PREUVE EN DÉFENSE
A NTONY S TARNINO
3.10 A RTHUR L AVIGNE
Nesta categoria iremos tratar dos relatos que descrevem a função da Educação Física como componente curricular no EMI, o questionamento realizado no instrumento de coleta dos dados foi o seguinte: “Na perspectiva do Currículo Integrado, como
concepção de currículo presente na EEEP, na sua compreensão, QUAL O PAPEL DA EDUCAÇÃO FÍSICA COMO COMPONENTE CURRICULAR?”.
Com base nas respostas ao questionamento identificamos cinco subcategorias de respostas acerca da função da Educação Física: Formação crítica, Formação cidadã; Promoção da saúde; Mecanismo de Integração; Formação integral; Multivariadas.
Acreditamos que a percepção em relação ao papel da disciplina na escola corresponde de maneira intrínseca às escolhas teóricas que norteiam organização didática e ação pedagógica do professor. Deste modo, veremos como as respostas que apresentaremos nesta seção terão correspondência com os elementos didáticos apontados pelos professores mais adiante.
As respostas que iremos apresentar têm como característica uma função da Educação Física voltada para uma Formação Crítica relacionando-se principalmente com as abordagens crítico-superadora, crítico-emancipatória e os PCN que se incluem na categoria das Teorias Renovadoras Crítica, vejamos
P3 - Promover a reflexão e o posicionamento crítico dos alunos através da
vivência teórica e prática das diversas manifestações da cultura corporal.
P6 - Gerar igualdade de oportunidades nas relações, na questão de gênero e
na superação de mitos culturais.
P10 - A escola um espaço para tratar do conhecimento produzido pelo
homem e com a Educação Física inserida nesse contexto, o verdadeiro papel é desenvolver no ambiente escolar conhecimento sobre a cultura corporal de movimento. Todas essas correntes têm ampliado os campos de ação e reflexão para a área e aproximado-a das ciências humanas [...]
P21 - conhecer as necessidades do corpo como condutor da cultura e como
agente cultural, trabalhando seus valores na construção da humanidade e de sua importância [...]
P29 - A EF tem o papel de despertar estímulos e meios para o conhecimento
e autoconhecimento sobre o corpo, a mente e as manifestações da cultura corporal. Levando em consideração os vários âmbitos associados, tais como, danças, jogos, lutas, esportes, saúde, lazer entre outros.
P31 - Fazer com que o aluno pratique, conheça, valorize e tenha uma
concepção não apenas motora dos elementos da cultura corporal, e sim uma visão crítica nas dimensões culturais, econômicas, sociais e políticas.
Analisando descrição do colaborador P10 e relacionando ao seu embasamento teórico para planejar, “eu trabalho as duas abordagens de assuntos voltados para educação física”, não sabemos o que ele quis dizer acerca dessas “duas abordagens de assuntos”, porém no tocante ao papel da Educação Física como componente curricular da Educação Física percebemos aproximações com uma abordagem dos PCN, principalmente quando anuncia o termo cultura corporal de movimento como objeto de conhecimento da área.
Noutras descrições caracterizadas por uma função da Educação Física voltada para uma Formação para Cidadania relacionando-se principalmente com as abordagens dos PCN, observemos
P9 - trabalhar de forma integral e introdutória com os alunos uma educação
física voltada a cultura corporal de movimento formando cidadãos criticos capaz de produzir, reproduzir e transformar.
P22 - contribuir significativamente para o processo de construção dos
conhecimentos e formação integral dos alunos. Pautada na autonomia e na emancipação do sujeito ético e moral, atende as novas perspectivas educacionais, que preconizam o acesso e a busca de uma formação mais completa.
P34 - Na minha opinião a Educação Física escolar tem o papel no momento
de formar cidadãos.
Tomando a descrição de P34 e buscando relação com seu pressuposto teórico que foi “saúde e pedagogiscista”, identificamos a incompreensão acerca da função a Educação Física quando buscamos aproximação com seus pressupostos teóricos.
Quando menciona “saúde”, lançamos a hipótese que seja a abordagem da saúde renovada que não se busca nessa perspectiva de formação crítica. No tocante a tendência pedagogicista Ghiraldelli (1991) diz que ela se sustenta, como a Educação Física Higienista, em matizes do pensamento liberal ligada ao trabalho escolar e muito influenciada pelas teorias escolanovistas de Dewey,o que mostra distanciamento de uma formação crítica.
As respostas indicativas da promoção da saúde como função da Educação Física no EMI. Destacamos que esta característica representa em nível de concepção teórica na Educação Física com as Teorias Renovadoras não críticas, mas precisamente a abordagem da Saúde Renovada. Vejamos as descrições dos colaboradores
P17 - É de fundamental importância no desenvolvimento dos adolescentes
que frequentam a escola, [...] passam muito tempo inativos [...] a aulas de educação física proporcionam aos alunos um momento de aprendizado, lazer e busca pela melhoria da qualidade de vida.
