17. Conclusões do estudo e perspetivas de investigação
futura
Neste capítulo são apresentadas as reflexões finais do estudo, tendo como ponto de partida a questão definida, e constituem uma reflexão sobre toda a problemática em estudo, bem como as suas implicações no desenvolvimento e nas capacidades dos alunos com PEA.
A vertente teórica do estudo desenvolvido constituiu um suporte fundamental para a concretização desta investigação, permitindo um conhecimento aprofundado das questões determinadas. Embora se tenham verificado um conjunto de limitações neste estudo, podemos afirmar que a pesquisa teórica e a investigação realizada contribuíram para um aprofundamento e para um maior esclarecimento das questões que nos propusemos desenvolver, permitindo a recolha de dados, que constituíram um contributo importante no domínio da educação e desenvolvimento das crianças com autismo.
As competências básicas de interação não-verbal, interação, imitação e capacidades organizativas são fulcrais para a emergência de habilidade de observar, compreender e de utilizar funcionalmente a informação social. Essas capacidades favorecem a consciência social, que é fundamental para a conversação e participação em atividades sociais (Fiore, 2002, citado por Marinho et al., 2007).
Para as crianças com PEA, o uso da linguagem com finalidade de comunicar está gravemente afetado. Grande parte destas crianças não desenvolve funções comunicativas, o que resulta em interações sociais comunicativas limitadas.
O autismo é definido por Walden et al. (2008): como: “a: disorder: defined: by: a: pattern of strenghts and weaknesses, especially in social and communicative behavior. Although children with autism have deficits in joint attention, emotional communication, these deficits are not:absolute:or:pervasive”:(p. 287).
As crianças com PEA apresentam défices básicos na capacidade para usar a linguagem como meio de comunicação. Pudemos constatar que a observação de interações em vários contextos e na presença de vários interlocutores se assume como fundamental neste domínio.
O desenvolvimento de instrumentos de avaliação, como a Escala de Envolvimento da Criança utilizada neste estudo, constitui uma técnica estruturada de observação capaz de fornecer provas fiáveis, salientando a qualidade do processo de
aprendizagem da criança, podendo ser usadas como instrumento de diagnóstico e de monitorização dos progressos qualitativos, possibilitando estabelecer comparações (Pascal et al., 2000).
A utilização deste instrumento de avaliação permitiu focalizar a competência social da criança, as suas características comportamentais, bem como a sua competência linguística e matemática.
No: que: concerne: ao: nível: de: envolvimento: apresentado: pela: “S”: o: estudo: conduzido permitiu-nos refletir acerca da adequabilidade das atividades realizadas com a aluna, ao mesmo tempo que nos possibilitou fazer uma leitura das reais dificuldades:e:também:dos:gostos:da:“S”:o:que:constitui:um:excelente:contributo:na: planificação e elaboração das estratégias definidas no PEI da aluna, podendo ajudar à reavaliação ou reestruturação das medidas adotadas tendo em vista a promoção da sua comunicação e interação.
Os dados obtidos através das grelhas de observação também foram um contributo valioso, na medida em que nos permitiram apurar quais as áreas prioritárias onde a intervenção deve ser mais dirigida, de forma a colmatar algumas dificuldades evidenciadas.
Pudemos:também:apurar:que:a:“S”:estabelece:comunicação:com:os:seus:pares:e: com os professores, nomeadamente quando realiza tarefas do seu agrado. Aqui torna- se fundamental o desenvolvimento de atividades que promovam a comunicação da criança com os restantes agentes da comunidade educativa e com os seus pares.
De acordo com os dados obtidos através das entrevistas realizadas, verificámos que: a: “S”: adquiriu: algumas: competências: nomeadamente: no: que: respeita: ao: saber: estar em diferentes contextos e também uma maior capacidade para o uso da sua tabela de comunicação, com o intuito de comunicar as suas ideias aos outros. Revela dificuldades no que concerne à área da linguagem, semântica, morfossintaxe, fonologia: e: pragmática: As: maiores: dificuldades: da: “S”: estão: relacionadas: com: a: motricidade fina e com a área da matemática, bem como na autonomia no que se refere ao vestuário e higiene: pessoal: Pudemos: ainda: apurar: que: a: “S”: demonstra: pouco interesse no que respeita à conversação quando confrontada com temas associados a momentos de aprendizagem e investe pouco esforço perante as dificuldades com que se depara, desistindo com facilidade.
Acreditamos que alguns aspetos possam melhorar no que respeita à sua inserção em aulas do ensino regular, na medida em que poderão ser desenvolvidas atividades adequadas, no âmbito do trabalho realizado na turma com os restantes alunos, de forma a promover uma maior participação nas aulas e o estabelecimento de uma comunicação e interação entre os colegas da turma, evitando assim, comportamentos indesejados, resultantes de uma observação passiva.
Estamos convictos de que é fundamental ter em consideração a questão das acessibilidades:nos:diferentes:espaços:escolares:frequentados:pela:“S”:dada:a:falta:de:
concentração dos espaços que pudemos constatar, o que leva não só à perda de tempo devido ao trajeto realizado diariamente, como também a um cansaço extremo dadas as limitações físicas da criança, o que pode constituir-se como um fator pouco facilitador na aprendizagem e concentração na atividade que se vai desenvolver.
