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Ecologie : de la noosphère aux pratiques de terrain

Document 16: ROC du baccalauréat de la session 2006, Série S, Antilles Guyane

A história do Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS) (Fig.6) pode ser dividida em duas fases: a primeira, e já referenciada, relaciona-se com a criação do CAC como o principal antecedente deste Museu; e a segunda relaciona-se com a mudança de diretor artístico, ou seja, Fernando Pernes, enquanto primeiro diretor artístico da Fundação, por Vicente Todolí, que sendo o primeiro diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, tinha o intuito de mudar o rumo inicialmente tomado pela Fundação.

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O início da construção do MACS foi o impulso para a definição de novos objetivos e orientações, pelo que a administração optou pela escolha de um novo diretor artístico, a 01 de setembro de 1996. Esse novo diretor artístico foi Vicente Todolí que formou equipa com o diretor-adjunto João Fernandes. Desta forma, com António Gomes de Pinho (terceiro presidente da Fundação) começaram a expandir o projeto cultural da Fundação “aprofundando a relação com os fundadores através da criação de novas parcerias e desenhando novos canais de comunicação com a sociedade” (Oliveira, 2004, p.18).

Vicente Todolí e João Fernandes tinham ideias concretas de como conseguirem fazer crescer este espaço que ainda estava a ser edificado, propondo algumas intervenções no projeto arquitetónico do Museu, tais como “crescimento das áreas expositiva que nos permitisse apresentar várias exposições em simultâneo, iluminação, percursos, pormenores do desenho do espaço que o “neutralizassem” o mais possível perante os seus usos futuros protagonizados pelos artistas que viéssemos a convidar, etc” (Fernandes, 2005, p.11), sendo que algumas foram imediatamente aceites por Siza Vieira e outras rejeitadas. Além destas ideias, também pretendiam definir um novo projeto museológico e redefinir as prioridades na aquisição de obras para a Coleção, que passou a ser de interesse adquirir obras datadas entre 1965 e 1975.

Por sua vez, o projeto museológico proposto por Vicente Todolí e João Fernandes tentava abranger todos os espaços disponíveis, como o Museu e a Casa, levando-os a proporem que “a princípio o Museu fosse ocupado da seguinte maneira: o novo edifício albergaria três exposições simultâneas, uma dedicada à parte da coleção e duas às exposições temporárias, e a Casa abrigaria “principalmente a coleção, e por vezes, também, exposições temporárias”” (Todolí, 1999, p.13 apud Noronha, 2015, p.185).

Figura 6 Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, [fachada

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O que significa que os objetivos principais desse projeto museológico previamente estabelecido passavam pela

“constituição de uma coleção representativa da arte contemporânea das últimas três décadas, assim como a apresentação de uma programação de exposições que afirmem o diálogo entre os contextos artísticos nacional e internacional, a organização de programas pedagógicos que suscitem uma relação com a comunidade e ampliem os seus públicos interessados na arte contemporânea, assim como o aprofundamento das relações entre arte e natureza que as condições naturais dos espaços de Serralves propiciam” (Todolí & Fernandes, 1999, p.15).

O projeto museológico desenvolvido por Vicente Todolí e João Fernandes foi pensado como forma de responder a um diálogo entre os contextos nacionais e internacionais. O objetivo era claramente demonstrar que Serralves, apesar da sua posição internacional, também sabia demonstrar a arte portuguesa, para além de “divulgar, numa perspetiva crítica, a criação artística contemporânea” (Andrade, 2009, p.190). Essa divulgação da criação artística contemporânea é realizada de duas formas: através das exposições realizadas na Casa, no Parque e no Museu, e através das artes performativas, resulta em cinco áreas: Artes, Ambiente, Educação, Reflexão e Indústrias Criativas.

Na área das Artes, salienta-se a criação artística que incide sobre as artes plásticas através de um programa de exposições de artistas portugueses e estrangeiros, assim como da constituição de uma Coleção internacional de arte contemporânea de referência, e ainda uma programação que se estende a ciclos de música, artes performativas e cinema que de certa forma complementam e valorizam o programa expositivo; o Ambiente é representado pelo Parque como um “espaço de fruição pública e pretexto para a abordagem de problemas ambientais do mundo de hoje” (Nogueira, Almeida & Almeida, 2013, p.37); a Reflexão Crítica incide sobre a Sociedade Contemporânea que se desenvolve através do estudo e debate de várias questões relacionadas à nossa sociedade; e as Indústrias Criativas que remetem para um projeto pioneiro intitulado de INSERRALVES que é a primeira incubadora de empresas nacionais especializadas nessa área.

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Por último, e de uma certa forma mais complexa, temos a Educação. Não focando apenas nesta área, mas trazendo a Educação de arrasto em todos os seus projetos, Serralves age com o intuito de sensibilizar e formar públicos através da atividade e dos projetos que o Serviço Educativo promove, tanto na sua vertente museológica como ambiental: a organização de visitas orientadas às exposições, aos espaços arquitetónicos e ao Parque. Mas o Serviço Educativo vai mais longe das visitas guiadas com monitores especializados e envolve os mais pequenos em oficinas temáticas que resultam num processo de experimentação artística e de partilha de ideias.

