• Aucun résultat trouvé

LES P ROPOSITIONS

A Sandra tinha doze anos, vivia com a mãe, o pai e as duas irmãs a quinze minutos de carro, da escola. Os pais desta aluna eram licenciados e estavam a trabalhar por conta de outrem. Esta estudava cerca de 1 hora por dia, normalmente, no quarto ou na cozinha e, no futuro, gostava de frequentar o Ensino Superior sem, no entanto, saber a profissão que iria seguir. Na tabela 6, resumimos algumas informações, recolhidas junto da DT que nos permitiram caracterizar a Sandra e que complementámos com informações obtidas junto da aluna, quando realizámos a primeira entrevista (cf. Anexo 82).

1 As duas irmãs estavam a frequentar cursos no Porto, uma de Designer de moda e a outra um

curso relacionado com Físico Química. Uma delas estava a realizar um estágio não remunerado.

Tabela 6 – Caracterização pessoal e social da Sandra.

Idade da aluna 12 anos

Composição do agregado familiar 5 (aluna, mãe, pai e duas irmãs1)

Habilitações literárias dos pais Licenciados (pai era professor de Geografia

e a mãe era professora de Arte)

Pessoas do agregado familiar com

emprego Mãe e pai (por conta de outrem)

Deslocação para a escola De carro (demora cerca de 15 minutos),

normalmente com o pai

Tempo de estudo 1 hora

Local de estudo Quarto e cozinha

111

A Sandra era uma menina magra, de estatura um pouco mais baixa comparando com as restantes colegas da mesma idade, usava óculos e tinha franja, cabelos curtos e escuros. Trazia sempre para a escola, para além da mochila com os livros e o restante material de escrita, uma mala a tiracolo. Era uma aluna pouco faladora, encontrava-se sentada na primeira fila, do lado direito, no último lugar e por isso apenas tinha uma colega de mesa, a Maria. Durante as aulas, participava, algumas vezes, colocando o dedo no ar e outras quando era solicitada pela professora a responder a questões por si colocadas. As respostas dadas por esta aluna, muitas das vezes, confundiam os restantes alunos porque, ao tentar explicar o seu raciocínio, normalmente, confundia-se nas várias etapas, acabando frequentemente por dizer que já não sabia explicar. Quando isto acontecia pedíamos a outro aluno para responder, mas formulávamos novamente uma questão à aluna com o intuito de perceber se esta tinha compreendido a resposta/explicação do colega. Muitas das vezes desistia facilmente de responder às perguntas que lhe eram colocadas. A aluna, durante as aulas, tinha intervenções desapropriadas e por vezes, começava a brincar com pequenos objetos, como a afia e a borracha, distraindo-se muito facilmente. É importante salientar que, de acordo com a professora cooperante, a Sandra era a participante com mais dificuldades em Matemática e Ciências Naturais.

Durante a entrevista, a Sandra dizia que gostava de ir para a escola, porque tinha amigos que só os via lá e que não sabia onde eles moravam. Quando questionámos se haveria mais alguma razão por gostar da escola, a aluna referiu que também era por gostar de algumas disciplinas como Ciências Naturais, mas que as suas preferidas eram Inglês e História. As justificações apontadas, pela aluna, para gostar destas disciplinas eram o facto dos professores explicarem bem e por, segunda esta, terem “mais paciência”. Quando tinha tempo livre, a aluna em questão, gostava de passear a sua cadela, ajudar os pais a fazer as refeições e a regar as plantas, bem como jogar damas com a sua mãe, quando esta tinha tempo. Nesta altura, a Sandra não pertencia a nenhum clube na escola, mas estava a pensar frequentar o clube de jardinagem, por gostar de plantas, saber como as podia ajudar a crescer e aplicar “algumas táticas que a mãe” usava quando estava com ela a fazer jardinagem em casa. Esta ainda referiu, na entrevista, que fazia muita jardinagem com a mãe e que, de vez em quando, plantavam árvores no quintal.

Durante a realização dos trabalhos de casa, normalmente, não tinha ajuda de ninguém. Porém, quando surgiam dúvidas, pedia auxílio à irmã mais velha, porque, segundo a aluna, era a que entendia mais sobre Matemática e Ciências Naturais.

