Observando as narrativas e experiências, percebi que alunos e professores têm trilhado caminhos semelhantes em suas produções, porém de forma independente.
Os alunos demonstram o domínio da técnica, da utilização das ferramentas:
(...) e aprendi a fazer muita coisa sozinho e só fuçando (...) (G.G.)
Os professores, embora muitas vezes não apresentem o domínio da técnica, são especialistas em pesquisa e possuem a enorme capacidade de mediar/potencializar a aprendizagem. De acordo com Moran, Masetto e Behrens (2000, p.30), “o professor é um pesquisador em serviço. Aprende com a prática e a pesquisa e ensina a partir do que aprende. Realiza-se aprendendo-pesquisando-ensinando-aprendendo. O seu papel é fundamentalmente o de um orientador/mediador”.
O professor motiva, incentiva, dá os primeiros passos para sensibilizar o aluno para o valor do que vai ser feito, para a importância da participação do aluno nesse processo. Aluno motivado e com participação ativa avança mais, facilita todo o trabalho do professor. O papel do professor agora é o de gerenciador do processo de aprendizagem, é o coordenador de todo o andamento, do ritmo adequado, o gestor das diferenças e das convergências (MORAN, MASETTO, BEHRENS, 2000, p.47).
Deste ponto de vista, se completam, fazendo-se necessária a interação e o diálogo entre docentes e discentes.
Com essa visão, de acordo com Freire (2003), cabe aos docentes empreenderem projetos que contemplem uma relação dialógica, na qual, ao ensinar, aprendem; e os alunos ao aprender, possam ensinar.
Ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 1993, p.9).
Construir um ensino que educa para a vida, que conforme afirma Pinheiro (2013), implica conceber o estudante nos seus intercâmbios no mundo, com o mundo e pelo mundo. Implica ao professor valorizar e assumir o diálogo como expressão da sua presença acolhedora que concebe
os alunos como agentes da construção do seu próprio conhecimento, para qual o diálogo é a base da ação docente.
Segundo a autora, faz-se necessário assumir o desenvolvimento da cultura do diálogo entre professores e estudantes como um dos caminhos de superação de antigas práticas de ensinar e aprender, pautadas na lógica de distanciamento desses sujeitos, pela qual o professor nunca aprende e o aluno nunca ensina. Isso significa que o professor se assume produto e produtor das interações com os alunos, construindo seu ensino como forma de reflexão-na-ação a partir da qual seja possível individualizar, prestar atenção em cada aluno, nas suas conquistas e obstáculos.
Neste contexto, considerando a vasta aplicação da palavra interação na cibercultura, aqui será entendida, de acordo com Primo (2011), como a “ação entre” os participantes da ação (inter + ação).
De acordo com Silva (2000, p.65), a perspectiva da interatividade valoriza e possibilita o diálogo e a cooperação em oposição à transmissão (de uma relação vertical). Basicamente, seus fundamentos:
a) participação – intervenção: participar não é apenas responder “sim” ou “não” ou escolher uma opção dada, significa modificar a mensagem;
b) bidirecionalidade – hibridação: a comunicação é produção conjunta da emissão e da recepção, é co-criação, os dois pólos codificam e decodificam;
c) permutabilidade – potencialidade: a comunicação supõe múltiplas redes articulatórias de conexões e liberdade de trocas, associações e significações.
O autor reúne em binômios que seriam “aspectos distintos que se combinam, que dialogam e que não são independentes”.
Retomo a fala de L.S., porém com outro olhar:
(...) falta muita coisa para ser inserida e eu gostaria de participar dessa inserção. (...) alunos primeiro deveriam ser consultados sobre como a tecnologia pode ser inserida no ambiente escolar (...) a escola estaria dando essa oportunidade para os alunos, e seria algo muito proveitoso tanto para a escola como para o desempenho do aluno individual.
O desafio essencial seria reaproximar as partes na produção do conhecimento. Ensinar com as novas mídias será uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário,
novo meio de comunicação que pode nos ajudar a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de aprender (MORAN, 2000, p.63).
Para Di Felice (2008), sob outra perspectiva, faz-se necessário pensar que a alteração do modelo de comunicação e a constituição de redes interativas contribuem também para outras formas de interação. Neste aspecto, Primo (2011) traz o conceito da interação mediada por computador, que não se reduz ao modelo um – todos, e facilita os encontros um-um e todos-todos. O posicionamento adotado é que tanto um clique em um ícone na interface quanto uma conversação nos comentários de um blog são interações.
