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Conforme citado anteriormente, após a análise dos slides de G2, apresentamos a seguir contrapontos em relação ao que foi observado para os grupos G1 e G3. As análises para os dois grupos foram realizadas seguindo os mesmos preceitos das operações de retextualização de G2,

bem como os slides e do discurso produzidos por eles. Assim, discutimos em linhas gerais como se deu o uso das operações de retextualização por parte dos dois grupos e ressaltamos que serão inseridos exemplos acerca dos slides de G1 e G3 apenas em caso de ocorrência de situações distintas das discutidas anteriormente para G2.

As operações de retextualização empregadas na passagem dos slides para EO do grupo G1

As operações de retextualização mais recorrentes foram as de retomada (24 ocorrências) e de acréscimo (doze ocorrências). Por outro lado, as operações de retextualização que observamos em menor ocorrência foram as de reordenação tópica e de inserção de exemplo (uma ocorrência).

Observamos que as operações mais recorrentes foram as mesmas identificadas para o grupo G2, porém, com incidências distintas. No caso de G1, a ocorrência da operação de acréscimo foi menor do que para G2, enquanto as operações com número de ocorrências mais próximas foram as de retomada, complementação e reordenação tópica. A partir dessa constatação, inferimos que, dentre as operações de maior ocorrência, a de acréscimo foi encontrada de modo distinto do que na EO de G2, conforme será explicitado no exemplo ilustrado no Quadro 48.

Quadro 48 – Classificação das operações de retextualização do slide 6 para a EO do G1

AOP1

“Este efluente gerado possui um alto valor de pH, devido aos níveis significativos residuais de catalisador alcalino, e contém um alto teor de óleo e de sólidos e baixa concentração de nitrogênio. Juntos, estes componentes inibem o crescimento da maioria dos micro-organismos, tornando este efluente difícil de degradar naturalmente”

(…) “Desta forma, após a lavagem do biodiesel, verificou-se um efluente turvo, de cor branca, com uma lâmina de óleo na superfície do efluente”

(…) “

Slide 6

Texto do slide Imagem do slide

O efluente • Alto pH

• Alto teor de óleos e graxas • Baixa quantidade de nitrogênio • Alto teor de sólidos totais • Coloração turva

• Alta demanda de oxigênio (DQO)

Não há imagens no slide

(continua)

EO

1.... então... o que que esse efluente tem que eu preciso tratar ele? Por que que eu não posso simplesmente pegar ele e jogar lá no... no riozinho... no rio Mogi certo? Por que eu não posso pegar e jogar ele lá então... 2. POR que esse efluente ele tem um alto pH... como foi visto na... na produção do biodiesel é usado um catalisador alcalino... então isso deixa o meio muito básico... um pH em torno de onze... entÃo

eu não posso jogar ele... no rio... ele tem alto teor de óleos e graxas... uma baixa quantidade de nitrogênio isso dificulta MUIto a degradação dele... no meio... então isso... demoraria MUItos anos pra ser degradado...3. ele tem uma grande quantidade de sólidos totais que é a matéria orgânica presente... 4. 5. ele tem uma coloração turva como 6. como a gente viu no slide da I... ele é bem marrom assim... então... chama bastante atenção... 7. ele tem uma alta demanda química de oxigênio que é DQO... que é a quantidade de oxigênio que... microrganismos utilizam pra poder degradar essa matéria orgânica que está presente no efluente...

Operações de retextualização

1. Inserção de exemplo; 2. Retomada; 3. Retomada; 4. Retomada; 5.

Reordenação tópica; 6. Acréscimo; 7. Acréscimo (conclusão) Fonte: os autores.

Das operações ilustradas no Quadro 48, destacamos o acréscimo da frase “como a gente viu no slide da I... ele é bem marrom assim”. O aluno expositor faz menção ao colega do grupo que apresentou a EO anterior (aqui abreviado como “I”) e o acréscimo foi realizado de maneira distinta do observado para G2. O comportamento do aluno expositor decorreu da apresentação anterior a esse grupo, na qual o apresentador havia demonstrado, por meio de imagens, o aspecto do efluente do biodiesel. Destacamos que a seleção dos AOP por parte do docente sobre o mesmo tema auxilia os graduandos no entendimento dos textos do próprio grupo e possibilita o entendimento dos AOP dos grupos dos colegas. Assim, as EO abordam diferentes técnicas de purificação do biodiesel e essas podem ser assimiladas por todos. Dessa forma, destacamos a adoção de uma temática para a realização de EO em sala de aula como positiva.

