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UN ROLE MARGINAL DANS LA DETECTION DE LA FRAUDE EN ENTREPRISE

Dans le document L AUDIT LEGAL ET LA FRAUDE (Page 30-35)

I) L’ANALYSE DU CONTROLE INTERNE, UNE PHASE PREALABE INDISPENSABLE A LA

3) UN ROLE MARGINAL DANS LA DETECTION DE LA FRAUDE EN ENTREPRISE

Abílio Afonso Lourenço Maria Olímpia Almeida de Paiva

Escola Secundária Alexandre Herculano, Porto, Portugal

Resumo

A apreensão actual da Escola pela problemática relacionada com a negociação de conflitos em contexto escolar revela de uma forma distinta que não se trata, unicamente, de um assunto em voga para os professores e investigadores, mas que nos defrontamos, tam- bém, com uma procura crescente de conhecimentos, resultado da percepção social que se foi desenvolvendo. A negociação tem vindo a ser contemplada como uma das formas ideais de prática social.

Neste estudo pretende-se averiguar se as variáveis Sexo e Idade possuem importância na compreensão da eficácia condutual dos negociadores. A amostra é constituída por 242 alunos do 3º ciclo do ensino básico de uma escola secundária do centro do Porto.

Os resultados sugerem que o Sexo não é uma variável essencial para o entendimento da eficácia em negociação. No que concerne à Idade, comprova-se que a eficácia negocial aumenta com a idade dos negociadores.

PALAVRAS-CHAVE: Conflito, contexto escolar, negociação.

Introdução

Quando nascemos, pertencemos a um determinado grupo social. A nossa família, o nosso bairro, a nossa cidade, o nosso país, são exemplos de cate- gorias sociais a que pertencemos. Pouco a pouco vamos tomando consciência da nossa pertença a estes grupos, através da língua que falamos, das normas de conduta que aprendemos, enquanto nos desenvolvemos e do meio em que crescemos.

Com o desenvolver da personalidade surgem os conflitos de vária ordem, primeiro num processo de interiorização no indivíduo, na busca de uma solu- ção de dentro para fora, para, logo de imediato, na impossibilidade de reso- lução interna, passar para a dissolução do problema externamente, gerando muitas vezes novos conflitos.

© P.P.C.M.C.M. - Colégio Internato dos Carvalhos

É nesta linha de orientação – conflito e negociação – que se pretende direccionar este trabalho de investigação. Não existe a pretensão de privile- giar nenhuma vivência pessoal/profissional, mas sim realizar uma aborda- gem a mais objectiva possível, aproveitando, apenas, o facto de os autores exercerem a profissão num dos lugares onde, actualmente, se desenvolvem os mais diversos focos de violência e indisciplina – a Escola. Esta é um local “privilegiado” de conflitos que estão associados a comportamentos disrupti- vos e estes, por sua vez, são influenciados por algumas variáveis, nomeada- mente o Sexo, a Idade, o Autoconceito e a Repetência, entre outras, confor- me nos é referido num estudo de Paiva (2003). Outra pesquisa realizada por Lourenço (2003), diz-nos que existe uma relação significativa entre o grau de gravidade dos comportamentos inadequados em sala de aula e do grau de importância das causas do fenómeno da indisciplina na escola, com o Sexo e a Idade dos alunos. Assim, optou-se por fazer uma aborda- gem à eficácia de negociação, analisando variáveis sócio–demográficas (sexo e idade) que nos ajudem a compreender o modo de agir dos alunos perante uma situação negocial.

Para tal, é importante ter presente que o facto de haver uma Escola Multi- cultural implica, forçosamente, a presença de conflitos. Para compreender os conflitos que advêm da existência dessa Escola, devemos conhecer as causas que os provocam, as características e as condições de vida de todas as cultu- ras com as quais convivemos no dia-a-dia escolar.

Assim, Girard e Koch (1997) definem conflito como sendo a luta aberta entre, pelo menos, duas partes interdependentes que possuem objectivos in- compatíveis, recursos limitados e interferência da outra parte para a obtenção dos objectivos, controversa ou desacordo e oposição. Ainda a propósito do mesmo conceito, Serrano (1996) não definindo propriamente o conceito mas referindo-se à natureza do mesmo, adianta que o conflito aparece em pratica- mente todos os campos da vida social. O mesmo que dizer que nem todos os conflitos são iguais, nem pela sua intensidade, nem pela sua qualidade. Mas pode afirmar-se que se trata de situações com alguns pontos comuns e outros específicos.

