As organizações, principalmente as grandes empresas industriais, estão cada vez mais conscientes em relação à preservação ambiental e ao controle da poluição gerada por suas
33 atividades. As empresas passam a ter uma maior responsabilidade de demonstrar à comunidade e ao mercado, o seu compromisso com o meio ambiente, sendo necessário que elas introduzam as exigências ambientais em suas estratégias empresariais. Segundo a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (2005), essas “novas” estratégias ambientais se apóiam em três circunstâncias:
1 A existência de uma norma ambiental cada vez mais exigente, ampla e precisa.
2 Um maior controle por parte da Administração relativa às atividades da empresa que têm efeito sobre o ambiente natural e humano.
3 A gradual rejeição dos consumidores sobre os produtos ou empresas que degradam o meio ambiente.
A terceira razão é considerada o ponto principal nas estratégias empresariais, visto que a empresa pode perder parcela de mercado se não agir de maneira ecologicamente responsável. Ou seja, o meio ambiente é considerado cada vez mais como um fator de competitividade.
No caso de uma empresa industrial, como é o caso da Caraíba Metais, uma postura ambientalmente correta melhora a imagem da empresa frente aos clientes, apesar de não dar uma “rotulagem ecológica” aos seus produtos, pelas próprias características destes. O que pode ser notado, é o reconhecimento da população que vive nas imediações da fábrica, que é levada em consideração nos estudos de impacto ambiental. Pode-se dizer então que as conseqüências de uma postura ecologicamente responsável para a Caraíba Metais são mínimas, em relação ao mercado do cobre.
A verdade é que seus parceiros comerciais não deixarão de comprar seus produtos por causa desse fator ecológico. Como foi dito, pelas características do cobre, um produto commoditizado, em estado bruto, e de uso comum mundial. Portanto, o cobre não apresenta o tal rótulo que difere um produto do outro, fazendo com que a variável ecológica seja encarada como Responsabilidade Social da empresa.
Apesar disso, uma postura não condizente com as questões ambientais pode afetar diretamente a sua competitividade (perdas, sanções, remediações, medidas compensatórias, etc.) e também a sua imagem frente aos seus clientes e sociedade.
34 A linha de pesquisa na indústria de transformação do cobre, envolve estudos diagnósticos voltados para a gestão ambiental de áreas mineradas, assim como o desenvolvimento de tecnologias limpas de reciclagem de materiais e de disposição segura de materiais rejeitados, visando a sustentabilidade da indústria e áreas correlatas. O segredo para o êxito de projetos de preservação ambiental está na sua sustentabilidade econômica. Os negócios que se concretizam nas diversas etapas envolvidas são a garantia para a perenidade e aperfeiçoamento de tais iniciativas.
A questão ambiental é um ponto preocupante na indústria do cobre. Os impactos negativos na indústria do cobre podem ser registradas nos diversos ramos da cadeia estrutural produtiva, especialmente nas áreas de concentração, fundição e refino. Durante a transformação e lixiviação, os danos ambientais são causados pelos produtos químicos utilizados nos processos e expelidos como rejeitos.
Os setores de fundição e refino são os que mais tem afetado negativamente o meio ambiente, com liberação de grande quantidade de compostos sulfurosos e elementos traços lançados na atmosfera, hidrosfera e na litosfera. Dentre esses se destacam: gases de dióxido de enxofre, dióxido de telúrio e arsênio.
Ao longo de sua existência, diversos prêmios e certificações foram conquistados, reconhecendo a performance da gestão ambiental da empresa. A Caraíba Metais também promove programas de educação ambiental, envolvendo tanto seus colaboradores, como a comunidade:
• Semana do Meio Ambiente, acontecendo há 20 anos;
• Galeria do Meio Ambiente na empresa com exposições periódicas;
• Programa de Agentes Ambientais com reciclagens anuais para comunidades circunvizinhas à empresa;
• Educação Ambiental à distância, via internet – Edumax e multimídia.
• Além disso, participa de comitês/conselhos para a discussão da questão ambiental: • Comitês de Fomento Industrial de Camaçari BA – COFIC;
35 • Participação no Programa de Tecnologia Limpa – TECLIM, na Universidade Federal
da Bahia – UFBA;
• Participação no Comitê de Formação do Conselho Gestor das Áreas de Proteção Ambiental – APAS Joanes /Ipitanga (CARAÍBA, 2002).