P18 - Fomentar no indivíduo a importância constante da saúde, percepção da
necessidade de ter um estilo de vida saudável.
P27 - Muito importante, pois ela tem um papel fundamental na saúde dos
estudantes.
P30 - O papel da educação física no ensino médio é informar e alertar a
comunidade escolar sobre os benefícios da prática regular de exercícios físicos, fazendo com que os estudantes obtenham autonomia ao selecionar seu "tipo" de exercício ideal.
P35 - Tem o papel de conscientizar da importância do cuida da saúde afim de
ser um cidadão ativo e consciente dos seu hábitos
As citações dos professores P18 e P30 apresentam incongruências, quando estabelecemos a relação com as opções teóricas descritas no tópico acerca dessa temática e o entendimento da função da Educação Física como disciplina no EMI, detalharemos a seguir essas incompatibilidades.
O colaborador P18 insere-se nos pressupostos das Teorias Renovadoras
Críticas, citando a abordagem crítico-superadora, entretanto seu apontamento acerca do
papel da Educação Física é traçado pela promoção da saúde, demonstrando incompreensão dos encaminhamentos da base teórica que ele menciona como orientadora de seu planejamento, que detalharemos mais a frente.
A indicação realizada por P27 no que diz respeito a concepção teórica está inserida nas Teorias Renovadoras não críticas, tendo indicado o construtivismo, abordagem que não se constitui num desenvolvimento pedagógico para Educação Física a promoção da saúde.
Seguimos agora para exposição das descrições onde a função da Educação Física na EEEP é compreendida como mecanismo de integração entre as demais disciplinas. Essa perspectiva do papel da Educação Física coaduna com alguns pressupostos das abordagens Construtivista-interacionista e Psicomotricidade.
P1 - Bom mecanismo de interação e integração entre as demais disciplinas se
torna ferramenta para as demais, funciona como um laboratório de comprovação.
P14 - Trabalhar conjuntamente com as áreas de CN, CH e LC, buscando o
desenvolvimento multilateral.
P23 - Fazer com que o aluno interprete o corpo como componente da cultura,
articulando as diversas áreas do conhecimento.
P28 - A Educação Física casa muito bem com várias outras disciplinas. Não
tem como explicar a história da educação Física, assim como as modalidades desportivas sem narrar fatos históricos, falar do corpo humano, sem entrar na área da biologia.
P33 - De suma importância, pois a mesma conseguir auxiliar alguns cursos
com seus conteúdos específicos da Educação Física.
Dando continuidade a análise, tomemos agora os colaboradores P14 e P28, que apresentaram mais de uma abordagem na composição teórica de sua ação pedagógica, tendo P14 descrito “Sistêmica, desenvolvimentista, PCN, saúde renovada” e P28 utilizar os “eu costumo trabalhar com uma junção de abordagens como: crítica- superadora, saúde renovada, pcns”, essa indecisão teórica alude a compreender a Educação Física como instrumentalizadora do conhecimento de outras disciplina como podemos ver na resposta dos mesmos.
Foquemos novamente em P1, ele destaca o componente curricular Educação Física, como relevante para estabelecer a integração com as demais disciplinas, sendo um meio para comprovação das atividades desenvolvidas nas demais áreas do conhecimento escolar. Contudo, compreendemos que as disciplinas, inclusive a
Educação Física não deve ser instrumentalizadora em sua ação didática para encaminhamentos de conteúdos para demais áreas.
Nas descrições de P14 e P28, observamos o indicativo de aproximação com as demais áreas do conhecimento escolar, na primeira fala-se num trabalho colaborativo com as áreas das Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Linguagens e Códigos, onde a Educação Física se insere; e na segunda uma aproximação com as disciplinas da história e a biologia, justificado por alguns conteúdos semelhantes aos da Educação Física,que ambas desenvolvem, embora compreendamos a importância desse trabalho integrativo, destacamos que o papel da Educação Física no currículo integrado nas EEEP não se reduza a estabelecer relações de conteúdos comuns a algumas disciplinas.
Esta perspectiva minimalista da Educação Física como elemento contribuinte de alguns conteúdos é percebido na resposta de P33, contudo aqui estabelece uma relação do componente curricular com os conteúdos da formação técnica de alguns cursos. Lembremos que nossos estudos focaram o Ensino Médio Integrado, assim há inúmeras possibilidades formativas na oferta do Ensino Médio regular integrado a formação profissional, limitar a possibilidade de contribuição da Educação Física a alguns cursos, é restringir a ação pedagógica integrativa da própria proposta curricular que se tem para este tipo de oferta educacional.