Segundo Primo (2011), estamos imersos no que muitos chamam de “Cultura da Interatividade”. Sobre este cenário, afirma Galimberti (2007, p.131):
A comunicação interpessoal não acontece exclusivamente face a face. Em contextos de trabalho, como na vida privada, existem cada vez mais situações de comunicação utilizando novos artefatos tecnológicos.
O autor propõe significativos argumentos sobre a técnica como mundo, como ambiente, como essência do homem, a sua gênese instrumental, até tornar-se o seu fim, não porque a técnica se proponha alguma coisa, mas porque todos os objetivos e fins que os homens se propõem não se deixam alcançar senão através da mediação técnica.
Yanaze (2009) reforça a importância desta discussão, quando afirma que para as novas gerações, o digital não é um fim, mas é o próprio contexto, o próprio texto, é o próprio meio. É o próprio meio de/para/porquê/como aprender, trabalhar, se relacionar, se divertir, se estressar... Tudo parece convergir na tecnologia digital.
4.3.1 Intencionalidade
Conforme descrito no capítulo 2, ação do professor está baseada em uma epistemologia, num conjunto de saberes. As narrativas apontam, entretanto, que no cotidiano, apesar da fundamentação teórica, a prática pode não ser intencional.
“Nós não esperávamos tamanha repercussão, pois para nós era algo muito simples”. (G.J.)
“Não sei se vale a pena citar, mas eu promovo um uma ação com uso de tecnologia que não tem relação direta com a sala de aula, que é o meu vlog,
onde posto vídeo-aulas sobre temas diversos onde os alunos podem pesquisar,
contudo, isso é uma produção independente e, portanto, mais anárquica”. (F.D.) “Ao propor a atividade a minha intenção de fato era trabalhar e analisar com os alunos as novas mudanças tecnológicas e como estas afetam nosso cotidiano, sem
nenhuma pretensão de que os alunos pudessem um trabalho que depois sairia
dos muros da escola”. (S.G.)
De acordo com Porto (2001 apud PENTEADO, 2001), os meios estão na escola, não apenas na forma de recursos auxiliares, mas na cultura dos alunos.
É preciso que a relação da escola com esses meios encaminhe-se para uma abordagem pedagógica que tenha por meta legitimar uma ideologia democrática de educação, tornando significativo e, por esta razão, dinâmico e interessante o ensino/aprendizagem pelo entrecruzamento intencional de duas instâncias sociais do saber – meios de comunicação e escola (PORTO, 2001 apud PENTEADO, 2001, p.29).
Deste modo, segundo a autora, será possível:
- preconizar o espaço escolar como um local de produção do conhecimento e, portanto, de cultura;
- considerar a realidade dos alunos, profundamente marcada pela experiência comunicacional com as mídias;
- recorrer à utilização de imagem e do processo dialógico para conscientização do aluno no processo de leitura da realidade;
- considerar a importância do lazer e do prazer existentes nesta aprendizagem; - possibilitar a expressão do aluno através das linguagens comunicacionais.
De acordo com Paulo Freire (1969), a consciência intencional provoca uma aproximação reflexiva à realidade. De forma que emerge a necessidade do planejamento.
4.3.2 Planejamento
(...) tem muita coisa ainda pra aprender, só que a gente precisa de recurso e precisa também de um bom planejamento (...) (G.M.)
A ideia de planejamento é amplamente discutida em nosso cotidiano. Planejamos como será nosso dia, nosso trabalho, nossa casa, nossas férias.
Nesta pesquisa, quando penso e analiso as narrativas relacionadas a intencionalidade e percebo que a maioria dos resultados foram inesperados, entendo que apesar de uma única citação, emerge a necessidade de discutir a importância e a necessidade do planejamento.
Segundo Luckesi (1992, p.121), o planejamento é um conjunto de ações coordenadas visando atingir os resultados previstos.
Deste modo, revela intenções e intencionalidade e direciona o trabalho ao que se pretende realizar para que aconteça de forma consciente. Sua importância está relacionada a um processo de reflexão-ação que tem a função de demonstrar o sucesso ou eventual fracasso das ações.
