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What is Returned?

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Algorithm Analysis

6.1.1 What is Returned?

2.1. Alergias: Introdução teórica

O termo “alergia” foi proposto no início do século XX e foi evoluindo ao longo dos anos [22], podendo atualmente ser usado para descrever uma série de condições. Já o

termo “anafilaxia” apenas foi criado em 1913[23], sendo usado para definir um aumento

violento da sensibilidade do organismo para um antigénio a que já foi exposto anteriormente. [24]

Em 2012, foi relatada mundialmente uma percentagem de 40 a 50% de crianças em idade escolar com sensibilização a, pelo menos, um alergénio.[25]

Em 2015, 150 milhões de cidadãos europeus sofriam de algum tipo de alergia crónica, sendo que metade desses aparentavam estar mal diagnosticados ou tratados de forma inadequada.[26] Se todos os doentes recebessem o tratamento ideal, estava

prevista uma poupança de 142 mil milhões de euros por ano, na Europa.[26] Isto

demonstra a relevância do tema em questão, uma vez que se prevê, até 2025, um aumento para 50% de cidadãos europeus com algum tipo de alergia.[26]

2.2. Fisiopatologia

2.2.1.1. Processo de sensibilização

É quando o sistema imunitário reage de forma exacerbada a um alergénio que uma alergia acontece. Um alergénio é uma substância comum no ambiente, em geral inócua para a maior parte dos indivíduos.[27] Aquando do contacto primórdio com o alergénio,

este liga-se às células dendríticas, que desta forma são ativadas e migram para locais onde vão apresentar às células T naive alguns péptidos derivados do alergénio. [27] [28]

Na presença de IL-4 (interleucina 4), potencialmente derivada de uma gama de células incluindo basófilos, mastócitos, eosinófilos, células T natural killer e células T, as células T naive diferenciam-se em células T Helper 2 (TH2).[27][28] Essas mesmas células TH2

são responsáveis pela produção de IL-2 e IL-13 que, juntamente com CD-40, CD-80 ou CD-86, vão conduzir à comutação da classe das imunoglobulinas das células B, iniciando-se a produção de anticorpos IgE.[27][28] Esses anticorpos IgE específicos para

o alergénio causador da reação, vão-se ligar ao recetor FcεRI dos mastócitos, num processo designado sensibilização.[28] Se novamente em contacto com o mesmo

alergénio, este vai-se ligar a essas mesmas IgE, ocorrendo a ativação dos mastócitos que vão induzir uma resposta inflamatória pela secreção de mediadores armazenados em grânulos previamente formados e pela síntese de leucotrienos e citocinas pró- inflamatórias. [28]

A intensidade da reação alérgica depende da quantidade de antigénio a par do tipo de exposição, e esta pode variar de ligeira a grave, sendo a forma mais grave o choque anafilático.[28]

2.2.1.2. Fases da reação alérgica

Aquando da reexposição ao alergénio, os efeitos da reação alérgica fazem-se sentir principalmente no local onde ocorre a desgranulação dos mastócitos. A reação alérgica imediata causada pela desgranulação dos mastócitos ocorre segundos após o contacto com o alergénio e é seguida por uma inflamação mais proeminente, conhecida como resposta de fase tardia, que pode levar entre 8 a 12 horas para ocorrer.[28]

A reação imediata deve-se à atividade da histamina, prostaglandinas e outros mediadores responsáveis pelo aumento da permeabilidade vascular e contração do musculo liso.[28]

A reação de fase tardia deve-se à síntese e libertação de mediadores pró- inflamatórios pelos mastócitos ativados. Estes mediadores incluem leucotrienos e algumas citocinas, que vão recrutar outros leucócitos e linfócitos TH2 para o local.[28]

Essa resposta tardia pode converter-se numa resposta inflamatória crónica caso o antigénio persista no organismo, estando constantemente a estimular as células TH2 específicas do alergénio, que por sua vez promovem a produção contínua de IgE.[28]

2.3. Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas agudos de uma reação alérgica dependem do local da reação e da via de contacto do alergénio com o organismo, e podem incluir vasodilatação local, causando eritema, aumento da permeabilidade vascular, tendo como consequência inchaço no local (que pode ser na pele, olhos, etc), contração do músculo liso dos brônquios e aumento da secreção de muco, levando a uma obstrução das vias aéreas.[27]

Pode também ocorrer um estímulo das fibras nervosas sensoriais da pele responsáveis pela transdução de estímulos que vão realizar uma transmissão periférica do prurido. [27] Sabe-se que as fibras amielínicas (fibras tipo C) têm um papel importante

nesta transmissão.[29]

