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La sécurité civile et la protection de la population

Dans le document RAPPORT D’INFORMATION (Page 55-62)

B. LES FORCES DE POLICE, DE SECURITÉ CIVILE ET DE SECOURS SONT EN

3. La sécurité civile et la protection de la population

Fala-se há muito tempo sobre a escassez do petróleo e as ameaças se tornaram sensíveis na década de 1970 com a primeira grande crise do petróleo, que refletiu na acentuada elevação de seu preço (Figura 2.1). Com o passar do tempo, outras crises surgiram resultando em fortes flutuações de preço, muitas vezes causadas por questões geopolíticas. No entanto, observa-se que o petróleo ainda é abundante e segundo a BP (2013) as reservas globais comprovadas de petróleo no final de 2012 seriam suficientes para a produção por mais

53 anos, quando relacionada à produção anual dos últimos anos, e as reservas comprovadas de gás natural seriam equivalentes a 56 anos de produção. Soma-se a isso o fato que novas jazidas de óleo e gás convencionais continuam a ser descobertas e a BP relata que em 1992, as reservas de petróleo eram estimadas para 43 anos de produção e 20 anos depois somam-se mais 53 anos. Além disso, novas fontes não convencionais como o sand oil do Canadá (óleo retido na areia), o tight oil (o óleo retido entre micro camadas de rochas), o shale gas (gás retido entre micro camadas de rochas) são descobertas com grandes reservas em fase de confirmação em várias partes do mundo e já em pleno desenvolvimento de exploração nos últimos 6 anos nos EUA e Canadá. As reservas mundiais de fontes fósseis (óleo e gás) são ainda crescentes (Tabela 2.1), não havendo mais, neste momento, a preocupação com a escassez, porém os custos de exploração tendem a crescer no curto e médio prazo, pois elas são de acesso mais difícil e exigem o desenvolvimento de novas tecnologias.

Figura 2.1 - Evolução do preço do barril de petróleo em US$

Tabela 2.1- Reservas mundiais comprovadas de petróleo e gás natural

Final de 1992 Final de 2002 Final de 2012 Reservas de petróleo em

bilhões de barris 1039,2 1321,5 1668,9

Reservas de gás natural em

trilhões de metros cúbicos 117,6 154,9 187,3

Fonte: versão em português, tradução própria, a partir de BP (2013).

Essa ameaça de escassez do petróleo foi assim substituída nos últimos anos, além dos problemas geopolíticos e da volatilidade dos preços do petróleo (que será desenvolvida no Capítulo 4), por uma crescente preocupação com as consequências ambientais do aumento da emissão de CO2 para a atmosfera. Em 1990, o Painel Intergovernamental para Mudanças

Climáticas (IPCC), órgão da ONU que reúne cerca de 130 governos que analisam as mudanças climáticas, divulgou um primeiro relatório de avaliação produzido por centenas de cientistas de várias partes do mundo, concluindo que existe um efeito estufa natural que mantém a Terra aquecida e que à medida que a concentração de gases responsáveis por este fenômeno aumentar na atmosfera, as temperaturas globais também se elevarão. O efeito estufa é um processo em que gases como vapor d’água, CO2 (dióxido de carbono), metano e

ozônio, para citar os principais, absorvem a energia solar que é refletida pela superfície da Terra, mantendo mais quente a temperatura do planeta. Se não fosse assim, ela cairia em média a dezoito graus Celsius negativos (SILVER, 2013). As emissões resultantes de atividades humanas, a exemplo da geração de energia, os transportes, as indústrias, queimadas e desmatamentos florestais, aumentam a concentração destes gases na atmosfera e por consequência são considerados os principais responsáveis pelo aquecimento global. Mesmo sabendo que o clima mundial passa por ciclos, quentes e frios com duração de décadas e séculos, poucos cientistas discordam que a Terra está com uma tendência de aquecimento e que a causa seja o efeito estufa. O que se contesta, havendo um debate muito mais intenso, é sobre a intensidade desta progressão e as projeções de longo prazo do aumento da temperatura média do planeta e de suas possíveis consequências. Há um ceticismo que é oriundo dos vieses de quem faz essas projeções, que pode estar influenciado por seus interesses próprios e racionais, conforme abordado no Capítulo 1. A indústria de petróleo e combustíveis pode ter o interesse em defender seus resultados financeiros mantendo o status quo, assim como os países em desenvolvimento que não querem abrir mão da oportunidade de gerar sua energia por tecnologias convencionais (consolidadas e de menor custo) com base em fontes fósseis como óleo, gás e carvão. Por outro lado, outros países poderiam ter interesses políticos e

econômicos em promover previsões mais alarmantes quanto ao aquecimento global e defender ações que sejam mais restritivas às emissões de CO2, que estão diretamente

associadas ao crescimento industrial e consumo energético dos países em desenvolvimento econômico.