112

Questionámo-la sobre o facto de os pais costumarem ajudá-la na concretização dos trabalhos de casa e esta respondeu que, geralmente, eles estavam “ocupados com uma reunião ou alguma coisa”. Também lhe perguntámos o que fazia quando tinha dúvidas e a irmã mais velha não estava em casa ao que ela respondeu que perguntava aos seus “amigos, umas dicas”. A aluna perguntava aos amigos, nos intervalos das aulas, quando não percebia a matéria e não conseguia responder às perguntas do trabalho de casa “o quê que era suposto” colocar daquela(s) pergunta(s). Depois dos colegas lhe darem “algumas respostas” a aluna pensava e colocava a que achava que era “a mais apropriada”.

A sua disciplina preferida era História, porque a professora explicava de uma forma que ela percebia e também brincava com a própria história. Todavia, questionámos se seriam apenas as razões mencionadas anteriormente ao que ela acrescentou que também era pelo facto de gostar de aprender e saber tudo sobre os acontecimentos ocorridos no passado. Durante a entrevista, a aluna deu o exemplo de uma aldeia de Torredeita que tinha surgido na Idade da Pedra onde existiam dólmens.

Relativamente à Matemática, a Sandra considerava que esta era “muito complicada”, porque era necessário “fazer muitos cálculos, pensar muito” e que algumas vezes não percebia o que era pedido nem como se resolvia o exercício, acabando por se confundir muito, segundo a aluna. O conteúdo que esta gostava mais em Matemática era as rotações, a rotação no sentido positivo ou rotação de sentido contrário aos ponteiros do relógio e a rotação no sentido negativo, também designado por rotação no sentido dos ponteiros do relógio. Já o cálculo mental era o que a aluna não gostava nesta disciplina, porque demorava “um bocado a processar”, ou seja, esta aluna não tinha desenvolvido a capacidade de cálculo mental, por isso demorava mais que os colegas a realizar as operações mentalmente.

A Sandra gostava de Ciências Naturais, porque nesta disciplina aprendia-se muito sobre algumas temáticas que lhe interessavam, como “os animais, a cultura dos humanos” e principalmente as plantas que lhe chamavam muito à atenção. Nesta disciplina, não gostava dos sistemas digestivos das aves, principalmente o do pombo, dos ruminantes e dos omnívoros. A justificação apontada pela aluna era por ter “muitos nomes” e ser “muito complicado” de explicar todo o processo que ocorre desde a apanha dos grãos com o bico até ao orifício cloacal.

Esta aluna tinha computador com acesso à internet mas, por vezes, não funcionava corretamente por ter sinal muito baixo. Utilizava o computador, de vez em quando, aos domingos, durante cerca de 2 horas, “por causa dos olhos”. Esta aluna

113

gostava de ir ao quadro e ao quadro interativo para aprender “mais” sobre um determinado conteúdo, porque se tivesse dúvidas ou falhasse, a professora ensinava-lhe “diretamente” e assim compreendia “melhor”. No que toca às fichas de trabalho, a aluna, não gostava de as realizar, porque algumas eram “complicadas” e, por vezes, não percebia o que lhe era pedido nas perguntas.

A Sandra conhecia o Tangram, o Cuisenaire e o Geoplano. Relativamente ao primeiro, ela disse que o tinha manuseado quando “era pequena” e que servia para “fazer figuras geométricas parecerem o que nós quisermos”, dando o exemplo de um gato. O Cuisenaire servia “para fazer umas torrinhas, umas torres, umas coisas assim estranhas”, ou seja, a aluna, apenas se lembrava de ter construído “umas torres” e não do conteúdo trabalhado. A aluna sabia que este recurso era constituído por várias barrinhas coloridas e que cada cor correspondia a um determinado tamanho, para não “confundir” as diferentes barras. Conhecia o Geoplano desde do 4.º ano e servia para fazer “figuras geométricas” utilizando elásticos.