Portanto, de acordo com Goulart (2006), se não houver objetivos pedagógicos claros e bem colocados e um ambiente que suscite o desafio e a curiosidade, a motivação desaparecerá e os inúmeros resultados passíveis de operar mudanças não serão alcançados. Não basta ter um laboratório com máquinas de última geração sem ter um acompanhamento de perto do que está sendo desenvolvido, por quem está sendo desenvolvido, e como estão sendo desenvolvidas as atividades.
Para Vasconcellos (2000), deve ser compreendido como um instrumento capaz de intervir em uma situação real para transformá-la.
4.4 Contigência
Na análise das narrativas, alunos e docentes demonstram suas expectativas e esperanças quanto ao uso das TDICs na escola nos processos de ensino e aprendizagem, emergindo o tema Contigência.
Tal esperança, evocada por Freire (2003), é a de que é perfeitamente admissível para o homem supor que a realidade futura pode ser feita diferentemente da passada. Não há esperança numa atitude que reivindique para o futuro o mesmo passado. A luta pelo diferente é a própria esperança, o trabalho continuo da transformação.
(...) só que hoje em dia, tecnologia e escola não se batem muito bem, e acho que futuramente vai se encaixar. (V.A.)
Eu acho que daqui para frente a tecnologia somada a educação vão ser algo mais comuns, mais ligados (...). (G.J.)
Acho que da maneira que nós estamos indo, com o tempo, daqui, não sei, talvez cinco, dez anos, a escola seja muito próxima da tecnologia, muito mais próxima do que é hoje (...). (L.S.)
A utopia, para Freire (2003), se caracteriza como um modo de estar sendo-no-mundo, que exige um conhecimento da realidade, pois conhecer é possibilidade de “pro-jetar”, lançar-se adiante, buscar. O homem busca porque não está completamente “acabado”, por ser “inconcluso”, por “esperar”. A esperança é o eixo que faz do homem um ser capaz de caminhar para a frente na realização da sua história.
4.4.1 Caminhos
As experiências realizadas por alunos e professores demonstram algumas, entre infinitas aplicações, possíveis com utilização de tecnologia capazes de enriquecer as práticas pedagógicas.
Moran (2014, p.148) afirma que “em poucas décadas, os modelos atuais de ensinar e aprender comporão um capítulo específico da história da educação e, mais adiante, da pré-história dela”.
A educação tem de surpreender, cativar, conquistar os estudantes a todo momento. A educação precisa encantar, entusiasmar, seduzir, apontar possibilidades e realizar novos conhecimentos e práticas. O conhecimento se constrói com base em constantes desafios, atividades significativas que excitem a curiosidade, a imaginação e a criatividade (MORAN, 2014, p.167).
As narrativas indicam que ampliar tempos, espaços e oportunidades educativas quanto as formas de utilização é um grande desafio, no entanto, apontam alguns caminhos, ideias que inspiram:
(...) pesquisas on line, tablets em vez de apostilas, anotações em tablets e celular. (L.S.)
Então, eu acho que a escola podia usar mais a tecnologia em, por exemplo, eu acho que assim, não deve substituir o caderno porque se não o aluno não vai aprender escrever a mão, mas é... nem que seja um tablet para fazer anotação,
pesquisa rápida e lousa digital também é legal. (G.G.)
(...) ele (professor) poderia tá passando uma matéria e eu estar pesquisando na Internet. Temos a ideia que nosso grupo de estudo estava propondo a fazer que é de colocar realidade aumentada em livros da escola e assim ia facilitar muito a aula. (V.A.)
(...) porque a gente não começa a usar mais computadores para fazer edições
ou mais alguma coisa que a Internet nos dá, ele não é só apenas aquele
Facebook ou YouTube que existe, a Internet é muito maior do que a gente imagina. (G.M.)
Trata-se de tendências tecnológicas que podem potencializar ou alterar práticas pedagógicas e ser adotadas em curto, médio ou longo prazo, de maneira a permitir novas formas de construção do conhecimento.
Numa sociedade em mudança acelerada, além da competência intelectual, do saber específico, é importante que haja muitas mudanças para sinalizar com possibilidades concretas de compreensão do mundo, de aprendizagem experimentada de novos caminhos, com testemunhos vivos – embora imperfeitos – das imensas possibilidades de crescimento em todos os campos.