2.4. Diagnóstico

O diagnóstico de uma alergia pode ser feito através de diferentes tipos de testes, nomeadamente medição dos níveis séricos de IgE, teste cutâneo, teste intradérmico e teste de patch.[30]

Os testes serológicos de pesquisa de IgE consistem na pesquisa de anticorpos IgE específicos, analisados por ELISA. [30] Os antigénios são colocados na placa à qual se

irá adicionar o soro do paciente e, caso este possua IgE para um determinado alergénio, este irá ligar-se ao alergénio em questão, sendo facilmente identificável a existência de uma alergia. [30]

O teste cutâneo (prick test) carece da colocação de um controlo positivo e um negativo na pele para comparação com os pontos onde vão ser introduzidos os alergénios em pesquisa. [30] É colocado o alergénio na superfície da pele que vai ser

lancetada de forma a levantar a camada superficial. [30] No local onde é introduzido o

alergénio, caso o indivíduo seja sensível, vai ocorrer a desgranulação dos mastócitos, resultando na formação de uma pápula ou urticária no local. [30] No caso de suspeita de

alergia a alimentos, pode ser feita uma picada no alimento seguida de uma picada na pele do doente. [30]

O teste intradérmico consiste na injeção do alergénio por via intradérmica numa concentração muito superior à utilizada no teste cutâneo. [30] Por esse motivo, é um teste

mais sensível que pode ter resultado positivo mesmo quando o teste cutâneo tem resultado negativo. A interpretação dos resultados é feita de forma semelhante à do teste cutâneo.[30]

O teste epicutâneo (teste de patch) consiste na colocação de um adesivo impregnado com os alergénios suspeitos durante 48h na pele do dorso do indivíduo. [31]

A leitura do resultado é feita após remoção do adesivo. [31]

2.5. Tratamento

2.5.1.1. Medidas Não Farmacológicas

O tratamento de uma alergia está dependente de muitos fatores, nomeadamente o tipo de alergia (ex. alimentar, rinite alérgica), a sua sazonalidade e intensidade, entre outras condicionantes.

Em relação às medidas não farmacológicas, estas são de extrema importância uma vez que podem ser suficientes em alguns indivíduos para controlar a sua sintomatologia. É a função do farmacêutico alertar para a relevância destas medidas, sendo a mais importante evitar ou diminuir ao máximo o contacto com os alergénios causadores, quando possível.[32]

2.5.1.2. Tratamento Farmacológico

No que ao tratamento farmacológico diz respeito, este pode passar por vários tipos de abordagens, de acordo com a gravidade e duração da reação alérgica. [32]

Em relação ao tratamento sintomático, pode referir-se principalmente o uso de anti- histamínicos orais, descongestionantes nasais, corticosteróides intranasais e ainda antagonistas dos recetores de leucotrienos. [33]

Existem no organismo quatro tipo de recetores de histamina (H1, H2, H3 e H4), sendo os H1 e H2 os mais amplamente expressos.[33] Relativamente aos recetores H1,

a histamina estabiliza-os na sua forma ativa, e os anti-histamínicos H1, pelo contrário, quando se ligam a estes, estabilizam-nos na sua forma inativa, atuando desta forma como agonistas inversos.[33] Os anti-histamínicos H1 de primeira geração, como a

Prometazina, apresentam um elevado efeito sedativo. [33] Os de segunda geração, como

é o caso da Loratadina, e os de terceira geração, como a Desloratadina apresentam um efeito sedativo menos marcado, sendo o seu uso preferencial, uma vez que são eficazes e seguros a curto e longo prazo e não apresentam o efeito adverso da sedação.[33]

Em relação aos descongestionantes nasais, como é o caso da Fenilefrina, estes têm uma ação simpaticomimética indireta, promovendo a libertação de norepinefrina, levando à estimulação dos recetores adrenérgicos alfa, o que leva a uma vasoconstrição, aliviando os sintomas nasais. [34]

Em relação aos corticosteróides intranasais (CI), estes podem ser usados como primeira linha no tratamento de doentes com sintomas persistentes de rinite alérgica (RA) e em doentes com asma alérgica, podendo ser usados em monoterapia ou em combinação com anti-histamínicos orais, mostrando elevada eficácia na diminuição da inflamação da mucosa nasal e também na redução de sintomas oculares e das vias aéreas inferiores.[33] Estes penetram facilmente a mucosa e vão interagir com

os recetores dos glucocorticoides, inibindo a expressão de mediadores pró- inflamatórios, tendo assim uma ação anti-inflamatória.[35] O papel do farmacêutico é

fulcral no caso do aconselhamento do uso adequado destes medicamentos, uma vez que uma aplicação inadequada dos mesmos pode diminuir consideravelmente a sua eficácia. [33]