Para além destes recursos, a Sandra, na entrevista, identificou o jogo do 24, referindo que este consistia numa “cartinha e depois havia números e tínhamos de tentar fazer… 24”, ou seja, os alunos, com os números dispostos à volta da carta e recorrendo, mentalmente, às quatro operações tinham de perfazer o total de 24. Relativamente ao

Scratch e ao Superlogo, a aluna nunca tinha ouvido falar e observado os mesmos e, por

isso, também não sabia para que serviam, justificando o seu desconhecimento por não se interessar por “coisas como… isso” e por se esquecer “muito facilmente dos nomes complicados”.

Esta aluna referiu, durante a entrevista, que gostava de utilizar, na sala de aula, os recursos didáticos, porque, no caso do Tangram, podia usar a “imaginação para fazer o que” quisesse “com as peças”, demonstrando ter dificuldade em explicar a razão por este gosto. Por nossa insistência, esta aluna ainda mencionou que os recursos didáticos, por vezes, eram “engraçados” e “divertidos”. Relativamente à importância destes recursos, a aluna achava que haviam uns mais importantes que outros, por exemplo, os recursos mencionados anteriormente eram menos relevantes e necessários do que o compasso e a régua, porém considerava que ao utilizá-los, de um modo geral, aprendia mais facilmente os conteúdos. Com esta intervenção constatámos que, a aluna, achava que o compasso era mais importante do que os outros recursos, por ser, talvez, o recurso mais utilizado e, no seu ver, o “mais necessário” nas aulas.

Quando era necessário explorar e utilizar os recursos didáticos, a Sandra preferia que fosse individualmente, porque os grupos eram “barrulhentos” e tinham “de fazer

114

tudo a mesma coisa… como sempre”, mas gostava de partilhar as suas ideias com os restantes colegas, mesmos ficando “sempre as ideias dos outros”.

Na entrevista, a aluna foi questionando-nos sobre o funcionamento do Scratch, revelando interesse em conhecer mais detalhadamente este software. Entre este e o

Tangram, a Sandra considerava que o Tangram era mais importante, porque ajudava a

“ensinar os objetos”, a ver os “eixos” de simetria de uma determinada figura geométrica plana e também pelo facto de ser possível manuseá-lo. No entanto, a aluna em conversa, chegou à conclusão que referiu que o Tangram era mais importante do que o

Scratch, por ser de entre estes, o recurso didático que melhor conhecia.

Segundo a Sandra, estes recursos didáticos “quase nunca” eram utilizados na sala de aula, mas quando sabia que os ia usar ficava “mais contente”, uma vez que a aula iria “ser mais divertida” e que iriam ajudá-la a compreender melhor o conteúdo em questão.

A aluna tinha AE a Matemática, Ciências Naturais, Português e Inglês, estava proposta para o ano letivo 2017/2018 a participação em Aulas de Recuperação (AR) a Português, Inglês e Matemática, bem como em Salas de Estudo (SE), segundo informações reveladas pela DT.

Em suma, a aluna, durante as aulas, participava algumas vezes, porém as respostas dadas, grande parte das vezes, confundia os seus colegas ou eram desapropriadas ao momento, desistia facilmente de responder às perguntas que lhe eram colocadas e distraía-se frequentemente com o seu material escolar. Para além disso, gostava de ir para a escola, por ter lá os seus amigos e por gostar das disciplinas de Inglês e de História. Quando a Sandra tinha tempo livre passeava a sua cadela, ajudava os pais, jogava damas com a mãe, realizava e adorava jardinagem, por isso estava a pensar frequentar o clube de jardinagem da escola. Para realizar os trabalhos de casa, normalmente, a aluna não tinha ajuda de ninguém, apenas tinha auxílio da sua irmã mais velha quando tinha dúvidas e esta se encontrava em casa. A Sandra considerava que a Matemática era uma disciplina muito complicada, contrariamente a Ciências Naturais que se interessava por algumas temáticas, como a dos animais e a das plantas.

A aluna gostava de ir ao quadro e ao quadro interativo, o mesmo já não se verificava com a realização de fichas de trabalho. Conhecia, de anos anteriores, o

Geoplano, o Cuisenaire, o Tangram e o jogo do 24. Entre o Tangram e o Scratch, a

Sandra considerava que o Tangram era mais importante, por conseguir manusear as suas peças e por ser, deles os dois, o único recurso didático que conhecia.

115

Documents relatifs