Educational programmes and resources
6. Right to protection and safety
Dálcio Reis [REI00] sugere uma sequência de 8 etapas para implementação, por uma universidade, de processos que facilitam a interacção com o tecido empresarial. Citamos a seguir estas etapas segundo o seu autor acrescidas de alguns comentários.
Definição de uma política/filosofia da universidade para as relações empresariais,
Auto-conhecimento institucional, “Marketing” interno,
Infra-estrutura adequada, “Marketing” Externo,
Gestão das relações universidade-empresa, Formação de gestores das relações U-E e Avaliação junto aos utilizadores.
A área de relações empresariais nas universidades desempenha um importante papel de interacção com a comunidade externa, particularmente com a empresarial. Um dos seus objectivos é o de desenvolver mecanismos que facilitem a interacção universidade-empresa.
O desenvolvimento de actividades da universidade em parceria com a empresa necessita de diversos ingredientes para a sua consolidação. O ingrediente fundamental é ter a parceria universidade-empresa como filosofia da instituição universitária. Veremos no capítulo 3 que uma estratégia, baseada num comprometimento explícito da universidade com a transferência de conhecimento para o sector empresarial, traduz-se no comprometimento de toda estrutura organizacional na interacção com os “agentes” internos da transferência de tecnologia.
A Universidade de Aveiro, a título de exemplo, tem explícito na sua missão a cooperação com a sociedade. A cooperação e intercâmbio nacional e internacional têm sido uma aposta da Universidade de Aveiro, concretizada através da participação nos numerosos programas de Educação, Ciência e Tecnologia da Comissão Europeia e de outros programas, e ainda através do estabelecimento de vários acordos e protocolos. A cooperação com a sociedade é reforçada pela intervenção da Universidade na promoção de transferência de conhecimento, tecnologia e inovação, na dinamização de programas de formação contínua, no incentivo à difusão cultural e artística de iniciativas de âmbito local, regional ou nacional. Pela sua vocação para a ligação do ensino e da investigação com o meio empresarial e com a comunidade em geral, a Universidade de Aveiro ocupa um papel de destaque no progresso científico, tecnológico e artístico (http://www.ua.pt/apresentacao.asp).
2.4.6.1. Auto-conhecimento institucional
Após caracterizada a filosofia institucional, no tocante às relações universidade-empresa, o próximo passo é a universidade olhar para dentro de si mesma. Conhecer o seu real potencial técnico e de recursos humanos e disponibilizar este potencial, sempre que possível, para os utilizadores.
A área de relações empresariais pode, neste momento, colaborar com o processo de auto-conhecimento institucional através da elaboração de uma base de dados, se ainda não houver, de todos os especialistas e suas especialidades, que tenham interesse em participar neste tipo de parceria. É importante, neste ponto, ter disponíveis todas as áreas de competência nas quais cada sector da universidade actua e onde pode colaborar com o processo de desenvolvimento social e económico da região.
Os novos modelos de transferência de tecnologia devem estar de acordo com o novo mercado tecnológico que impera na Europa que deve ser administrado do ponto de vista da gestão da transferência de tecnologia e comercialização da investigação pública. As discussões nos Estados Unidos e Europa apontam para a Vigilância Tecnológica como requisito imprescindível para a inovação [COT03]. Posto isso, deve-se ter em atenção este aspecto fundamental, ainda pouco utilizado em muitas das nossas universidades, para uma planificação efectiva da política de transferência de tecnologia. Para o novo contexto a vigilância tecnológica é pré-requisito básico para uma boa gestão da tecnologia nas universidades.
2.4.6.2. “Marketing” interno
O “marketing” interno é importante para despertar os membros da universidade para os benefícios decorrentes da parceria com as empresas.
Nesta fase é muito importante motivar o investigador e sua equipa para participar no processo. Esta motivação resulta da preparação e uso de materiais adequados, tais como desdobráveis, cartazes e, principalmente, contactos e entrevistas pessoais. Para tanto é necessário pessoal de apoio em quantidade e qualidade condizentes com essa actividade, preparados para abordar e cativar os professores, orientando-os para as actividades em parceria. Essas pessoas têm que estar cientes da importância que a parceria tem para a universidade, bem como os benefícios dela resultantes.
2.4.6.3. Infra-estrutura adequada
Estamos aqui a falar da infra-estrutura física. Esta deve ser pensada também em função da possível utilização em projectos com parceiros empresariais.
Para além do conhecimento, o “arsenal” tecnológico e de laboratórios são outros dos bens que fazem da universidade um parceiro estratégico para as empresas inovadoras que não poderiam sozinhas custear tais infra-estruturas. A universidade deve preocupar-se em manter os seus laboratórios, oficinas e equipamentos, sempre dentro de padrões mínimos de qualidade. Isto é necessário para garantir a realização de cursos e projectos de investigação com
alto grau de profissionalismo, como esperam as empresas que procuram esta parceria.
2.4.6.4. “Marketing” Externo
Após a definição de uma política institucional voltada para a parceria, de um auto-conhecimento da universidade, de um “marketing” interno que estimulou a participação dos membros da universidade, bem como do conhecimento e do aperfeiçoamento da infra-estrutura disponível, pode-se iniciar o processo de divulgação externa. Somente após termos uma noção exacta do potencial interno é que podemos dar início ao processo de disponibilização de trabalhos e serviços.