Numa definição mais restrita o conflito constituirá “... uma percebida divergência de interesse, ou a crença de que as actuais aspirações das par- tes não podem ser alcançadas simultaneamente” (Pruitt e Rubin, 1996, p. 4). O conflito poderá ser definido, ainda, de modo amplo, como “... uma percepção de incompatibilidades entre dois ou mais actores e a amplitude de comportamento associado com tais percepções” (Bercovitch, 1984, p. 125).

Da mesma forma que no conceito anterior, existem várias interpreta- ções sobre o que é negociar em contexto de conflito. Numa abordagem sim- plista, Fisher et al. (2000) mencionam que “A negociação é um meio básico para obter o que se quer dos outros. (...) As pessoas usam a negociação pa- ra lidar com as suas diferenças. Quer em negócios, no governo ou em famí- lia, as pessoas tomam a maior parte das decisões por via negocial” (pp. 15- 16).

É fundamental, num processo de negociação, o entendimento que se tem sobre as relações de dependência das partes para que este se desenrole de uma forma positiva e construtiva (Serrano, 1996). A estratégia e prudência utilizada na comunicação, a capacidade de discernir quais as metas comuns, o evitar atitudes iníquas entre as partes em disputa, o investimento na procura de ajustes satisfatórios, etc., são recursos que fazem parte de qualquer quadro de inteligibilidade de negociação exigível nas actuais sociedades contemporâ- neas.

Outra situação, normalmente, de difícil transposição, sem a qual não po- derá haver negociação, é a questão das cedências. Seja qual for a postura, quem negoceia tem como objectivo primeiro o lucro para a sua parte, só que existem no mínimo duas partes e aquilo que pensamos justo para nós poderá significar o prejuízo da outra parte. Esta é a essência e a arte de negociar. As partes, portanto, têm por um lado os seus próprios recursos, mas, por outro, necessitam dos recursos dos demais e estão dispostos a permutar, entre si, es- tes recursos, apesar de não existir um princípio de acordo em relação ao in- tercâmbio. Não obstante, todos reconhecem que o acordo é mais benéfico pa- ra as partes do que a ruptura das relações, de modo que estão dispostos a conceder algo a troco de algo (Jaca e Riquelme, 1998).

Dos diversos investigadores na área da negociação, atenderemos, espe- cialmente, à estruturação preconizada por Mastenbroek (1987, 1989) como guia da apresentação e interpretação das tácticas de negociação. A rele- vância da aplicação deste modelo é que o mesmo é “... detentor de uma ar- ticulação conceptual consistente e de grande clareza entre as orientações de comportamento mais global e estratégico (as quatro dimensões da negocia- ção eficaz, a que acresce uma quinta dimensão respeitante à negociação intra-organizacional) e as respectivas acções de que os negociadores dis- põem para as pôr em prática (tácticas)” (Cunha, 2001, p.131). O entendi- mento das tácticas de negociação será orientado para os propósitos nego- ciais: de obter resultados substanciais; influir no equilíbrio do poder; desenvolver um clima positivo; conseguir uma flexibilidade e influenciar os constituintes.

Na opinião de Cunha (2000a), o modelo de Mastenbroek elege uma vi- são muito alargada acerca da eficácia em negociação, organizando-se, espe- cialmente, sobre as complexas actividades com que o negociador se confron- ta, bem como as dúvidas e receios que as mesmas lhe colocam. Esta visão está, claramente, em concordância com o plano de resolução de problemas com o posicionamento estratégico de base, como alicerce essencial na firme- flexibilidade, com vista à solução eficaz do conflito.

Assim e para avaliar a eficácia da negociação, foi utilizado, nesta pes- quisa, o CEN II (Questionário de Eficácia na Negociação). Este instrumento foi desenvolvido e adaptado ao contexto português por Cunha (1996, 2000a), que tem realizado estudos sobre os vários aspectos da negociação. Os resul- tados alcançados nesta investigação aludem que o Sexo não é uma variável fundamental para a interpretação da eficácia em negociação. No respeitante à Idade, o autor demonstra que a eficácia negocial aumenta com a idade dos negociadores. Também, Caramés e Rodríguez (1995) realizaram investigação empírica dedicada ao estudo das características do CEN com uma amostra de 389 sujeitos, dos quais 185 eram estudantes de Ciências Sociais.

