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A mudança que se fez sentir nos séculos passados e atual em relação às tecnologias vem trazer benefícios e preocupações no ensino das artes visuais. Maciel (2010) afirma que não há como fugir à realidade e à nova realidade em que a arte se encontra. É necessário integrar as tecnologias recentes no ensino das artes.

A popularização e a facilidade de criação de conteúdos vieram trazer benefícios ao século, “…criaram novos elementos de partilha, ampliaram as redes de contactos de conhecimento, alteraram os modelos e

comportamentos de socialização e promoveram outras formas de procurar e partilhar informação.” (Simões 2012,p.59), pois através destes meios existe uma maior facilidade em encontrar formas de comunicar, informar e partilhar (Simões 2012).

Simões (2012,p.60) refere

“Sendo a maioria dos nossos estudantes nascidos depois dos anos 90, década em que os dispositivos digitais e as tecnologias de comunicação estavam ja implementadas, e normal para esta geração que os dispositivos digitais estejam na base mediadora do contacto com o mundo.”

Concluímos que Maciel (2010) tem uma certa razão quando menciona que se deve incluir estas tecnologias do séc.XXI no ensino das artes. Os alunos

nos dias de hoje crescem na era digital, onde o computador e os aparelhos eletrónicos fazem parte do seu dia-a-dia. Há uma recorrente inovação com o passar dos anos que o ensino deverá acompanhar. Fazemos um pequeno parêntesis para enfatizar o que foi dito anteriormente sobre os processos analógicos não deixa de ser válido neste subcapítulo: estes não devem ser esquecidos, pois a máquina pode faltar às necessidades do ser humano. O subcapítulo ajuda-nos a compreender que as tecnologias podem e devem fazer parte do ensino das artes visuais e do design, embora os processos analógicos não devam ser desvalorizados, pois são uma base fundamental até mesmo para a construção de aparelhos ou softwares. Demos como exemplo no capítulo sobre a criatividade, quando falámos em educação, as escolas de Silicon Valley e as metodologias usadas por professores, onde existe o incentivo para recorrer às artes visuais como método de aprendizagem (Jenkins 2015). É essa visão que partilhamos: o incentivo ao desenho na hora de promover a criatividade.

De acordo com Simões (2012,p.63) “O que distingue o esquisso de outro modo de desenhar, é a sua capacidade de registar através de uma imagem gráfica, de forma sintética e não o instrumento ou o suporte no qual e realizado.”, querendo com isto dizer que um esquisso é sempre um esquisso, seja feito através de uma mesa gráfica ou do lápis e papel. Como podemos observar no ponto 5.1.1. existem desvantagens assim como vantagens ao incorporar as novas tecnologias neste processo. Fazemos referência ao avanço das tecnologias e das ferramentas que daí surgiram pois

compreendemos que cada vez mais fazem parte da nossa realidade, tanto na vida quotidiana como no ensino.

Na época atual, define-se por melhor aluno aquele que procura por ter uma bagagem visual mais ampla, um manuseio das tecnologias maior e um sentido de responsabilidade e metodologia desenvolvidos. Quando falamos em manuseio de tecnologias, falamos em conhecer o próprio computador assim como softwares e ferramentas, o que pode gerar problemas quando os alunos vulgarizam os efeitos rápidos e fáceis que o computador proporciona (Luz 2003).

Para Maciel (2010) é função do professor conjugar as novas e velhas

tecnologias com o fim de preparar a nova geração a produzir arte a partir de conhecimentos artísticos. Os meios tradicionais não devem ser substituídos mas sim valorizados e reconhecidos. A autora refere que “A opção de trabalhar com as possibilidades interativas entre técnicas tradicionais artísticas e recursos tecnológicos contemporâneos partiu do interesse pessoal e da vivência nestes últimos anos de docência no ensino superior de

Design Gráfico.” (Maciel 2010,p.1), acrescentando que os alunos muitas vezes não têm uma visão correta em relação às novas tecnologias, procurando sempre por respostas e soluções de tudo.

É necessário estar ciente que a escolha de uma técnica pode influenciar o processo criativo e resultados finais tanto nos trabalhos em design ou arte. (Maciel 2010)

Todavia, seja num suporte digital ou analógico que o aluno escolhe para o seu primeiro esquisso, a primeira função do aluno de arte é observar. Ter contacto com objetos é importante. Embora o aluno utilize o olho para ver, terá que ter em conta que todos os outros sentidos não deixaram de estar presentes. A observação faz-se através dos cinco sentidos (Nicolaides 1992).

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CAPÍTULO IV

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