• Aucun résultat trouvé

Review and assessment of applications

3. ORGANIZATION AND MANAGEMENT OF THE

4.5. Review and assessment of applications

No cenário Cidade Reativa, relativo ao contexto atual observado nos municípios brasileiros, foi identificado e analisado o modelo que tem sido a referência no planejamento e na concepção dos sistemas de gestão e manejo de resíduos sólidos, bem como os seus respectivos processos de gerenciamento (objeto-modelo m1). Neste trabalho, ele foi denominado Modelo Presente. A identificação do Modelo Presente envolveu a observação e o registro da realidade predominante nos municípios brasileiros, no que diz respeito aos sistemas de gestão e manejo de resíduos sólidos, valendo-se da experiência profissional acumulada no trato desta questão. Durante a análise do Modelo Presente ficou claro onde estão localizados os seus principais “nós” e o que é possível fazer para desatá-los, considerando o atual estado da arte no campo da gestão e do gerenciamento de resíduos sólidos. A análise do Modelo Presente se encontra na seção 5.1.

A partir dos ensinamentos obtidos junto às fontes pesquisadas e apresentadas na fundamentação teórica, especificamente no capítulo 4, obteve-se subsídios e ideias para antever o modelo que será a referência no planejamento e na concepção dos sistemas de gestão e manejo de resíduos sólidos no cenário Cidade Circular (Tg), denominado Modelo Futuro” neste trabalho.

Tendo de um lado o Modelo Presente e de outro o Modelo Futuro, foi realizada uma confrontação entre ambos, à luz do conhecimento técnico acumulado no campo da gestão e do gerenciamento de resíduos sólidos. Esta confrontação possibilitou a construção do artefato projetado, denominado Modelo de Transição (constituído do objeto-modelo m2 e do modelo teórico Ts). Ele foi proposto para ser empregado como um modelo de referência no planejamento e na concepção dos sistemas de gestão e manejo de resíduos sólidos dos municípios brasileiros, em um período de transição da Economia Linear para a Circular, ou seja, no cenário da Cidade Transição (Figura 28).

Esclarecimentos prestados, apresenta-se na seção seguinte a análise do Modelo Presente e em sequência, na seção 5.2, o Modelo de Transição.

5.1 Análise do Modelo Presente

Ao analisar o Modelo Presente a primeira percepção é a de que pouco se atua para impedir, ou pelo menos reduzir, a geração de resíduos sólidos. A gestão municipal está focada no gerenciamento e no seu respectivo processo, cujo ponto de origem é a coleta, que não é seletiva, e o ponto de destino é a disposição final. Ou seja, atua-se nos impactos ao invés de se atuar nos aspectos da questão, segundo uma visão corretiva.

Barros (2012, p. 16) explica que o lixo é consequência e não causa. Assim sendo, para melhorar a gestão é preciso ter uma visão de conjunto, na qual a problemática dos resíduos sólidos seja analisada a montante da sua produção crescente, questionando os aspectos geradores dos impactos.

A observação mais atenta revela que a causa de tanto resíduo circulando e acumulando no sistema é, na verdade, a produção de bens de consumo descartados após o final da sua vida útil (Figura 29).

Figura 29 – Aspecto e impacto ambiental na geração dos resíduos sólidos.

Fonte: elaborado por Veiga (2019).

Ocorre que os produtos são concebidos, planejados e produzidos para percorrer um ciclo de vida linear, que é orientado pela lógica do “berço ao túmulo” e pelas estratégias de obsolescência. Apesar da crescente percepção por parte da sociedade quanto aos aspectos nocivos da produção industrial sobre a qualidade ambiental e a saúde humana e da vigência de instrumentos legais diversos, voltados para a proteção ambiental, boa parte do setor industrial ainda trabalha segundo o ciclo ilustrado na Figura 30.

Figura 30 – Ciclo de vida do produto na Economia Linear.

Fonte: elaborado por Veiga (2019).

Se os produtos fossem concebidos, planejados e produzidos segundo a lógica do “berço ao berço” (BRAUNGART e MCDONOUGH, 2014), o ciclo de vida do produto seria fechado e circular (Figura 31).

Figura 31 – Ciclo de vida do produto na Economia Circular.

Fonte: elaborado por Veiga (2019).

Se no Modelo Presente prevalecesse a visão preventiva, primeiramente se consideraria uma atuação nos aspectos, ou seja, esforços seriam empreendidos para alterar a configuração do ciclo e impedir, ou pelo menos minimizar, a geração de resíduos sólidos, através de medidas preventivas. Isto significa atuar no nível da gestão, através de instrumentos legais, mecanismos de sustentabilidade e arranjos institucionais proativos. Não sendo suficiente essa atuação na gestão, como medida mitigadora corretiva, restaria atuar no gerenciamento dos resíduos sólidos.

Ressalta-se que no planejamento, concepção, implantação e operação dos sistemas de gestão e manejo de resíduos sólidos especial atenção deveria ser dada à geração, pois aí se localiza o aspecto do impacto socioambiental dos resíduos sólidos. Este aspecto só pode ser equacionado através da gestão. O gerenciamento se presta à minimização e controle dos impactos.

A Figura 32 demonstra a ordem de prioridade que deveria ser seguida no planejamento dos sistemas de gestão e manejo de resíduos sólidos, para possibilitar uma atuação nos aspectos da problemática.

Figura 32 – Gestão e gerenciamento de resíduos sólidos: ordem de prioridade.

Fonte: elaborado por Veiga (2019).

O caminho para a evolução do Modelo Presente passa necessariamente pelo fechamento dos ciclos nos quais os resíduos sólidos são gerados e pela conversão dos fluxos lineares em circulares. Então, examine-se nos parágrafos seguintes a configuração dos ciclos e dos fluxos.

A Figura 30 apresenta uma configuração típica do Modelo Presente. Ressalta-se a linearidade do sistema. Identifica-se um vetor unidirecional, onde há um ponto de origem (processos produtivos e consumo) e um ponto de destino (lixões ou aterros), onde os resíduos são concentrados e acumulados.

Após o consumo, tendo em vista que o sistema de gestão falhou na redução da geração dos resíduos sólidos, entra em ação o processo de gerenciamento, onde a destinação final é igual à disposição final, configurando um modelo de ciclo aberto e fluxo linear (Figura 33). Neste tipo de modelo, a energia e os recursos naturais empregados na fabricação de produtos são convertidos em desperdício.

GESTÃO

Documents relatifs