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Resilia et la cryptographie "par seuil" (threshold cryptography)

Neste item serão delineadas as duas principais abordagens metodológicas adotadas no ensino de filosofia para as crianças, elaboradas por Lipman e Kohan.

Compartilham e se fundamentam nos princípios da participação, questionamento e respeito pela opinião do outro.

Percebe-se que tanto Lipman como Kohan, nas suas fundamentações metodológicas, buscaram inspiração em Dewey, quando em sua Teoria da Investigação afirmou que ela acontece em situações problemáticas que vão se delineando dentro de um determinado contexto. Aspectos como: respeitar o desenvolvimento natural do diálogo na criança; das suas habilidades criativas; do descrever e do narrar; o respeito entre o grupo e o indívíduo; entre a lógica e a imaginação, e entre o cognitivo e o afetivo.

Tanto Lipman quanto Kohan, ainda que tendo se inspirado no pensamento de Dewey, idealizaram metodologias diferentes. Lipman preferiu uma exposição sequencial, dentro de um todo, a que deu o nome de novelas. Kohan, seguidor do pensamento de Lipman, preferiu trabalhar com um conjunto de palavras extraídas do cotidiano das crianças, dos contextos vividos por elas. Esses conjuntos de palavras devem ser cuidados a partir de um planejamento prévio, além da preparação dos professores e equipe com avaliação posterior a cada intervenção feita.

Na sua definição do que seja um campo de estudos, ou disciplina, Lipman (1995, p. 344) a define como "O pensar em uma disciplina significa penetrar através da superfície exterior da disciplina e participar ativamente do processo cognitivo da sua matéria de estudo.” A propósito, Muraro (1998) alerta que não se pode confundir a disciplina com o "passeio de lazer do turista, mas uma entrada vigorosa na vida de uma sociedade, da sua cultura, da sua linguagem, da sua forma de vida que constitui a disciplina escolar”. Entende-se que se deve aprender como o cientista pensa, e pensar como ele, ou seja, uma íntima articulação entre ensinar o método, o processo do conhecimento e dos seus resultados.

Por estas razões Lipman destaca a importância de desenvolver habilidades cognitivas necessárias às demais aprendizagens, inclusive necessárias ao desenvolvimento das habilidades específicas das outras disciplinas. Essas habilidades deveriam ser desenvolvidas através do método dialógico, próprio da filosofia, que propiciaria também o exercício democrático da discussão de assuntos importantes para a vida das crianças. O pensar é recurso humano imprescindível,

tanto para a produção de explicações quanto para a constituição dos sentidos. Exercitá-lo, no enfrentamento das questões envolvidas na busca da construção de significados, pode resultar no seu próprio aprimoramento. E tal aprimoramento ocorrerá se o exercício do pensar merecer atenção e cuidados especiais por parte dos educadores e dos próprios educandos.

O aspecto central do recurso metodológico, a constituição da comunidade de investigação, idealizada por Lipman, é o exercício do diálogo investigativo que transforma os grupos de educandos em pequenas comunidades de investigação. Nelas, os participantes expõem suas idéias, escutam-se uns aos outros, questionam-se mutuamente, comparam seus pontos de vista, complementando-os e, eventualmente, corrigindo-os. Trata-se de um verdadeiro processo de cooperação intelectual, afetiva e criativa. As interações sociolinguísticas que aí ocorrem, devidamente observadas, cuidadas e orientadas por educadores preparados, são promotoras do desenvolvimento das condições cognitivas: um verdadeiro processo de Educação para o Pensar.

Um dos pressupostos do programa de filosofia para crianças é que a participação produtiva numa pequena comunidade de investigação exige comportamentos e atitudes de cooperação, respeito mútuo, interesse por objetivos comuns e avaliação crítica. De acordo com o referido programa, a ocupação dos espaços da cidadania requer das pessoas tais comportamentos e atitudes, que podem decorrer ou ser reforçados quando se aprende desde cedo a respeitar os pontos de vista dos outros; que o próprio ponto de vista tem o mesmo valor e peso do dos outros; a respeitar a vez dos outros e a exigir respeito pela própria vez; a respeitar regras combinadas; que as regras podem ser discutidas e modificadas, mas que são necessárias para a vida em comum; que todos somos iguais; que todos somos igualmente dignos de respeito.