A cadeia produtiva do cobre é baseada na exploração e utilização de um considerável volume de recursos naturais. Durante seus processos tecnológicos, ocorre um alto consumo de energia e outros insumos e são geradas grandes quantidades de resíduos e efluentes.
Por conta disso, o risco de ocorrer acidentes ambientais pode aumentar, forçando a Empresa a adotar medidas de segurança, para que os rejeitos do processo produtivo não agridam o meio ambiente. A Caraíba monitora permanentemente a qualidade do ar, da água e do solo, enquanto um eficiente sistema de tratamento de efluentes (UTE), dá aos rejeitos a destinação mais adequada.
O exercício do pensamento ecológico é o que define a Gestão Estratégica da Caraíba, que determina seus rumos e permite que a empresa tenha postura proativa e de forma planejada em relação às mudanças nos cenários internos e esternos (COPELLO, 2003).
As Estratégias Ambientais da Caraíba ocorrem em conjunto com os colaboradores da empresa, as comunidades que vivem na vizinhança da fábrica e as áreas oficiais ligadas às questões ecológicas. Com essa parceria, a Caraíba desenvolve estudos ambientais em toda a área que circunda a fábrica, até mesmo antes de existirem regulamentos ambientais na Bahia ou no Brasil.
Os impactos ambientais sempre foram considerados mais relevantes no projeto da metalurgia, o que justifica a existência da Unidade de tratamento de Efluentes (UTE) e a Unidade de Ácido Sulfúrico (UAS), que capta os efluentes gasosos (SO2), transformando o que então era um resíduo poluidor em subprodutos comercializáveis.
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) foi implantado em 1992, através da criação da então Comissão Técnica de Garantia Ambiental (CTGA), em 1991. Atualmente a CTGA é denominada de Comitê de Gestão e Políticas Ambientais (RGA). O SGA se baseia nas
36 normas da ISSO 14001 no GQT – Gerenciamento pela Qualidade Total e tem sua base nas unidades operativas por meio de procedimentos e metas setoriais.
O Sistema de Gestão Ambiental é coordenado pela Divisão de Higiene, Segurança e Meio Ambiente (DHISMA), diretamente ligada ao Diretor Superintendente, também responsável pelo apoio consultivo e também pelos dados de desempenho ambiental, demonstrado no Relatório Mensal de Performance Ambiental.
Antes da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental, na fase anterior a 1991, existiram projetos de incorporação de tecnologias de controle da poluição, de 1977 a 1982. Foi nessa época que implantaram da Unidade de Ácido Sulfúrico (UAS). Durante a década de 80 o controle ambiental era baseado em monitoramentos e controle end of pipe nas saídas de efluentes e emissões (COPELLO, 2003).
A partir de 2000, a Caraíba Metais aderiu ao Programa de Tecnologias Limpas e Minimização de Resíduos na Indústria - TECLIM, coordenado pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia em parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia – FIEB e o Centro de Recursos Ambientais – CRA.
Principais marcos da Gestão Ambiental da Caraíba (COPELLO, 2003; COPELLO, 2005):
Anos 80
• EIA prévio, na área de influência (1982).
• Implantação de infra-estrutura ambiental (1982):
Planta de ácido sulfúrico (captação/tratamento de gases) Estudo prévio de dispersão/chaminé de emergência Unidade de Tratamento de Efluentes (UTE)
Interligação com a Cetrel para SO e SI Bacias de disposição de resíduos • Equipe de controle ambiental (1982).
• Programa de automonitoramento ambiental (1983), atualmente, com mais de 2.000 determinações mensais.
37 • Rede de monitoramento qualidade do ar – SO2 e MP (1984).
