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Results for different parameters values: a sensitivity analysis

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A infertilidade sem causa aparente (ISCA) remete a um termo de diagnóstico da medicina, que é anunciado todas as vezes que a causa da infecundidade não é localizada no corpo da mulher ou do homem, isto é, não há sinal ou sintoma de alterações relacionadas à reprodução (Diniz & Costa, 2006). Moghissi (1997) salienta que “infertilidade sem causa aparente”, “infertilidade inexplicada” e “infertilidade idiopática” são terminologias empregadas para se referir à falha de um casal de conseguir uma gravidez, embora a avaliação médica completa não identifique os motivos. Nestes casos, os casais realizam uma série de exames laboratoriais e clínicos na fase de investigação na tentativa de encontrar no corpo biológico alguma alteração que estaria impedindo a concretização da gravidez, todavia, os recursos tecnológicos disponíveis não revelam qualquer alteração, deixando a equipe médica e o paciente envolvidos no enigma sobre tal impossibilidade e sem resposta diante seus questionamentos.

Moghissi (1997) ainda destaca que quanto mais abrangentes as investigações de fatores etiológicos da infertilidade, maior é a oportunidade de se detectar quais os fatores responsáveis pela impossibilidade de engravidar, o que diminuiria os erros do diagnóstico de infertilidade sem causa aparente. É sobre os erros deste diagnóstico que Perelson (2013) faz um alerta, enfatizando que a não revelação de alterações orgânicas, que justificassem o

fracasso da reprodução, durante a investigação etiológica, tende a atribuir,

indiscriminadamente, as causas da infertilidade sem causa aparente a fatores psíquicos. Segundo a autora, “[...] quanto mais vasto torna-se o campo de observação e manipulação da infertilidade, quanto mais as infertilidades tornam-se explicáveis e tratáveis fisiologicamente, maior é a certeza dos médicos de que aquilo que escapa a esse campo deve ser explicado e tratado, necessariamente, como tendo uma gênese psíquica inconsciente, ou seja, deve ser definido como uma infertilidade psicogênica (p.247)”.

Todavia, Sylvie Faure-Pragier (1997, citado por Perelson, 2013) afirma que a noção de infertilidade, enquanto algo da ordem da psicogênese, não é isenta de problemas. Não se pode pensar a infertilidade dentro de uma concepção dualista, a qual supõe que mente e corpo não estariam relacionados entre si. Portanto, não se pode sustentar uma visão que conceberia o psiquismo como alheio às causas orgânicas (Perelson, 2013).

De acordo com a Trindade e Enumo (2002), a revisão de literatura realizada por Stanton e Dunkel-Schetter, em 1991, revela que as pesquisas que investigam as bases psicológicas envolvidas na infertilidade seguem dividas a partir de três modelos. Até a década de 70 predominou o modelo da hipótese psicogênica, o qual preconizava que as causas da infertilidade teriam base em uma doença psicossomática. Historicamente, os estudos sobre a infertilidade no campo da psicologia focava a mulher, pois se sustentava que esta tinha um relacionamento hostil com sua mãe, sendo muito dependente desta, além de desenvolver conflitos acerca da maternidade (Moreira, 2004). Trindade e Enumo (2002) apontam que “os pesquisadores da época atribuíam esses mecanismos psicogênicos a conflitos relacionados ao papel materno, a problemas com a identidade sexual feminina, à imaturidade feminina e à neurose” (p. 153).

Todavia, estudiosos que se empenharam em realizar uma revisão da literatura sobre a psicogênese da infertilidade, concluíram que tais estudos não apresentavam evidências consistentes que pudessem assegurar uma causa psicológica na infertilidade. Assim, a teoria de infertilidade psicogênica que era altamente aceita pela comunidade médica até a última parte do século, vai perdendo seu espaço diante os avanços tecnológicos, os quais permitiram maior precisão na investigação diagnóstica (Trindade & Enumo, 2002).

O segundo modelo que surgiu era voltado para intervenções que pudessem melhorar a qualidade do atendimento aos casais (Trindade & Enumo, 2002), tendo em vista que a infertilidade pode ser vivenciada enquanto um sofrimento intenso e ameaçador. Já os estudos mais recentes, por sua vez, buscam entender a influência negativa do estresse psicológico sobre a infertilidade, visto que esta vivência é considerada por muitas mulheres como “o mais estressante evento de suas vidas” (Moreira, 2004), a qual envolve sentimentos de perda e o comprometimento da autoestima, prejuízo no relacionamento conjugal e social, além de implicar várias idas ao consultório médico e procedimentos invasivos.

A partir deste novo modelo, diversos estudos (Moreira, Lima, Souza & Azevedo, 2005; Negro-Vilar, 1993; Smith & Dobson, 2002; Warren & Fried, 2001) têm apontado o estresse como fator desencadeante de alterações na função reprodutiva em diversos aspectos. Ressalva-se que a influência dos estados psicológicos sobre a reprodução apresenta um perfil multifatorial, sendo muito difícil, senão impossível, determinar relações lineares de causa e efeito (Moreira, 2004).

Mesmo diante do desafio em se estabelecer uma relação mais próxima sobre quais fatores e como os estados estressores repercutem sobre a infertilidade, a busca por maior

compreensão desta relação tem sido alvo de investigação científica via resposta endócrina. Em tais investigações presume-se que os agentes estressores reduzem a fertilidade feminina pelas influências que causam nos mecanismos regulatórios da função reprodutiva por meio de

alterações de conexões nervosas, neurotransmissores e hormônios (Moreira, 2004).

