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RUSSE LVII

Dans le document Td corrigé ARIAS ED2016 n pdf (Page 36-39)

Sem filhos 6 Sem filhos 0

3 ou 4 Filhos 1 3 ou 4 Filhos 2

5 ou mais filhos 0 5 ou mais filhos 2

Quanto à ocorrência de uniões conjugais interétnicas, os dados mostram que a abertura do grupo à possibilidade de uniões com não descendentes é crescente quando os participantes mais velhos são comparados com os mais novos. Como pode ser constatado na Tabela 4, reproduzida abaixo, há apenas 1 ocorrência de casamento interétnico no Grupo 2 Etário (maior idade), enquanto no Grupo 1 Etário (menor idade) foram registrados 4 casamentos entre descendentes e não descendentes.

Tabela 4 - Descendência e uso de idiomas dos cônjuges dos participantes residentes na sede, considerando a faixa etária.

Grupo 1 Etário (22 a 41 anos) Casos Grupo 2 Etário (48 a 63 anos) Casos

Descendente bilíngue 2 Descendente bilíngue 6

Descendente falante de Português 1 Descendente falante de Português 0 Descendente falante de Pomerano 0 Descendente falante de Pomerano 1

Não Descendente 4 Não Descendente 1

Fica evidente que, no grupo que está sendo referido, houve predomínio de casamentos entre descendentes de pomeranos. Tal realidade sugere que po- dem estar em jogo mecanismos ativos de pressão, tanto sobre homens como sobre mulheres, no sentido de que privilegiem contatos românticos com par- ceiras(os) que provenham de famílias de descendência pomerana. Foi apre- sentada aos entrevistados uma questão exploratória sobre tal assunto, ou seja, eles foram convidados a falar a respeito de terem ou não vivido alguma forma de pressão, no sentido de direcionar seu interesse em interação amorosa para parceiros descendentes de pomeranos.

De fato, entre os 11 indivíduos casados que responderam a questão, 7 reco- nhecem a existência de alguma forma de pressão cultural relativa ao estabe-

lecimento de relações amorosas, principalmente a partir de comentários de seus familiares sobre a adequação de casamento com alguém que também seja descendente de pomeranos.

Embora tenha havido aumento de ocorrências de casamentos interétnicos, foi predominante entre os filhos dos entrevistados mais jovens a condição de bilinguismo, como se pode verificar na Tabela 5, apresentada adiante. O resgate e a valorização da língua e dos traços culturais que estão em processo no município podem auxiliar a compreensão desse dado, pois os jovens estão sendo incentivados ao aprendizado da língua pomerana, inclusive com aulas nas escolas do município, o que mais adiante será discutido em pormenores. Os dados detalhados sobre o assunto aparecem abaixo, na Tabela 5.

Tabela 5 - Uso de idiomas pelos filhos dos participantes do grupo Sede, consideran- do a faixa etária.

Grupo 1 Etário (22 a 41 anos) Casos Grupo 2 Etário (48 a 63 anos) Casos

Sem filhos 6 Sem filhos 0

Filhos bilíngues 4 Filhos bilíngues 2

Só os filhos mais velhos bilíngues 1 Só os filhos mais velhos bilíngues 2 Filhos falantes de Português 0 Filhos falantes de Português 4

Considerou-se que seria relevante (tanto para os participantes residentes na sede do município como para os residentes no campo) verificar a configu- ração residencial dos participantes em relação às suas famílias extensas, em termos das características espaciais e funcionais das habitações. Foram iden- tificadas cinco configurações:

a) Residências em condomínio (envolvendo a família extensa) – situação em que famílias nucleares de integrantes de uma mesma família extensa moram em casas autônomas, próximas ou geminadas, na mesma propriedade (ou mesmo terreno).

b) Residência da família nuclear – situação em que a casa abriga uma família nuclear, sem a presença de outros familiares nessa mesma residência ou em residências contíguas.

c) Residência conjunta (envolvendo a família extensa) – situação em que fa- mílias nucleares dividem a moradia com a família extensa, ou seja, em que residem na mesma casa dois ou mais núcleos familiares.

d) Residência paterna – situação em que o entrevistado ainda não constituiu sua própria família nuclear e permanece residindo na casa dos seus pais. e) Residência individual – situação em que o entrevistado é o único morador de uma habitação.