• 2º EIA na área de influência (1985) Anos 90
• Criação da CTGA (1991)
• Política Ambiental – 1ª versão (1991)
• Criação de Indicadores e Análise de Performance Ambiental (1992) • Criação do Comitê Ambiental na Alta Administração = RGA (1992)
• Evolução do “Controle Ambiental” para “Gestão Ambiental”, baseada na Gestão pela Qualidade Total (1993) – 1º PGA
• Início da recuperação de áreas verdes internas (1993)
• Aplicativo com banco de dados para avaliação de performance = GAIA (1993)
• Adesão aos Programas Monitoramento do Ar e Águas Subterrâneas do Complexo de Camaçari, operados pela Cetrel (1994)
• 3º EIA na área de influência (1994)
• Análise de riscos, planos de emergência e simulados (1994) • Credenciamento de transportadores de produtos perigosos (1995)
• Ampliação da infra-estrutura ambiental: Bacia de amortecimento e emissário para Cetrel (1995)
• Educação ambiental com multimídia (1995)
• Início do reaproveitamento comercial da escória no mercado do jateamento (1995) • Assessoria de meio ambiente na área de produção (1997)
• Elaboração do PRAD (1997)
• Atendimento a reclamações ambientais de partes interessadas (1997) • Identificação de aspectos/impactos ambientais (1998)
• Identificação e avaliação de requisitos legais (1998) • Política Ambiental – 2ª versão (1999)
• 4º EIA na área de influência (1999) • Programa de reuso de efluentes (1999)
• Incorporação do MA no planejamento estratégico (1999) • Início do estudo sobre andorinhas migratórias (1999) • Substituição de energéticos (1999-2003).
38 Anos 00
• 1ª pesquisa de imagem (1999-2000)
• Educação ambiental com EDUMAX (2000)
• Adesão as Programa de Tecnologias Limpas TECLIM (2000)
• Ampliação do reaproveitamento comercial da escória para a indústria cimenteira (2000)
• Assessoria de Meio Ambiente na Alta Administração – DS/MA (2001) • Programa de Agentes Ambientais nas comunidades (2001)
• 5º EIA na área de influência (2001)
• Implantação do Biomonitoramento na área de influência (2001) • Diagnóstico ambiental para ISSO 14000 (2001)
• Banco de dados/ monitoramento georeferenciado = GEOASA (2001) • Política Ambiental – 3ª versão (2001)
• Projeto APPOLO 2 – Revisão da análise de riscos (2001-2003). Redução de emissões na UAS – substituição do P1101 (2002)
• Convênio com o NEAMA (CRA)
• Início da mídia ambiental externa “A Caraíba não metais” (2002) • Renovação da licença de operação da metalurgia (2002)
• Canal verde (comunicação) (2002) • Galeria de meio ambiente (2002) • Coleta seletiva de resíduos (2002) • Política Ambiental – 4ª versão (2002)
• Integração MA/Higiene/Segurança, na Alta Administração – DHISMA (2002) • Criação da CICE (Com. Interna de Conservação de Energia) (2002)
• Ampliação da Gestão Ambiental para fornecedores (2003) • Auditorias ambientais (2003)
• Balanço de sustentabilidade ambiental (2003). • AQR - análise quantitativa de riscos (2004).
• Ampliação da Gestão Ambiental para fornecedores (2004-2005). • Adoção de Empresa – “Programa Parceiros do Meio Ambiente”. • Auditorias Ambientais (2005).
39 • Novo aterro industrial.
A Caraíba Metais, através de uma Gestão Ambiental voltada à Produção Mais Limpa e do aproveitamento de resíduos e efluentes como subprodutos, obtém um aumento da ecoeficiência do processo produtivo. Segundo dados da empresa, 84.700 toneladas de material em 2002 deixaram de ser resíduos e foram comercializados como subprodutos. Em 2003, houve um aumento para 106.000 toneladas.
O concentrado mineral utilizado na produção de cobre da Caraíba Metais é formado basicamente de calcopirita, um sulfeto de cobre e ferro, no entanto a presença de outros minerais, entre eles a arsenopirita, um sulfeto de arsênio e ferro, e, ainda, minerais de cádmio, podem provocar sérios problemas ambientais se não forem tratados adequadamente em etapas paralelas ao processo (CARAÍBA METAIS, 1997).
O concentrado é levado a fornos em altas temperaturas gerando gases ácidos (utilizados no processo produtivo de ácido sulfúrico e derivados), e partículas contendo arsênio, cádmio e outras espécies químicas, que são removidos através de uma lavagem desses gases com água, gerando um efluente ácido (25% de ácido sulfúrico) carregado com aqueles elementos (CARAÍBA METAIS, 1997).
Nas unidades de tratamento o efluente é neutralizado com CaO gerando uma grande quantidade de resíduos sólidos (lama de gesso) e o efluente segue adiante ainda com traços daqueles elementos mais o flúor. Dessa forma são produzidas cerca de nove mil toneladas/mês de lama de gesso contaminada com cádmio e arsênio. O passivo desse resíduo acumulado em aterros especiais representa uma ameaça futura, pois a área para deposição desse material tende a se tornar mais restrita a cada dia (CARAÍBA METAIS, 1997).
