Os meios de comunicação têm como característica primordial a facilidade na transmissão de informações aos cidadãos, permitindo mobilidade, agilidade e instantaneidade na difusão de notícias que atingem direta e indiretamente a comunidade. A comunicação social, além disso, é responsável por conectar a sociedade aos acontecimentos diários, representando em formato de informação o que se passa no cotidiano do cidadão.
Thompson (2013) ao discorrer sobre mídia e modernidade, expõe o avanço dos meios de comunicação e sua crescente importância social, e explica em que consiste e qual a relevância da produção e transmissão de conhecimentos. Ao falar sobre comunicação, ele a caracteriza “como um tipo distinto de atividade social que envolve a produção, a transmissão e a recepção de formas simbólicas e implica a utilização de recursos de vários tipos” (THOMPSON, 2013, p. 44). Desta forma, a comunicação social é exposta como essencial à sociedade e como uma forma de representação da realidade.
Esses meios de que trata o autor, por sua vez, foram sendo desenvolvidos e aprimorados ao longo do tempo. Desde a prensa tipográfica de Guttemberg, desenvolvida no século XV, usada para a impressão de livros e jornais, até os modernos jornais digitais, buscou-se diferentes e melhores formas para garantir a transmissão cada vez mais veloz da informação. Thompson (2013) conclui, então, que o meio técnico é nada mais que “o substrato material das formas simbólicas, isto é, o elemento material com que, ou por meio do qual, a informação ou o conteúdo simbólico é fixado e transmitido do produtor para o receptor” (THOMPSON, 2013, p. 44).
Além de suas características já conhecidas e de sua relevância para que o cidadão se mantenha constantemente informado, a mídia deve seguir alguns preceitos para sua constituição
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como tal. Mesmo na era das chamadas Fake News32, que se expandem cada vez mais e prejudicam não só os profissionais da comunicação como também os indivíduos em geral, a transmissão fiel da realidade ainda permanece como um dos principais preceitos midiáticos, para que a narrativa dos fatos não seja deturpada em prol de interesses particulares. Para Assis, Silva e Frederico (2016, p. 2),
As mídias de uma forma geral, através da sua escrita e de suas figuras de linguagem, constituem narrativas acerca de determinados agrupamentos ou acontecimentos como no caso das notícias veiculadas sobre o movimento migratório e as/os migrantes. Esse discurso, da forma como é construído, pode produzir representações visibilizando-as, ou não, desconsiderando quaisquer personagens que fujam da norma instituída pela imprensa.
Mesmo contando com o princípio da verdade, a objetividade também não deixa de ser um dos principais preceitos da comunicação social, visto que notícias e informações subjetivas também buscam beneficiar particulares, muitas vezes apelando e defendendo um dos lados presentes na informação. Essa subjetividade encontrada em muitos meios de comunicação, desta forma, torna-se prejudicial a partir do momento em que o público passa a ser influenciado para gerar uma opinião específica sobre um acontecimento.
Ainda, segundo Assis, Silva e Frederico (2016), que tomam como tema a imigração, o posicionamento e a opinião demonstrados pela mídia interferem na visão do cidadão sobre a realidade.
Ainda é possível notar que o posicionamento político e ideológico da mídia interfere diretamente na positivação ou negativação de qualquer imigrante. Além disso, não se pode negar a importância do peso da cultura que cada notícia carrega, e quais as influências dela na construção de uma imagem seja ela coerente ou não com a realidade. (ASSIS; SILVA; FREDERICO, 2016, p. 13)
À vista disso, expõe-se a importância da mídia como transmissora da realidade e, ao mesmo tempo, sua responsabilidade perante a sociedade, que por ela é influenciada.
Apesar dos percalços, no entanto, é indispensável dissertar sobre a importância dos meios de comunicação, compreendidos como a “voz social” e necessários para o constante conhecimento do público e compreensão do que se passa na realidade. Stuart Hall, importante teórico cultural e sociólogo jamaicano, define a mídia como narradora dos fatos sociais, além
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da conexão que o desenvolvimento dos meios comunicacionais permitiu, aproximando fatos e pessoas do mundo inteiro.
Em primeiro lugar, há a narrativa da nação, tal como é contada e recontada nas histórias e nas literaturas nacionais, na mídia e na cultura popular. Essas fornecem uma série de estórias, imagens, panoramas, cenários, eventos históricos, símbolos e rituais nacionais que simbolizam ou representam as experiências partilhadas, as perdas, os triunfos e os desastres que dão sentido à nação. Como membros de tal "comunidade imaginada", nos vemos, no olho de nossa mente, como compartilhando dessa narrativa. Ela dá significado e importância à nossa monótona existência, conectando nossas vidas cotidianas com um destino nacional que preexiste a nós e continua existindo após nossa morte. (HALL, 2006, p. 52)
A narrativa da nação, conforme o autor explica, é produzida por indeterminados fatos que compõem o cotidiano social, sendo eles relativos à cultura, trabalho, política, economia, lazer, educação, dentre tantos outros.
Desta forma, a mídia, hoje, é compreendida não apenas como consequência da tecnologia, mas também como uma necessidade para a sociedade moderna. A conexão entre pessoas e culturas é tomada como um dos maiores bens, e o melhoramento tecnológico desses meios amplia a facilidade na busca por informação e diminui cada vez mais o tempo entre o acontecimento, a transmissão da notícia e o acesso pelo cidadão. Além disso, o desenvolvimento de meios como a televisão, o computador e o celular levou a uma maior interação entre as pessoas, coincidindo em mais ampla convivência social (NILO, 2010).
Para Sousa (2011, p. 258), “os meios de comunicação, através do nascimento da imprensa, possibilitam a constituição de uma consciência nacional”, consciência essa que une desde pequenos grupos comunitários até milhões de pessoas ao redor do mundo, ao tornar-se internacional. Além da ampliação da consciência, da união de pessoas em prol de um objetivo, permitida pelo avanço das comunicações e da mídia, no entanto, o sentimento de identidade também busca apoio nos meios comunicacionais para sua efervescência. Ainda para Sousa (2011, p. 258)
Da mesma forma, este ponto é discutido por pensadores latino-americanos, como Canclini (2010) e Martin-Barbero (2011), quando argumentam que a mídia como rádio, televisão e cinema operam como um espaço de construção da identidade (nacional, cultural e social) e de um sentimento nacional.
O sentimento de pertencimento a uma determinada cultura, desta forma, é ampliado pela mídia, visto que esta leva as culturas e tradições de um local para as mais diversas partes do mundo, desta forma, mesmo ao ter de sair de seu país, um indivíduo pode acompanhar seus
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hábitos e tradições. A grande distância que o separa da comunidade que compõe sua identidade torna-se, desta forma, diminuta.
4.2 DESENVOLVIMENTO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E DIMINUIÇÃO DE