Desde o seu início o Programa Internet@EB1 entendeu que seria necessário, para o seu bom funcionamento e para a concretização dos seus objectivos, o estabelecimento de parcerias. Neste sentido, foram estabelecidas parcerias entre a coordenação nacional e as coordenações distritais, exercidas pela FCCN e pelas IES respectivamente, e as câmaras municipais – responsáveis pela manutenção dos recursos informáticos.
Laranjo (2001:13) define uma pareceria como “uma negociação entre duas ou mais partes, utilizando as capacidades de cada uma delas, tendo em vista um resultado vantajoso, no seu interesse comum, que deverá ser o interesse de um grupo social”. Uma vertente fulcral do funcionamento das parcerias é também o empenhamento de todos os parceiros. No relatório final de avaliação do terceiro ano do Programa Internet@EB1, as parcerias são definidas da seguinte forma: RC
“Uma parceria implica uma reunião de indivíduos ou instituições para a exploração de interesses em comum e o estabelecimento de sinergias resultantes da união de esforços e da rentabilização de potencialidades específicas (ideias, conhecimentos e recursos) de cada interveniente. O sucesso de qualquer parceria depende de factores como, por exemplo: (a) a partilha de objectivos e estratégias, indispensável à manutenção do rumo estabelecido; (b) o respeito pelas diferenças de cultura e estilo de cada interveniente, na tentativa de mobilizar o melhor de ambos os lados na prossecução dos objectivos estabelecidos; (c) a existência de recursos humanos com as competências e a motivação necessárias à realização do projecto e à superação de dificuldades; (d) a capacidade de adaptação a diferentes contextos (agrupamentos, escolas, professores); e (e) a existência de mecanismos de avaliação e de
feedback que evidenciem a importância da parceria e preservem o nível de responsabilização e de empenho de cada um dos parceiros” (Ponte, João Pedro, et ali, 2006:20).
No que concerne o papel da coordenação nacional – a FCCN –, não são referidos quaisquer problemas de relacionamento, sendo que esta cumpriu, segundo a coordenação distrital de Leiria, o seu papel dentro das atribuições que lhe competiam. Apenas no terceiro ano do funcionamento do programa se fez sentir, segundo o coordenador distrital, uma certa falta de apoio, resultante de alguma falta de conhecimento da realidade contextual que envolvia o programa:
“No terceiro… com mudanças é evidente, com mudanças que houve internas, começamos a sentir que o nosso apoio… o apoio que havia já… ou que as pessoas que estavam envolvidas não tinham o conhecimento profundo do que era o programa. Na FCCN é que estavam as pessoas ou pelo menos a pessoa que deu início ao programa, ao projecto e portanto tinha o conhecimento do projecto. Se vem uma pessoa que não sabe bem ou que depois ficamos sem apoio não há aquele contacto, aquele conhecimento que se tem da abrangência do programa, mas pelo menos nos dois primeiros anos ou dois e meio provavelmente, já não tenho bem a certeza as relações foram muito boas e… sempre no sentido de tentar ajudar, muito de flexibilizar as questões… não tivemos da nossa parte pelo menos razões de queixa, a não ser que algumas questões que foram levantadas, como uma maior visibilidade do projecto e outras coisas que também nunca foram conseguidas, mas pronto isso é essencialmente para todos, cada um foi-se demarcando disso e nunca houve essa força de dar essa tal visibilidade de que tanto falávamos e que exigíamos nas reuniões, isso aí também é uma função de todos” (CPP).
Quanto às responsabilidades das câmaras municipais, temos testemunhos de que estas nem sempre foram assumidas, existindo, no entanto, segundo o coordenador do projecto distrital, também “câmaras excepcionais, talvez mais pequenas, mas que também não têm quaisquer problemas e mesmo numa colaboração muito forte”. No que diz respeito especificamente à câmara municipal de Porto de Mós e às três escolas em estudo, quer os monitores, quer as professoras denunciam alguma dificuldade por parte desta câmara em prestar apoio técnico às escolas.
“A câmara está muito má a nível de acompanhamento não demos por nada. Nós íamos lá… então se a escola não tem Internet, como por exemplo a escola do Arrimal que esteve dois anos seguidos sem Internet, o que eu acho que é imperdoável. Dois anos seguidos a dizer não tem Internet, não tem Internet e um programa de Internet nas escolas sem Internet não tem qualquer utilidade” (M-4).
“Eu neste momento tenho dois computadores, os dois estão avariados, já liguei para a câmara. Entretanto vêm as senhoras da Escola Superior de Educação e nem sei se tenho aí os computadores. Portanto não temos tido grande apoio” (Prof. Carla).
“É da competência da autarquia a manutenção do material, cada vez que há uma avaria, era meses tivemos um computador avariado para aí durante quatro meses sem irem lá arranjar e era uma coisa simples” (Prof. Sílvia).
O Presidente do Conselho Executivo do agrupamento, ao contrário deste monitor e desta professora, é da opinião de que a câmara municipal tem prestado apoio quer a nível da
manutenção dos equipamentos, melhoria do hardware, quer através das “candidaturas a programas do governo para o reforço do equipamento informático” (GAPM).
Também a professora que acompanhou a EB1 da Corredoura ao longo do segundo ano do programa, ao contrário do monitor que também acompanhou esta escola, considerou que a câmara esteve sempre disponível quando solicitada.
