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A atuação dos museus na sociedade tem passado por diversas transformações. Essas transformações podem ser identificadas nos documentos elaborados no transcorrer das reuniões internacionais do campo da museologia. Entre elas, pode se destacar que, um dos primeiros documentos publicados sob essa perspectiva de transformação foram as atas do Seminário Geral da Unesco sobre a Função Educativa dos Museus, Realizado no Rio de Janeiro em 1958. Na sequência temos as Jornadas de Lurs, em 1966, quando foi proposto o conceito de ecomuseus6; a Mesa Redonda de Santiago do Chile, em 1977, na qual se discutiu a museologia social; a Declaração de Quebec, em 1984, que resultou na instauração do movimento por uma Nova Museologia7; e, por fim, a Declaração de Caracas, em 1992, na qual se reafirmou a função socioeducativas do museu (MARTINS, 2011).

Com isso, os museus de ciência tornam-se, meio de comunicação de ideias, valores e identidade. Deixam de serem instituições fechadas, e passam a serem entidades que dialogam com o público, resultando em uma maior relação com a vida cotidiana das pessoas. Daí, parte a necessidade dos museus de conhecerem seu público; suas agendas de aprendizagens e interesses (HOOPER-GREENHILL, 2007). Isso porque, no século XX, a museologia mudou o foco, e passou da formação de grandes coleções para promover a fruição da cultura e dar acesso aos bens culturais e as tecnologias do mundo contemporâneo, configurando o paradigma da nova museologia (NASCIMENTO, 2013).

Desta forma, os museus e centros de ciências passaram a assumir papel de destaque, por contribuir para compreensão do público, sobre princípios básicos da ciência. Uma

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O conceito encerra uma proposta de atuação museológica baseada na territorialidade, interdisciplinaridade e na participação popular, visando o desenvolvimento social.

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A nova museologia gerou a ampliação da compreensão do papel social dos museus, no sentido de abrir as portas à comunidade, numa relação recíproca. Esse novo paradigma é caracterizado pela multidisciplinaridade e por privilegiar o diálogo entre sujeitos.

vez que na sociedade contemporânea, ciência e tecnologia têm estado cada vez mais presentes na vida das pessoas. Porém, não se pode negar, que essa convivência tem se constituído por meio de participação efetiva dos indivíduos. Assim, Santos e Mortimer (2002) partilham a ideia de que, uma das maneiras de superar o receio pela ciência e tecnologia é por meio da apropriação do conhecimento, o qual historicamente tem sido disseminado pelas instituições formais de ensino.

Neste contexto, os museus são convocados a atuarem como mediadores entre a sociedade, a ciência e os cientistas, na perspectiva de uma cultura científica. Assim, a década de 80 é marcada pelo surgimento dos primeiros museus de ciências com objetivos educacionais explicitados, focado na difusão científico-cultural, voltadas para os mais variados públicos. Esse fenômeno é resultado de um processo que, no contexto internacional, teve início na década de 60 por meio de uma intensa discussão que apontava para uma transformação da prática e do papel social dos museus.

Neste cenário, os museus de ciências construíram seus contornos, no sentido de ir além da preservação de artefatos da história da ciência e da investigação sobre eles, passando a objetivar a popularizar a ciência. É com essa concepção que, como apontado por Gouvêa e Leal (2003), surge principalmente nos Estados Unidos, um museu de ciências de contorno multidisciplinar integrando ciência, tecnologia e arte, enfatizando atividades interativas, chamados de “Science Centers”.

Os centros de ciências, por sua vez, foram configurados no Brasil como agentes capazes de fornecer elementos para a inovação no ensino de ciências e apoio aos professores. Assim, as últimas décadas foram marcadas pela implantação de novos centros e museus de ciências em todo País, principalmente a partir de 2000. Isso se deve principalmente ao apoio financeiro da Fundação Vitae (2000 – 2004) e do CNPq a projetos de criação e incentivo a centros e museus de ciências, bem como a criação da Semana de Ciência e Tecnologia pelo Governo Federal e o estabelecimento da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências - ABCMC (JACOBUCCI, 2006).

1.2.1 A mediação social do museu de ciências

Ciência e tecnologia passaram a constituir bens mercantis, ao mesmo tempo disponibilizados e protegidos no mercado global, de modo que a crescente inserção socioeconômica da ciência impõe a aceitação, pela sociedade, do caráter benéfico das aplicações. Isso Implica numa rápida assimilação, na vida cotidiana dos indivíduos, dos artefatos técnico-científicos transformados em objetos de consumo, por isso a própria sociedade amplia seu interesse e preocupação em melhor conhecer o que se faz em ciência e o que dela resulta (ALBAGLI, 1996).

Espera-se, então que os museus assumam o papel de protagonistas, especialmente nas sociedades com menor desenvolvimento econômico, contribuindo dessa maneira para democratizar o acesso ao conhecimento científico. Só conhecendo as implicações da ciência, seus aspectos positivos e negativos, o compromisso político e as tensões econômicas a sociedade terá argumentos para superar os medos constantes dos avanços científicos. Assim, o museu de ciências exerce o papel de mediador entre quatro setores: o setor onde conhecimento científico se aplica; o setor produtivo; O setor onde a ciência é gerida: a administração; O setor onde o conhecimento causa impacto positivo ou negativo: a sociedade (WAGENSBERG, 2008.).

Além disso, há que se considerar que a difusão de notícias científicas não garante a participação do público na ciência (GRUZMAN; SIQUEIRA, 2007), por isso a atuação dos museus de ciência se coloca para além da comunicação, convertendo-se em formadores de opinião pública, e espaço onde se instaura uma arena de debate. Desse modo, outro mecanismo de ação utilizado pelos museus de ciências, consiste na divulgação científica, como sendo mais uma estratégia de alcançar seu público diverso.

1.2.2 A divulgação cientifica no museu de ciências

A divulgação científica, denominada "popularização da ciência" ou "vulgarização da ciência", constitui-se de procedimentos voltados à comunicação da ciência para o público em geral. As narrativas dos museus de ciência via divulgação científica,

pretendem promover diálogos e reflexões acerca das relações entre ciência e sociedade (SOUZA, 2009). Esse trabalho realizado pelos museus de ciências torna acessível, ao público, temáticas que estão presente na vida das pessoas e que de modo geral são discutidos somente entre pesquisadores.

Segundo, a divulgação científica deve ser delineada levando em conta: conteúdo e intenção: o que se pretende e para quem, para que a mensagem chegue com fidelidade ao receptor; Forma de comunicar: equivale ao “como” no caso dos museus são as exposições; baseadas em investigação cientifica e explicadas de maneira clara; Promoção e difusão: encontrar as vias adequadas para dar a conhecer a programação dos museus e despertar o entusiasmo do público para ir vê-la.

Os museus de ciências são espaços privilegiados para a promoção da divulgação científica, por possibilitarem a compreensão do patrimônio material e imaterial científico tecnológico. Neste sentido, uma importante contribuição dos museus de ciências se refere a abordagem de temáticas controversas, como é o caso da biotecnologia, da engenharia genética, alimentos transgênicos e outros como destacado por Cazelli, Valente e Alves (2003). Schall (2003) é enfática em reconhecer o papel educativo dos museus. Pelo processo de comunicação aberta que promove. Reiteramos que o papel social dos museus de ciências hoje, se inscreve na mediação entre a sociedade, a ciência e os cientistas; na divulgação científica, na medida em que ampliam o acesso ao saber; e na promoção de educação, como espaços não formais de aprendizagem.

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