Compomos a seguir as respostas que apresentam a função da Educação Física como de caráter generalista, de uma formação geral, em nossa percepção é o papel da própria Educação conforme Zabala (2002, p.51) “o sentido mais profundo e da educação é [..] o desenvolvimento humano em todas as suas potencialidades e capacidades”.
P7 - Desenvolver a formação integral do aluno.
P8 - Por pertencer a área de linguagens e códigos, a disciplina de educação
física não é limitada apenas a prática de jogos, mas também enfoca a linguagem do corpo como um todo
P12 - Importante para o conhecimento do individuo como parte integrante da
educação
Este cenário relaciona-se também em estabelecer sua concepção teórica com o papel da área como constituinte curricular, isto é apresentado na descrição de P8 que fala assim acerca sua opção teórica “Não utilizo uma abordagem ou tendência X, apenas sigo as orientações da CONFEF”, este contexto discutiremos no próxima seção.
A resposta do colaborador P11 que a função da Educação Física é “preparação para o ENEM”, caracterizado numa concepção onde a Educação Física tem função de preparação cognitiva, no caso para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), onde
a Educação Física é uma das áreas do conhecimento que constituem a referida avaliação.
Entretanto, entendemos que reduzir a Educação Física a esta única possibilidade mostra uma incompreensão de sua ação na escola, como dos conhecimentos culturais, dos quais se ocupa, que deveram ser abordados em função de sua especificidade e não com a padronização da organização de outras disciplinas escolares, tratamos de uma dimensão da cultura e que temos uma responsabilidade com o conhecimento produzido em torno dela, algo, portanto, que vai muito além de preparar para o ENEM (GONZÁLEZ; FENSTERSEIFER, 2010).
Por fim, temos a apresentação de respostas que descrevem Multivariadas funções, tendo como característica a indicação de mais de uma função para Educação Física como componente curricular, vejamos:
P2 - Disciplina que possibilita, através da prática e desenvolvimento da
cultura corporal do movimento, o saber cultural em que o discente está inserido e assim ele possa ter uma promoção da saúde adequada há sua vida, como também uma possível longevidade.
P4 - Promover a apropriação da cultura corporal historicamente produzidas e
o alto conhecimento corporal
P5 - Desenvolver nos educandos suas potencialidades de forma holística. Por
meio de práticas esportivas e lúdicas, possibilitar aos educandos a aquisição da aptidão física, prevenindo os mesmos de serem acometidos por doenças hipocinéticas, o respeito às regras e a criticidade diante das práticas corporais.
P16 - Tratar dos conteúdos da cultura corporal do movimento e conteúdos
inerentes a saúde.
P24 - promoção e prevenção de qualidade de vida, e formação cidadão P25 - Na Formação do caráter dos indivíduos. Respeitar e valorizar ajuda do
outro em uma dinâmica prática. A valorização do corpo Mens Sana em Corpore Sano. Conhecer seus limites e acima de tudo a conscientização de um estilo de vida ativo.
P26 - trabalhar as habilidades e competências das linguagens e códigos, além
de trabalhar os alunos em relação a parte física, social, afetiva e cognitiva
P33 - Inserir o aluno na cultura corporal do movimento, com finalidades de
lazer, de expressão de sentimentos, afetos e emoções, patriotismo e cidadania, e manutenção e melhoria da sua saúde.
P36 - A Educação Física possui suas particularidades enquanto disciplina. E
contribui para o desenvolvimento do ser humano íntegro. Enquanto componente curricular, a Educação Física deve auxiliar e em alguns momentos nortear o desenvolvimento cognitivo do aluno.
Iniciamos nossa análise pelo colaborador P25 a opção teórica do professor que discutiremos na próxima seção, é o “militarismo”, lançamos a hipótese do equívoco desta concepção no contexto atual, o que apresenta justificativa dessa nossa dedução quando o mesmo descreve uma funcionalidade para Educação Física que transita numa ação formativa para os aspectos cognitivos quando diz “trabalhar as competências e habilidades da linguagens e códigos” ao mesmo tempo busca uma formação integral ao
indicar “trabalhar os alunos em relação a parte física, social, afetiva e cognitiva. ” As duas proposições se distinguem da concepção da tendência militarista.
Na resposta de P36 observamos a mesma variação que em P25, entre a formação integral e formação cognitiva, contudo percebemos uma aproximação desta última perspectiva com o apontamento teórico que o professor indica que foi o “Construtivismo”.
Como podemos ver os colaboradores P2, P5, P16, P24, e P33 estabelecem uma intencionalidade variável, entre uma Educação Física para uma função Crítica, ou Cidadã, ou promoção da saúde.
