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de uma exposição na Fundação Planetário no Rio de Janeiro

A renovação e a dinamização dos Centros de Ciência cujo objectivo máximo é estimular o espírito crítico e a curiosidade de todos os indivíduos, promovendo a alfabetização científica da sociedade, passa pela elaboração de exposições temporárias, que se forem itinerantes, ampliam o seu raio de actuação como elemento difusor da Ciência (Pizarro, 2007).

A curiosidade, que se define como o grau segundo o qual um indivíduo canaliza os seus recursos cognitivos para nova informação ou estímulo, característica intrínseca ao ser humano, impele-o a procurar o novo (Sandifer, 2003). Por isso, a novidade de uma exposição, é um factor de atracção a ter em conta, quando se quer cativar os visitantes.

Pizarro (2007), presidente da Fundação Planetário, no Rio de Janeiro, refere que quando pensam em projectar uma nova exposição e depois

de já terem escolhido o tema, procuram factores de atracção que aliciem o maior número possível de indivíduos (Pizarro, 2007). Albagli (1996) defende que o que motiva os cidadãos a visitar uma exposição é “a

descoberta, a exploração a aventura; não é a procura de informação ou educação.” Assim, Pizarro (2007) refere que quando procuram factores de

atracção pensam logo na inserção de elementos lúdicos na exposição. Embora o “lúdico”, na forma de jogos em oficinas ou mesmo visitas guiadas, seja mais fácil de ser percebido, nada impede que também possa ser aplicado na sua forma tridimensional em módulos expositivos, interactivos ou na programação visual. Uma vez que o público-alvo é heterogéneo, a exposição deve contemplar vários níveis de interactividade (níveis de interactividade de Wagensberg, 1998), provendo os diferentes níveis de interesse do público.

Após a selecção do tema é elaborado um estudo de procedimentos com o objectivo de optimizar as fases: conceptual, de elaboração e execução do projecto, e de implantação.

Fase conceptual

Nesta fase a equipa responsável pela concepção da exposição faz uma pesquisa detalhada tendo em vista as características essenciais e indispensáveis a serem transmitidas ao público. Os critérios que geralmente utilizam, não seguindo sempre a mesma ordem são os seguintes:

- importância científica; - importância histórica; - potencial lúdico;

- inclusão no currículo da rede escolar; - exequibilidade no espaço disponível;

- exequibilidade no orçamento médio disponível; - portabilidade a outros espaços.

Desta selecção nasce um documento que vai servir de base de trabalho à empresa seleccionada para a construção da exposição.

Fase de elaboração e execução do projecto

Esta empresa dá início ao trabalho de arquitectura e design que conduzirá ao projecto final onde estarão referenciados todos os mínimos detalhes da exposição. No desenvolvimento do projecto há determinadas orientações que são fundamentais a equipa conhecer como sejam:

- os visitantes (público-alvo da exposição);

- os tipos diferentes de visita (grupo, individual, familiar, escolar);

- importância da característica lúdica na mostragem dos conceitos científicos;

- simplicidade na montagem e na desmontagem; - facilidade no transporte;

- resistência no transporte; - facilidade de manutenção;

- preço compatível com o orçamento médio de exposições;

- qualidade e aspecto visual compatíveis com a exposição permanente e o ambiente em redor.

No desenvolvimento do projecto tem-se ainda em conta que:

- o conteúdo seja tratado nos textos, imagens e objectos sempre de

forma clara e objectiva para a correcta percepção dos visitantes; - os elementos da exposição sejam esteticamente agradáveis e apelativos;

- os elementos da exposição contemplem todos os conteúdos propostos;

- que o encadeamento dos conteúdos obedeça a uma sequência lógica e clara das informações para facilitar o seu entendimento.

No final, depois de muitas alterações obtém-se o projecto executivo, que contém detalhes com o máximo pormenor de toda a exposição, bem como instruções de montagem e desmontagem.

Fase de implantação

Os módulos elaborados são protótipos que, da ideia até à construção, vão sofrendo numerosos reajustes. De acordo com informações dadas pelos visitantes, mesmo após a inauguração, vão sendo feitas alterações até se obterem os módulos definitivos.

Nesta fase procede-se à divulgação da exposição através da elaboração de elementos de divulgação da exposição (cartazes, convites, etc.). Organiza-se a cerimónia de inauguração e dá-se formação aos monitores que vão guiar as visitas.

A exposição depois de aberta ao público, permanece um certo tempo na Fundação Planetário antes de passar a itinerante. Nesta fase inicia-se a actividade de manutenção da exposição.

Fase itinerante

A realização de um manual de montagem e desmontagem da exposição é fundamental, bem como a inventariação dos módulos. A contratação de empresas especializadas no transporte da exposição é fundamental para garantir o bom acondicionamento dos módulos e remontagem adequada.

Santos et al. (2005), consideram que as exposições científicas itinerantes com as suas informações, as suas imagens e as suas possibilidades de interacção, podem auxiliar a difundir a cultura científica, fornecendo elementos que podem contribuir para modificar concepções e avaliações prévias dos seus visitantes. Porém, segundo os mesmos

valores e crenças e não à simples empatia, adesão ou rejeição dos meios e mensagens apresentados”, é fundamental que os fenómenos e as

teorias científicas abordadas, não sejam divulgadas de forma superficial, mas que se tenha a preocupação de transmitir a informação de uma forma acessível para o público, procurando respeitar o método científico e sem se cair na sua simplificação extrema ou na sua banalização.

Todavia, a essência e a qualidade das exposições itinerantes deve ser bem vigiada, para não correrem o risco de serem desvirtualizadas, pois em cada nova montagem, podem ocorrer alterações quer na distribuição espacial e organizacional, quer na transmissão da mensagem científica original, uma vez que diferentes actores (professores, monitores, investigadores), vão tomar parte em diferentes momentos da sua acção educativa (Gruzman e Siqueira, 2007).

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