Ainda no sétimo livro, ocorre o terceiro sonho. Os soldados de César invadem os acampamentos do inimigo e são assolados por um pesadelo. Mas, por estarem saqueando esse local e por combaterem nessa batalha, Lucano os coloca como indignos de descansarem naqueles leitos:
Capit inpia plebes
caespite patricio somnos, stratumque cubile regibus infandus miles premit, inque parentum
inque toris fratrum posuerunt membra nocentes. (7.760-763) O ímpio povo cai
em sono na tenda preparada para um patrícioe na cama para os reis o cruel soldado se deita e, tanto no leito dos pais quanto no dos irmãos, os assassinos repousaram os membros.
Nesse momento, o poeta qualifica o povo de ímpio (inpia plebes) e um soldado de cruel (infandus miles), mostrando a visão dele acerca dos apoiadores e dos soldados de César. E também estabelece uma diferenciação entre os partidários dos líderes através das classes sociais presentes em Roma, os apoiadores de César pertencem à plebe e os de Pompeu à classe dos patrícios. Além disso, os soldados de César são considerados nocentes (nocivos, assassinos, culpados) por tanta destruição. E tais adjetivos ainda reforçam a crueldade da batalha, concebida como luta fratricida.
126 Il sogno ha così (com’era nella tradizione dell’epica) una funzione ‘ritardante’ rispetto ala narrazione
dell’evento principale di questo libro, la battaglia di Farsàlo:non per caso la fantasticheria onirica di Pompeo, si protrae mentre il sole si sforza di rimandare il momento del proprio levarsi. Ma questo ‘ritardo’non serve, come spesso avviene nell’epica, ad allentare la tensione narrativa; anzi, tutte e tre le diverse spiegazioni del sogno fornite dal narratore, come pure il suo successivo commento in forma di apostrofe, introducono importanti elementi di tensione drammatica, i quali creano nell’animo del lettore uno stato di attesa angosciosa che lo predispone al racconto del massacro di Farsàlo.
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Em seguida, ao dormirem, os soldados revivem os combates durante o pesadelo, não obtendo descanso nem nesse momento:
Quos agitat vaesana quies, somnique furentes
Thessalicam miseris versant in pectore pugnam. (7.764-765) O inquieto sono os agita e os sonhos delirantes
revolvem no peito dos desgraçados a luta tessálica
O pesadelo se revela como uma punição para os soldados, que guerreiam contra seus parentes e sobrecarregam a guerra com essa imagem terrível. E mais uma vez os soldados de César são qualificados negativamente, nesse caso como miseris. A aparição de um fantasma assassino polui mais ainda o ambiente do sonho, representado por uma imagem aterrorizante (terroris imago). Além disso, há uma sequência de termos que evocam as manifestações oníricas:
Umbra perempti
civis adest; sua quemque premit terroris imago: ille senum voltus, iuvenum videt ille figuras, hunc agitant totis fraterna cadavera somnis,
pectore in hoc pater est, omnes in Caesare manes. (7.772-776) O fantasma
de um cidadão assassino está presente, a sua imagem de terror oprime cada um: um vê o rosto dos velhos, outro a aparência dos jovens,
a este os cadáveres fraternos perturbam a todos em sonhos
no peito daquele está os manes do pai, todos os manes estão em César.
Como se verifica, encontram-se em totis somnis muitas referências a representações de visibilidade dos seres – umbra, imago, voltus, figuras, manes –, caracterizando a natureza onírica dos versos apresentados. Tal representação ilumina o caráter nefasto do sonho em que os soldados veem as diversas formas de aparição de um morto, inclusive na forma física habitual (cadavera). E, além da agitação noturna vivenciada por esses soldados, nesse trecho César é responsabilizado por concentrar todos os manes em si, tornando-se o causador de tanta destruição e de tantos males.
Assim como em versos citados anteriormente, há também a referência ao caráter fratricida da batalha, com a particularidade de aparecerem nos trechos indicados abaixo por meio de imagens míticas, como quando as Eumênides surgem, mesmo isso não sendo perceptível aos criminosos – Orestes, Penteu e Agave –, que mataram pessoas de suas respectivas famílias, conforme relatam os mitos:
Haud alios nondum Scythica purgatus in ara Eumenidum vidit voltus Pelopeus Orestes,
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nec magis attonitos animi sensere tumultus,
cum fureret, Pentheus, aut cum desisset, Agave: (7.777-780) Orestes Pelida, ainda não purificado nos altares escíticos, nem os outros rostos das Eumênides viu, nem Penteu,
ainda que estivesse delirante, ou Agave, ainda que tivesse cessado sentiram a grande agitação assombrada do espírito.
Logo após essa cena de evocação dos crimes de sangue, a visão premonitória da morte de César é apresentada, como punição por provocar essa batalha tão devastadora entre os romanos:
Hunc omnes gladii, quos aut Pharsalia vidit aut ultrix visura dies stringente senatu,
illa nocte premunt, hunc infera monstra flagellant. (7.781-783) A ele, todas as espadas, que a Farsália viu
ou o dia da vingança havia de ver, com o senado a desembainhar as espadas, naquela noite oprimem, a ele os monstros infernais castigam;
E o pesadelo termina com uma reflexão acerca de tais visões infernais tidas pelos soldados, atrelada à morte de César (7.786). Isso mostra que o pesadelo está ligado ao assassinato de César, pois, nessa manifestação onírica, ele é considerado como o desencadeador de tantos males; porém, não se pode mencionar a morte de César sem lembrar a de Pompeu, que acontece cronologicamente antes e foi uma das causas da conspiração e da vingança do Senado contra Júlio César. Ademais esse pensamento denuncia a atmosfera nefasta da guerra, que ainda não terminou, embora tais visões apontem para o seu fim. E em breve a disputa é interrompida por causa do assassínio de Pompeu, por isso se pode dizer que esse sonho também ecoa a morte vindoura do Magno.