4. DISCUSSIONS and CONCLUSIONS
4.2 Role of Histone H2A-E130A residue in nuclear localization of Apn1
Oito anos atrás, totalmente obcecada com a criação de narrativas dramáticas e performances sobre questões do meio ambiente, encontrei artigo, agora frequentemente citado, What the warming world needs now is art, sweet art (Do que o mundo em aquecimento precisa agora é arte, doce arte) (2005), escrito pelo professor
de estudos ambientais e fundador do 350.org, Bill McKibben. No artigo, ele lamentava a falta de espetáculos cênicos que tratavam do tema clima e perguntava: “Onde estão os livros? Os poemas? As peças? As malditas óperas?” (MCKIBBEN, 2005, p. 1). Naquela época, eu estava criando a performance sobre o transtorno do colapso das colmeias das abelhas e desesperada para me conectar com movimento amplo de artistas-ativistas interessados em trabalhar respostas para as questões de justiça climática e ambiental. Eu queria gritar “aqui estou eu! Eu estou nessa brincadeira!”, porque me sentia muito sozinha, pois poucos dos meus colegas nas artes estavam trabalhando com histórias e abordagens estéticas para questões do meio ambiente, especialmente. McKibben - figura emblemática do movimento do clima, mas fora do mundo de artes - estava lamentando que não houvesse projetos de arte de grande escala funcionando para aumentar a consciência sobre a natureza do Planeta.
Ele admite que é difícil contar essas histórias porque elas não acabam “bem”, geralmente apontando o dedo para nós, os humanos, os vilões responsáveis pelo clímax trágico. Desde a redação do artigo de McKibben e do início da minha própria prática artística em torno de questões ecológicas, este campo mudou de maneira significativa, e houve um borbulhamento de projetos de arte e autores autodenominando-se categoricamente artistas de teatro, dança e performance na intersecção da ecologia, justiça ambiental e questões de mudança climática e práticas contemporâneas de artes cênicas.
Esse trabalho está sendo feito em todo o mundo de forma atual e intensa, e as colaborações e práticas socialmente engajadas aplicadas em muitos movimentos sociais em forma de performance nas últimas décadas (GOLDBERG, 2011; COHEN- CRUZ, 1998; LACY, 1995) têm relevância aplicável para performances interdisciplinares que buscam atingir cada vez mais públicos diversificados com a temática da ecologia como emergência social. Desde o início desta pesquisa de doutorado, eu mesma produzi quatro eventos diferentes de artes cênicas sobre o clima (Climakaze Miami 2015-2018)91, além da criação do meu próprio, e participei de dúzia de outros encontros, festivais ou reuniões contemplando a intersecção do ativismo sobre o clima e a colaboração cultural liderada por artistas. Arte no
Antropoceno (DAVIS; ETIENNE, 2015) é uma das primeiras antologias sobre o fazer
de arte (seja performance, instalações ou outras manifestações estéticas) no momento
91 Climakaze Miami: www.climakazemiami.org.
particular de mudanças climáticas. Esse volume aborda a observação dos organizadores de que se está no meio de redefinição de campos disciplinares e estratégias retóricas que auxiliam no realinhamento para permitir compreender a mutação de todos os sistemas:
A possibilidade de extinção sempre foi uma figura latente na produção textual e nos arquivos; mas o atual sentido de esgotamento, decaimento, mutação e destruição exige novos modos de endereçamento, novos estilos de publicação e autoria, e novos formatos e velocidades de distribuição (COHEN; COLEBROOK in. DAVIS; ETIENNE).
Em 2017, o desenho animado Bob Esponja saiu com versão teatral em forma de novo musical sobre a temática de escassez de recursos e outros problemas que poderiam ser interpretados como relacionados com o clima (SpongeBob The
Broadway Musical)92. Essa não é exatamente a ópera que Bill Mckibben esperava e a Broadway possui conjunto consideravelmente maior de recursos representacionais do que a média das companhias de teatro ou artistas, mas é sinal da presença de narrativa maciçamente popular, que toca temas do meio ambiente e que agora está se infiltrando em todos os setores da sociedade, com histórias populares para toda a família que são comercialmente viáveis. A preocupação de McKibben é que a falta do “final feliz” ou a produção de narrativa que provoca reações incomodas no público signifique gastar muito tempo e dinheiro em óperas de que as pessoas não gostarão. Os produtores de Bob Esponja não iriam apostar no fracasso, e a hora está chegando de criar essas historias massivamente no cinema, na televisão e nas artes cênicas, com engajamento forte e inspirador até comercialmente viável em alguns contextos.
No geral, os profissionais que encontrei ao longo desta pesquisa parecem preocupados em encontrar maneira eficaz de apoiar a performance ao vivo e diálogos culturais que cultivam a curiosidade, a empatia e senso de urgência em torno das questões climáticas e de justiça ambiental sem fazer o público e os participantes se sentirem perdidos e sem cair em estrutura de apresentação didática. Os artistas, cuja prática admiro, têm superado de alguma maneira esses desafios e estão testando as mesmas questões que têm surgido neste projeto de pesquisa, mas grande parte do chamado “teatro verde” que está sendo realizado ainda parece liderar com o educacional e estar carecendo de densidade poética e estética suficiente e necessária para penetrar profundamente artística e emocionalmente (PICKARD, 2013).
Quando exitosos na qualificação do critério utilizado nesta pesquisa, a lacuna principal que esses artistas estão preenchendo em seu trabalho é como usar, validar e expressar os abundantes dados existentes para apoiar descobertas científicas em torno de crises ambientais em estruturas dramatúrgicas efetivas, de modo que conectem com a comunidade (e potencialmente afetem a mudança de comportamento e o pensamento das pessoas) e sejam experiências artísticas transformadoras e esteticamente apreciáveis. Além disso, alguns encontraram formas de dar voz às narrativas complexas incorporadas nas lutas pela justiça ambiental, que muitas vezes desaparecem quando os artistas se concentram demais na ciência dura e se afastam da parte sócio-política levantada na discussão do Capitaloceno de Jason Moore (2015), que entende de maneira crítica a gama de realidades humanas diante dos impactos das mudanças climáticas. Narrativas escritas e protagonizadas por pessoas do sul global são bem distintas das obras feitas por dramaturgos de Manhattan, Paris ou até Buenos Aires (DE SOUSA SANTOS, 2014).
5.2 HERÓIS DA ECOPERFORMANCE: EXEMPLOS DO CAMPO DE BATALHA