicamente os fenômenos da natureza, tomam dados sobre grandezas físicas envolvidas e induzem as leis ou os princípios. Eles procuram estabelecer regras gerais para a explicação dos acontecimentos naturais.” (Moreira e Ostermann, 1983, p. 112)

Outro exemplo é o do livro “Os fundamentos de Física” (Ramalho, Ferraro e Soares, 1989):

“A Física estuda determinados fenômenos que ocorrem no Universo. O método que utiliza para conhecer esses fenômenos é simplificadamente o seguinte: observar repetidas vezes o fenômeno destacando fatos notáveis. Utilizando aparelhos de medida, desde o relógio para medir o tempo e a fita métrica para medir comprimentos, até instrumentos mais sofisticados, determina a medida das principais grandezas presentes no fenômeno. Com essas medidas procura alguma relação existente no fenômeno tentando descobrir alguma lei ou princípio que o rege... Em resumo, o método da apreensão do conhecimento da Física é o seguinte: a) observação dos fenômenos, b) medida de suas grandezas, c) indução ou conclusão de leis ou princípios que regem os fenômenos. Esse método de conhecimento é denominado ‘método experimental’”. (Moreira e

Ostermann, 1983, p. 111)

A partir dessas análises, discutem algumas concepções errôneas sobre o método científico e sugerem uma visão esquemática do processo de produção do conhecimento científico, a qual se caracteriza por uma interação permanente entre pensar, sentir e fazer:

“O pensar se refere ao domínio conceitual da pesquisa, a sua fundamentação teórica, sendo guia da determinação dos acontecimentos a serem estudados e orientação para as observações a serem feitas. O

fazer corresponde ao domínio metodológico da investigação. O sentir é o aspecto mais negligenciado ao se falar na produção do conhecimento científico”.(Moreira e Ostermann, 1993, p. 116)

Campanario et al (2001), ao refletir sobre o papel ocupado pela ciência, de um modo geral, afirma que o conhecimento científico passou a ser um paradigma de conhecimento rigoroso, confiável e exato; que serve como modelo para outras disciplinas incorporarem o ‘adjetivo’ científico aos seus métodos e conclusões.

Com base em vários trabalhos de outros autores, salienta que os estudantes universitários mantêm crenças exageradas sobre a ciência e o conhecimento científico, ou mais pontualmente, concebem a ciência como superior a outras classes de conhecimento. Esclarece que esta superioridade deriva do suposto método que se utilizaria na obtenção do conhecimento científico e, às vezes, está associada à imagem de que a ciência é uma atividade misteriosa, fora da capacidade de compreensão humana normal e, portanto, fora do alcance de toda crítica séria. Alerta ainda para o fato de que o caráter provisional das teorias científicas nem sempre é exposto explicitamente aos alunos. Às vezes o conhecimento científico se apresenta como algo acabado e fora de qualquer dúvida. Explicita que através de análises de livros americanos de ciências foram denotadas afirmações que retratam a ciência como uma atividade que contém verdades fixas e inalteradas. Além disso, assevera que muitos professores de ciências também mantêm visões inadequadas sobre a natureza da ciência e provavelmente a transmitem a seus alunos.

Freire-Maia (1991) apresenta em seu livro alguns conceitos de Claude Bernard sobre o trabalho científico. Em relação ao método científico Bernard salienta que “A

idéia é a semente; o método é o solo que lhe fornece as condições de se desenvolver, de prosperar, e de dar os melhores frutos segundo a sua natureza. (...) O método por si mesmo não produz coisa alguma (...)” (Freire-Maia, 1991, p.147).

Além disso, Bernard afirma que o cientista deve sempre conservar liberdade total sobre as dúvidas metodológicas, no entanto, destaca que ele precisa crer na ciência, no determinismo, no relacionamento absoluto e necessário das coisas, nos fenômenos próprios dos seres vivos e também nos outros fenômenos, mas é preciso que esteja, ao mesmo tempo, convencido de que as teorias que se possui estão longe de representar verdades imutáveis.

Outro aspecto mencionado por Bernard é que tanto o metafísico e o escolástico como o cientista, tomam como ponto de partida uma idéia a priori, contudo, o cientista propõe sua idéia como uma pergunta ou uma interpretação antecipada da natureza, submetendo-a ao teste da experiência, não pretendendo, desta forma, obter a verdade absoluta. Por outro lado, afirma que o método experimental tem por objetivo transformar a concepção a priori, fundada sobre uma intuição ou um sentimento vago das coisas, em interpretação a posteriori que é estabelecida sobre o estudo experimental dos fenômenos.