O último acréscimo ilustrado no Quadro 48 também foi distinto do visualizado na EO de G2, visto que foi realizado mediante informações da introdução do AOP. Os autores citaram outro trabalho no qual a Demanda Química de Oxigênio (DQO) presente no efluente do biodiesel foi removida mediante tratamento com ácido sulfúrico e separação de fases. A partir dessa informação, o aluno expositor buscou em outra fonte o que ilustra o último tópico do slide, ou seja, que o efluente do biodiesel apresenta alta DQO. O acréscimo pode ter ocorrido com o intuito de potencializar o entendimento dos espectadores, e funciona como mais um dos motivos existentes para justificar a necessidade da realização do tratamento do efluente por eletrocoagulação/flotação.

A operação da retomada foi utilizada para citar informações presentes no AOP, a partir dos tópicos elencados no slide. A operação de inserção de exemplo, descrita no Quadro 48, foi empregada pelo aluno expositor ao citar um exemplo de descarte do efluente do biodiesel no rio Mogi (“Por que que eu não posso simplesmente pegar ele e jogar lá no... no riozinho... no rio Mogi certo?”). A citação se refere ao rio Mogi Guaçu, porém, o apresentador não ofereceu maiores explicações acerca da sua escolha para os colegas. Por fim, a operação de reordenação

tópica foi empregada para resgatar uma informação que estava disponível em seção posterior no AOP.

As operações de retextualização empregadas na passagem dos slides para EO do grupo G3

As operações de retextualização mais recorrentes foram as de retomada (23 ocorrências) e de reordenação tópica (quatro ocorrências). Por outro lado, as operações de retextualização que observamos em menor ocorrência foram as de complementação, reformulação e acréscimo (uma ocorrência).

Observamos que a operação mais recorrente foi a mesma identificada para os grupos G1 e G2, porém, com número de ocorrências próximo. No caso de G3, notamos que a maior parte da EO foi baseada nas retomadas de informações do AOP, de modo que a aluna expositora resumia as informações e as citava de acordo com o texto-base. Assim, de maneira distinta dos outros grupos, o G3 não teve incidência significativa de nenhuma outra operação de retextualização, de modo que as ocorrências variaram somente de um a quatro. A partir dessa constatação, inferimos que, dentre as operações classificadas, destacamos uma na qual a construção de opinião própria foi encontrada de modo distinto do que nas EO de G1 e G2, conforme será explicitado no exemplo ilustrado no Quadro 49.

Quadro 49 – Classificação das operações de retextualização do slide 10 para a EO do G3

AOP3

(continua)

“Nos parâmetros avaliados, o óleo de fritura não se mostrou excessivamente alterado (quando comparado ao óleo novo), apresentou valores de acidez e viscosidade, condizentes com seu tempo de reutilização (…) De modo geral, o aumento da acidez em óleos usados em processos de fritura reflete o tempo de reutilização do mesmo, cuja decomposição dos glicerídeos é acelerada por aquecimento, pela presença de luz e pelo contato com metais. O valor de acidez do biodiesel diminuiu significativamente em relação ao óleo, logicamente em função do uso do catalisador alcalino na reação de transesterificação. O teor de água livre encontrado nos ésteres (0,078%) foi superior ao recomendado pela ANP para o B100 (0,05%). A presença de água acima do limite estabelecido, entre outras implicações já mencionadas, pode ser responsável pela diminuição da energia do biocombustível, quer por diluição ou pelo favorecimento de reação de hidrólise dos ésteres e, também, por acelerar a oxidação de determinadas peças do motor que entram em contato direto com o combustível. A quantidade de água em óleos residuais de frituras geralmente é elevada e quando é superior a 1% favorece a saponificação, consume o catalisador e reduz a eficiência da reação de transesterificação alcalina. O óleo de fritura absorve água do alimento durante o processo e da solução salina que fica sob o óleo (usada na maioria dos equipamentos de pequeno e médio porte de frituras por imersão). Essa solução tem a função de receber resíduos sólidos que se desprendem dos alimentos durante o processamento de fritura. Outros parâmetros analisados no biodiesel bruto, como viscosidade,

índice de refração e densidade estão em conformidade para ésteres metílicos de óleo de soja segundo a literatura”.

