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5. Possibilités d’application des règles de concurrence de la CE

5.1. Responsabilité des membres des professions libérales

Segunda-feira, 01 de abril de 2019.

Estamos no intervalo entre os turnos da manhã e tarde, são aproximadamente 12h. Algumas crianças ainda esperam no pátio da escola pelo seus pais para poder ir embora para suas casas. Estou sentada em um dos bancos do pátio da escola, o gestor da escola se sentou ao meu lado e fomos conversando sobre a rotina da escola, ele relatou que a escola havia mudado muito: - Assim que eu cheguei aqui, não podia ficar sentado não. Era “apartando” de briga dos meninos, gritando com eles. Eu sei que não é certo, mas era assim que eles entendiam. Ficar aqui sentado e eles saírem sem bater nos colegas e ainda dizer boa tarde, até amanhã era raro de se escutar. Minha impressão quando passei o primeiro dia aqui era que eles não queriam estar na escola!

A comunidade escolar à qual o gestor se referia era a escola Elizabeth Teixeira, nela tivemos a oportunidade de realizar a observação com/das rotinas de aula da professora Vitória Régia. O relato acima marcou o final de mais um dia de observações e registros das atividades cotidianas vividas na comunidade escolar. Sim, vividas, pois já me sentia parte dessa comunidade escolar, especialmente porque fui estudante dessa mesma instituição, há alguns anos atrás (1997-2000), quando cursei os quatro últimos anos do Ensino Fundamental. Talvez o destino ou o universo quisesse que voltasse lá! Mas, agora, retomando as rotinas de aulas que observávamos.

Iniciamos a observação nas primeiras horas de atividade da escola às sete horas da manhã. Esperando pela professora Vitória no pátio da escola, ficava próximo dos alunos de sua sala de 1º Ano de Ensino Fundamental. Quando chegava à 07h e 30min, seguíamos a fila

para a sala de aula com a professora Vitória. Ao chegar na sala, ela ficava na porta e ia recebendo os alunos com alguns comprimentos e brincadeiras.

Assim que os alunos se acomodavam nas cadeiras, ela pedia que eles ficassem de pé e junto com eles fazia uma oração de agradecimento pelo dia e pela amizade dos colegas. Na sequência, a professora Vitória fez o seguinte encaminhamento:

Vamos arrumar as cadeiras da sala em um grande círculo. Vou puxando as cadeiras e vocês vão sentado onde eu disser. Enquanto isso quero que você pegue o caderno do para casa e vá colocando sobre o birô. Outra coisa, não é para ficar andando na sala nem conversando, quero silêncio. Assim que terminar de arrumar vou colocar uma música para ouvirmos (VITÓRIA, 01/04/2019).

A professora pedia silêncio apontando para um cartaz fixado no mural da sala, nele havian algumas regras de convivência e uma delas se referia a manter a sala em silêncio durante as explicações da professora. Na sequência, ela colocou a música “Sopa”14 e pediu que os vinte e quatro alunos presentes nessa aula escutassem. Após eles ouvirem a música, umas duas vezes, a professora pegou um cartaz com a letra da música e colocou no mural da sala e pediu que eles identificassem e circulassem no cartaz os ingredientes listados na sopa.

Observamos que a professora fazia perguntas sobre os ingredientes e pedia que os alunos lessem as palavras, pudemos perceber que para cada aluno ela fazia comentários particulares quanto à leitura e, posteriormente, sobre a escrita das palavras que eles haviam identificado. Ao fazer esse registro no intervalo de aula, buscamos saber da professora o porquê de ter trazido música para a aula de hoje e ela respondeu:

Veja, na rotina da sala todo dia temos que ter depois da acolhida o momento da leitura, mas fica cansativo para eles e pra mim todo dia contar uma história então decidi trazer uma música que estivesse relacionada com o que eu ia trabalhar com eles hoje nas disciplinas que precisavam ministrar. Então, a música dá para trabalhar muitas coisas, sabe. Posso fazer a leitura, posso fazer ditado, posso falar sobre a alimentação saudável... e outras coisas que durante a aula os alunos vão trazendo, entendeu? (VITÓRIA, 01/04/2019).

Quando a professora diz “o que eu ia trabalhar com eles nas disciplinas”, ela está se referido, assim como para as demais professoras na escola Margarida Alves, à precedente seleção dos conteúdos de aprendizagem, que influenciava as decisões das professoras nas práticas curriculares mobilizadas nas rotinas de aulas. Esse procedimento correspondia à

proposta de ensino do município, tomada como uma das motivações genéricas nas práticas curriculares mobilizadas pela professora Vitória no cotidiano escolar.