O contributo da família e da escola no desenvolvimento da comunicação e do envolvimento numa criança autista também constituiu outro objetivo para a realização deste estudo. De facto, não podemos esquecer que uma escola inclusiva é aquela que pretende dar resposta às necessidades de todos os alunos, de acordo com as suas características próprias, sempre que possível, nas turmas de ensino regular dessas mesmas escolas (Correia, 1997, citado por Correia, 2001). Uma educação inclusiva sustenta que todos os alunos possam aprender juntos, não obstante a diversidade de características apresentadas, interesses e capacidades, atendendo ao seu desenvolvimento global através da promoção da igualdade de oportunidades.
Defendendo um ensino inclusivo, a escola tem que se preparar quer ao nível de comunidade educativa, quer ao nível das estruturas para receber estas crianças e proporcionar-lhes a aquisição de novas competências. A inclusão contribuirá para que todas as crianças e jovens recebam uma educação melhor e a diversidade existente entre os membros de uma turma incrementará as oportunidades de aprendizagem de todos.
A: este: propósito: Cavaco: (2009): refere: que: “é: necessário: que: a: criança: esteja: inserida num ambiente educativo com apoio educativo, efectuado por um profissional especializado em Ensino Especial, que realize a sua intervenção não isoladamente, mas:com:o:apoio:de:uma:equipa:multidisciplinar”:(p:120)
Para além das intervenções individualizadas e apoios educativos apropriados requeridos pela diversidade educacional, consideramos também que todos os agentes envolvidos deverão desenvolver um trabalho no sentido de quebrar todas as barreiras sociais, criando situações diversas no ambiente escolar de forma a possibilitar interações interpessoais que permitam à criança o desenvolvimento das suas capacidades. Para tal é imprescindível a existência de uma formação académica consistente de todos os agentes educativos, para que exista uma maior sensibilidade e compreensão relativamente às diferenças e necessidades destas crianças, ajudando- as no desenvolvimento da sua autonomia.
No que respeita ao contributo da família para a evolução da criança, verificámos que: existe: uma: grande: preocupação: por: parte: da: família: da: “S”: na: aquisição: e: aprendizagem, que se manifesta através de um acompanhamento e participação sistemáticos no processo educativo da criança.
Conforme já foi explicitado anteriormente no ponto 15., consideramos pertinente reiterar:aqui:que:a:“S”:revelou:níveis:de:envolvimento:mais:notórios:no:que:respeita: às Experiência Individuais em detrimento das Experiências de Grupo. No entanto, ao longo dos momentos de observação realizados, verificámos que as atividades desenvolvidas não proporcionaram muitos momentos de cooperação e interação
entre os diferentes alunos da sala de ensino estruturado. Consideramos que seria importante promover atividades entre pares, de forma a impulsionar a comunicação, a aceitação e a cooperação.
Decorrendo do que foi referido neste trabalho, pensamos que toda a investigação realizada foi de encontro à questão que serviu de ponto de partida para a realização deste estudo. Através das técnicas e instrumentos utilizados foi-nos possível aferir a forma como a comunicação e a interação se processaram nas várias atividades e nos diferentes contextos escolares da aluna.
Podemos afirmar que, após a realização do estudo e analisados os resultados tendo como ponto de partida a questão de investigação, os objetivos propostos foram atingidos praticamente na íntegra.
Relativamente ao primeiro objetivo definido, ficou claro como podemos estimular a comunicação na criança autista através do incentivo ao recurso de meios alternativos: de: comunicação: ou: seja: a: utilização: da: tabela: SPC: da: “S”: não: esquecendo também o recurso às TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação).
No que respeita à definição do segundo objetivo, foi possível obter uma maior compreensão no que respeita ao envolvimento da criança nas situações de aprendizagem. De facto, o uso dos instrumentos para a realização deste estudo, permitiram-nos obter um maior conhecimento:do:desenvolvimento:e:aptidões:da:“S”: tal como já foi referido no ponto 13.1, o que facilitará a realização e definição de medidas educativas ajustadas às suas capacidades e necessidades e, consequentemente, um contributo para o sucesso do seu desenvolvimento global, permitindo-lhe melhorar a sua qualidade de vida e restringir as suas limitações, mediante o estabelecimento de interações alargadas e o estímulo de competências comunicativas.
Estamos convictos de que o estudo que apresentámos poderá proporcionar informações pertinentes para a continuidade do trabalho, bem como alertar para algumas pistas de reflexão nesta esfera de intervenção, fornecendo dados que poderão ajudar a problematizar novas questões para o desenvolvimento futuro da investigação nesta área, com vista ao encontro de outros contextos de aplicação. Consideramos que seria pertinente a realização de investigações desta natureza noutros níveis de ensino e noutras UEE, eventualmente com amostras mais significativas. Poderia igualmente ponderar-se a realização de um estudo comparativo entre crianças com a mesma tipologia de deficiência que frequentem uma escola que possui uma UEE e um outro estabelecimento de ensino onde não exista essa estrutura.