Fica evidente o predomínio de configurações em que os integrantes de uma família extensa residem na mesma habitação ou compartilham um mesmo espaço geográfico no qual suas residências estão assentadas, pois foram en- contrados 11 participantes que apresentam os dois tipos de situação. Dentre os 11 citados, 9 dividem um pequeno espaço (residências em condomínio), e 2 dos entrevistados dividem a edificação com outras famílias (residência conjunta), reafirmando uma tradição de proximidade dos núcleos familiares com vínculos de parentesco, o que também pode ser analisado sob a pers- pectiva da escassez de terras nas distribuições hereditárias das propriedades. Mais um dado aponta para a característica congregacional do grupo, visto que foi encontrado apenas 1 caso de residência individual dentre toda a amostra referente ao grupo Sede, enquanto os casos nos quais vários indivíduos re- sidem na mesma habitação, sendo parte de uma família nuclear (residência da família nuclear + residência paterna), contam 7 ocorrências, sendo 5 em residência da família nuclear e 2 em residência paterna.

Outro aspecto relevante a destacar é o fato de apenas 4 entrevistados terem nascido na sede do município, tendo os demais 15 entrevistados (tais núme- ros são equivalentes para os grupos 1 e 2 Etário) nascidos no campo, tendo

passado, posteriormente, a residir na sede do município. Tal situação de pre- domínio de deslocamento de pessoas do campo para a sede do município pode ter relação tanto com o poder de atração que decorre do maior volume de oportunidades que a cidade oferece, inclusive possibilidades educacionais, como com as dificuldades e as exigências rigorosas do trabalho no campo (volume de terras no campo em relação ao número de filhos).

Tais dados mostram que entre os participantes do grupo Sede há predo- minância de indivíduos que em algum momento de suas vidas (em alguns casos, apenas na infância) tiveram contato com atividades rurais e com a vida no campo, tal como vivida pelos descendentes de pomeranos.

Assim como foi feito no caso dos participantes do grupo Sede, os 17 inte- grantes do grupo Campo também foram classificados em duas faixas etárias: a) Grupo 1 Etário – indivíduos entre 23 e 35 anos, com idade média de 29,3 anos;

b) Grupo 2 Etário – indivíduos entre 50 e 62 anos, com idade média de 52,3 anos;

O Grupo 1 Etário é composto por 6 mulheres e 4 homens. Entre esses par- ticipantes existem dois casais (CF3 e CM4; CM8 e CF9). O Grupo 2 Etário é composto por 4 mulheres e 3 homens. Entre esses participantes existe um casal (CM16 e CF17). A presença de 3 casais entre os entrevistados impli- ca limitações quanto a alguns dados, mas as já mencionadas dificuldades de acesso às propriedades rurais forçou o aproveitamento da oportunidade que se oferecia de entrevistar duas pessoas em um mesmo local.

Relativamente à escolaridade, todos os entrevistados afirmam ter cursado a es- cola em algum momento de suas vidas, mas informações adicionais esclarece- ram que 3 participantes não são alfabetizados (1 homem e 2 mulheres, todos do Grupo 2 Etário – maior idade). De forma geral, a situação quanto à escolarida-

de é semelhante para homens e mulheres residentes no campo, sendo possível registrar apenas que o baixo nível de escolaridade constatado é um pouco mais acentuado entre as mulheres, pois encontraram-se 5 ocorrências de ensino fun- damental incompleto entre o sexo feminino e 3 entre o masculino. Importante destacar que não há ocorrência de ensino superior completo no grupo. Quando os participantes de diferentes faixas de idade são comparados quan- to à escolaridade, fica evidente o fato de que os mais novos tiveram mais oportunidades educacionais do que os mais velhos, o que indica estar haven- do ampliação de estabelecimentos de ensino e/ou de vagas na região rural, ou até mesmo oportunidades de transporte escolar nas regiões mais longínquas. Destaca-se que no Grupo 1 Etário não foram encontrados não alfabetizados, enquanto que no Grupo 2 Etário houve 3 ocorrências, enfatizando a frase anteriormente apresentada. Ainda destaca-se que as 2 ocorrências de ensino médio completo encontradas no grupo pertencem ao Grupo 1 Etário, o que fortalece a hipótese mencionada.

A comparação do nível de escolaridade dos participantes do grupo Campo com a realidade que foi descrita para os integrantes do grupo Sede (ver Ta- bela 4) revela que as oportunidades educacionais foram muito mais escassas no campo, pela própria limitação de estabelecimentos educacionais na região rural, condição que ainda se verifica atualmente, de acordo com informações fornecidas por alguns entrevistados.