Como já se sabe, a função reprodutiva humana depende de complexas interações entre o sistema nervoso central, hipófise, ovários, outras estruturas endócrinas e órgãos reprodutivos. Assim, para que ocorra o ciclo menstrual é necessário que haja uma função ovulatória regular, o que depende, além da integridade anatômica das diversas estruturas do eixo reprodutivo, de uma sincronia entre suas ações. Contudo, a função cíclica ovariana pode ser facilmente perturbada pelo estresse, levando à interrupção temporária das menstruações e, consequentemente, à infertilidade (Moreira, 2004).

Para Ferin (1999), trabalhos referentes à resposta endócrina ao estresse consideram a possibilidade de um evento estressor, conhecido ou latente, inibir o eixo hipotálamo-hipófise-

gonadal (HPG) e acarretar irregularidade menstrual, amenorreia3 e infertilidade. Em tais

pesquisas, discute-se a ideia de que através da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), induzida pelo estresse, reduziria a pulsatilidade do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina). O GnRH é um hormônio sintetizado pelo hipotálamo, que age sobre a hipófise e leva à liberação das gonadotrofinas (Hormônio Luteinizante [LH] e Hormônio Folículo-estimulante [FSH]), responsáveis pelo crescimento e maturação dos óvulos. Assim, quando ocorre uma redução na pulsatilidade do GnRH, há uma privação de adequado suporte de gonadotrofinas, o que resultaria na anovulação. Tal processo implicaria uma alteração do eixo HPG (Warren & Fried, 2001; Smith & Dobson, 2002).

Mas como relacionar a infertilidade sem causa aparente, neste último modelo, em que o estresse desencadeia alterações orgânicas e fisiológicas, quando não é possível evidenciar qualquer alteração dessas ordens? Leach et al. (1997) defendem a hipótese de que os casos de infertilidade sem causa aparente podem implicar em uma possível alteração sutil do sistema reprodutivo, contudo, significativa o suficiente para pertubar, por exemplo, a função hipotálamo-hipófise-ovariana. Tal alteração pode, muitas vezes, não ser detectada pelo padrão de avaliação da infertilidade, pois estaria em estágios iniciais de um contínuo que leva o ovário à senescência.

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Moghissi (1997), ao discutir a infertilidade sem causa aparente, também defende a ideia de que o estresse pode influenciar o estado infértil através de controle autonômo ou neuroendócrino do processo reprodutivo.

Catecolaminas produzidas em excesso como resposta ao estresse podem, de alguma forma, afetar a ovulação direta ou indiretamente, por aumentar a estimulação adrenal pelo hormônio adrenocorticotrófico ou por induzir hiperprolactina. Alguns estudos têm mostrado que traumas psicológicos podem levar a alteração nas catecolaminas e endorfinas, resultando em anovulação e amenorreia. O estresse relacionado ao exesso de catecolaminas pode também afetar a atividade da trompa e o transporte dos gametas (Moghissi, 1997p. 148).

Para Moghissi (1997) muitas etapas essenciais do processo reprodutivo acontecem nos recantos mais íntimos do trato reprodutivo, no qual a investigação diagnóstica não é viável, tanto por razões éticas quanto práticas. Dessa forma, a avalição médica se contenta com as evidências diagnósticas indiretas, como por exemplo, investigar a ocorrência da ovulação por meio da curva térmica ou do nível elevado de progesterona plasmática. Tal investigação lhe permite apenas inferir se tal ovulação ocorreu ou não. Portanto, pode-se dizer que há vários fatores passíveis ou não de se evidenciar, comprometendo o processo de reprodução, muitos dos quais podem ser influenciados pelo estresse psicológico.

Neste sentido, o campo da infertilidade sem causa aparente traz muitas perguntas e questionamentos, muitos dos quais estão para além do atual campo de conhecimento da medicina e suas possibilidades de observação. Este trabalho se arrisca ainda em afirma que existem questões pertinentes a este diagnóstico que estão para além do corpo, ou seja, daquilo que é meramente orgânico. Faz-se necessário, então, indagar sobre o que escaparia deste atual saber científico, de maneira a tentar entender uma possível relação entre estresse, infertilidade sem causa aparente e o inconsciente .

Com base em uma perspectiva psicanalítica, defende-se a hipótese de que há algo do inconsciente que perpassa a escuta científica subjacente à fecundidade humana. Ressalta-se que o presente trabalho, não nega a importância dos fatores orgânicos envolvidos na infertilidade, contudo, se propõe em ir além do biológico ao investigar. Portanto, é sobre o medo e estresse, que apontam para uma defesa psíquica do ego diante de ameaças internas e externas, que essa pesquisa vai se debruçar, a fim de entender se suas manifestações podem estar relacionadas à ISCA.

Assim sendo, é preciso questionar sobre: “o que está acontecendo inconscientemente com a mulher e de que maneira isso pode leva ao quadro de Infertilidade sem causa

aparente?”. Para entender esta problemática, a presente pesquisa aposta que haveria algo da ordem do medo das mulheres que merece maior atenção, já que, do ponto de vista das produções do inconsciente, a infertilidade talvez possa ser considerada outro sintoma.

Mas o que é sintoma para a psicanálise? Tal questão se faz imprescindível para a discussão dessa pesquisa, já que o conceito de sintoma empregado na teoria psicanalítica invoca o “surgimento” da singularidade do sujeito diante a concepção de patologia na contemporaneidade, rompendo então com o pensamento científico vigente.

4 PENSANDO A INFERTILIDADE SEM CAUSA APARENTE A

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