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4 Installation

4.4 Liaisons de cavalier pour sorties de relais

4.4.1 Retrait du contrôleur de son boîtier

A política hegemônica é entendida em Gramsci como sendo uma combinação de ações do Estado através da liderança, da imposição, da concessão e da dominação entre classes e blocos de classes. A sistematização desses ideais de consenso é estabelecida a todo momento no espaço ideológico da sociedade civil, ou seja, no espaço cultural, e todos nós intelectuais estamos envolvidos nessa trama, ora de forma consciente, ora inconsciente - pensamentos e ações dicotômicas aparecem comumente nas ações profissionais, pessoais e sociais. Sob a ótica Gramsciana o Estado é invariavelmente o “gerenciador” do plano visível do consenso político e ideológico frente às necessidades básicas da sociedade, as quais ele elege.

[...] nas condições políticas concretas de uma crescente intervenção do Estado na sociedade civil e do reformismo como resposta às demandas feitas na arena política, quando sindicatos e partidos políticos de massa se organizam e quando a economia transforma-se no chamado CAPITALISMO ORGANIZADO, a forma de hegemonia muda e a burguesia se engaja no que Gramsci chama de revolução passiva. Assim, a base material da hegemonia é constituída mediante reformas e concessões graças às quais mantém-se a liderança de uma classe, mas pelas quais outras classes têm certas exigências atendidas. A classe que lidera ou a classe hegemônica é, assim, na definição de Gramsci, verdadeiramente política porque vai além de seus interesses econômicos imediatos (pelos quais pode até ter lutado na arena política) para representar o avanço universal da sociedade (BOTTOMORE, 1983, p. 177-178).

Pode-se perceber aqui que existe uma relação de interligação entre as instâncias da economia, do Estado e da sociedade civil (formando o bloco histórico), fazendo com que se influenciem recíproca e constantemente. Assim, a hegemonia de uma classe está diretamente ligada a sua capacidade intelectual de intervenção sobre as demais.

O “bloco histórico”, que é o conjunto de classes dominantes, instaura seu poder por meio do consenso. Daí a necessidade de se entender a hegemonia na totalidade da vida humana. No processo de construção de uma nova hegemonia, nossa percepção de “nós mesmos” e do “nosso mundo” é transpassada pelo papel da ideologia e da educação. Essa dita nova hegemonia é inciada a partir de um movimento contra-hegemônico e, portanto, cultural.

Nesse processo o intelectual orgânico pode ser interpretado como o educador/ativista que deve se integrar às diferentes classes, mas prioritariamente às menos favorecidas, para o fomento de uma nova cultura, de uma visão de mundo diferente e oposta aos interesses da classe dominante. Sua práxis pode então ser caracterizada como instigadora de um processo educativo diferenciado, gerador de ações e situações que incentivem o pensar e agir na perspectiva de uma formação política. De fato, o papel da educação na construção contra-hegemônica é verdadeiramente em prol de uma formação crítica e transformadora da sociedade civil. Influenciado pelo pensamento em Gramsci, Paulo Freire defendia a ideia de que é principalmente na prática educativa, no cerne das escolas, que ocorre a maior possibilidade de ascensão das massas exploradas a outro patamar.

Note-se que toda ação hegemônica é também uma ação pedagógica, pois incita à prática de atitudes passivas diante da dominação ideológica (fenômeno esportivo, consumo compulsivo, o padrão de corpo e beleza, dentre outros).

Também o consenso, já citado, pode ser formado através da orientação ideológica dominante tanto no aparelho do Estado quanto no aparelho civil - aparelhos esses privados e públicos da sociedade organizada que desempenham função massificadora e, para Gramsci, são formadores da superestrutura: escola, mídia eletrônica e impressa, associações, sindicatos, partidos políticos e outros. Estes, no entanto, também podem ser usados para promover ações contrárias, ou contra-hegemônicas; ações capazes de (re)elaborar consciências, (re)estabelecer novos parâmetros críticos e produzir diferentes releituras para um mesmo fato.

Ou seja, toda classe social tem a sua ideologia, e o que se busca socialmente é fazer com que a maioria da população, ou seja, da sociedade, pense conforme a ideologia de uma determinada classe. Alcançar a condição de ser essa determinada classe (a classe determinante) é o que as classes organizadas estão em busca. Para alcançarem o poder hegemônico, as classes hoje submetidas precisam justamente elaborar sua própria ideologia - ou visão de mundo – de uma tal forma

coerente e homogênea que favoreça as condições de enfrentamento com a ideologia dominante.

Vivemos numa sociedade capitalista, onde o comportamento social gira em torno da produção. Acontece, porém, que só se produz muito, assim como só se obtém bons lucros (a mola propulsora do sistema), com muito trabalho, ou seja, muita produção. Dessa forma, sendo eu o elemento intermediário (empresário - a mais simbólica das figuras do sistema), hei de procurar pagar o mínimo pelo produzido (a quem produz) e tentar vendê-lo ao máximo e/ou pelo máximo para me manter numa base de sobrevivência confortável (meu negócio tanto mais valerá a pena quanto mais lucro me proporcionar). Preciso então que as pessoas comprem/consumam cada vez mais o meu produto e, já que os princípios que contornam minha margem de vantagem podem ser não só bastante questionáveis como também dispendiosos, o ideal é que faça tudo acontecer sem ter que abordar aspectos diversos como, por exemplo, meios de produção, relação com empregados, matéria-prima ou mesmo o destino dado ao lixo da produção. Isso requer uma representação dos meus interesses nas instâncias que respondem pela ordem da República Federativa Nacional: os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. Essa, aliás, é a representação da infraestrutura e da superestrutura do nosso país, que vive com base no sistema capitalista. A escola e os intelectuais orgânicos estão representadas e sendo também representantes nessas instâncias - mas de quais ideais?

Freire (2001) sempre defendeu a ideia que nós seres humanos somos inacabados e que, portanto, percorremos o tempo e o espaço através de um movimento cíclico em que as ideias e os ideais podem ser desconstruídos e reinventados a todo instante - outro mundo possível. Mundo que reivindica, hoje como nunca, a opção de uma educação libertadora e talvez resida aí o maior desafio da educação: o desafio da esperança, da crença em nossa possibilidade de “recriar” o mundo.

Tecendo uma análise aproximada da cultura Gramsciniana (cujo materialismo tomei como base) e daquela visitada através dos demais autores aqui evocados, aproximo-me do meu objeto de estudo pela perspectiva da Educação Física, o que me induz a determiná-lo como sendo a cultura corporal.

3.2 O OBJETO DE ESTUDO DA ÁREA DE EDUCAÇÃO FÍSICA: A CULTURA

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