Houve uniformidade com relação à religião declarada pelos entrevistados. Todos se apresentaram como membros da Igreja Evangélica de Confissão Lu- terana do Brasil, atestando participarem pelo menos de cultos quinzenais, e declarando serem afiliados oficialmente a essa instituição. A vinculação à religião luterana também é vivida do mesmo modo pelas famílias dos entre- vistados.

mente em atividades rurais, como não poderia deixar de ser. Esse predomínio independe do sexo do entrevistado. Nenhuma das mulheres entrevistadas de- clarou profissão relativa à casa, às atividades domésticas. Essa categoria não foi sequer citada como ocupação ou trabalho, sendo que 8 das 10 entrevis- tadas declararam ser, exclusivamente, trabalhadoras rurais. Essa informação é destoante do que se observa em diversos contextos comparáveis. Nogueira (2004), por exemplo, entrevistou mulheres residentes em região rural de ou- tro município do interior do Espírito Santo, Venda Nova do Imigrante, tam- bém caracterizado por colonização europeia, tanto italiana quanto germâni- ca. Os resultados que encontrou mostram equivalência de casos de menções às categorias de atividades “Doméstica/do Lar” e “Lavradora/Agricultora”. A autora discute a existência de relação direta entre a autoidentificação como “Trabalhadora Rural” e a regulamentação do Sistema Previdenciário propos- to na Constituição de 1988, que concede direitos trabalhistas aos trabalhado- res rurais, incluindo as mulheres. Esse fato tornou-se relevante na identifica- ção da mulher, principalmente a de mais idade, como alguém que pode se ver em posição de maior respeitabilidade, pois no campo, até a Constituição de 1988, somente o trabalho masculino era reconhecido como apto para aquisi- ção de benefícios trabalhistas (BRUMER, 2002; DEERE, 2004; DELGADO; CARDOSO JUNIOR, 2001; KRETER; BACHA, 2006; SILVA; SCHWARZER, 2002).

As lutas políticas por direitos trabalhistas para as mulheres no campo inicia- ram-se, inclusive com discussão sobre sindicalização, na década de 50. Se- gundo Prado, Campici e Pimenta (2004), esses movimentos partiram de gru- pos pequenos ligados aos movimentos religiosos “nos quais essas mulheres começam a revisar os valores femininos socialmente naturalizados e a refletir e debater sobre sua condição de cidadãs excluídas e oprimidas” (p. 303). Até 1950 era incipiente a organização dos trabalhadores rurais em prol de seus direitos, mas nessa década começaram a surgir as Ligas Camponesas,

que originaram o Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais no Brasil (DEERE, 2004; PRADO; CAMPICI; PIMENTA, 2004). Entretanto, somente no final dos anos 1970, com a retomada da democracia, as mobilizações femininas ganharam importância no cenário das lutas trabalhistas no país (BRUMER, 2004; DEERE, 2004; NOGUEIRA, 2004). De início, as mulheres não tinham direito de se filiarem aos sindicatos de trabalhadores rurais, pois isso era permitido a um único representante da família, com o que a filiação ficava a cargo do homem (DELGADO; CARDOSO JUNIOR, 2001; SILVA; SCHWARZER, 2002). Com pouca ou nenhuma representação, os direitos femininos no trabalho rural foram deixados em segundo plano, gerando a necessidade de as trabalhadoras se unirem em outras instituições para pleitearem o direito de filiação ao “seu” sindicato (DEERE, 2004). Segundo Brumer (2004) e Deere (2004), o movimento das trabalhadoras rurais, que contava com apoio das Comunidades Eclesiais de Base, objetivava inicial- mente que essas mulheres fossem reconhecidas como trabalhadoras rurais, para terem acesso aos benefícios trabalhistas e de saúde garantidos àqueles considerados trabalhadores formais.