O que faz a diferença no avanço dos países é a qualificação das pessoas, para encontrarmos na educação novos caminhos de integração do humano e do tecnológico, do racional, sensorial, emocional e do ético, do presencial e do virtual; da escola, do trabalho e da vida em todas as suas dimensões.
Deste modo, organizei um site (www.fabricadeautoria.com) com as produções realizadas nesta pesquisa pelos alunos e professores da Educação Básica, com o uso de tecnologia digital, para realizamos uma reflexão sobre estas produções no contexto educacional e compartilhar estas experiências (e outras, futuramente) com o uso de TDIC nos processos de aprendizagem.
Segundo Moran (2013), mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele saímos enriquecidos.
Entendo, portanto, apesar de reconhecer as limitações, a importância desta pesquisa. Segundo Madalena Freire (1996, p. 22), “não existe ação reflexiva que não leve sempre a constatações, descobertas, reparos, aprofundamento. E, portanto, que não nos leva a transformar algo em nós, nos outros, na realidade”.
(...) repensar, refletir, registrar,
contra essa história irreal, contra a mornidão, contra o sono.
É agir pelo meu sonho
que é pensar e transformar a Realidade.
CONSIDERAÇÕES
O ponto de partida desta pesquisa foi a reflexão a respeito dos processos históricos da educação e, paralelamente, da tecnologia. Esta escolha permitiu olhar o passado com olhos do presente, compreender relações estabelecidas, os interesses de quem executa ou de quem pensa determinadas funções na sociedade, (re)conhecer a preservação da cultura, crenças, valores e experiências e as perspectivas para o futuro. Permitiu constatar que, infelizmente, por muito tempo a educação foi utilizada como instrumento para reforçar as desigualdades. Segundo Blinkstein (2012, p.4), “o jeito como a gente ensina é a imagem do que a gente é como sociedade”.
Orgulha-me e inspira saber que o tempo aliado aos ideais e ações de algumas pessoas, levaram a evolução de conceitos e a transformações significativas. O processo de globalização, caracterizado por profundas alterações nos processos econômicos, políticos, sociais, tecnológicos, na produção e distribuição de informações, criou novos espaços e caracterizou a chamada Sociedade da Informação / Conhecimento. Compreendeu-se, que:
Educação é não colecionar informações na cabeça. (...) é saber processar criticamente as informações. (...) é preparar para a liberdade. As pessoas são livres porque podem escolher. E só podem escolher quando conhecem alternativas. (...) sem alternativas não há liberdade. (...) é saber acreditar, desconfiar, investigar a realidade (DIMENSTEIN apud PENTEADO, 2001, p.32).
Sem dúvida, este cenário impõe novas perspectivas para a escola, adequadas a seu tempo. Deste modo, em continuidade a pesquisa, apoiada pela perspectiva de Vygotsky, busquei as representações dos docentes e educandos sobre a escola que temos e queremos e percebi que ainda temos muitas práticas tradicionais enraizadas. Neste contexto, realizo uma discussão sobre educação e tecnologia. Para Azevedo (2012, p.86), “há mudanças no modo de produzir e construir o conhecimento a partir da introdução das tecnologias no cenário educativo, há novas formas de acesso à informação, assim como há novas formas de relacionamento com o mundo”.
Sobre isso, nas narrativas, o grupo participante (professores e alunos) enfatizou sua relação de dependência na utilização das TDICs em suas práticas cotidianas e o reconhecimento a necessidade da inserção nas práticas de ensino e aprendizagem. Destaco o papel do docente enquanto mediador e a aprendizagem colaborativa.
Nessa perspectiva, Nóvoa (1995 apud PINHEIRO, 2013, p.87) ressalta a importância de considerar o caminho profissional e as histórias de vida dos professores. Ressalto os princípios de
diferenciação pedagógica elencadas por Pinheiro (2013), construída num processo identitário de adesão, ação e autoconsciência para o desenvolvimento de práticas bem-sucedidas.
Então, como desejo de refletir sobre as práticas realizadas no cotidiano, sob a luz da perspectiva narrativa compartilhei experiências com docentes e alunos sobre as atividades que desenvolvem com TDIC (games, produções de histórias, artísticas, de pesquisa científica, de possibilidades).
