• Aucun résultat trouvé

Respect des contraintes par les opérations

Chapitre I. : Etat de l'art

3.7. Contraintes sur les instances, inhérentes aux compositions et associations

3.7.1. Composition et association d'objets

3.7.2.2. Les solutions pour la composition

3.7.2.2.2. Respect des contraintes par les opérations

Como já foi referido, a sociedade actual coloca aos indivíduos, novos e constantes desafios. Para os enfrentar, os indivíduos necessitam de desenvolver uma série de capacidades sem as quais não conseguirão ultrapassar, com êxito, esses desafios. Tais capacidades, como a resolução de problemas e a tomada de decisões, são essenciais para o exercício da cidadania de forma racional e esclarecida, bem como para a realização pessoal e profissional.

Assim sendo, a escola tem o dever de promover o PC de todas as crianças e jovens. Neste sentido, autores como Tenreiro-Vieira (2000) e Oliveira (1992) referem dois factores como essenciais na afirmação e concretização do PC como meta educacional. Primeiro, será necessário que os responsáveis pela educação o tomem como uma meta e formem professores no sentido de os preparar para promover na sala de aula, o PC dos alunos de forma explícita. Segundo, é forçoso o desenvolvimento de materiais didácticos, com base na investigação, que apoiem e fundamentem as práticas de sala de aula.

O ensino do PC, como referem Tenreiro-Vieira e Veira (2000a), pode ser operacionalizado segundo dois tipos de abordagens: como disciplina autónoma ou infundido no currículo

escolar. Os mesmos autores mencionam como vantagens da abordagem do PC enquanto disciplina autónoma o “facto de permitir focar inteiramente a atenção dos alunos nas capacidades de pensamento que se pretendem desenvolver” (pp. 31-32) e permitir aos alunos entender que as capacidades podem ser utilizadas em diversas áreas. Quanto à abordagem de infusão, estes autores referem três vantagens que fundamentam o seu uso. Primeiro, contribui simultaneamente para promover capacidades de PC e a (re)construção do conhecimento, viabilizando uma “melhor compreensão dos conhecimentos científicos”. Segundo, “ter maior impacte no desempenho dos alunos no âmbito das disciplinas curriculares” (p. 32). Terceiro, evitar a inclusão de uma nova disciplina no currículo.

De forma a concretizar o desenvolvimento do PC na sala de aula, importa clarificar quais as práticas que se consideram como mais promotoras do PC. Referimo-nos de seguida às quatro dimensões, consideradas por Tenreiro-Vieira (1999) como aquelas que reúnem alguma consenso entre autores sobre a forma como se podem concretizar as práticas docentes.

A primeira dimensão diz respeito aos materiais curriculares utilizados pelos professores. Com efeito, a concepção e utilização de materiais curriculares e/ou actividades de aprendizagem promotores do PC afigura-se como sendo de extrema importância para o desenvolvimento de capacidades de PC na sala de aula.

No desenvolvimento de materiais e propostas didácticas promotoras do PC, afigura-se como uma proposta concreta a metodologia desenvolvida e testada por Tenreiro-Vieira (1994), utilizada também posteriormente no âmbito de diversas investigações sobre PC. Esta metodologia foi delineada com base no quadro teórico apresentado por Ennis. A autora justifica a escolha deste quadro teórico mediante três ordens de razões. Primeiro, a taxonomia apresentada por Ennis é “exaustiva, clara e compreensiva”. Segundo, integra “capacidades de pensamento crítico inerentes à realização da actividade científica”. Terceiro, as capacidades de PC que integram este quadro teórico foram “operacionalizada[s] numa taxonomia” (Tenreiro-Vieira e Vieira, 2000a, p. 37). A metodologia apresentada pela autora pode ser utilizada segundo duas perspectivas: aplicada a materiais já existentes ou no desenvolvimento de novos materiais e actividades. No primeiro caso, ou seja, aplicada a materiais já existentes, a metodologia engloba três etapas: “(i) identificar as capacidades de PC a que os mesmos apelam”; “(ii) identificar outras capacidades de PC que possam ser exigidas”; (iii) usar a taxonomia de Ennis como

“modelo ou padrão por forma a explicitar as capacidades de PC que podem ser exigidas” formulando itens ou questões em estreita relação com o enunciado das capacidades que constituem a própria taxonomia (Tenreiro-Vieira e Vieira, 2000a, p. 38). No segundo caso, a metodologia a aplicar no desenvolvimento de novos materiais e/ou actividades, engloba apenas as duas últimas etapas, ou seja, identificar capacidades que possam ser exigidas no decorrer de uma actividade e utilizar o enunciado das capacidades listadas na taxonomia de Ennis para formular questões que apelem a capacidades que se pretendem desenvolver. A utilização desta metodologia permite aos professores identificar as capacidades de PC a que cada actividade ou material apela e promover um ensino orientado para o desenvolvimento destas capacidades.