A reivindicação de direitos sociais às mulheres trabalhadoras rurais parecia ser tão legítima que era apoiada por diferentes agentes externos. Na década de 80, assim era possível perceber a atuação de três grupos diferenciados, com base em apoios distintos: o movimento das “Margaridas”, apoiado pela Cen- tral Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Partido dos Tra- balhadores (PT), que defendia a integração das lutas das tra- balhadoras rurais com as das trabalhadoras urbanas; o movi- mento das “trabalhadoras rurais”, apoiado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Emater/RS e Legião Brasileira de Assistência (LBA), criticado pelo movimento das “Margaridas” por evitar a discussão de classe e procurar incorporar tanto trabalhado- ras como empregadoras rurais; e o movimento das “mulheres da roça”, apoiado por sindicatos rurais de oposição à FETAG e pela ala progressista da Igreja, e que defendia ‘a participa- ção efetiva, e não apenas simbólica, das trabalhadoras rurais nos movimentos de massa, tais como sindicatos e central de trabalhadores’, sustentando ainda que ‘as trabalhadoras rurais

devem desenvolver um espaço próprio de organização e mobi- lização como forma de poderem avançar na conquista de seus direitos’ (BRUMER, 2004, p. 221, destaques no original).

Em termos práticos, os avanços foram lentos, pois as associações e sindicatos não reconheciam as reivindicações das trabalhadoras rurais como legítimas. Somente na década de 1980 a luta pelos direitos trabalhistas para as mulheres foi legitimada pelos sindicatos e outras associações ligadas aos movimentos trabalhistas. Uma das consequências das dificuldades impostas pelas institui- ções ligadas aos trabalhadores rurais, principalmente às mulheres em regime de agricultura familiar, foi a necessidade de construir um quadro contextual no qual essas pessoas se sentissem em condições de assumir sua identifica-

ção20 como trabalhadoras rurais, “tanto como meio de levantar sua consciên-

cia, como para facilitar sua incorporação nos sindicatos e ter acesso a benefí- cios de previdência social” (DEERE, 2004, p. 181).

Após muitos protestos, diversas marchas em direção a Brasília, reuniões com representantes eleitos por ocasião da Assembleia Constituinte, as mulheres trabalhadoras conquistaram muitos avanços legais que favoreceram a equipa- ração legal com os trabalhadores do sexo masculino (BRUMER, 2002, 2004; KRETER; BACHA, 2006). Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 foram formalizados dispositivos legais relativos às mulheres trabalha- doras rurais, porém “foi somente em junho de 1991, com a aprovação da Lei de Custeio e Benefício da Previdência Social, que este direito foi regulamen- tado e colocado em prática” (NOGUEIRA, 2004, p. 130).

Os movimentos populares que ainda acontecem, como a 4ª edição da “Mar- cha das Margaridas”, que reuniu cerca de setenta mil trabalhadoras rurais em Brasília em uma ação pacífica realizada em agosto de 2011, pleiteiam novos objetivos, como direitos trabalhistas plenos para as trabalhadoras rurais, se-

gurança no campo e apoio ao desenvolvimento da agricultura sustentável, entre outros (BRASIL, s.d.). Essa marcha tem história construída em outras três edições, que aconteceram em 2000, 2003 e 2007. Em tais momentos his- tóricos distintos os pleitos foram outros, como equiparação de direitos entre os sexos e direito à aposentadoria para as mulheres trabalhadoras rurais, por exemplo. A “Marcha das Margaridas” foi considerada a maior manifestação de trabalhadoras rurais já feita, coordenada pela “Comissão de Mulheres da CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – em aliança com uma das organizações de mulheres autônomas, com o Movimen- to das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE)” (DEERE, 2004, p. 176), além da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT) (BRUMER, 2004). Em sua primeira edição buscava o reconhecimento, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrá- ria (Incra), do título de propriedade conjunta da terra, ou seja, propriedade

do casal(BRUMER, 2004; CARNEIRO, 2001; DEERE, 2004; DEERE; LEóN,

2002).

As conquistas das mulheres trabalhadoras rurais, certamente, foram essen- ciais na composição dos fatores que contribuíram para a avaliação positiva de sua própria condição de participantes desse grupo. Os estereótipos constru- ídos em torno das mulheres do grupo Campo (do presente estudo) sofreram alterações expressivas, acompanhando inúmeros avanços práticos que fica- rão evidentes ao longo do texto.

Dos 10 participantes do Grupo 1 Etário, 9 se apresentam como lavradores – 4 deles conjugam o trabalho na lavoura com outras atividades. Apenas 1 mu- lher possui vínculo empregatício – trata-se de uma entrevistada que concluiu o ensino médio. De forma similar, no Grupo 2 Etário apenas 1 homem pos- sui vínculo empregatício. Todos os demais declaram ser trabalhadores rurais. Para os participantes que vivem no campo, portanto, predomina largamente a condição de trabalhador rural. Em geral, todos os participantes declaram

continuar acompanhando as atividades da lavoura, mesmo aqueles que exer- cem outras atividades com vínculo empregatício.