Existem ainda os antagonistas dos recetores de leucotrienos, como é o caso do Montelucaste, que também demonstram eficácia no tratamento dos sintomas da rinite alérgica e da asma, ainda que inferior à dos CI. [33] Estes ligam-se a recetores dos

cisteínil leucotrienos (Cys LT), inibindo a broncoconstrição, secreção de muco e permeabilidade vascular. [36]

O uso deste tipo de fármacos deve ser considerado no tratamento de RA quando os anti-histamínicos orais, CI ou a combinação de ambos não permitem um controlo eficaz dos sintomas. [36] No caso do tratamento não ser suficientemente eficaz, mesmo

com o uso de antagonistas dos recetores de leucotrienos, deve ser então considerada a imunoterapia específica com alergénios. [36]

O único tratamento que não é apenas sintomático e pode alterar o curso natural da doença é a imunoterapia específica com alergénios.[37]Este tratamento é utilizado

nas alergias mediadas por IgE, como é o caso da rinite, conjuntivite e asma alérgicas, assim como em algumas alergias alimentares.[37] Antes de se iniciar este tratamento é

necessário que haja uma avaliação da presença de IgE específicas, feita através dos testes cutâneos referidos no ponto 2.2.4. deste relatório.[37]

Depois de esclarecidos os alergénios sensibilizantes, é administrada uma vacina com extrato dos mesmos o que, a longo prazo, vai modificar a resposta do sistema imunitário a esses mesmos alergénios.[37] Esta imunoterapia tem a capacidade de

prevenir o aparecimento de asma em indivíduos com rinite. [37]

Existem duas vias de administração possíveis: a via subcutânea (a mais utilizada) e a via sublingual, sendo em ambas o tempo médio de tratamento de 3 a 5 anos. [37]

2.6. Enquadramento, objetivos e métodos

O dia mundial das alergias foi celebrado pela primeira vez no dia 8 de julho de 2005 pela Organização Mundial de Saúde e a Organização Mundial da Alergia, com o intuito de alertar as pessoas para a importância do tratamento das alergias. Mais tarde, em 2011, para promover a participação de mais pessoas a nível mundial,[38] foi estabelecida

a Semana Mundial da Alergia, que ocorre anualmente, sem uma semana definida. Posto isto, de modo a facilitar a celebração do dia, muitos países continuaram a fazer a celebração no dia 8 de julho de cada ano, inclusivamente nas Filipinas, onde o dia 8 de julho se tornou o Dia Nacional das Alergias.[39]

Resolvi então, para celebrar o Dia Mundial das Alergias, realizar um folheto [Anexo 3] elaborado através da ferramenta PowerPoint, que foi distribuído pelos utentes que se dirigiram à farmácia no dia 8 de julho de 2020.

Idealizei um folheto de fácil compreensão com as informações mais importantes a reter sobre o assunto, que incluiu uma breve descrição do que é uma alergia, os principais sintomas e a forma de reconhecer uma alergia, uma vez que, pelo que me fui apercebendo durante os atendimentos, alguns dos sintomas são por vezes confundidos pelos utentes com os sintomas de uma constipação. Referi ainda os alergénios mais comuns, de forma a que os utentes pudessem associar o contacto com alguns destes a um início ou agravamento dos sintomas, facilitando no autodiagnóstico. Referi ainda a importância de procurar sempre um aconselhamento especializado.

Visto ser um folheto de celebração de um dia específico, este foi distribuído pelos utentes apenas nesse dia e, de forma a chegar ao número máximo de pessoas num curto período de tempo, tanto eu como a restante equipa da FP juntamos o folheto no saco com os medicamentos no fim de cada atendimento, sempre com a devida autorização do utente, fazendo uma breve explicação sobre o tema.

2.7. Resultados e conclusões

Os utentes mostraram-se bastante recetivos e interessados no projeto, possivelmente por ter sido realizado em altura de primavera quando a concentração polínica se encontra elevada relativamente ao resto do ano, desencadeando crises de rinite alérgica. Os panfletos estavam pousados no balcão de atendimento e alguns dos utentes questionavam se podiam levar um antes de o colocarmos no saco.

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