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Revue des pressions sur la biodiversité prises en compte

général du modèle GLoBIo

4.2.1 Revue des pressions sur la biodiversité prises en compte

Para Otto, no ser humano há uma faculdade como “constante antropológica” ao sentimento do numinoso, que é derivável e também não derivável, significando que o ser humano é religioso por natureza, mas que precisa também ter experiências religiosas. E somente quem tem uma experiência com o numinoso pode dizer do que trata a religião. Já no início da obra Das Heilige ele expõe sobre isso:

Convidamos o leitor a evocar um momento de forte excitação religiosa, caracterizada o menos possível por elementos não-religiosos. Solicita-se que quem não possa fazê-lo ou não experimente de tais momentos não continue lendo. Pois, quem conseguir lembrar-se das suas sensações que experimentou na puberdade, de prisão de ventre ou de sentimentos sociais, mas não de sentimentos especificamente religiosos, com tal pessoa é difícil fazer ciência da religião.33

Segundo Otto, através da experiência do numinoso o humano tem contato com o irracional da divindade. O numinoso é uma experiência vivida34 que se dá pela e na experiência como um sentimento. Ainda que aconteça através da experienciação, a experiência religiosa não deriva do reducionismo da verdade como adequação, como faz o conhecimento científico e verificável, que alia a ideia à coisa. O mesmo não acontece com o sentimento do numinoso, porque não podemos aliar o sentimento do numinoso com o objeto de onde deriva este sentimento.

Otto aplicou-se na análise das modalidades da experiência religiosa como um apriori intrínseco à natureza humana, uma disposição de sentimento ou pendor, uma disposição do espírito humano. Tal disposição de sentimento está no fundo da alma e se manifesta na/da experiência religiosa com o numinoso, o sentimento do numinoso. Este sentimento não deriva da experiência, contudo acontece através das experiências, é um apriori, desencadeado por impressões sensoriais. “Brota da mais profunda fonte do conhecimento que há na alma humana, sem dúvida nem independentes de certos dados exteriores, nem anteriormente a certas experiências sensíveis, mas nelas e entre elas”.35 A experiência religiosa vivenciada e experienciada que brota nas/das experiências sensíveis, como já enunciado, não são o apriori da experiência religiosa. Requer aqui ressaltar que se trata de meios para a manifestação do numinoso:

Existem os meios diretos: as experiências religiosas individuais; os meios indiretos: os textos das várias religiões; e um terceiro meio: a expressão do numinoso através da arte – Otto identifica o numinoso na arquitetura, na música e no estatuário. O autor identifica a presença do numinoso nas letras de hinos religiosos que, pensados de modo rigoroso, constituem-se como literatura, na medida em que são textos poéticos escritos.36

33 OTTO, Rudolf. Trad. Walter Schlupp. Op.cit., p.40.

34 Esta ideia de experiência religiosa se aproxima do que Husserl chamou de vivência (vivido). AKIRA Goto, Tommy. Op.cit., p.86.

35 OTTO, Rudolf. Trad. João Gama. Op.cit., p.150.

36 FRANÇA, Rodrigo Toledo. A fenomenologia da Religião de Rudolf Otto: uma vereda para os estudos da religião e literatura. In: DREHER, Luís Henrique (Org.). A essência manifesta: a fenomenologia nos estudos interdisciplinares da Religião. Juiz de Fora: EDUFJF, 2003, p.113.

A religião é linguagem, e se dá na linguagem, a revelação do numinoso para o homem, que se manifesta por meios diretos ou indiretos é uma rede de sentido que se constitui na linguagem. É através dos vários jogos de linguagem que o ser humano se comunica com o numinoso. Nesse sentido, os hinos religiosos são, ao mesmo tempo, um meio de comunicação do homem com o numinoso, assim como um meio de comunicação do totalmente outro para com o ser humano, através dos textos das várias religiões onde o numinoso se revela e o ser humano, a seu tempo, interpreta. “A linguagem está tão plena e a vida tão rica de coisas que estão tão longe da razão como dos sentidos! Elas pertencem ao domínio do místico. A religião faz parte desse domínio, terra incógnita para a razão”.37 No espaço da linguagem o ser humano entra em interconexão com o sagrado.

1.1.3.1 A linguagem na experiência religiosa e a estética religiosa

Ainda que se mantenha apenas a linguagem humana, o numinoso se manifesta pelo sentimento nos vários jogos de linguagem, entre eles, a arte. E o meio de representação do numinoso na arte é o excelso. “Sentimentos religiosos não são estéticos. O ‘excelso’, juntamente com o ‘belo’, ainda faz parte da estética, por mais que difiram entre si”.38 Otto vai dizer que, quando chamamos algo de excelso, reunimos características e categorias para descrevê-lo, mas a linguagem embarga a voz em pronunciar-se. A experiência diante do excelso sempre tem algo de misterioso que escapa à pronuncia conceitual: “Assim o sentimento do excelso, por sua semelhança, se aproxima do numinoso e serve para ‘suscitá- lo’, assim como pode ser ele suscitado, podendo um ‘passar para’ o outro até nele se esvair”.39 A dimensão da estética da religião é outro aspecto ao qual podemos relacionar a perspectiva de Otto.

