6 Computational Experiments
6.3 Result analysis
Remoção da unidade do Mio-Pliocénico e descompactação da secção
Na caixa de ferramentas da descompactação, seleccionam-se as linhas e os polígonos referentes à unidade amarela, adicionando-os ao campo das camadas do “topo”. Também deverão ser adicionados todos os objectos passivos, associados à camada em causa (como é o caso da linha correspondente ao Miocénico Superior). Seleccionam-se todas as linhas e polígonos correspondentes à unidade do Sal (a rosa), adicionando-os como “base”. Por último, seleccionam-se os restantes objectos (à excepção da base do sal (linha verde oliva) adicionando-os como “camadas intermédias”.
Como se pode observar na Figura 3.49, a unidade a remover apresenta uma espessura variável ao longo da secção. Como a modelação com base no modelo de Airy é sensível a variações na espessura das camadas e de modo a reduzir quaisquer erros associados a este factor, antes de se efectuar a descompactação da secção é necessário saber a média da resposta isostática, que será provocada pela remoção da unidade superficial (Mio-Pliocénico, a amarelo).
Assim, no separador do ajuste isostático e ainda na caixa de ferramentas da
descompactação, selecciona-se a isostasia de Airy, tendo em conta que a secção é
submarina em toda a sua extensão. Como já foi realizado anteriormente, utiliza-se para a densidade da crosta o valor de 2680 kgm-3 e para a densidade do manto o valor pré- definido de 3300 kgm-3.
Identificam-se, na unidade a ser removida (Figura 3.49), os locais onde se verificam as espessuras máxima e mínima. No separador do historial de compactação, “pica-se” o local da secção onde a unidade amarela tem a espessura mais fina. De seguida, voltando
ao separador do ajuste isostático, realiza-se uma pré-visualização dos valores do ajuste isostático. Ao realizar esta operação é aberto um documento, que possui informação relativa ao offset na posição definida anteriormente. Seguidamente, repete-se este procedimento para o local onde a camada a retirar é mais espessa.
Após se saber a média dos dois valores de ajuste isostático obtidos anteriormente, abre- se a base de dados (Tabela 3.2) e, contrariamente ao que foi realizado para a unidade anterior (unidade do Pliocénico, a castanho), descompacta-se a secção, sem se aplicar o efeito da isostasia (Figura 3.50).
O passo seguinte será mover a secção verticalmente, pela quantidade média (obtida anteriormente), de modo a modelar-se o levantamento isostático provocado pela existência da unidade amarela (Mio-Pliocénico).
Figura 3.50 – Secção sísmica descompactada. A unidade do Mio-Pliocénico foi removida e é possível observar o efeito desta remoção, nas restantes camadas.
Ajuste isostático de uma camada com espessura variável
Para se modelar o ajuste isostático de Airy numa camada com espessura variável, terá que se alterar a secção verticalmente, transformando-a. Assim, seleccionam-se as linhas, os pontos e os polígonos que compõem a secção, excluindo o traço de secção e o
datum. Abre-se a caixa de ferramentas utilizada para transformar objectos e, do menu
existente, escolhe-se a opção de “movimentação”.
O valor do levantamento médio isostático obtido no passo anterior foi de 315.46 m. Então, insere-se este valor na caixa correspondente à profundidade e realiza-se a transformação. Na (Figura 3.51) observa-se que a secção se moveu para uma posição menos profunda.
Figura 3.51 – Secção obtida após a realização de uma transformação vertical na imagem, de modo a aplicar o levantamento isostático.
A modelação isostática utilizando o modelo de Airy é susceptível a unidades que apresentem espessuras variáveis. Por este motivo o resultado obtido é apenas uma mera estimativa.
Restauração da unidade laranja (Miocénico) a um datum regional
Nesta fase, é importante saber qual o espaço de acomodação da unidade laranja (Miocénico) e que quantidade de unidade verde (Oligocénico) foi removida pela erosão que provocou a discordância local.
A única maneira se obter essas informações é recorrer à visualização das características da secção sísmica. Uma discordância angular, implica que ocorreu erosão significativa do material. Contrariamente, se os reflectores (acima e abaixo da discordância) forem predominantemente paralelos, pode significar que as camadas foram deformadas após a discordância ter sido desenvolvida e que não ocorreu muita erosão do material.
A unidade laranja (Miocénico) apresenta-se, paralela às unidades subjacentes. Isto implica que a deformação ocorreu após a unidade verde ter sido depositada. A secção sísmica mostra ainda evidências de ocorrência de erosão na unidade verde (Oligocénico), nomeadamente nas dobras existentes na secção. Este facto apoia a conclusão de que a deformação ocorreu após ter sido depositada a unidade verde (Oligocénico).
Previamente à restauração até um datum regional e à descompactação, deverá ser atribuído um volume à unidade laranja (Miocénico), que inclua a parte que foi erodida. Esta construção deverá ser feita tendo em consideração os dados disponíveis. De modo a inserir-se a quantidade de erosão ocorrida na unidade laranja, apagam-se os polígonos que a definem e adiciona-se a totalidade da unidade, que foi erodida. O tutorial do programa apresenta uma linha que marca o topo da unidade anteriormente à erosão.
Insere-se a linha proposta pelo tutorial e desenha-se o polígono correspondente (Figura 3.52).
Tendo em conta as considerações anteriores, deve ser escolhido um datum que contemple todos os dados, antes de se seguir com a restauração. Como neste exemplo não são fornecidos dados de poços que permitam retirar conclusões relativamente à paleo-batimetria existente, devem-se ter em consideração as evidências da geologia regional, utilizadas para explicar a deformação ligada ao sal.
É indicado no tutorial, que o modelo regional utilizado é o modelo de deslizamento gravitacional. Este deslizamento provocou um movimento da secção, para um local acima do datum regional. De modo a remover este deslizamento, analisa-se o ponto onde a unidade laranja se encontra relativamente indeformada, que no caso da secção sísmica em estudo, corresponde ao local do pin que se encontra situado à direita da secção (Figura 3.52). Assim, desenha-se (a vermelho, Figura 3.52) uma linha denominada de “regional”, que corresponde ao datum regional assumido.
Figura 3.52 – Secção com o topo da unidade laranja redesenhado e com o datum regional (linha a vermelho) inserido na secção. O pin utilizado corresponde ao local da secção considerado como não deformada.
O estilo de deformação ocorrido é de deslizamento flexural. Na caixa de ferramentas relativa a este algoritmo, escolhe-se como alvo o novo datum desenhado, como “linha
Template” a nova linha laranja (Miocénico) construída, e como “outros objectos” os
restantes objectos que definem a secção (com a excepção da base da secção). Adiciona- se o pin ao seu respectivo campo, estende-se o datum à direita e à esquerda e aplica-se o algoritmo (Figura 3.53).
Figura 3.53 – Unidade laranja (Miocénico) restaurada a um datum regional.
O horizonte laranja (Miocénico) é assim restaurado até ao datum (linha desenhada a vermelho), ou seja, restaurado a nível regional. Tal como anteriormente, ao ser excluída a base da secção (linha a verde oliva) pré sal, modela-se o sal para que actue como um nível de descolamento.