A conscientização e proatividade da empresa quanto ao potencial risco para a população afetada por esses aterros se traduzem em uma grande pressão interna sobre a necessidade da busca de soluções viáveis técnica e economicamente para se resolver o problema. A lama de gesso em questão é constituída basicamente de gipsita (sulfato de cálcio) que poderá, se tratada adequadamente, para remoção dos contaminantes, ser utilizada como insumo para a construção civil na incorporação na fabricação de telhas e blocos cerâmicos, argamassas de revestimento e misturas solo/cimento/gesso e/ou outras finalidades. O cádmio, metal de
40 razoável valor econômico e cujo teor no efluente é acima de 200 ppm, representa em torno de 100 ton/ano, podendo ser considerado um produto comercializável pela empresa. Há ainda a possibilidade de produção de um sal de arsênio (CARAÍBA METAIS, 1997).
Foi desenvolvido a partir de 2002, o Projeto Recupera, envolvendo a TECLIM, o CETEM (Centro de Tecnologia Mineral) e o CRA (Centro de Recursos Ambientais), voltado para a minimização da geração de resíduos sólidos industriais e o seu reaproveitamento no seguimento industrial como insumo.
Vale ressaltar que, entre 1999 e 2003, a empresa reduziu de 0,75 para 0,49 sua média anual em ppm (partes por milhão) de retenção do arsênio, material pesado altamente tóxico. Para desenvolver o processo, a Caraíba utilizou informações da literatura científica sobre o assunto.
Até chegar à nova tecnologia, a empresa se viu arriscada a ter de paralisar a produção de cobre no país, já que os índices de concentração de arsênio e ácido sulfúrico em seus rejeitos eram inaceitáveis. O novo processo, que passa pela substituição do sulfato ferroso pelo férrico no tratamento dos efluentes, foi discutido em congresso no Chile, país que é líder mundial na fabricação de cobre (CARAÍBA METAIS, 2005).
A Caraíba promove o reuso e a reciclagem da água em suas diversas utilidades na empresa – da torneira dos banheiros às caldeiras da área industrial – por meio do projeto Aguaíba, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, através do Núcleo de Tecnologias Limpas (TECLIM, 2005).
O projeto tem como objetivos buscar meios para um consumo mais racional das bacias dos rios Joanes e Jacuípe, aprimorar o balanço ambiental da Empresa e apresentar estudos técnicos e econômicos que viabilizem novas oportunidades de racionalizar e reduzir o uso da água e geração de efluentes da Caraíba (TECLIM, 2005).
O projeto Aguaíba para racionalização do uso de água na Caraíba Metais S.A. tem como objetivo propor mecanismos, procedimentos, e tecnologia para a racionalização do uso da água na metalurgia de cobre da Caraíba Metais, em Camaçari / BA, a partir de duas diretrizes básicas: Minimização, reuso e reciclo de água na planta industrial e obtenção de um alto grau
41 de integração ambiental entre os ciclos hídricos internos da planta e o ciclo hidrogeológico regional. É também objetivo do projeto o aprimoramento de metodologias para o melhor aproveitamento de água nos processos produtivos.
Assim como as demais empresas localizadas no Pólo Petroquímico de Camaçari, a Caraíba Metais tem, na CETREL, a gestora dos programas coletivos de proteção ao meio ambiente. Operando nos mais variados campos da engenharia ambiental com equipamentos modernos e avançada tecnologia, a CETREL - Empresa de Proteção Ambiental, foi criada na implantação do Pólo (TECLIM, 2005).
Suas atividades compreendem:
1 Coleta, tratamento e disposição final dos efluentes líquidos e resíduos sólidos do Pólo. 2 Monitoramento contínuo do ar, das águas subterrâneas e de superfície, rios e mar. 3 Incineração de resíduos perigosos, líquidos e sólidos.
4 Operação do emissário submarino.
5 Desenvolvimento de tecnologias de proteção ambiental (PASSOS, 1997).
Na Estação Central de Tratamento da CETREL são removidos mais de 90% dos poluentes dos efluentes líquidos do Pólo. Após o tratamento eles são conduzidos até o mar através do emissário submarino, em condições seguras e sem risco de agressão ao meio ambiente. O emissário substituiu os rios Capivara Pequeno e Jacuípe como condutores dos efluentes tratados até o mar (PASSOS, 1997).
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