Tendo P2, P16 e P31 mencionado o termo “cultura corporal do movimento”22, inferimos que os colaboradores possam ter uma intencionalidade em aproximações com as abordagens Críticas, em particular com os PCN que fazem uso da terminologia (ver nota 11), contudo ao consultarmos suas indicações teóricas vemos que nenhum deles menciona os PCN, apesar dos três se referirem a abordagem crítico-superadora, P2 ainda cita “saúde renovada” e P16 utiliza ainda “desenvolvimentista, construtivista e crítico emancipatório", observamos ainda que o acesso aos componentes da cultura corporal de movimento é um meio para promoção da saúde, isso é mais evidente nas descrições de P2 e P31.
Na resposta de P5 percebemos a mesma lógica de P2, as práticas corporais (esportivas e lúdicas) são meio para se obtenção da aptidão física, este aspecto aproxima da abordagem que o colaborador apontou seguir que foi a “saúde renovada”, embora se distancie da outra definição quanto ao papel da Educação Física que P5 aponta que é de “formação holística”.
O colaborador P24 transita entre a promoção da saúde e a formação para cidadania como função da Educação Física como componente curricular, sua opção teórica que foi “tendência popular” não converge com nenhuma das proposições.
Com base no que foi apresentado fazemos a síntese com a discussão da base teórica que nos apresenta algumas impressões.
A função da Educação Física configurada pelos professores apresentou uma variedade de possibilidades, mas fazendo uma análise focalizando os que delinearam a
22 Destacamos que a terminologia correta seria Cultura corporal de movimento, conceito presente nos
estudos de Bracht (1999) e Betti (1998), as definições desses autores e outras terminologias como Cultura corporal e Cultura do movimento, são discutidas no texto de Melo (2006) intitulado de Educação Física e
Critérios de organização do conhecimento In: Nóbrega, TP (Org.). Epistemologia, saberes e práticas da
somente um papel, há um predomínio que encaminha uma formação crítica, tendo 06 professores que representam esta subcategoria.
Contudo se analisarmos as descrições por recorrência, onde são levados em conta as descrições que indicaram mais de uma função para Educação Física como componente curricular e as que mencionam somente uma, prevalece a perspectiva da promoção da saúde, com 12 descrições que coadunam com essa abordagem.
Entendemos que a função de uma disciplina no processo educativo da escola, está muito relacionada com a função social da própria escola, tendo assim o objetivo desenvolver determinadas características que coadunem com o projeto de cidadão que a sociedade que formar.
Partindo desse entendimento, é claro perceber que a Educação Física teve funções diversas no processo formativo escolar, essa variabilidade de seu papel foi configurado conforme o contexto histórico e social, sendo acionada para disciplinar os corpos, através dos métodos ginásticos, para atender a organização socioeconômico vigente na Europa durante o século XIX; serviu como atividade higienizadora dos corpos.
Nossa compreensão acerca da função da Educação Física enquanto componente curricular esta pautado em Melo (2008, p.51):
[...] a Educação Física, a exemplo dos demais componentes curriculares, tem um conhecimento pedagógico que deve ser transmitido na escola e que tal conhecimento advém das manifestações corporais produzidas pelos diferentes grupos sociais ao longo da sua história, sendo de responsabilidade dos professores de Educação Física acessar os alunos a esse acervo para juntos praticá-lo, conhecê-lo, re-criá-lo e buscarem as leituras necessárias para sua compreensão.
No âmbito da organização didática como ação efetiva do currículo, ampliamos nosso entendimento a partir de Betti et. al. (2014, p.1634):
[...] o desafio crucial para a EF é articular currículos na educação básica que sistematizem intencionalmente, em termos de conteúdos, estratégias e avaliação, a formação de sujeitos emancipados e autônomos, capazes de exercitar a crítica e a autocrítica no âmbito da cultura de movimento.
No currículo integrado, a função da Educação Física não se modifica, contudo deve-se refletir que “[...] cada disciplina se torne um verdadeiro campo de estudos e de pesquisa.” (KUNZ, 2014,p.134) o ensino escolar para uma formação crítica e que considera cada área especifica como uma possibilidade de compreensão e desenvolvimentos da realidade, pretende potencializar no aluno uma competência do agir (KUNZ, 2014).
Entendemos que este conhecimento amplia as possibilidades de articulação com as demais áreas que compõem a prática educativa na escola, que em nosso estudo abrange a contribuição das disciplinas da formação geral (Artes, Língua Portuguesa, História, Geografia, Biologia, Química, Matemática, Física etc.), como também as da formação profissional, que permitirá ao educando conhecer, interpretar, explicar e ressignificar a realidade social em sua totalidade, a medida que se apropria dos conhecimentos científicos, articula-se para encaminhar o surgimento de novos conhecimentos.
Na próxima seção, iremos discutir como os professores colaboradores pensam em nível de organização didático-metodológica numa perspectiva de integração curricular.
3.2. Organização Didática da Educação Física na Rede Estadual de Educação