O diálogo humano/numinoso pode acontecer diretamente, mas também pode ser manifestado por outros meios, não tão absolutamente diretos, pode acontecer através nas/das experienciações dos recursos simbólicos que remetem o ser a outro nível existencial, propiciados por meios condutores que expressam o sentimento do sagrado. Na análise Ottoniana, os meios de expressão do numinoso podem ser diretos, indiretos ou esteticamente

37 OTTO, Rudolf. Trad. Walter Schlupp. Op.cit., 2007, p.63-64. 38 Idem, p.82.

através da arte, da poesia, uma paisagem, uma música, enfim, o numinoso se manifesta diversamente, despertando o sentimento do numinoso no espírito humano. Estes acontecimentos perfazem o caminho da existencialidade humana, experienciando em vários momentos a manifestação do numinoso, que tanto pode ser algo excitado e provocado, como acontece através dos cultos e rituais, como também pode se dar num momento de total displicência cultual, mas há o desencadeamento do acontecimento no espírito. Ocorre de maneira inesperada, quando se olha um quadro (uma expressão artística), uma paisagem pode suscitar esse sentimento, quando lemos um texto poético que inunda o nosso coração de plenitude ou quando escutamos uma música que nos faz sentir o sentimento de alegria, de beatitude, de saudade, de esperança. Otto chamou de estímulos que suscitam o sentimento numinoso, sem uma causa racional, e citou o exemplo comparativo com a música:

O texto da canção exprime sentimentos “naturais”, como de saudade pela terra natal, de confiança no perigo, esperança por um bem, alegria pela posse: todos esses são aspectos concretos, descritíveis em conceitos, na trajetória humana natural. A música, entretanto, isoladamente, não o faz. Ela desperta alegria e beatitude, lampejos e temores, ímpetos e oscilações na psique sem que a pessoa possa dizer, ou algum conceito explicar, o que na música mexe com ela. [...] selecionadas por semelhança pela semelhança; em todos os casos não se pode dizer do que a música trata e por quê. Ela suscita experiências e vibrações de tipo exclusivo, ou seja, musical.40

A música, de forma analógica ao sagrado, tem o poder de causar comoção e emoções no espírito humano. Inexplicavelmente o espírito humano ao ouvir uma música, pode ter um sentimento de estar diante de algo sublime, sagrado.

1.1.3.2 A experiência religiosa e a experiência musical

A experiência religiosa assim como a experiência musical são experiências vividas e experienciadas no recinto íntimo da psique humana, sem uma causa objetiva. E inauditas em conceitos, assim que definimos caímos naquilo que Otto chamou esquematizações. Dessa maneira, apenas com expressões correlatas por semelhanças ou analogias, exprimir-se-á o sentimento dessa experiência. Cabe ressaltar, que Otto sublinhou não ser a experiência musical a mesma coisa que a experiência religiosa, mas há o que ele chamou de Lei de

associação de sentimentos e mediante correspondências há um influxo de sensações similares entre uma e outra. Os sentimentos advindos das impressões sensoriais com a experiência estética, dentre eles o excelso, através de diversos estímulos desencadeadores suscitam uma associação de sentimentos com o sagrado. Experiências estéticas não são religiosas, mas a arte pode ser uma aproximação do sentimento religioso. Como uma abertura do espírito em exprimir o inexprimível. Uma representação como meio indireto do numinoso:

Um meio positivo para expressar o sagrado nem mesmo a música possui, a qual de resto, consegue despertar toda a sorte de sentimentos. O momento mais sagrado e numinoso na missa, o da transubstanciação, mesmo a mais consumada música de missa somente o exprime calando-se, e isso literalmente e por um tempo relativamente longo, de modo que o próprio calar-se possa ir silenciando, por assim dizer. No mais, ela nem sequer se aproxima da poderosa impressão de devoção inerente a esse “calar-se perante o Senhor”.41

Do mesmo modo que a música possibilita a ascensão do espírito a uma sintonia com um nível que transcende a realidade imediata, assim também o calar-se. Na linguagem dos sons o seu correspondente contrastante é o silêncio: “Deus está presente tudo em nós se cale”.42 O efeito direto da presença no nume é o calar-se. E o recolher-se aos recônditos da alma em profundo silêncio no mais íntimo do si mesmo: no fundo da alma se dá o encontro entre o humano e o numinoso. Quando o totalmente outro se revela, a atitude natural da alma é um recolhimento em silêncio solene. O silêncio sacro.

1.1.3.3 Os meios negativos para expressar o numinoso

Indo adiante Otto citou o exemplo do “vazio” e o “nada” que a arte oriental expressa muito bem na amplidão vazia e que, por associação de sentimento, evocam em nós o sentimento do numinoso. A representação da amplidão vazia quando o quase nada por associação evoca em nós o numinoso. Otto citou o exemplo do deserto, como o excelso na horizontal da amplidão vazia que suscita o sentimento do numinoso. No ocidente, o estilo gótico na arte é outra forma de aflorar o sentimento numinoso. Na arquitetura dos imponentes templos, desde os grandes blocos de pedra esculpidos na era megalítica, as pirâmides de

41 Ibid., p.109.

Mastaba, no Egito, fazem brotar no fundo da alma um sentimento de estar diante de algo grandioso ou misterioso.

Dessa forma, Otto criou expressões ou termos fazendo alusão aos aspectos do sentimento humano diante do sagrado.