Portanto, os professores, de modo a desenvolverem materiais orientados para o apelo ao PC, podem recorrer à metodologia anteriormente referida. De facto, o uso de taxonomias para desenvolver materiais curriculares é advogado por diversos autores como uma forma de assegurar o apelo a capacidades de PC.

Por forma a garantir o apelo a capacidades de PC, segundo Tenreiro-Vieira (1999), poder- se-á também recorrer à aplicação de programas de intervenção concebidos com essa finalidade. Para tal poderemos sugerir os trabalhos, fundamentados pela investigação, realizados por Tenreiro-Vieira e Vieira (2000a), Ramos (2005), Magalhães (2005) que apresentam propostas de actividades destinadas a alunos do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico.

Outra indicação relativa aos materiais curriculares é a ideia que tem vindo a ser complementada por diversos estudos, nomeadamente o estudo realizado por Alves (2005), de que os manuais escolares raramente apelam a capacidades de PC e que, portanto, não deverão ser utilizados como material curricular quando se pretende desenvolver capacidades de PC. Assim sendo, afigura-se de extrema importância a elaboração de materiais didácticos de cariz CTS que apelem explicitamente ao uso de capacidades de PC. A segunda dimensão apontada por Tenreiro-Vieira (1999) como concretizadora das práticas docentes diz respeito às actividades de aprendizagem. Na literatura, são referidas actividades de aprendizagem consideradas mais promotoras do PC relativamente a outras. São exemplos de actividades de aprendizagem consideradas promotoras do PC, o debate sobre questões controversas; a análise focada no PC de artigos de jornais ou revistas; jogos de papéis; escrita de ensaios argumentativos; pesquisa de informação em diversas fontes de

informação e trabalho laboratorial, em particular do tipo investigativo. Este último tipo de actividade, pela natureza de solicitações que podem ser feitas aos alunos como por exemplo, fazer previsões, fazer observações, avaliar a validade dos resultados e concluir, implica o uso de capacidades de PC relacionadas com o delinear de investigações.

A terceira dimensão a considerar nas práticas dos professores são as estratégias que utiliza. De forma a promover o PC, o professor deverá procurar operacionalizar estratégias que promovem de forma explícita este tipo de capacidades. Na síntese elaborada por Tenreiro- Vieira podemos considerar como estratégias potencialmente promotoras do PC, os debates; os jogos de simulação; a tempestade de ideias; os mapas de conceitos e o questionamento com base em questões incitativas do uso de capacidades de PC.

A quarta dimensão referida por esta autora, utilizada comummente na caracterização das práticas docentes, é o ambiente de sala de aula. Considera-se uma atmosfera de sala de aula promotora de capacidades de PC, aquela onde os alunos são encorajados a expressar as suas opiniões e a discutir diferentes pontos de vista, apresentando razões que os fundamentam. Um ambiente de sala de aula favorável ao desenvolvimento do PC caracteriza-se pela receptividade e abertura de espírito à troca de ideias. Neste contexto, o professor questiona no sentido de clarificar pontos de vista, esclarecer imprecisões, fomentar as comparações com o intuito de detectar contradições e inconsistências.

2.3 Aprendizagem Baseada em Problemas

Tal como tem vindo a ser referido, para promover o PC das crianças e jovens é forçoso seleccionar materiais, actividades e estratégias potencialmente favoráveis ao atingir desse propósito. No contexto da Educação em Ciências, com orientação CTS e para promover o PC, uma das estratégias de ensino-aprendizagem que se afigura como adequada é a ABP. Esta opção justifica-se segundo duas ordem de razões. Primeiro, a abordagem de conteúdos de Ciências com orientação CTS preconiza a ABP como uma estratégia de ensino- aprendizagem a privilegiar. Acevedo (1996) refere como uma das estratégias a utilizar no ensino das Ciências com orientação CTS, a resolução de problemas abertos que incluam a tomada de decisões de forma racional e democrática. Segundo, esta estratégia é referida

por vários autores, como Oliveira (1992) e Tenreiro-Vieira (2000), como potencialmente promotora do PC dos alunos.

Diversos autores consideram a ABP uma estratégia a privilegiar no contexto da educação formal. Meirieu (1988) refere esta estratégia como a forma mais adequada de aprender, pelas características das situações em que o aluno se encontra. Primeiro, a estratégia parte de um problema ou um enigma que gera a motivação do aluno no sentido de o resolver. Segundo, o aluno é colocado explicitamente numa situação de construção do seu conhecimento uma vez que parte das suas ideias e concepções para a resolução do problema. Terceiro, é respeitado o caminho de cada um sem renunciar aos objectivos comuns de resolução do problema assegurados pela planificação e distribuição das tarefas pelos vários elementos do grupo. Quarto, a avaliação do processo e dos desempenhos dos elementos de cada grupo favorece um trabalho meta-cognitivo que permite a comparação dos produtos obtidos com a eficácia dos procedimentos utilizados.

Estas características da estratégia ABP vão ao encontro de ideais educacionais que prevalecem na actualidade.