Tendo presente o explicitado, a hipótese geral deste estudo consistiu em averiguar se as variáveis Sexo e Idade possuem importância na compreensão da eficácia condutual dos negociadores. Mais propriamente, esta hipótese ge- ral pode repartir-se por duas hipóteses específicas:

Hipótese 1 – As pontuações obtidas no CEN II podem variar com o Sexo dos sujeitos;

Hipótese 2 – As pontuações alcançadas no CEN II podem variar com a Idade dos sujeitos.

Metodologia

Amostra

No estudo efectuado, a amostra é constituída por 242 alunos do 3º ciclo do ensino básico de uma escola secundária do centro do Porto. Destes, 151 (62,4%) pertencem ao sexo masculino e 91 (37,6%) ao sexo feminino, sendo 98 (40,5 %) do 7º ano, 62 (25,6 %) do 8º e 82 (33,9 %) do 9º ano de escola- ridade. Apresentam, ainda, idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos (M=14,26; DP=1,52), cuja moda se situa nos 14 anos. Os sujeitos do sexo masculino apresentam uma média de idades de 14,21 anos, enquanto os do sexo feminino revelam uma média de 14,31.

Instrumento

Quanto ao instrumento utilizado, o CEN II é constituído por 42 itens, em que 10 deles estão descritos em sentido inverso do propósito da eficácia nego- cial e os outros 32 foram notados em sentido positivo em relação ao mesmo. As pontuações dos indivíduos podem variar entre 42 (min.) e 210 (máx.), tendo por raiz conceptual o modelo de negociação sugerido por Mastenbroek (1987, 1989), tendo-se, também, tido em consideração as abordagens de outros auto- res, sobretudo as de Bazerman e Neale (1993) e Pruitt e Carnevale (1993). O CEN II é muito usado na avaliação do grau de eficácia negocial dos sujeitos, com base nos pressupostos das abordagens sobre a eficácia negocial em que se alicerça, na medida em que tem capacidade discriminativa, pois possibilita identificar, nitidamente, indivíduos muito eficazes e pouco eficazes em situações negociais (isto é, os sujeitos que adquirem as pontuações mais altas na escala em estudo parecem ser, na realidade, os mais eficazes na negociação e os que revelam pontuações mais baixas sugerem ser os menos eficazes).

Quanto ao modo de avaliar, trata-se de uma escala sumativa ou aditiva, tendo como objectivo distinguir, exactamente, a valência – positiva ou negati- va – da atitude. É no indivíduo que se centraliza a unidade de medida e não nos enunciados expostos. Tendo o questionário em estudo um duplo objectivo, este poderá resumir-se em: testar o esquema conceptual que lhe serve de su- porte e ter um instrumento de mensuração das competências negociais (Serra- no, 1996a).

O CEN II pode abarcar algumas limitações, ou seja, embora os resultados favoráveis que se têm verificado com a aplicação deste instrumento, não indi- cia, todavia, que se encare que todos esses componentes sejam imprescindí- veis para concluir de modo eficaz uma negociação. De salientar que poderão ocorrer diferenças na interpretação das pontuações obtidas pelos indivíduos quanto à sua prática no processo de negociação. No parecer de Bercovitch (1984), para além do desempenho do negociador, há todo um conjunto de factores que, evidentemente, condicionam o tipo de conflito e toda a acção do próprio processo negocial.

A escala utilizada no CEN II é de formato Likert. A cada item correspon- de, como tipo de categoria de resposta, uma escala de atitude representada numericamente de 1 a 5, com as seguintes categorias de resposta: 1) Discordo fortemente; 2) Discordo; 3) Indiferente; 4) Concordo e 5) Concordo fortemen- te. Cada item corresponde a uma expressão de uma atitude, perante a qual o indivíduo tem de referir o seu grau de concordância, desde “Discordo forte- mente” até “Concordo fortemente”.

Procedimento

A aplicação do questionário aos alunos decorreu ao longo da última sema- na de Novembro de 2003, tendo-lhes sido dadas informações de carácter geral acerca da finalidade da investigação. Houve sempre a presença efectiva do pró- prio inquiridor. Os alunos seleccionados responderam voluntariamente e consta- tou-se que o tempo necessário para responder às questões variou muito entre os mesmos. Foi assegurada a confidencialidade das respostas. O tratamento esta- tístico dos dados foi realizado com base no programa SPSS 10.0 e os resultados foram analisados através da aplicação do Teste T para duas amostras indepen- dentes e a Correlação R de Pearson (Pestana e Gageiro, 2000).

Dans le document L AUDIT LEGAL ET LA FRAUDE (Page 30-35)