Do meu ponto de vista, uma oportunidade ímpar, de conhecer pessoas, histórias e experiências que rompem com o paradigma tradicional e tem como eixo a própria atividade que proporcionou o acesso a novos conceitos e a toda uma produção intelectual renovadora no que se refere à reflexão sobre tecnologia na escola. Percebi que as interfaces apresentadas nas experiências favoreceram a integração, o sentimento de pertença, trocas, discussões, elaboração, colaboração, simulação e descoberta. Por isso, entendo como necessário estimular a discussão e a implementação e/ ou fortalecimento de iniciativas como estas. Uma questão não contemplada, a ser investigada é o quanto estas produções contribuem com a aprendizagem.
Por fim, a análise dos dados e das narrativas foi realizada a partir da abordagem hermenêutico-fenomenológica que contribuiu para imersão na interpretação do fenômeno, das quais emergiram os temas relacionados aos seus desdobramentos.
Procurando ir mais fundo, sem perder de vista a relação com o todo, com o estudo desenvolvido, para encontrar os temas foram necessárias leituras sucessivas, buscando desvelar as mensagens implícitas, as dimensões contraditórias e os temas silenciados. Nesta busca, revelaram- se a inserção de equipamentos na escola e a apropriação de nível básico pelos envolvidos, explicitando a necessidade de formação de professores e alunos para o uso responsável, eficiente, consciente e crítico. Reforçou a necessidade de interação, diálogo e parceria entre os protagonistas do processo de ensino e aprendizagem e as perspectivas que os mesmos apresentam sobre a educação nos próximos anos. E a partir deles, rever minhas ideias iniciais, repensá-las e reavaliá- las.
Percebi como necessária a redefinição das propostas de ensino, o investimento em recursos, a formação profissional, a importância da mediação, dos processos criativos, coletivos e da renovação das práticas. De acordo com Blinkstein (2012), tentar convencer a sociedade de que tornar as escolas mais inovadoras é uma decisão política pela qual vale a pena lutar.
Neste ponto, destaco a importância de minha atuação enquanto coordenadora pedagógica na articulação de pessoas, nos projetos, na formação continuada na própria escola, no incentivo à práticas inovadoras e metodologias diferenciadas preconizando o espaço escolar como local produtor de conhecimento e, portanto, de cultura.
Entretanto, gostaria de ressaltar que a proposta deste trabalho não é ignorar as muitas realidades. No complexo cenário da Educação, sei que são infinitas as dificuldades. A disponibilidade de equipamentos e a forma de utilização são diferentes entre as escolas – resultados diferentes. Pensar na viabilidade desta proposta, é considerar os modos de aprendizagem, os conteúdos e o grupo envolvido.
Diante do cenário da mundialização, Gutierrez (apud PENTEADO, 2001, p.30-31) ressalta a importância de educar para a incerteza, significação, expressão, convivência e para se apropriar da história e da cultura. “O ato educativo é aqui entendido como construção de conhecimentos, intercâmbio de experiências, criação de novas formas”.
Sobre a trajetória desta pesquisa, não foi um caminho fácil de trilhar, é importante que se diga: conhecer meus limites, administrar o tempo, o imprevisível, o inimaginável, entre outras, foram barreiras que precisaram ser superadas. Com certeza uma experiência desafiadora, mas sobretudo uma grande oportunidade de aprendizado. Estar aqui mostra que superamos.
REFERÊNCIAS
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ARAGÃO, Rosália M. R. de. Compreendendo a investigação narrativa de ações escolares de ensino aprendizagem no âmbito da formação de professores . São Paulo, 2008.
AZEVEDO, Adriana; JOSGRILBERG, Fábio; LIMA, Francisco. Educação e tecnologia na Universidade: concepções e práticas. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2012.
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BARBIERI,S.Tempo de Experiência. Disponivel em: <http://efp- ava.cursos.educacao.sp.gov.br/Resource/153504,35A/Assets/Bienal/Encontro03/pdf/tempo_de_e xperiencia.pdf>. Acesso em: 06/09/2015.
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BARRETO, A. de A. Questão da informação. Rev. São Paulo em Perspectiva, v. 8, n. 4. Fundação Seade, 1994.
BELLONI, Maria Luiza. O que é Mídia Educação? 2ª ed. Campinas, SP: Autores Associados,