“Sim quando pedimos apoio, a esse nível não há problemas e as autarquias também, quando são solicitados” (Prof. Tatiana).
No que diz respeito ao fornecimento de software parece não ter havido grandes falhas.
“Software, eles têm. A câmara tem dado software educativo que até chateia… [risos] nunca é demais mas têm muito software educativo” (M-4).
“O único apoio que tivemos foi a câmara municipal que cedeu alguns CDs educativos para nos depois explorarmos com os alunos” (Prof. Sofia).
Para além destas parcerias formais foram igualmente realizadas tentativas para estabelecer parcerias entre o agrupamento e o projecto Pr@net, parcerias entre os monitores e os professores, que muitas vezes se traduziram no apoio prestado aos professores, através do MSN Messenger e/ou através do correio electrónico, e parcerias com as entidades regionais do Ministério da Educação.
No que diz respeito ao agrupamento, procurou-se desde o inicio sensibilizar e torná-lo parceiro do projecto. Contudo, e segundo as palavras do coordenador do projecto Pr@net, “o que se passa e o que se verificou é que muitas vezes as informações não passam dos agrupamentos para as escolas”. Esta dificuldade de comunicação levou a que depois de contactada a sede do agrupamento se contactassem as escolas, tendo o trabalho do dia-a-dia sido restringido a cada uma das EB1.
Na opinião do monitor M-4, “o agrupamento trabalha bem. Eles são mesmo empenhados nisto. Existe mesmo apoio”. A este respeito a gestão do agrupamento afirma ter incentivado a utilização das TIC, oferecendo equipamento informático para as salas de aula e uma “actualização permanente dos professores”.
As professoras confirmam de facto a existência de ofertas de formação por parte do agrupamento, considerando, no entanto, que a formação é demasiado avançada para os conhecimentos que possuem.
“Quer dizer, ele [o agrupamento], as vezes dá, mas é a tal coisa. Eu fui fazer uma formação e já estava muito acima dos meus conhecimentos, não é… fiz uma formação acho que foi de Internet, já tinha que ter experiência de outras coisas, mas como estava com uma colega que sabia servi-me um bocado da experiência dela e fui aprender umas coisitas, mas não achei assim nada de interessante” (Prof. Cátia).
“O agrupamento, por exemplo naqueles dias antes de começarmos o ano lectivo, antes de começarmos com as crianças, houve uma acção de formação inicial do agrupamento, quando os computadores foram
para a escola. Onde nós fomos para uma sala de computadores fazer qualquer coisa, e eu rime porque éramos um grupo e não sabíamos quase nada, e eu até disse que éramos da alínea I, não sabemos quase nada, mas pronto. A boa vontade existe, mas só o computador não chega. Houveram mais, mas entretanto já estava de saída…” (Prof. Ana).
“Olhe, eles todos os anos… este ano é que eu achei que eles a nível de formação, é que eles estão um bocadinho mais fracos, mas eles todos os anos têm, têm… nos temos oportunidade de nos inscrever em acções a nível de informática e para conhecedores, para avançarmos nos nossos conhecimentos. Só que, lá está, eu quando vejo uma acção de formação a nível de computadores, eu encolho-me sempre um bocadinho. Este ano, nós recebemos lá um livrinho com as acções, vem lá acções que eu considero muito importantes, mas tem que ter conhecimentos mínimos de computadores, eu sei lá o que são conhecimentos mínimos de computadores, o que é que eles pedem?” (Prof. Carla).
À questão sobre o possível envolvimento das entidades regionais do ministério no sentido de melhorar o impacte do programa junto das EB1, o coordenador distrital do programa respondeu- nos que não houve qualquer envolvimento deles neste projecto.
“Nenhuma, nenhuma. Portanto não colocaram qualquer obstáculo, mas também não contribuíram nada para o andamento do projecto. Não colocaram obstáculos e aqui não tivemos qualquer problema, mas também não fizeram nada para dinamizar, para apoiar também não houve grande…
Quando os convidávamos para estarem presentes nalgum seminário apareciam, de facto, mas não houve assim aquele empenhamento directo, muito forte… nunca houve”.
No ano lectivo 2005/2006 o programa passou para a tutela do Ministério da Educação, mas no entanto esta mudança parece não ter beneficiado o funcionamento do programa, como nos deu conta o coordenador distrital do projecto Pr@net.
“(...) a passagem do programa para o Ministério da Educação este ano, não melhorou as coisas, em termos administrativos não melhorou. As coisas estão muito… Pode ser uma questão que seja natural, podemos encarar isto como uma questão natural, é aquela fase inicial de caos completo e que depois passado uns tempos então as coisas entram no ritmo, mas provavelmente ainda nos encontramos numa fase no caos (...) Nos aspectos administrativos tem havido mais dificuldades.
Mesmo em termos do apoio, na definição dos objectivos, como o portofólio, etc. também actualmente ainda não há grandes coisas pronto é aquele período de mudança e o projecto é um projecto a nível nacional é evidente que implica muita coisa e daí que há aqui aspectos que ainda não estejam a correr da melhor forma, há aqui prazos e ideias por concretizar… “ (CPP).
Importa referir ainda que a nível da plataforma de administração do projecto houve um recuo, pois este ano (2005/2006 – 4.º ano do programa) os relatórios dos monitores até aqui feitos na paltaforma, passaram a ser feitos em papel, o que é, a nosso entender, pouco compreensível, tratando-se de um programa de incentivação à utilização das TIC.