O “marketing” externo pode acontecer de diversas formas, tais como: Visitas programadas às empresas, a procura de novos parceiros, Participações em congressos com apresentação de trabalhos, Participações em exposições e feiras,
Confecção de material de divulgação específico,
Avaliação e divulgação do nível de satisfação do cliente, como forma de “feed-back” institucional e
Actividades conjuntas com associações empresariais e outras entidades do género.
2.4.6.5.
Gestão das relações universidade-empresa
Uma parte expressiva dos professores desconhece os aspectos relativos à propriedade industrial e intelectual, contratos, convénios, “royalties”, etc. É nesse momento que a área responsável pelas relações com empresas deve oferecer suporte que torne possível a viabilização e que facilite a parceria.
Tal suporte pode ser incrementado das seguintes formas:
Palestras de orientação quanto à elaboração de projectos, Modelos de contratos e/ou convénios e
Acesso à legislação sobre propriedade industrial e intelectual.
Dálcio Reis comenta que nessa fase a área responsável pelas relações com empresas deverá encarregar-se dos procedimentos administrativos que envolvem a gestão do projecto de investigação. Isto é importante para libertar o professor investigador para que possa ater-se, exclusivamente, à sua área técnica de competência. Entretanto, a nossa experiência em projectos de investigação aponta, para alguns casos, no sentido de alguma relutância dos investigadores em deixar a gestão do projecto em mãos alheias ao grupo de investigadores. Uma solução, que seria na nossa opinião muito bem aceite por todos, era haver sempre um indivíduo do grupo totalmente treinado em gestão de projectos que fizesse também parte da área das relações U-E. Este indivíduo daria credibilidade e segurança a todo o grupo de forma a poder levar a parte administrativa e pouco técnica para os profissionais das relações U-E da qual também faz parte.
Vários estudos têm apontado como fundamental a existência dos organismos de interface. Já é comum vermos escritórios de comercialização de tecnologia (TCO – Technology Commercialization Office) com vários nomes apesar do fim ser o mesmo. O que Dálcio Reis chama de “área de relações empresariais” é muito mais amplo e abrangente que os actuais escritórios de transferência de tecnologia ou comercialização de tecnologia (TTO ou TCO) que têm sido a tendência actual para “comercializar” os resultados da I&D universitária.
2.4.6.6. Formação de gestores das relações U-E
Pior do que ter poucos recursos é tê-los e não saber administrá-los [REI00]. Esta frase denota bem a importância da gestão eficiente dos recursos envolvidos num projecto de investigação. Deve-se cuidar para que os gestores das relações U-E estejam permanentemente actualizados nas modernas técnicas de gestão. Desta forma eles facilitarão o processo de parceria, incentivando as tomadas de decisões, a gestão de alternativas, etc., contribuindo desta forma para o sucesso do empreendimento.
2.4.6.7. Avaliação junto aos utilizadores
Na parceria que se busca obter, a empresa é a grande cliente. Justamente por isso, ninguém melhor que o cliente para dar à universidade o “feed-back” sobre a qualidade dos serviços. Esse “feed-back” é muito importante no aperfeiçoamento dos serviços prestados, o que se reflecte, necessariamente, na qualidade do ensino ministrado.
Essa avaliação pode ser obtida através de questionários (on-line), mesas redondas com empresários, avaliação quantitativa e qualitativa após cada projecto, bem como uma avaliação global, feita anualmente.
A avaliação constante permite melhorar o processo, possibilitando eventuais correcções nas áreas, métodos ou na estrutura de investigação, além de ser uma fonte de informação para a gestão estratégica e o marketing. Veremos no capítulo 4.1 que existe sempre a necessidade de “gerir e documentar os resultados”.
Dálcio Reis conclui que um programa de parcerias com a iniciativa privada, bem estruturado e produzindo resultados tangíveis e intangíveis, é um elemento importante para aumentar a confiança dos utilizadores na universidade. Esta confiança atrairá, certamente, novos projectos e novos investimentos na infra- estrutura universitária a consolidar, por exemplo, a investigação por contrato como forte mecanismo de aproximação e parceria entre a universidade e as empresas.
Os procedimentos anteriores dão um posicionamento estratégico para a política de relacionamento com as empresas. No capítulo 4 sugerimos um plano mestre para materializar esta estratégia. Entretanto podem ser adoptar muitos mecanismos capazes, na nossa opinião, de operacionalizar a quase totalidade das formas de cooperação entre universidades e empresas.
Existem também estruturas que tentam, de uma forma integrada, gerir os recursos ao nível dos mecanismos de interacção. Dálcio Reis [REI00] descreve o “Disque Universidade” como uma estrutura que funciona desta maneira,
possibilitando responder ao parceiro externo de uma forma eficiente, sempre que este procura o auxílio da universidade. Veremos que estas são óptimas no contacto inicial das PME’s que vêm a procura da universidade.
2.4.7. Mecanismos para a interacção Universidade-Empresa