Ainda na fala da professora Vitória, identificamos que ela sugere que outras motivações genéricas são articuladas ao processo de homogeneização das práticas curriculares, pois mesmo ela justificando que a música foi escolhida porque tinha relação com o que ela iria trabalhar nas disciplinas, ela afirmou no final dessa fala que: “Posso fazer a leitura, posso fazer ditado, posso falar sobre a alimentação saudável... e outras coisas que durante a aula os alunos vão trazendo”.

A professora Vitória Régia toma como motivação genérica a realidade concreta dos alunos, a professora não fecha a possibilidade de, durantes as atividades cotidianas, outros pensamentos cotidianos surgirem dos processos de homogeneização, pois a relação que ela foi construindo com a comunidade escolar lhe possibilitou constituir, na relação sujeito e comunidade, as motivações genéricas: realidade concreta do aluno.

O que nos fez lembrar do que Freire quando afirma que não há docência sem discente, logo, o processo de homogeneização não está estaque, muito menos só é feito pela professora, ele se dá em movimento entre os sujeitos que integram as práticas curriculares no cotidiano escolar.

Esse movimento se articula também à maneira como a professora Vitória distribuía as atividades no tempo curricular das rotinas de aulas, pois a maneira como estava estruturado o planejamento curricular era perceptível como o desenvolvimento da profissionalidade docente, em relação ao poder de decidir da professora, estava articulado à responsabilidade sobre o ato de ensinar e à cotidianidade do plano de aula da professora, como descrevemos no Quadro 10:

Quadro 10 – Cotidianidade do plano de aula da professora Vitória Régia

Estruturantes Características da cotidianidade desses estruturantes nas rotinas de aula

Acolhida Recepção dos alunos na sala de aula

Leitura Momento de contação de história

Chamada Frequência dos alunos

Correção do para casa Atividade relacionada as disciplinas Atividade I Atividade relacionada as disciplinas

Lanche Momento do lanche e brincadeira no pátio da escola Atividade II Atividade relacionada as disciplinas

Explanação do para casa Atividade relacionada as disciplinas Cópia do para casa Atividade relacionada as disciplinas Despedida Organização dos materiais dos alunos.

O movimento do processo de homogeneização das práticas curriculares acontecia, assim como as outras professoras, nas atividades cotidianas articuladas às disciplinas a serem trabalhadas na rotina de aula. No entanto, nas rotinas de aula da professora Vitória, identificamos alguns aspectos que fugiam da lógica de imitação das atividades previstas na proposta de ensino, pois suas decisões curriculares tomavam como maior expressão as motivações genéricas relacionadas à realidade concreta dos estudantes. Por exemplo, nas rotinas de aula dessa professora, havia atividades que remetiam ao que vinha a ser espontâneo entre a relação professora e estudante.

No planejamento curricular, mesmo a professora tendo como estruturante a acolhida, ela fazia desta ação um momento de interlocução com os alunos envolvendo temáticas que iria trabalhar na aula e que, muitas vezes, eram sugeridas nas conversas com os(as) alunos(as) a partir do momento da acolhida e oração, que era um dos estruturantes dos planos de aulas.

A professora Vitória, assim como as demais professoras Pétala e Rosa, tinha um caderno de roteiro com os planos de aula e nele estavam sistematizadas as ações a serem desenvolvida nas aulas. No caderno de roteiro dela, identificamos um estruturante no seu plano de aula que remetia ao respeito à autonomia do ser dos alunos. Esse estruturante fazia parte das atividades permanentes da rotina de aula da professora, e tinha por nome: Momento da conversa.

Essa atividade era feita na volta dos alunos do recreio, e as vezes ela trazia logo depois da acolhida dos alunos, como podemos perceber em uma das conversas entre a professora e os seus alunos:

Professora Vitória: Vamos lá, como foi o final de semana de vocês? O que fizeram?

Aluno: Eu brinquei muito, mas também fiquei doente.

Professora Vitória: Mais alguém quer dizer como foi seu final de semana? Aluno 2: Eu também fiquei doente, professora. Mas eu estava bom, mas aí cai e terminei cortando o dedo e fiquei doente.

Professora Vitória: Ficou doente ou sofreu um acidente?

Aluno 2: Não foi acidente não professora, foi brincando mesmo com meus

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