Se observarmos a Figura 2.2, com base em informações de seis diferentes fontes compiladas por Silver (2013), constatamos um aumento da temperatura média global especialmente a partir da década de 1950, quando as concentrações de CO2 começaram a

aumentar em ritmo mais acelerado.

Figura 2.2 - Variação da temperatura global em relação aos níveis de referência de 1951-1980

Fonte: Silver (2013).

Dados mais recentes do 5º Relatório do IPCC (IPCC, 2013) reforçam as evidências a partir de observações e simulações utilizando modelos simples ou complexos em vários cenários, de que há uma correlação direta entre a concentração acumulada de CO2

emitido na atmosfera e o aumento de temperatura (Figura 2.3). Observa-se uma taxa de aumento da temperatura global a partir do ano 2000, quando comparado com as temperaturas no período de 1861 a 1880. Para as projeções futuras há uma grande variabilidade de resultados possíveis, segundo as premissas e os métodos preditivos utilizados e, ainda, que o aquecimento global não tem ocorrido de forma uniforme, havendo períodos em que o aumento de temperatura é inferior ao de períodos de tempo precedentes.

Esse comportamento desuniforme em determinados períodos mais curtos, dentro de um intervalo de observação de períodos mais longos, assim como as premissas de partida, a insuficiência de conhecimento profundo das inúmeras variáveis conhecidas que interferem neste sistema complexo e ainda o provável desconhecimento de novas variáveis, geram incertezas quanto às projeções futuras e criam muito ceticismo no presente. Assim, provocam um grande dilema quanto a se devemos atuar imediatamente ou se podemos aguardar até que haja uma definição mais clara das evoluções no longo prazo. Mas, problemas desta natureza exigem esforços de inovação e busca de soluções no curto prazo, com execução imediata, para gerarem impacto positivo no longo prazo. Sendo a meia-vida do CO2 estimada em 30

anos, o comportamento da sociedade e as decisões que forem tomadas e implantadas ou não no presente, a respeito das emissões de CO2, afetarão a vida das futuras gerações.

Figura 2.3 - Efeito acumulativo de Carbono na Atmosfera no aquecimento global

RCP2.6, RCP4.5, RCP6.0 e RCP8.5 corresponde a diferentes cenários (Representative Concentration Pathways) Fonte: versão em português, tradução própria, a partir de IPCC (2013).

No presente, a utilização de fontes fósseis como a nafta e os gases como metano, etano, propano e butano respondem por mais de 90 % da matéria-prima para a produção de moléculas orgânicas (BASTOS, 2007) e pela quase totalidade das resinas plásticas. No entanto, apenas 7 % do petróleo consumido mundialmente se destinam à produção de plásticos, que ajudam a evitar o consumo da ordem de 14 % de petróleo com menor consumo energético, por exemplo, pela redução do peso da carga transportada e melhoria do isolamento térmico na habitação (MULHAUPT, 2013). Portanto, as questões de geração de energia doméstica e industrial e a necessidade de combustíveis para o transporte, tanto privado como comercial, são de longe muito mais importantes para as emissões de CO2 na atmosfera.

Mesmo assim, a preocupação crescente pelas mudanças climáticas e pela preservação do meio ambiente de populações de países desenvolvidos e em desenvolvimento, se reflete em uma demanda mercadológica por produtos químicos oriundos de fontes de matérias-primas renováveis. Este apelo do consumidor estimula as grandes corporações internacionais das indústrias química, automobilística, cosméticos, alimentos industrializados, dentre outras, a buscarem constantemente soluções (demand pull) que respondam aos anseios de seus clientes consumidores.