O Serviço Educativo tem os seguintes objetivos: “estimular a criação e dar a conhecer o património cultural, proporcionar o contacto com diferentes práticas criativas, mobilizar saberes e orientar conhecimentos, incentivar o debate e valorizar o experimentalismo e a criatividade” (Andrade, 2009, p.214). No fundo, este Serviço tenta corresponder à consciencialização de que os Museus “não são apenas lugares de conservação e de exposição de obras de arte, mas espaços de comunicação e de aprendizagem que cada vez mais têm um papel significativo na sociedade” (Andrade, 2009, p.214).

Quando a Fundação de Serralves foi criada em 1989, já tinha em vista a criação de um Museu em Portugal para a arte do século XX, suscitando desde logo a necessidade de se constituir uma Coleção. Desta forma, o primeiro diretor artístico da Fundação – Fernandes Pernes – e a sua equipa, tratam desde logo de adquirir, através da incorporação de depósitos de particulares, uma série de obras de arte maioritariamente de artistas portugueses. Porém, com a inauguração do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Fernandes Pernes passou as rédeas para a dupla Vicente Todolí e João Fernandes. Assim, a Coleção começou a ampliar os seus objetivos, atingindo uma projeção e dimensão internacional até ao momento nunca alcançada (Pinho, 2009, p.10).

A Coleção de Serralves é constituída por dois núcleos que acabam por se complementarem: “um, constituído pelas compras realizadas por proposta da direção artística do museu; e o outro, composto pelos depósitos efetuados quer por privados ou por instituições, quer pelo próprio Estado” (Oliveira, 2004, p.55), tendo sido este último um passo fundamental para a “constituição de um acervo representativo da arte portuguesa, possibilitando a sua integração num projeto colecionístico de ambição internacional” (Pinho, 2009, p.9).

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Em maio de 1999, Serralves apresentou em Lisboa o programa do Museu, a sua Coleção e o calendário de atividades que incidia sobre uma extensa lista de exposições temporárias, coletivas e individuais, de alguns dos artistas mais relevantes da contemporaneidade, tanto nacionais como internacionais. E a 6 de junho foi [finalmente] inaugurado o Museu de Serralves, que tinha (e tem) como objetivos “proporcionar um espaço de diálogo e intercâmbio cultural no domínio da arte contemporânea e constituir uma coleção de arte representativa da obra de artistas portugueses e estrangeiros” (Gouveia, 2002, p.11). Este Museu nasceu sob’ o ponto de vista de Todolí & Fernandes (1999, p.15) como

“um novo fórum, um lugar de discussão e de superação dos limites dos indivíduos que nele coincidem. É, pois, fundamental que o visitante saia do museu com novas pistas para a sua imaginação, confrontando-se com novas perguntas em vez de esperar encontrar as respostas.”

Inaugurado com a exposição “Circa 1968”, tentava-se, de certa forma, demonstrar a Coleção de Serralves até ao momento adquirida, que

“passava a ser entendida pelo prisma da vocação experimental e concetual da arte e propunha ideias como o questionamento do conceito tradicional de pintura, a desmaterialização dos objetos artísticos, o cruzamento de géneros e linguagens, o uso de materiais pobres, reciclados ou tecnicamente sofisticados e uma geral tendência para ver a arte e a vida como indissociáveis uma da outra e mutuamente se enriquecendo nos seus trânsitos recíprocos” (Rosendo, 2010, p.116).

Esta “exposição-manifesto” era o resultado de se ter assumido a “mudança de paradigma que arte tinha novamente vivido na década de 60 e, ao mesmo tempo, pôr em diálogo franco e frutuoso a arte portuguesa e a arte internacional contemporâneas” (Andrade, 2009, p.90), originando uma consolidação do acervo até então constituído e uma definição de um novo programa expositivo.

O impulso de internacionalizar a Coleção originou uma série de desafios relacionados ao crescimento da mesma, tendo posteriormente sidos assumidos por João Fernandes enquanto diretor do Museu e por Ulrich Loock enquanto diretor-adjunto. Esta

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nova dupla, foi a responsável por dar continuidade ao projeto de adquirir obras tanto nacionais como internacionais da década de 60 e 70, como de incorporar na Coleção obras de diversos artistas surgidos na década de 80, “articulando as novas aquisições com uma programação de exposições temporárias que não deixou nunca de contemplar a Coleção como um grande objetivo do Museu no seu relacionamento com artistas do nosso tempo” (Pinho, 2009, p.10).

O MACS revela-se um espaço em permanente transformação, pela sua capacidade de realizar sempre três grandes exposições em simultâneo, sendo normalmente uma de um artista português e duas dedicadas a artistas estrangeiros. Isto, permite ao Museu dar a conhecer a sua Coleção, levar o público à descoberta.

O que o CAC e o atual MACS têm em comum é que ambos centraram a sua atividade em exposições de carácter temporário, sempre associadas a ações educativas e que exportaram as suas exposições para outros pontos do país, originando novos públicos e uma oportunidade de as populações contatarem com a arte contemporânea (Oliveira, 2013, p.220).

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Capítulo 5 - A Biblioteca da Fundação de Serralves e a Coleção