Nenhum dos participantes do grupo Campo, independentemente de idade, é solteiro. Entre os 10 entrevistados do Grupo 1 Etário, 8 declaram-se ca- sados. Há 1 caso de união estável e também 1 caso de divórcio, caso esse em que os ex-cônjuges mantêm residência próxima e a mulher ainda exerce cuidados em relação ao ex-marido quanto à alimentação e ao vestuário. Os dados podem ser tomados como indicativos coerentes com a tradição, que se manifesta como contexto cultural no qual a regra é a manutenção dos ca- sais, havendo obstáculos de vários tipos dificultando a separação de casais. No Grupo 2 Etário (mais velhos) há apenas 1 pessoa viúva, sendo todos os demais casados. É possível dizer que as condições em que a vida no campo está organizada, no caso do grupo em estudo, favoreceram a manutenção dos valores relativos ao casamento, pelo menos desde o momento em que os participantes de mais idade eram jovens.

Todos os entrevistados que integram o Grupo 1 Etário (mais novos) são bilíngues, comunicando-se nas línguas pomerana e portuguesa. No Grupo 2 Etário constatou-se que 2 participantes somente se comunicam na língua po- merana. Esses dois casos podem ser vistos como exemplos das dificuldades de interação social, fora do grupo de descendentes, que as mulheres enfren- tavam nas condições nas quais viviam, dificuldades essas que, provavelmente, atingiram em maior escala mulheres que contam hoje com mais de 50 anos. Registra-se, comparativamente, que no grupo Sede foram identificados 2 en- trevistados jovens que se comunicavam apenas em português – o que não se deu no grupo Campo –, não tendo sido constatado neste qualquer caso de participante que desconhecesse a língua portuguesa.

Todos os participantes do estudo que integram o grupo Campo uniram-se a pessoas que, como eles, também são descendentes de pomeranos, com

uma única exceção (1 entrevistado do sexo masculino e do Grupo 1 Etá- rio). Na comparação com o grupo Sede, no qual o número de participantes com cônjuges não descendentes de pomeranos é bem superior (ver Tabela 4), fica reafirmada a maior limitação de interação extragrupo no caso dos participantes que vivem no campo. A informação obtida sobre a(s) lín- gua(s) em que os cônjuges se comunicam é inteiramente condizente com suas características de descendência. No Grupo 1 Etário, todos os cônjuges descendentes de pomeranos são bilíngues, o que só não ocorre no caso da única cônjuge não descendente. No Grupo 2 Etário, no qual todos os côn- juges são descendentes, ambas as línguas (pomerano e português) são fala- das, o que apenas não ocorre no caso de uma cônjuge, que só se comunica em pomerano.

No grupo Campo, a predominância de casamentos entre descendentes de pomeranos também se verificou, e de forma ainda mais marcante do que a constatada para o grupo Sede. Como já foi mencionado, a entrevista in- cluiu uma questão exploratória sobre a percepção do entrevistado quanto a ter sofrido alguma forma de pressão para privilegiar o desenvolvimento de interesse amoroso com parceiro descendente de pomeranos. Das 11 pessoas que responderam, 6 afirmaram não ter havido pressão, e 1 pessoa respondeu dizendo que não houve pressão, mas, de qualquer forma, ela não seria ne- cessária diante da escassez de alternativas considerando a barreira da língua. Apenas 4 pessoas reconheceram a existência de pressão para que buscassem parceiros descendentes de pomeranos.

À primeira vista, o sentido dos resultados encontrados no grupo Campo pa- rece destoar do esperado para um grupo cujas características sugerem ten- dência à manutenção de seu relativo estado de isolamento. Porém, é possível considerar que, diante das diminutas oportunidades de relacionamento dos membros do grupo com integrantes de outros grupos, não haveria razão para que o assunto fosse sequer cogitado. É como se as circunstâncias, em si mes-

mas, já garantissem a eficiência de um acordo tácito entre os que estão sub- metidos a elas de somente se relacionarem amorosamente entre si.

No Grupo 2 Etário (os de maior idade) o número de filhos por entrevistado varia entre 2 e 8. Os filhos dos entrevistados são todos bilíngues, falando

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