Para Kohan (2000), o domínio dos elementos éticos necessários às relações sociais, no seu entendimento metodológico, deve ser articulado em torno de um grupo de palavras-chave, que são decisivas na hora de pensar o trajeto, sendo estas palavras: crítica, pergunta, experiência, diálogo, criação, resistência, participação, sentido, insatisfação história, sujeito, infância, amizade. Outras poderão auxiliar a continuar demarcando o rumo neste constante “pensar-se e

fazer-se” da filosofia. As palavras se representam umas nas outras, visitam-se, entrecruzam-se no decorrer de um texto. Pode-se perceber que em umas aparecem as outras. São palavras amigas como muitas outras que poderiam estar nesta relação e que também visitam nosso texto diário: curiosidade, diferença, debate, transformação, inquietação, liberdade, imaginação, dignidade, dúvida, pensamento, angústia, compromisso, autonomia, dentre outras.

Essas palavras-chave estarão inseridas em textos, que devem ser cuidadosamente selecionados: um poema, uma pequena história, uma letra de musica, uma notícia, uma fotografia, um recorte de jornal, um jogo, uma brincadeira, uma dramatização, um gesto, uma pintura ou uma obra filosófica clássica. Há que se considerar a importância de qualquer forma textual de onde possam ser extraídas perguntas que suscitem questionamentos e que provoquem no grupo a curiosidade, o espanto e o desejo de investigar e de inquirir.

A dinâmica ou atividade inicial deve provocar uma interação no grupo, preparando-o em relação aos textos ou temas que vão ser trabalhados. O texto deverá ser lido, ouvido, cantado, dançado, tocado e observado dentro de suas próprias exigências, onde será questionado e colocado em suspenso. Perguntas serão elaboradas individualmente ou em pequenos grupos para quer sejam expostas ao grande grupo, respeitando sempre o tempo disponível e a quantidade de pessoas envolvidas. As perguntas serão discutidas uma a uma, ou apenas algumas ou somente uma delas. Deverá ser mantido critério ou critérios pelo grupo para o processo de escolha. Após todo esse preparo, inicia-se uma discussão sobre os pontos de vista expostos, argumentação, contra-argumentação, ouvindo, falando, pensando e repensando.

Para Kohan, o encerramento de cada encontro não pode ser entendido como uma conclusão, mas sim como um resgate de tudo que foi dito, pensado e elaborado. Que se dedique um tempo para cada um poder refazer mentalmente o processo ocorrido e resumi-lo, o que pode ser feito através de diferentes formas de linguagem: gravuras, imagens ou outras formas de recursos que possam representar o que ficou retido.

com que a discussão ocorra coletivamente. O professor não pode ser a referência das falas e olhares, perguntas ou respostas: a sua fala deve revelar mais uma opinião, um pensar, uma contribuição e não a palavra mais importante ou legítima. O professor deve ter postura humilde e perceber-se igual no momento da investigação. Não pode ser neutro nem igualmente envolvido nos questionamentos sugeridos pelos grupos, deverá ser cuidadoso em emitir a sua opinião, posicionar- se e participar ativamente da discussão.

Nesse entendimento, o professor vez ou outra fará suas intervenções no grupo, organizando falas, solicitando esclarecimentos, provocando intercâmbios de ideias, evidenciando divergências, convergências, complementações e incitando questionamentos. É nestas condições que o professor se fará presente, sempre na condição de coordenador, mas, em alguns momentos, os alunos podem se tornar coordenadores das discussões. No entendimento do autor, não é possivel pensar em procendimentos uniformes tratando-se da educação, em especial quando se trata de uma educação filosófica.

Sintetizando, Leal (1999) aponta que o caminho da filosofia com crianças é possibilitar que alunos e professores reflitam sobre os textos expostos, sejam eles quais forem. Que elaborem perguntas, que reflitam sobre elas, que elaborem ideias a respeito das mesmas; que apresentem razões para o que dizem; que ouçam os colegas; que pensem sobre o que foi dito por todos e por eles mesmos; que reelaborem seus pensamentos; que apresentem contra-exemplos; que estabeleçam relações entre diferentes coisas; que façam inferências; que busquem a compreensão do sentido do que está sendo discutido; que tentem ver as coisas de outra ou outras maneiras; que tentem colocar-se na perspectiva do outro; que permitam ao outro colocar-se em sua perspectiva; que se envolvam cognitiva e afetivamente; que colaborem para um pensar coletivo. Enfim, que se envolvam numa investigação filosófica coletiva.

2.4 AS INICIATIVAS DE ENSINO DE FILOSOFIA PARA CRIANÇAS NO BRASIL