Inicialmente, esta preocupação ambiental se manifestou no aumento da demanda por resinas biodegradáveis, associada à imagem da poluição por plásticos dos aterros sanitários, rios e lagos. Outra vertente se direcionou para o conceito de intensificação da reciclagem através da recuperação mecânica para reutilização do plástico e uma terceira pela produção de energia por incineração, que contribuem diretamente para a redução em quantidade em volume, pela reciclagem e, em energia pelo consumo equivalente de matéria- prima de origem fóssil. O foco também se deslocou para a produção de plásticos a partir de fontes renováveis, em substituição ao petróleo e gás natural. Mais recentemente, no entanto, deu-se a devida importância para uma abordagem sistêmica que engloba o ciclo total do carbono e a sustentabilidade (econômica, social e do meio ambiente), integrando, desta maneira, vários destes aspectos simultaneamente.

Percebe-se um crescente reconhecimento de que expressões como “renovável”, “bio” ou “verde” criam certa ilusão, como se toda biomassa se transformasse com 100% de eficiência em bioplásticos, biocombustíveis ou bioenergia e que estes apenas emitissem CO2

(em quantidades menores que a absorvida para gerar a biomassa) e água, sem nenhum impacto ao meio ambiente (MULHAUPT, 2013). Na realidade, existem trade-offs que são ilustrados na Tabela 2.2. Por exemplo, os produtores agrícolas atraídos por melhores preços

na produção de biomassa podem substituir o cultivo de alimentos, provocando escassez e altas de preços, ou a indústria pode processá-los para produção de biocombustíveis ao invés de destiná-los à alimentação, provocando igualmente altas de preços. Isso já ocorreu em 2007 nos EUA com a destinação do milho para a produção de etanol em detrimento da destinação para a base da alimentação dos mexicanos, gerando a chamada “crise das tortilhas”. A plantação em grandes áreas pode acelerar o desflorestamento, desfavorecendo a eficiência de captura de CO2, pode aumentar o uso de fertilizantes e, por consequência, a emissão de N2O,

impactando a emissão de gás de efeito estufa, dentre outros (MULHAUPT, 2013). Portanto, torna-se muito importante o estudo do ciclo total do carbono e o cuidado com os balanços e as interpretações, para se evitar generalizações favoráveis ou desfavoráveis aos diferentes tipos de bioplásticos, sejam eles biodegradáveis ou não, seus processos de produção, de uso e de reciclagem.

Tabela 2.2 - Prós e Contras da produção e uso dos biocombustíveis e produtos renováveis

Pró Bio Contra Bio

Matéria-prima renovável reduzindo consumo de fontes fósseis.

Competição com produção de alimentos. Redução das emissões de CO2 quando

comparada com combustíveis fósseis.

Intensificação das culturas com aumento do uso de fertilizantes e desflorestamento, aumentando a emissão de CO2.

Produção interna de biocombustível, reduzindo a importação de derivados de petróleo.

Monocultura produtora de biocombustível ameaçando biodiversidade.

Uso de microrganismos para produção de químicos.

Uso de microrganismos transgênicos para a produção de químicos.

Culturas para produção de biocombustíveis como incentivo para os fazendeiros em países industrializados em que há excesso de

capacidade de produção de alimentos.

Aumento dos custos dos alimentos nos países em desenvolvimento e com crescimento de população, porque os fazendeiros reduziriam a produção de alimentos.

Uso de resíduos agrícolas e de florestas. Parte dos resíduos (biomassa) precisam permanecer no solo para assegurar a qualidade e o habitat natural dos animais.

Biodegradação Não biodegradação na ausência de água e oxigênio. Desintegração pode causar a emissão de nanopartículas.

Não há perigo para saúde e não é tóxico. Partículas esponjosas da degradação de biopolímeros podem alojar bactérias e esporos que podem ser inalados.

Fonte: versão em português, tradução própria, a partir de Mulhaupt (2013).

A indústria de bioplásticos está ainda na sua infância, procurando identificar e explorar nichos de mercado que valorizam esta abordagem sistêmica e integrada “do berço ao berço”, isto é, se preocupando com o ciclo completo do carbono desde sua origem, distribuição, uso, descarte, recuperação e reciclagem, ou simplesmente pela substituição dos plásticos de origem petroquímica por plásticos oriundos de fontes renováveis.

Paradoxalmente, enquanto tudo isto parece ocorrer em grande velocidade, ainda se discute e se procura um consenso em relação à definição para o termo bioplásticos.

Dans le document RAPPORT D’INFORMATION (Page 55-62)