Slide 10

Texto do slide Imagem do slide

Não há texto no slide

EO

1. 2. … bom a caracterização a… do óleo… a do óleo usado que foi… antes… foi usado pra se fazer o biodiesel e o biodiesel foram caracterizados… os valores do óleo usado não foram tão diferentes do óleo novo comparado ao… tipo… eles estão dentro do… do seu tempo de reutilização… a acidez aumentou… porquê… por que?... porque os glicerídeos eles decompuseram com o aumento da temperatura… e da presença de luz… e… no contato com metais… ahn… e no biodiesel a acidez diminuiu porque… foi usado o… o catalisador alcalino isso fez com que diminuísse a acidez do meio… ah o valor de água do biodiesel apesar de estar baixo ele ainda não está dentro dos padrões que seria 0,5 por cento… ahn… e esse… e esse valor de água elevado pode levar a diminuição da energ…. da energia do biodiesel… 3. ou seja ele vai ser menos eficiente… ahn… e a porcentagem de água do óleo usado tá elevada porque o óleo absorveu ahn.. a… a água do alimento que foi frito…e também:::… ele:::… absorveu o:::… a:::… uma camada superficial do óleo… 4. eu não entendi direito essa parte mas tudo bem… ahn… 5. a viscosidade cinemát… E OS outros parâmetros estão todos dentro do… do estabelecido pela… norma… é isso pode passar

Operações de retextualização

1. Reordenação tópica; 2. Retomada; 3. Complementação; 4. Construção de opinião própria; 5. Retomada (conclusão) Fonte: os autores.

Das operações ilustradas no Quadro 49, destacamos a complementação realizada por meio da frase “ou seja ele vai ser menos eficiente”. A aluna expositora demonstra a conclusão elaborada por ela a partir de sua interpretação do AOP e a cita, possivelmente, com o intuito de potencializar o entendimento da audiência. Outra operação em destaque, que foi realizada de maneira distinta do observado para G1 e G2 foi a construção de opinião própria. A aluna expositora menciona não ter compreendido parte do texto do AOP (“eu não entendi direito essa parte mas tudo bem”). Como não era planejada a interação por parte da pesquisadora, a apresentadora não esperou uma resposta e agiu como se pensasse em voz alta, ou conversasse consigo mesma, e após essa observação, continuou a explicação. Por outro lado, o comentário em meio ao discurso, confere caráter informal para a EO.

Além dessas operações, foram observadas a reordenação tópica, pois no slide anterior a esse foram inseridas informações de seção posterior do AOP e a retomada das informações dispostas no texto-base, por meio da inserção da tabela e citação dos dados que a compõem. De forma distinta do observado para os outros grupos, notamos que a aluna expositora de G3 apresentou maior facilidade na memorização de informações, tal qual expostas no AOP. Assim,

o trecho correspondente no texto-base é longo e o seu discurso preserva grande parte dos detalhes descritos pelos autores.

A partir da análise realizada neste tópico, procuramos subsídios para entender como se dá o processo de retextualização dos slides para as EO de forma detalhada para o grupo G2 e de forma sucinta para os grupos G1 e G3. Nosso objetivo foi o de responder a questão de pesquisa - Quais operações de retextualização são empregadas para a produção de EO? Sendo assim, classificamos as operações de retextualização propostas por Marcuschi (2010), Silva (2011) e nesta tese.

A operação mais empregada pelos três grupos foi a de retomada. Isso não é surpreendente, visto que o texto-base foi utilizado como fonte principal de informações. Porém, a segunda operação mais empregada por cada grupo foi distinta, de maneira que a de G1 e G2 foi acréscimo, enquanto a de G3 foi reordenação tópica. A justificativa, conforme citado anteriormente, se deve ao fato da aluna expositora de G3 se utilizar, quase totalmente, de informações dispostas no AOP, sem pesquisa em outras fontes bibliográficas. Logo, para esse grupo não foi encontrado número significativo referente à operação de acréscimo de novas informações.

Tendo em vista o exposto, salientamos que, a partir dos slides, os discursos dos alunos expositores se mantiveram com a característica de conservação das ideias principais dos textos- base. Logo, o discurso baseado nos slides durante a EO envolve diversas técnicas de memorização e organização de ideias por parte dos graduandos. Assim como observado para a análise das operações de retextualização dos AOP para os slides, os alunos se mostraram capazes de realizar uma tarefa de complexidade elevada, a partir do seu entendimento das informações dispostas nos AOP.

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